A crise financeira mundial chegou ao Distrito Federal reduzindo a arrecadação e produzindo enxugamento de gastos nas mais diversas áreas do governo. Menos na que trata dos eventos de divulgação da cidade. Em tempos de suspensão de reajustes salariais, a BrasiliaTur vai gastar R$ 2,3 milhões em patrocínio para que a etapa brasileira do circuito mundial de Vôlei de Praia aconteça em Brasília. Em setembro do ano passado, pelo mesma etapa, a prefeitura da cidade paulista do Guarujá pagou R$ 800 mil.
Os jogos acontecem de 21 a 26 de abril, na Esplanada dos Ministérios. O evento já conta com patrocínio do Banco do Brasil, Kia Motors, Gillette, Webjet, Red Bull, SKY, Brasilprev e Brasal. Mas, pelo contrato de patrocínio assinado com a Confederação Brasileira de Voleibol, com inexigibilidade de licitação, a BrasiliaTur entrará com mais R$ 2,3 milhões. A primeira parcela foi paga no dia 15, no valor de R$ 1,1 milhão. A empresa que detém os direitos do mundial de vôlei é a RB2 Eventos, do empresário Ricardo Bernd.
Tudo bem investir em eventos esportivos e na divulgação da capital pelo país. Mas a dúvida que fica é sobre o retorno que esses investimentos trazem. Existe algum estudo que comprove esse retorno?
Até porque, em momentos como esse, em que é preciso tirar o pé do acelerador, como nos diz o próprio governador José Roberto Arruda, não seria mais prudente usar esse dinheiro em outras áreas?
Os R$ 2,3 milhões gastos pela BrasiliaTur seriam suficientes, por exemplo, para entregar um posto de saúde prontinho à população. E melhorar o atendimento em uma das áreas mais críticas do governo. Foi exatamente esse o valor do posto inaugurado no início de abril no Itapoã, com seis consultórios médicos e seis de enfermagem, além áreas para atendimento de Nutrição, Serviço Social e Terapia Ocupacional e consultório odontológico. E com uma expectativa de atendimento de 200 pessoas por dia.
Esse recurso daria tamém para construir 23 novos postos policiais comunitários. E ajudar a reduzir os índices de criminalidade que assustam os brasilienses. Um posto custa R$ 104 mil e conta com uma viatura, duas motos, além de rádio, computador, telefone celular e uma torre de observação.
A pergunta é “qual é a prioridade”?