
Secretário de Obras: "PSDB é partido de expressão"
Na entrevista desta semana da série com presidentes de partidos, o blog conversou com o secretário de Obras do GDF, Márcio Machado, responsável pelo comando do PSDB na capital. Aliado antigo do governador José Roberto Arruda, Machado administra em sua legenda um conflito que se repete por todo o GDF: a convivência de arrudistas e rorizistas em um mesmo projeto. Talvez por isso o secretário de Obras ainda acredite em um entendimento entre Arruda e o ex-governador Joaquim Roriz (PMDB). “Tenho esperança que ainda pode haver um acordo entre essas partes”, diz. Confira a seguir a entrevista do tucano ao blog:
O PSDB nacionalmente é um partido muito forte, com candidato àa presidência da República. Mas no DF ainda é uma legenda pequena, com menos expressão que diversas outras siglas. O que fazer para o ninho tucano crescer?
Márcio Machado - Essa é uma grande preocupação nossa. É a maior preocupação que eu tenho em relação ao PSDB. Estou trabalhando neste momento para justamente termos uma nominata, tanto para a Câmara Distrital quanto para a Câmara Federal, estabelecendo uma meta de crescimento do partido. Então, com esse trabalho, estamos tentando eleger quatro deputados distritais e dois deputados federais. Uma bancada muito maior do que a que temos hoje, com apenas dois deputados distritais (Jaqueline Roriz e Milton Barbosa).
Uma das críticas ao pleito do PSDB por uma vaga na chapa majoritária do governador Arruda é exatamente o fato de o partido não ter uma representatividade grande no Distrito Federal que justificasse esse pedido. Como o senhor responde a isso?
Machado - Não se mede o tamanho do partido apenas pela sua bancada, mas também por outros fatores. O PSDB é um partido de expressão. Nós temos a ex-governadora Maria de Lourdes Abadia. Ela já foi deputada federal, deputada distrital, é uma expressão muito grande do partido. E estou citando ela como exemplo. Mas temos outras figuras importantes que podem, com certeza, assumir uma candidatura majoritária, no caso, ao Senado.
Nos últimos dias ouvimos críticas ao PSDB, de que o partido parou no tempo, não aceita novas filiações, é um partido fechado. É assim mesmo?
Machado - Essa afirmação não é verdadeira. Eu vi essa entrevista no seu blog. O deputado Izalci Lucas (PR), que fez esse depoimento, com certeza, está cometendo um grande equívoco porque o PSDB recebeu filiações, dele próprio e de outras lideranças que fizeram diversas ações, em torno de três mil durante o período de 2008 e 2009.
Nós não temos nenhuma restrição com relação à filiação. O que neste caso ocorreu foi que o deputado Izalci tentou ter o controle do partido. Aliás, quando ele se filiou ele tinha essa intenção, de ser o presidente do PSDB.
Lógico que nós, dirigentes, analisamos essa questão. Eu estive conversando com o próprio deputado e disse a ele que essa vontade dele não seria obtida dessa forma, mas sim conversando, discutindo e buscando um entendimento dentro do PSDB. A forma que ele quis controlar e dominar o partido, nós não poderíamos aceitar de jeito nenhum. Isso foi muito claramente colocado para ele. Ele até me afirmou, em determinado momento, que foi para o partido para assumir a presidência. Eu não sei com quem ele fez esse acordo. Portanto, essa ação dele foi bastante equivocada e que o partido jamais poderia aceitar. PSDB é um partido aberto, democrático.
Tão democrático que hoje tem uma parte dele que apóia o governador José Roberto Arruda e outra parte - composta pelos parlamentares - que apóia o ex-governador Joaquim Roriz. Como conciliar isso na eleição?
Machado - Na verdade, essa questão ainda não está muito clara, porque não existe ainda candidatura posta. No momento em que tivermos definidas as candidaturas e a posição do partido PSDB, onde que ele vai estar, em qual coligação, aí sim, se houver posições contrárias dentro do partido, cabe a executiva definir qual vai ser a medida a ser adotada.
Na eleição, passada o senhor se licenciou da legenda para apoiar o governador Arruda, uma vez que o PSDB tinha ex-governadora Maria de Lourdes Abadia como candidata à reeleição. A medida pode ser semelhante a essa?
Machado - Pode ser uma coisa parecida. Até quando eu tomei essa atitude, ela foi conversada com a executiva do partido. Houve uma compreensão com essa questão porque eu tinha uma relação pessoal com o governador Arruda e resolvi, junto com a direção do partido, me licenciar. Lógico, se houver casos semelhantes, essa medida poderá ser adotada.
Falando da disputa nacional, o PSDB vive o dilema de escolher quem será seu candidato à presidência da República, Aécio Neves ou José Serra. Como os tucanos do DF estão vendo esse debate?
Machado - Realmente existe uma situação ainda indefinida dentro do PSDB. Isso talvez possa estar prejudicando uma futura candidatura, porque do outro lado, a situação, o PT, tem já uma candidatura colocada, em campanha explícita por todo o Brasil. Enquanto o PSDB tem dois grandes candidatos sem definição.
Mas essa questão deverá ser definida até o final do ano. Eu tenho conversado muito com a nacional. O partido deve acelerar um pouco mais a decisão, porque inicialmente a idéia era fazer isso só ano que vem. Mas como o processo esta se precipitando muito rapidamente, eu entendo que há a necessidade dessa definição sair ainda este ano.
A posição da executiva local é aguardar esse entendimento entre Aécio e Serra, que eu acredito ser possível. Eu percebo que os dois candidatos estão muito bem afinados, buscando esse entendimento. E nós todos esperamos que isso venha a ocorrer.
O senhor disse que o processo se precipitou nacionalmente. E aqui no Distrito Federal? Como o senhor avalia este momento?
Machado - A gente vê que o clima está efervescente, as candidaturas estão sendo postas. Eu acho que isso prejudica muito o processo eleitoral. No caso da base do governador Arruda, prejudica muito a gestão, a base tem de ficar preocupada com eleição muito cedo, muito distante de outubro de 2010. Mas eu acho que com isso, as forças políticas têm de buscar um horizonte e buscar se situar nesse processo eleitoral. Ter sua participação também, discutir qual vai ser o futuro desse processo.
E eu espero, já que existe uma relação boa entre o governador Arruda e o ex-governador Roriz, já que eles já estiverem juntos, que eles busquem um entendimento. Acho que há possibilidade disso, tendo vista que o próprio PMDB, partido do ex-governador, está base do governo hoje. Então tenho esperança que ainda pode haver um acordo entre essas partes.