Ex-secretário de Justiça e Cidadania, o deputado distrital Raimundo Ribeiro (PSDB) é hoje um dos principais aliados do governador José Roberto Arruda fora do Buritinga. Na Câmara há pouco mais de um ano, ele deu, em entrevista ao jornal O Distrital, suas impressões sobre o atual cenário político do DF. Confira principais trechos da conversa. A íntegra pode ser lida aqui.
Que impressão esse novo contato com o povo tem dado ao senhor sobre as eleições de 2010?
RR - Eu acho que esta vai ser uma eleição polarizada entre o ex-governador Joaquim Roriz e o governador José Roberto Arruda. Mas acho que nós ganharemos. Sem dúvida será bem disputada e isso é bom para o processo. Com o governador Roriz, eu acho que é melhor ainda, porque nós temos dois modelos de duas pessoas que tiveram a oportunidade de trabalhar pela cidade. Então é só perguntar para a sociedade qual modelo ela prefere.
O senhor acredita então que a eleição será o momento de distanciamento entre Roriz e Arruda?
RR - Não, existem diferenças que são de estilo. Mas eu acho que o distanciamento não deve ser pessoal. Em um determinado contexto, o governador Roriz fez o que entendeu que era adequado para aquele contexto, para aquele momento. Nós estamos em outro contexto, estamos fazendo um governo que busca resgatar a legalidade, corrigir algumas imperfeições do processo.
Dentro disso acho que é a principal bandeira do nosso governo é a da legalidade. A sociedade já incorporou essa bandeira, já sentiu que a legalidade é boa para a sociedade como um todo e, a partir daí, eu acho que nós teremos um resultado satisfatório.
Além da bandeira da legalidade, que outras ações o senhor apontaria como diferencial para este governo?
RR - Eu acho que fundamentalmente nós ordenamos a cidade. Veja só, quando você regulariza os quiosques, você não apenas valoriza os trabalhadores, mas traz a tranqüilidade para a sociedade de que, regularizado, ele passa a ter uma fiscalização eficaz, de que ela pode comprar os produtos sem riscos.
A regularização dos condomínios é outro exemplo. Era um problema que afligia, angustiava, a população há mais de 30 anos. Hoje é um processo irreversível. Eu tive o privilégio de presidir a Comissão de Regularização de Condomínios e nós conseguimos vender os lotes para os ocupantes por um preço em que se abateu o valor das benfeitorias realizadas por eles. As pessoas tiraram essa angústia de seu coração.
Então eu acho que a mensagem dessa regularização dá uma segurança à população de que a ocupação desordenada nunca mais tornará a acontecer no Distrito Federal. Até porque a população passou a entender esse processo e certamente saberá, com mecanismos próprios, repelir qualquer tentativa de grileiros de tomarem conta das áreas.
Mas fundamental é essa mensagem da legalidade. A população tem de entender que a legalidade beneficia a sociedade como um todo. E a ilegalidade, ou a irregularidade, beneficia apenas os amigos dos donos do poder.
Bom, deputado, a bandeira do governo está definida. E a chapa?
RR - Tudo é dependente de conversas que ainda vão acontecer. Eu vejo, por exemplo, que o PMDB deve ser incorporado de modo formal ao nosso governo. O PMDB tem uma história, tem grandes quadros. Então eu acho que o PMDB tem de estar conosco. O PSDB também deve fazer parte da chapa. É um partido que tem apoiado sistematicamente o governo. E acho que alguns outros partidos que contribuíram para este governo também devem permanecer conosco. Agora o tamanho dos espaços deve ser definido em tempo próprio. No ano que vem, em março, abril.
Mas todos querem ter garantido os espaços para consolidar as alianças…
RR – Eu acho que primeiro temos de formar o time. Depois a gente escala a posição. Como é que você forma um time? Você identifica as deficiências, contrata jogadores e forma uma equipe. A partir daí se faz a escalação. Por exemplo, tivemos a Copa de 70, Piazza era médio volante, mas quando fizemos a composição da equipe, nós o trouxemos para a quarta-zaga. O Rivelino era meio-campo, era meio-armador. O Pelé também era meio-armador. O Tostão também era meio-armador. Mas os três jogaram no mesmo time em posições diferentes.
Então o senhor acha que deveriam formar o time, com José Humberto Pires, Alberto Fraga, Tadeu Filippelli, Márcio Machado, Adelmir Santana, para depois definir as candidaturas?
RR - Exatamente. Esse é o time. E eu acho que deveria seguir esta lógica. Até porque nós precisamos também trabalhar com as pesquisas e verificar o que o eleitor quer. O eleitor quer fulano de tal como senador? Porque não adianta querer colocar uma pessoa que não tem a simpatia da população. A população não quer o sujeito e você agora vai impor sua candidatura? Não, a eleição é um ato de se expor o nome à vontade do eleitor. Então temos de levar isso em consideração.
E o senador Cristovam Buarque, que tem a aprovação da população nas pesquisas, entra no time?
RR - Cristovam é um grande nome que viria somar muito se estivesse conosco. Acho até que a tendência é que esteja, principalmente depois do discurso do Reguffe (o distrital José Antônio Reguffe anunciou que abria mão da candidatura ao GDF pelo PDT). Mas eu acho que Cristovam também deve participar de discussão e aguardar. A partir do momento que se cria a unidade no grupo, não deve prevalecer mais a vontade pessoal. Cada um disponibiliza o seu nome para o melhor do grupo político.
Mas nesse time não caberia o grupo rorizista, caberia?
RR – Eu acho que é possível, Porque no nosso grupo tem muita gente que nasceu no grupo do Roriz, inclusive o próprio Arruda. Eu não, eu nunca estive nesse grupo. Mas tenho muito respeito pelo governador Roriz, acho que ninguém fala de política no DF sem citá-lo.
Mas ter gente que nasceu no grupo político do Roriz dentro do nosso grupo mostra que temos projetos políticos parecidos. O grande diferencial é que Arruda buscou corrigir os erros, ainda que involuntários, do governo anterior. Essas correções, no entanto, não descaracterizam a identidade de projetos. E acho que o eleitor deseja ver os dois juntos. Deveria ser feita uma pesquisa para perguntar se o povo gostaria de ver Arruda e Roriz juntos em 2010.
O senhor acha que a resposta surpreenderia?
RR - Não a mim. Eu acho que a resposta seria sim.