
Foto: Tuca Pinheiro/Portal PPS
Em mais uma edição da série de entrevistas com presidentes de partidos no Distrito Federal, o blog conversou com o presidente regional do PPS, Fernando Antunes. Secretário adjunto de Saúde do DF, Antunes não falou apenas de política. Defendeu o sistema de Saúde e assegurou que, até o final do ano, ele terá uma nova cara, mais simpática para a população. “Nossa decisão de ir para a Secretraria de Saúde foi na intenção de fazer o partido crescer. Teríamos o desgaste, mas também a possibilidade de ter uma vitrine para o PPS”, revelou Antunes. Confira a entrevista a seguir:
Fechado o prazo para troca de partido, o PPS está com sua nominata pronta. Como ficam agora as negociações para coligação com o Democrata do governador José Roberto Arruda?
Fernando Antunes - Tivemos uma reunião com a executiva do partido na noite de quinta-feira e tomamos uma decisão: não vamos abrir mão de integrar a chapa majoritária do governador Arruda. O PPS está dizendo “estamos aqui e vamos lutar por uma vaga na majoritária”. Pode ser uma das vagas ao Senado ou à vice-governadoria. Mas fazemos parte da aliança nacional básica com o Democratas e o PSDB e queremos o mesmo aqui no Distrito Federal.
E quem seria o nome para esta vaga? Augusto Carvalho?
Antunes - Nossa expectativa era de que o secretário de Governo, José Humberto Pires, se filiasse ao PPS. Ele seria o nosso nome para a majoritária. Infelizmente não deu certo. Mas o PPS tem bons nomes para isso, temos, sim, o secretário de Saúde, deputado federal Augusto Carvalho, e o de Justiça e Cidadania, deputado distrital Alírio Neto. Com qualquer um dos dois o PPS será bem representado. São eles os nomes que vamos oferecer ao governador Arruda.
Esses dois nomes são grandes puxadores de votos na disputa proporcional. Sem um deles, como o partido ficará?
Antunes - O PPS defende que, para deputado federal, a gente repita em 2010 a chapa única que fizemos em 2006, com DEM, PR e outras legendas. O chamado “chapão”. Nossa intenção é conseguir dobrar nossa representatividade na Câmara Federal, elegendo dois deputados. Para isso estamos trabalhando, além do Augusto, o nome do diretor da Polícia Civil, Cleber Monteiro, e o meu próprio nome. Já para distrital ainda não sabemos como vai ser nossa aliança, mas estamos preparados para sairmos sozinhos, se for necessário. Nesse caso garantiremos ao menos uma vaga. Mas estamos trabalhando para conquistar duas.
Caso Alírio saía para senador, Claudio Abrantes (suplente do partido na Câmara Legislativa) seria o principal puxador de votos?
Antunes - Fizemos boas filiações. Além de Claudio Abrantes, que deve ter um bom desempenho, contamos agora com Luzia de Paula (ex-PSL), suplente do deputado distrital Raimundo Ribeiro, que fez uma boa votação na última eleição. Também recebemos o policial civil aposentado Marcelo Toledo, que deixou o Democratas para se juntar a nós. Ele também teve uma boa votação na disputa para distrital em 2006 (virou segundo suplente do PSL, atrás de Luzia de Paula).E ainda temos nossos nomes como Ricardo Pires, presidente do Procon, que também deve ter uma boa votação.
Então o PPS está com planos ambiciosos para 2010…
Antunes - Sim. Nosso partido cresceu. Nossa decisão de ir para a Secretraria de Saúde, com Augusto, e para a Justiça e Cidadania, com Alírio, foi na intenção de fazer o partido crescer. Teríamos o desgaste, mas também a possibilidade de ter uma vitrine para o partido.
Mas a Secretaria de Saúde não se transformou exatamente em uma boa vitrine…
Antunes - Ainda não. Temos muita mídia negativa, mas vamos conseguiur neutralizar isso e deixar a população satisfeita. Pesquisas mostram que os principais problemas da rede pública hoje são a demora na marcação de consultas e de exames e a dificuldade em conseguir cirurgias. Quem é atendido fica satisfeito, mas a demora a conseguir atendimento é que desgasta. Estamos com várias medidas já em andamento para, em curtíssimo prazo, resolver esta situação. Até o final do ano esperamos estar com outra imagem na Secretaria.
Que medidas serão essas?
Antunes - A primeira de todas, resolvida esta semana, será a contratação de uma cooperativa de anestesistas. Nessa sexta-feira conseguimos um acordo sobre o valor do contrato e ele deve ser fechado no próximos dias. Com isso, de 30 a 50 profissionais irão reforçar o atendimento na rede pública. A intenção é que essas contratações possam reduzir um dos principais gargalos do sistema (a falta de anestesistas) e fazer a fila das cirurgias andar.
A segunda medida é a implantação das UPAs (Unidades de Pronto Atendimento). Nossa expectativa é de que, até o final do ano, oito UPAs estejam em funcionamento (Recanto das Emas, São Sebastião, Ceilândia, Pôr do Sol e Sol Nascente, Núcleo Bandeirante e Riacho Fundo, Samambaia, Sobradinho II e Areal). Elas vão desafogar os prontos-socorros dos hospitais. Sem sobrecarga de atendimento, as equipes poderão dar mais atenção aos procedimentos internos. Com isso, agilizamos a marcação de consultas e de exames.
E a terceira medida será o programa Remédio em Casa. Entregando os medicamentos pelos Correios ou por motoboys retiramos da porta dos hospitais as pessoas com doenças crônicas que precisam de uma consulta só para receber a receita e retirar o remédio na farmácia.Com tudo isso, acredito que vamos mudar a cara do sistema de Saúde do DF.
Mas além das queixas da população, são muitas as denúncias de irregularidades na Secretaria. Como responder a isso?
Antunes - Ao contrário do que dizem por ai, não aparelhamos a Secretaria para fazer caixa dois para o PPS. Isso é um absurdo. Sequer colocamos filiados ao partido na estrutura da pasta. Temos, no gabinete de Augusto, eu e mais uns cinco filiados ao PPS. Não há um diretor de hospital que seja do nosso partido, um único subsecretário. Houve até quem quisesse se filiar e nós não deixamos. O problema é que herdamos uma secretaria com alguns vícios, com alguns problemas. Já pegamos alguns servidores aqui dentro que dificultavam os processos de licitação para forçar uma contratação emergencial. Mas estamos desmontando tudo isso aos poucos. Até o ano que vem, podermos mostrar à população que estamos no caminho certo.
Mas eu queria dar um aviso. Também vamos mudar de postura a partir de agora. O PPS cansou de apanhar. Agora não vamos mais continuar apanhando sem bater.