Eleições 2010

Arquivo para fevereiro 2010

As disputa internas petistas

Partidos, Política em 28/02/2010 às 17:28

PT-DF promove nesta segunda-feira (1º) reunião do diretório para discutir os rumos do partido nas eleições de outubro deste ano. A legenda vai discutir proposta de governo, coligações e as prévias internas, marcadas inicialmente para 21 de março. A intenção é definir o candidato majoritário do partido antes de abril.

Para a reunião já existem temas em debate. Um delas é de Gustavo Balduíno, integrante do diretório, que propôs uma espécie de regulamentação das prévias da legenda. As proposta inclui, entre outras coisas, o pedido para que não haja cobrança de contribuição financeira dos filiados para participarem da votação, que os dois candidatos apresentem uma prestação de contas dos recursos utilizados no processo e que a direção nacional e a imprensa sejam convidadas a acompanhar todo o processo. A preocupação, diz Balduíno, é com a lisura do processo.

O PT já enfrentou uma crise interna sem precedentes à época da eleição interna do partido em 2007, quando Chico Viligante e Geraldo Magela protagnizaram um duro confronto. Magela apoiava Lenildo Moraes, que venceu a eleição contra Vigilante no segundo turno, sob acusação de fraude. Vigilante conseguiu a interferência da direção nacional e venceu a disputa. Desde então, os dois grupos nunca deixaram de se estranhar. Nas prévias, voltam a se enfrentar com o próprio Magela e o candidato de Vigilante, Agnelo Queiroz.

As dificuldades para Eurides

Câmara Legislativa, Política em 28/02/2010 às 15:06

Apesar da pressão dos colegas e mesmo da opinião pública, a deputada distrital Eurides Brito (PMDB) não vai seguir os colegas Leonardo Prudente (sem partido) e Junior Brunelli (PSC) na decisão de renunciar ao mandato para fugir da cassação. Para Brunelli, a renúncia representa a possibilidade de se candidatar a um cargo eletivo ainda este ano. Para Prudente, representa a chance de reconstruir a vida política para 2014. Eurides passa por um problema mais complicado.

Ainda que tenha mantido a legenda, a renúncia não facilitaria sua campanha em outubro. Ao contrário dos colegas, Eurides não se elegeu em 2006. Conseguiu apenas ser a primeira suplente do PMDB. E chegou ao  mandato com uma outra renúncia, do distrital Pedro Passos, também para evitar a cassação, em 2007. A dificuldade eleitoral já havia sido sentida pela peemedebista mesmo antes da Operação Caixa de Pandora. Para a eleição deste ano, sua aposta era uma dobradinha com o então secretário de Educação, José Luiz Valente, que traria os bons números da Educação no DF como bandeira. Valente também foi citado nas denúncias, também foi alvo de mandado de busca e apreensão em sua casa, e seu potencial eleitoral despencou nos últimos meses.

Com cenário difícil para este ano, também não seria vantagem para a distrital apostar em um retorno em 2014. Sua idade avançada e o desgaste vivido pelo PMDB fazem os riscos de ser substituída na preferência do eleitorado serem maiores do que a lealdade dos eleitores que sempre lhe acompanharam.

Dessa forma, é mais produtivo para Eurides seguir em frente com o processo por quebra de decoro parlamentar na Comissão de Ética. Por meio dele, ela poderá apresentar seus argumentos de defesa, esclarecer as denúncias contra ela, debater o assunto na Casa. E tentar convencer os eleitores de sua inocência.

PS. A deputada distrital faz aniversário neste domingo (28).

Pedidos pelo PDOT

Cidades, Câmara Legislativa, GDF em 28/02/2010 às 12:52

Diante da proposta do governador em exercício Wilson Lima de fazer um governo de moralização cresce entre segmentos da sociedade um movimento pela revogação do Plano Diretor de Ordenamento Territorial. A aprovação do PODT, em 2009, foi bastante polêmica e desagradou ambientalistas e associação de moradores de quase todas as cidades do Distrito Federal. Uma das principais críticas eram de o Plano Diretor tinha um perfil de empreendimento imobiliário, expandindo áreas residenciais e comerciais, deixando de lado questões ambientais e de manutenção da qualidade de vida de regiões vizinhas às ampliadas.

As campanha contra o PDOT, no entanto, tornou-se ainda mais intensa depois que o ex-secretário Durval Barbosa afimou, em suas denúncias, que a base governista na Câmara Legislativa teria recebido dinheiro para a aprovar o projeto. Dinheiro este arrecadado exatamente com as empresas que se beneficiariam com o perfil do PDOT. Os distritais negam a denúncia.

Agora, aproveitando a disposição de Wilson Lima em “consertar” o governo, os críticos ao PDOT clamam pela revogação da lei.

PPS debate situação política

Cidades, Partidos, Política em 28/02/2010 às 11:01

Começaram neste final de semana as conferências internas do PPS-DF. Os encontros ocorrem em todas as zonais do partido para discussão com a militância da crise política no Distrito Federal, a posição da legenda nestas eleições e as possibilidades de coligações. No sábado, o debate aconteceu no Guará. Neste domingo (27), a conferência será no Paranoá. Os encontros, que perdurarão por todo o mês de março, reunirão as propostas a serem apresentadas na conferência regional do partido, marcada para abril.

Prontos para a intervenção

Câmara Legislativa, GDF em 28/02/2010 às 8:47

De O Globo deste domingo (27): O ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, afirmou que o governo federal está pronto para intervir no Distrito Federal se, nos próximos dias, essa for a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o pedido apresentado pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel. O governo federal já tem até uma ideia do modelo de intervenção: uma comissão especial do Senado assumiria as funções da Câmara Legislativa, também infestada de denúncias de corrupção. O ministro sustenta, no entanto, que, mesmo depois da prisão do governador José Roberto Arruda, da renúncia do vice Paulo Octávio e das acusações contra 8 dos 24 deputados, Brasília não deve perder a autonomia política nem suspender a festa de seus 50 anos de fundação.

O Supremo Tribunal Federal está prestes a decidir sobre a intervenção no Distrito Federal. O governo federal está pronto para intervir?

LUIZ PAULO BARRETO: Sim. Se essa for a decisão do STF, o governo federal terá que intervir e o fará de maneira mais tranquila possível editando um decreto, que limitaria a intervenção no tempo, na forma de procedimentos. O governo está preparado, sim. Agora não estamos participando do processo de decisão. O pedido é de intervenção judicial feito pela Procuradoria Geral da República. Nesse caso, apenas o STF pode determinar. Se for decretada, o governo teria que preparar um decreto, com os moldes da intervenção.

E como ficaria a Câmara Legislativa? Ela também sofreria intervenção?

BARRETO: Nós não temos um modelo, um antecedente disso. A tendência é que, se houver a intervenção do Legislativo, seria criada uma comissão especial no Senado, que passaria a fazer vezes de Legislativo local. À comissão especial seriam submetidos os projetos de lei que já estejam tramitando na Câmara Legislativa. Mas pode ser diferente. Dependerá da avaliação do STF, que poderá editar outro modelo. Mas esse é um modelo que já existia antes de o DF conquistar autonomia e, provavelmente, seria o modelo a ser seguido. Mas, como é um fato novo, o STF pode decidir que a intervenção ocorreria de outra forma.

Leia entrevista na íntegra, para assinantes, aqui.

Pacto de governabilidade

GDF em 28/02/2010 às 8:43

Da Folha de S. Paulo deste domingo (27): Entre secretários e servidores do Distrito Federal, o discurso é quase o mesmo: o governo distrital continua funcionando e a crise política não afetou os serviços públicos. “Muito pelo contrário, tudo melhorou. Continuamos todos os nossos trabalhos”, diz o secretário de Saúde, Joaquim Barros, sobre a posse, na terça, do deputado Wilson Lima (PR) no cargo de governador.

A própria Secretaria de Saúde, que desde o ano passado enfrentava problemas como falta de pessoal e demanda por serviços de emergência, foi uma das primeiras a ser atendida. Resultado: na quinta, após reunião com Barros, Lima liberou R$ 160 milhões para conclusão de reforma do Hospital de Base, contratação de 500 agentes de combate à dengue e concurso para 400 médicos.

No mesmo dia, após receber a secretária de Educação, Eunice Santos, Lima aceitou dar reajuste de 10,4% para mais de 44 mil professores da rede pública. O aumento era negociado havia um ano. Na sexta, veio outro pedido, dessa vez da Segurança: necessidade imediata de chamar 380 candidatos já aprovados em concurso para a Polícia Civil e outros 650 para a área penitenciária.

O esforço para mostrar serviço segue a lógica de que por trás da aparente normalidade está o medo generalizado no secretariado da intervenção federal, possibilidade que ganhou corpo após a renúncia, na terça, do então governador interino, Paulo Octávio. Onze dias antes, ele havia assumido no lugar do titular José Roberto Arruda, preso sob acusação de tentar subornar uma testemunha no caso do mensalão do DEM.

Alimenta a sensação de que tudo caminha bem o largo Orçamento: a previsão de receita para 2010 é de R$ 20,2 bilhões, dos quais R$ 7,6 bi são repasses federais obrigatórios. Segundo a Secretaria de Obras, estão em execução -e com recursos garantidos- mais de 2.000 projetos, como pavimentação de estradas e obras de saneamento. Para o secretário de Fazenda, André Clemente, depois da crise, aumentou o cuidado na aplicação dos recursos. Dá como exemplo a medida tomada por Wilson Lima de suspender os pagamentos de 22 contratos firmados com empresas citadas na Caixa de Pandora.

Tentativa por Roberto Carlos

Cidades, Cultura, GDF em 28/02/2010 às 8:38

Da coluna Brasília-DF do Correio Braziliense: Mesmo acuado pelas denúncias de corrupção, José Roberto Arruda tentou, até o último minuto antes de ser preso, salvar o aniversário de 50 anos de Brasília. Seria demais ainda ter de enfrentar o fardo de ser o governador a transformar a festa num fiasco. Fez um último apelo ao cantor Roberto Carlos, que já tinha desistido de fazer o show confirmado antes dos escândalos virem à tona. Explicou que, se o problema era ele, abriria mão de comparecer à festa. Nem chegaria perto de Roberto Carlos. O cantor, no entanto, não quis de jeito algum aceitar o convite vindo de Arruda. Somente se viesse de outra esfera — do próprio presidente Lula.

Gama, o reduto do poder

Câmara Legislativa, GDF em 28/02/2010 às 8:36

Do Correio Braziliense: O vaivém de carros oficiais, a segurança reforçada e o bochicho dos moradores são os primeiros sinais de que a rotina do Gama mudou. Desde que denúncias de corrupção sacudiram a capital federal, a comunidade da região passou a conviver de perto com a nova elite política de Brasília. O Gama se tornou uma espécie de residência oficial do primeiro escalão do Executivo e do Legislativo. O governador em exercício, Wilson Lima, e o novo presidente da Câmara Legislativa, Cabo Patrício, começaram a carreira política na cidade e até hoje vivem na região. Com a prisão do governador afastado, José Roberto Arruda, e depois da renúncia do vice-governador Paulo Octávio, os moradores do Gama acompanham de perto o cotidiano do chefe do governo local e do homem forte do legislativo. Divergências políticas à parte, o que a comunidade espera é que a chegada do Gama ao poder traga melhorias para a cidade.

Na quadra 55 do Setor Central, a movimentação está atípica. O Edifício Village Mediteranée, no lote 14, ganhou policiamento 24 horas por dia. Em frente ao prédio, dois militares acompanham atentos a entrada e a saída de moradores e visitantes. Ali, vive o governador em exercício, Wilson Lima. A vizinhança não se incomoda com a vigilância extra. Muito pelo contrário: na quadra, não tem quem reclame da chegada do vizinho ilustre ao topo da hierarquia do Distrito Federal.

Bem em frente ao prédio, funciona um salão de beleza. A dona, Maria Aparecida Albino, 37 anos, diz que Wilson Lima costumava passar o início das manhãs sentado embaixo de uma árvore, ao lado do salão. Mas revela que o vizinho não apareceu mais desde que assumiu o governo. “Ele fazia até reuniões ali, acho que gostava de ficar ao ar livre. Vai ser bom para a cidade ter um governador daqui”, comenta a cabeleireira. Maria Aparecida confessa que não votou em Wilson Lima, mas garante “simpatizar demais” com o ex-presidente da Câmara Legislativa.

Morador do Village Mediterranée, o bombeiro militar Delano Dias de Paula, 27 anos, está contente com a chegada do vizinho ao poder. Ele diz que a rua ficou “em ordem” depois das mudanças políticas. “À noite, a gente sempre sofria com som alto e com a barulheira. Agora que o prédio tem policiamento o dia inteiro, tudo está uma maravilha”, comemora o bombeiro. “Mas do jeito que a nossa política está, daqui a pouco o governador muda de novo. Nem sei se o Wilson Lima terá muito tempo para fazer alguma coisa pelo Gama no GDF”, acrescenta Delano.

A servente Maria da Conceição Pereira, 35 anos, mora na Quadra 50 há cinco. Sorridente, ela diz que está achando “muito chique” o fato de o governador atual viver no Gama. “Desde que o Kaká e o Cristiano Ronaldo vieram para o jogo entre Brasil e Portugal, não aparecia alguém tão importante por aqui”, brinca a servente, referindo-se ao amistoso realizado em novembro de 2008, na reinauguração do Bezerrão.

O porteiro do edifício onde vive Wilson Lima, Valteir Alves dos Santos, 27 anos, trabalha de terno e gravata. “Mas eu já andava alinhado assim antes de ele virar governador”, garante. O vigilante diz que se sente honrado em tomar conta da residência do chefe do governo local e revela que Lima é “muito simpático” com todos os funcionários. “Ele conhece todo mundo pelo nome, conversa bastante com a gente antes de sair para a caminhada, todas as manhãs”, revela o porteiro. Mas Valteir conta que, depois de virar governador, Wilson Lima está com a rotina mais atribulada. “Acho que ele anda sem tempo até de caminhar, coitado. Bem cedinho, já está de pé .”

O vigilante Sérgio Paulo Martins da Silva, 26, torce para que Wilson Lima dê uma atenção especial ao Gama. Morador da Vila Roriz, ele tem um filho de oito anos matriculado na Escola Classe 10. “Acho que ele fez bem em dar aumento aos professores. A nossa educação estava mesmo precisando de melhorias. Agora quero ver se o governador vai investir também na saúde”, exige o vigilante.

Outro vizinho ilustre dos moradores do Gama é o atual presidente da Câmara Legislativa, deputado Cabo Patrício. O ex-policial militar se projetou no cenário político com o apoio da comunidade local. Agora, os vizinhos comemoram sua chegada à presidência da casa. “As coisas não mudaram muito aqui depois disso. Quando ele passa, cumprimenta todo mundo. Mas a gente espera que, agora, o Cabo Patrício dê mais atenção para a nossa cidade”, exige a dona de casa Marina Lima Rodrigues, 33 anos, que mora na quadra 17 do Setor Leste do Gama — a mesma do deputado Cabo Patrício. “O que precisa de mais melhorias é a nossa saúde. Desde o ano passado tento marcar consulta com ginecologista no posto de saúde e, até agora, nada”, reclama.

Também vizinho de Patrício, o aposentado Adécio Vieira da Silva, 82 anos, conta que adora morar no Gama. Ele está na mesma casa na quadra 17 há 50 anos. “Se o Wilson Lima e o Cabo Patrício não cuidarem do Gama, quem é que vai cuidar?”, questiona o aposentado. Ele simpatiza com o vizinho deputado distrital, mas comenta que não cruza com ele há algum tempo. “Não sei se está trabalhando demais ou se arrumou um apartamento lá no Plano Piloto”, alfineta o aposentado.

Semana decisiva para distritais

Câmara Legislativa, GDF em 28/02/2010 às 8:33

Do Correio Braziliense: O início da semana será decisivo para dois dos distritais filmados recebendo dinheiro do ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa. Na próxima terça-feira, a deputada Eurides Brito (PMDB) assinará a notificação de abertura de processo por quebra de decoro. Júnior Brunelli (PSC), por sua vez, estaria disposto a apresentar sua carta de renúncia nos próximos dias. O Correio tentou entrevistar os dois parlamentares, mas os assessores de ambos disseram que eles não falariam com a imprensa.

O assessor de Eurides Brito, o coronel Dirnei Arno, assegurou que ela não renunciará. E que ela não daria entrevista “porque a imprensa distorce tudo o que ela fala”. Em seu blog, Eurides Brito postou o seguinte comentário na sexta-feira passada: “Informo que o verdadeiro guerreiro não foge da luta. Não são verdadeiras as notícias sobre minha renúncia. Não tive tempo de me defender nem de ter acesso à gravação completa para ouvir o diálogo e o que eu estava fazendo lá: cumprindo tarefa de partido. O verdadeiro guerreiro não abandona a batalha, mesmo que seja morto no caminho. Um abraço e até breve, Eurides Brito”.

A parlamentar teria passado o dia de ontem envolvida em atividades religiosas ao lado da família. Como membro da Igreja Batista do 7º Dia, ela evita tratar de assuntos de trabalho aos sábados. Após as 19h, porém, a deputada estaria liberada para se reunir com assessores e advogados.

Enquanto Eurides Brito reafirma que não entregará o cargo sem lutar, o deputado Júnior Brunelli (PSC) já estaria com a carta de renúncia pronta. A assessoria de imprensa dele informou que o documento poderá ser entregue amanhã mesmo. A relatora do pedido de quebra por decoro, deputada Erika Kokay (PT), contudo, não desistiu de notificá-lo. “Estou tentando localizá-lo desde quinta-feira. E vou continuar tentando”, assegurou.

A deputada, inclusive, protocolou um Projeto de Resolução para mudar o Código de Ética, que hoje não fixa prazo para que ocorra a notificação. Erika Kokay quer limitar a três dias úteis o prazo para o relator designado notificar colegas investigados pela Casa. Caso não consiga, publica-se a notificação no Diário Oficial e é aberto o prazo para apresentação de defesa. “Como todo parlamentar tem obrigação de conhecer o que é publicado no Diário Oficial da Câmara, a notificação passaria a ser automática”, explicou. A deputada pretende aprovar a mudança até terça-feira e publicar no Diário Oficial no dia seguinte, quando passaria a contar o prazo para que Brunelli apresente sua defesa.

No Complexo da Polícia Federal, onde o governador afastado José Roberto Arruda (sem partido) está preso desde 11 de fevereiro, o sábado foi de tranquilidade. Ele recebeu a visita da mulher, Flávia Arruda, e do advogado Thiago Bouza. A primeira-dama chegou 12h25 e permaneceu uma hora e quarenta minutos. Chegou em um Audi preto, com vidros escuros, ocupado por mais duas mulheres, uma delas ao volante. Abriu o vidro do carro o suficiente apenas para entregar o documento de identificação na portaria da PF. Não falou à imprensa. O advogado chegou por volta das 16h, acompanhado de uma mulher não identificada, e também não se pronunciou.

No fim do dia, o ex-senador Aureo Mello (PRN-AM) tentou visitar Arruda, mas foi barrado pela Polícia Federal.Na saída ele defendeu o governador afastado. “Eu acredito na inocência do Arruda. Isso é armação política”, afirmou. O ex-senador foi o mesmo que apoiou o presidente Fernando Collor de Mello durante o processo de impeachment.

O jornalista Weligton Moraes, ex-chefe da Agência de Comunicação do GDF, também vive momentos de expectativa. Preso no Complexo Penitenciário da Papuda desde 12 de fevereiro, aguarda julgamento de um novo pedido de habeas corpus — a defesa desistiu do primeiro —, protocolado no Supremo Tribunal Federal (STF) e assinado por novos advogados. O documento foi entregue ao STF na última sexta-feira.

Os advogados sustentam ausência dos requisitos da prisão preventiva e denunciam que “os fatos apresentados pelo Ministério Público para justificar o encarceramento cautelar confundem-se com o crime pelo qual foi denunciado, situação esta a implicar antecipação de pena”. Segundo o MP, Weligton Moraes seria o interlocutor de Arruda na suposta negociação de suborno ao jornalista Edson Sombra. Na negociação, Sombra receberia dinheiro para desqualificar os vídeos gravados por Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais do governo. Por conta do suposto suborno, estão presos na Papuda, além de Weligton, quatro pessoas.

Um novo cenário eleitoral

Câmara Legislativa, GDF, Política em 28/02/2010 às 8:29

Do Correio Braziliense deste domingo (28): Em três meses, as surpresas da Caixa de Pandora abateram os partidos que partilhavam o poder, isolaram as forças políticas na cidade e dividiram o grupo de oposição em busca de preencher o vazio provocado pela maior crise institucional da história da capital do país, iniciada em 27 de novembro do ano passado. Oito das 13 legendas que apoiavam o governo de José Roberto Arruda produziram representantes no escândalo. Para evitar comprometimento ainda maior, as siglas adotaram uma tática de distanciamento da administração capitaneada, até 11 de fevereiro, pela dobradinha Arruda e Paulo Octávio. Nessa data, Arruda foi afastado e preso por suposta tentativa de suborno. Menos de duas semanas depois, o vice no exercício do mandado renunciou ao cargo. Acabava aí o único governo do DEM no país, que teve o diretório regional dissolvido por intervenção da executiva nacional.

O Inquérito nº 650 teve o efeito de uma bomba nas composições políticas vigentes nas últimas duas décadas da política candanga. A força de devastação das investigações protagonizadas pelo Ministério Público e a pela Polícia Federal (PF) partiu de uma vez por todas o grupo de poder nascido sob a liderança do ex-governador Joaquim Roriz (ex-PMDB e atualmente no PSC). Nas últimas eleições, seus herdeiros ganharam vida pública própria. Um deles, Arruda, chegou ao topo do poder no Distrito Federal, mas hoje está sob os escombros da crise. Roriz, Arruda, Paulo Octávio, Tadeu Fillippeli — todos um dia transitaram no mesmo campo político. Em 2006, Arruda e Paulo Octávio chegaram a disputar o apoio de Roriz. Eram potenciais adversários, mas fizeram uma chapa puro-sangue, que acabou contando com a aceitação do ex-governador. Deu certo, Arruda foi eleito em primeiro turno e, até o início da crise, era considerado favorito para a disputa em 2010, numa provável polarização com seu criador, Roriz.

No momento, Arruda tem como objetivo principal deixar a prisão. Paulo Octávio busca preservar seu patrimônio empresarial e Roriz tenta escapar dos estilhaços da Caixa de Pandora. Esse cenário, aparentemente, favoreceria a eleição de um político da oposição. Mas essa é uma interpretação que pode não se sustentar até 3 de outubro. Antes da crise, o PT não tinha perspectiva de poder, mas já escolhera candidato ao Executivo. Agnelo Queiroz havia consolidado seu nome para a disputa ao Executivo, num acordo fechado entre as forças políticas do PT. Àquela época, o deputado federal Geraldo Magela (PT) havia aceitado os termos de um acerto que o colocava na condição de candidato ao Senado. A possibilidade de vitória, provocada pela derrocada de Arruda e Paulo Octávio, desestabilizou a harmonia na legenda.

Magela tem cobrado a revisão do acordo em função de um fato novo revelado na crise. Agnelo Queiroz foi filmado na sala do ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa que lhe apresentou o conteúdo das bombásticas gravações sobre distribuição de dinheiro a autoridades, base do inquérito da Caixa de Pandora. O episódio causou constrangimento entre petistas e abriu uma brecha para adversários internos questionassem a candidatura de Agnelo, sob o argumento de que obteve informação privilegiada sobre o futuro cenário político. Agnelo garante que não houve nada além do normal e tem o apoio de grande parte da legenda. Mas o impasse só será resolvido em prévias que deverão ocorrer em 21 de março, para escolha direta do representante petista na corrida ao Palácio do Buriti.

Nos últimos tempos antes da crise, Joaquim Roriz tornou-se um inimigo de Arruda. O governador do DF, hoje afastado e preso preventivamente, tentou diferenciar as duas gestões, atacou a administração anterior e trabalhou nos bastidores para tomar o PMDB de Roriz. Por isso, Roriz poderia se beneficiar com o tombo de Arruda e Paulo Octávio. Mas seus adversários apostam que dificilmente o ex-governador vai conseguir se descolar das denúncias de Durval Barbosa, o delegado aposentado da Polícia Civil do DF que gerenciou todos os contratos de informática no governo de Roriz. Por causa dessa passagem pelo Executivo, Durval responde a 37 ações judiciais, algumas das quais ao lado do ex-governador.

Desde 27 de novembro, quando a PF cumpriu mandados de busca e apreensão na casa e no gabinete de autoridades do Executivo e do Legislativo, trazendo à tona um suposto esquema de corrupção no DF Roriz permanece recluso, em casa ou na fazenda. A única declaração pública sobre o assunto ocorreu na semana passada no programa de seu partido, o PSC. “É tão vergonho, tão escandaloso… Fico numa indignação, fico numa vergonha… Meu Deus do céu, como pode chegar nisso aí?”, declarou. Mas a oito meses das eleições, período em que os pré-candidatos costumam se exibir em público ao eleitorado, o ex-governador mantém a discrição.

A grande dúvida sobre o futuro das eleições deste ano é reforçada pela instabilidade política que ainda permanece. Só em fevereiro, o Distrito Federal teve três governadores. O eleito foi preso. O vice tentou se viabilizar, mas foi pressionado a renunciar e o deputado distrital Wilson Lima (PR), que conquistou o mandato na Câmara Legislativa com menos de 9 mil votos acabou herdando a administração praticamente esvaziada. Pelo menos cinco secretários já deixaram o governo. Numa entrevista concedida ao Correio, Wilson Lima falou de seu desejo de imprimir uma “cara nova” no GDF. Talvez não tenha tempo, diante da ameaça de uma intervenção federal.

Também na Câmara Legislativa há uma expectativa de renovação. Dos 24 distritais, um terço é investigados no Inquérito do STJ. Desses, Leonardo Prudente (que renunciou na sexta) e Rogério Ulysses não podem sequer concorrer à reeleição porque perderam a legenda. Oito parlamentares, além de dois suplentes, são citados no escândalo e o grupo de 19 distritais que apoiavam Arruda perdeu o palanque para as próximas eleições.

Poderosos secretários, administradores regionais, gerentes do governo Arruda abatidos com a crise vão ter que adiar os planos de se candidatar a um cargo eletivo neste ano. Até outubro do ano passado, havia um congestionamento de candidatos a vice de Arruda, ao Senado e a uma vaga de deputado federal.

Leitor defende intervenção no DF

leitor em 28/02/2010 às 3:38

Estamos presenciando a articulação nos ambientes político, empresarial e em alguns setores da sociedade de um estranho processo de “Lobby” contra a intervenção federal na capital de todos os brasileiros. Alardeiam esses mentores políticos que esse movimento é para preservar a autonomia política do Distrito Federal e isso é deveras questionável. A intervenção é um instrumento jurídico previsto na Constituição Federal para restabelecer a ordem pública e o funcionamento ético legal das instituições em casos como o que estamos presenciando no DF e, que nos deixa envergonhados devido a tanta sujeira ética e moral. Perderam-se os referenciais e inverteram-se os valores no trato da coisa pública. Uma vergonha!

Esse escândalo alcançou o âmago dos poderes Executivo e Legislativo local. Vimos imagens chocantes, documentos, depoimentos, reportagens e a tentativa vã dos políticos corruptos em mentirem ou tentarem manipular a opinião pública para esconderem os seus crimes num espetáculo deprimente sob todos os aspectos. Mas, as imagens foram contundentes e presenciamos um festival de provas que foram, inexoravelmente, desmascarando os principais corruptos ao longo desse processo. E nós, os cidadãos enganados nos sentimos impotentes e sem mecanismos de defesa institucional para nos contrapormos a essa organização criminosa que se instalou no DF. Constatamos perplexos, que as instituições de estado estavam dominadas pela corrupção! Até a Polícia estava à mercê dessa estrutura.

Um fato que chamou a nossa atenção foi o comportamento da mídia local após as primeiras denuncias, pois os principais jornais do DF apenas noticiaram poucas linhas e sempre tangenciando a verdadeira dimensão do escândalo. Quem, realmente, divulgou a verdade na profundidade real dos fatos foram os jornais e as redes de televisão de âmbito nacional capitaneadas pela Rede Globo de Televisão. A internet através dos blogs de cobertura política foi outra ferramenta de comunicação a serviço da verdade dos fatos. Esse conjunto da mídia merece o nosso respeito.

Parte da mídia local devido a sua omissão nos passou a impressão que apenas defendia um governador corrupto ao invés de informar a sociedade civil sobre a gravidade dos fatos. Pois, informar a população é a mais nobre missão de um órgão de comunicação social. É um pressuposto da democracia o direito da cidadania à informação. Agora esses órgãos locais que foram omissos na cobertura do escândalo, propriamente, dito estão apoiando um movimento para não haver intervenção no DF. Qual o verdadeiro interesse dessa estranha orquestração?

A quem não interessa a intervenção? Ela não interessa aos políticos corruptos, empresários corruptos e entidades que estão a serviço de interesses, no mínimo, inconfessáveis. Não interessa também aos políticos, empresários e às entidades que ainda não foram citados no escândalo pelas limitações temporais, investigativas e processuais. Todos eles têm os mesmos interesses escusos dos patrocinadores centrais desse escândalo ético moral e querem impedir todo e qualquer processo de apuração da verdade.

E a quem interessa a intervenção? Ela interessa à cidadania que deseja ver banida da nossa pratica político administrativa a corrupção e a impunidade dos que cometem delitos contra a fazenda e a ordem pública. Não podemos mais conviver com essa prática que subtrai da cidadania a qualidade dos serviços públicos ou patrocina, até mesmo, a ausência desses serviços porque os recursos públicos estão sendo desviados para a corrupção, para o enriquecimento ilícito das despudoradas autoridades estatais que têm como missão cuidar dos bens e serviços públicos. A intervenção também é um clamor da nossa jovem democracia e de um estado de direito que prescreveu esse remédio para ser aplicado justamente em momentos de gravidade como o que vivenciamos.

Então falseia a verdade quem diz que a intervenção é uma afronta à nossa autonomia política, e sabem porque mentem? Por que têm medo da devassa nos contratos firmados entre o GDF e as empresas e entidades que saquearam os cofres públicos nesse governo desprovido de qualquer proposta ético moral. Ainda podemos inferir que também não querem que sejam apurados outros fatos e a real dimensão da rede de corrupção que se instalou no governo do DF.

Desconfiamos que ainda existam cúmplices ocultos que não foram descobertos e não lhes interessam a profilaxia da intervenção. Essa não é uma discussão simplista sobre a linha sucessória de poder. É antes de tudo uma discussão sobre apurar a fundo os fatos e os crimes ocorridos sob todos os aspectos e punir exemplarmente todos os culpados. Sem exceção! Essa é a verdadeira questão que a cidadania deve debater a exaustão e defender com todas as forças. Chega de corrupção, chega de impunidade!

A gravidade da atual situação do Distrito Federal é de tamanha ordem que não vislumbramos outra solução plausível senão a aplicação do instituto da intervenção federal como único mecanismo eficaz para realizarmos uma apuração isenta e a conseqüente punição dos culpados. A normalidade democrática exige esse remédio, inclusive, como exemplo para as futuras gerações de políticos e de administradores públicos.

Nesse caso, a cidadania e a democracia têm na intervenção a forma mais efetiva de consertar-se de fato e legalmente a situação vexatória em que se encontra o Distrito Federal, chega de operação abafa desses políticos e desses empresários corruptos. Somente a eles não interessa a apuração dos fatos e dos crimes que foram cometidos por essa organização criminosa que se apossou do governo do Distrito Federal. Não podemos deixar que esses corruptos declarados e os ainda, escondidos da opinião e do julgamento público, tentem nos manipular e continuar nos saqueando.

Senhores Ministros do Supremo Tribunal Federal, Senhores Parlamentares do Congresso Nacional e Senhor Presidente da República. Vocês representam a nossa ultima instância da consciência moral. A cidadania, a ética coletiva e a legalidade democrática pedem socorro aos senhores. Defendam o cidadão de bem, a fazenda pública, a democracia, a ordem pública e o pacto ético moral da nossa Capital Federal. Apurem todos os fatos e todos os crimes na maior profundidade possível e punam, exemplarmente, todos os corruptos que se instalaram, usurparam e roubaram o cidadão e as instituições do Distrito Federal.

Socorro! Como cidadão, estou pedindo socorro!

Wellington Corsino do Nascimento

Agnelo no Gama

Cidades, Partidos, Política em 27/02/2010 às 19:26

Enquanto se prepara para as prévias internas do PT, o pré-candidato petista Agnelo Queiroz segue em atividades próximas à população. Neste domingo (28), participa da Caminhada da Paz no Gama, a partir das 9h. A concentração será na entrega da cidade.

Dias de muita pressão

Câmara Legislativa, GDF em 27/02/2010 às 16:33

Até a próxima terça-feira (2), quando a abertura do processo de impeachment do governador afastado José Roberto Arruda for votada em plenário, a bancada governista na Câmara Legislativa será alvo de muita pressão. Isso porque engana-se quem acredita que o grupo aliado a Arruda no governo perdeu forças ou desistiu de ajudá-lo. Para a votação do parecer do petista Chico Leite na última sexta-feira, os distritais que integram a Comissão Especial foram bastante pressionados. Os pedidos eram para que se derrubasse a sessão, houvesse pedido de vistas ou qualquer outra estratégia que ajudasse o governador afastado a ganhar tempo.

Não deram resultado. Os distritais não só colocaram o processo em votação como aprovaram sua abertura. Para a próxima semana, a pressão deve ser ainda maior. Arruda já teria mandado recados aos parlamentares. Seu aliados insinuam que, se sofrer o impeachment ou for obrigado a renunciar, o governador pode cumprir a ameaça que fez aos distritais antes de ser preso - “Se eu cair, vocês caem comigo”.

Na próxima semana saberemos qual o tamanho real da bancada arrudista na Câmara Legislativa - ou o que restou dela. E também se a munição do governador contra os deputados ainda é explosiva o suficiente para salvá-lo.

O diário do governador

GDF em 27/02/2010 às 15:38

O governador afastado José Roberto Arruda tem usado boa parte do tempo ocioso na prisão para escrever. O hábito, conhecido de aliados, em outros tempos servia para descrever projetos, estratégias e impressões políticas para governar. Agora, serve para preencher os dias em de prisioneiro. Entre amigos, e principalmente ex-aliados, cresce a curiosidade sobre o que Arruda tanto tem escrito.

Partidos repudiam intervenção

GDF, Partidos em 27/02/2010 às 14:31

Movimento contra a intervenção federal ganhou esta semana adesão de oito partidos políticos que assinaram um manifesto de repúdio à medida no Distrito Federal. PDT, PMDB, PR, PRB, PRP, PSDB, PSL e PTN, representados por seus respectivos presidentes regionais, defenderam no documento as ações do Poder Judiciário, mas ressaltaram a importância de se manter a autonomia política da capital. “Tal ato se revelaria desmedido e constituiria em evidente retrocesso ao regime democrático”, diz o manifesto.

Confira a íntegra do documento:

“A intervenção federal é medida extrema, uma exceção ao modelo democrático estabelecido como Cláusula Pétrea na Constituição do Brasil. A interferência externa na sucessão de qualquer unidade da Federação é uma ação traumática, que provocaria profundas seqüelas em nossa sociedade. Respeitar a linha sucessória estabelecida na Lei Orgânica do Distrito Federal – Governador, Vice-Governador, Presidente da Câmara Distrital, Vice-Presidente da Câmara Distrital e Presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, em caso de vacância do cargo de Governador, quaisquer que tenham sido os motivos que levem a isso, é imperativo para a Democracia.

Nunca houve no país, desde a redemocratização brasileira, intervenção federal em qualquer Unidade da Federação. Só a hipótese de adotar tal medida já provoca impacto no Congresso Nacional, que ficaria impedido, por exemplo, de votar propostas de Emenda Constitucional enquanto durasse a intervenção.

Obviamente reconhecendo que uma decisão do Supremo Federal  deva ser imediatamente cumprida, não foram poucos os que já manifestaram publicamente preocupação com essa possibilidade de intervenção federal, entre os quais o próprio presidente Lula. O regime democrático não tem outra forma de evoluir senão pela sua própria prática.

A ação do Poder Judiciário, no firme sentido de tirar do palco das decisões político-administrativas os verdadeiros protagonistas da crise no Distrito Federal, não deve comprometer a autonomia conquistada de forma legítima, soberana e democrática pela população brasiliense.

Neste contexto, a sociedade brasiliense, aqui representada por presidentes de partidos políticos, se une para afirmar que, inequivocamente, o Distrito Federal não se insere nos pressupostos constitucionais que permitem a intervenção federal. Assim, tal ato se revelaria desmedido e constituiria em evidente retrocesso ao regime democrático. A intervenção federal não é boa para Brasília. Não faz bem para o Brasil.”

A saga de um democrata

Câmara Legislativa, GDF em 27/02/2010 às 11:13

Primeiro suplente da coligação do Democratas na Câmara Legislativa, Raad Massouh nunca conquistou a confiança irrestrita do Buritinga. Convocado por várias vezes para assumir o mandato - por força da licença de democratas que assumiam o  governo - o distrital nunca era contado como voto certo para o governo nas votações da Casa. Em meio à crise desencadeada pela Caixa de Pandora, Raad chegou a ser cotado para assumir a presidência da Comissão de Constituição e Justiça, onde seriam enterrados os pedidos de impeachment do governador, à época ainda em exercício, José Roberto Arruda. Sua primeira declaração à imprensa, prometendo ser imparcial, desagradou o Executivo. E ele foi então devidamente despachado.

Apresentou então um pedido de licença médica que o impediria de assumir - a motivação para a desistência do mandato foi o direito de nomear cargos e mais cargos do governo. Em seu lugar, assumiu o segundo suplente, Geraldo Naves. Este, sim, faria o papel difícil de defender o governo.

O fim da história de Naves todo mundo conhece. Mas assim que a vaga dele ficou novamente aberta - com a prisão - Raad reapareceu na Câmara. Nem chegou a tomar posse - o titular Paulo Roriz, mesmo a contragosto, foi obrigado a retornar ao mandato e assegurar a presença de aliados do governador na Casa. Raad foi mais uma vez despachado. Dessa vez, porém, sem acordos. O democrata não conseguiu disfarçar a mágoa. A muitos aliados, disse estar prestes a desistir da carreira política. Ao blog, chegou a dizer que “se soubesse como essa Casa funcionava, nunca teria entrado por aquela porta”. Apesar disso, continuou freqüentando as reuniões e encontros da base governistas durante toda a crise.

Na próxima terça-feira (2), quando a renúncia de renúncia de Leonardo Prudente for oficializada, Raad volta novamente à Câmara. Desta vez, porém, como dono absoluto do mandato que herdou. Poderá agora mostrar de que lado estava.

Ministro diz que prisão era inevitável

GDF, STJ em 27/02/2010 às 8:55

Do Estado de S. Paulo deste sábado (27): O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro César Asfor Rocha, disse hoje, em Maceió, durante discurso no plenário da Assembleia Legislativa, que a decretação da prisão do governador licenciado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (ex-DEM) tinha que ocorrer. “É lamentável que se chegue ao ponto de retirar um governador do cargo, mas se for para cumprir a lei e a Constituição Federal, o Judiciário corta até na própria carne, como já fez com a prisão de juízes e desembargadores”, afirmou.

“Atitudes como essa tem o caráter repressivo, mas antes de tudo preventivo, já que serve de exemplo para outros gestores públicos”, acrescentou o presidente do STJ.

O ministro foi homenageado hoje na Assembleia alagoana e aproveitou a cerimônia para agradecer ao senador Fernando Collor (PTB/AL) sua indicação ao STJ quando era presidente da República. “Sinto-me orgulhoso de receber este título de cidadão e receber a medalha Floriano Peixoto. Tenho recebido muitas demonstrações de simpatia vindas de Alagoas. Agradeço ao presidente Collor a quem devo minha indicação ao STJ. Meu amigo, nunca vou esquecer que Vossa Excelência coroou a minha carreira”, afirmou.

Antes de ser homenageado, o ministro destacou o trabalho que vem sendo realizado pelo STJ no combate à corrupção. Ele evitou falar em processos, mas disse que não há mais espaço para impunidade no País. A solenidade de entrega das comendas foi presidida pelo presidente da Assembleia, deputado Fernando Toledo (PSDB), e contou coma presença do governador do Estado, Teotônio Vilela Filho (PSDB), e dos três senadores do Estado - Fernando Collor, Renan Calheiros (PMDB) e João Tenório (PSDB).

Durante a solenidade, Asfor também elogiou o peemedebista. O ministro classificou o senador como “indomável e corajoso, que não enjeita desafios”. Asfor destacou ainda o orgulho de receber a honraria das mãos do governador tucano. Para ele, “um dos nomes com vocação ética”.

Pressão mesmo na prisão

Câmara Legislativa, GDF em 27/02/2010 às 8:52

De O Globo deste sábado (27): Mesmo preso, o governador José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM) passou a mandar recados em tom de ameaça aos deputados distritais para tentar se livrar do processo de impeachment. Segundo aliados dele ouvidos nesta sexta-feira pelo GLOBO, Arruda teria uma forte munição contra os deputados distritais. Se ele sentir que foi abandonado, advertiu um deles, pode revelar detalhes comprometedores envolvendo os parlamentares, inclusive dos que ainda não foram citados na Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal.

O secretário de Transportes e deputado federal licenciado, Alberto Fraga (DEM-DF), sugeriu nesta sexta que Arruda pode reagir, se houver traição de deputados da base governista. Se o PT pode usar o rolo compressor para desconvocar Dilma, por que o governador não pode usar a base aliada em sua defesa

- O resultado desse processo de impeachment é imprevisível. Os deputados têm que saber o que vão fazer! E se tiver denúncias do próprio governador contra eles? Tem gente que não tem condições de julgá-lo - insinua Fraga, para em seguida completar: - Se o PT pode usar o rolo compressor no Congresso para desconvocar a ministra Dilma Rousseff da CCJ do Senado, por que o governador não pode usar a base aliada em sua defesa?

Além dos advogados e da mulher, Flávia, Arruda tem recebido poucas visitas na sala onde está preso na Polícia Federal. Algumas dessas raras visitas são de Fraga, que esteve com ele três vezes, sendo a última na quarta-feira. Ele disse que o governador afastado tem grande resistência a renunciar ao mandato. ”Já estou aqui, desse jeito. Não tenho mais nada a perder”, disse o governador afastado, segundo relato de Fraga.

Esta não é a primeira vez que Arruda fez ameaças, para tentar mudar um quadro desfavorável desde que estourou o escândalo do mensalão do DEM no DF . Em dezembro, para tentar continuar filiado à legenda, mandou recados para integrantes da cúpula partidária, dizendo que ajudou a arrecadar recursos de campanha para candidatos do DEM em todo o país.

Arruda quer ganhar tempo no processo de impeachment e espera ter condições de mudar o cenário na segunda votação em plenário da Câmara, quando serão necessários dois terços dos votos para a aprovação do pedido. Nesta sexta, os deputados já aprovaram o parecer do relator , que defende a saída definitiva de Arruda.

Aliados de Arruda avaliam que, neste momento, é interessante a tramitação do processo de impeachment, para demonstrar normalidade política no Distrito Federal e, com isso, enfraquecer a tese de intervenção federal. A decisão do governador de não renunciar esta semana teria levado quatro advogados que faziam parte de sua defesa a deixar o caso . Os advogados que permaneceram devem tentar convencê-lo de que essa é a melhor alternativa para deixar a cadeia.

A avaliação do grupo de Arruda é a de que o balão de ensaio do governador, que se mostrou disposto a se licenciar do cargo , não surtiu efeito no Supremo Tribunal Federal (STF). Isso indica que, se não houver renúncia, o STF manteria Arruda preso. Caso ele aceite a estratégia da defesa e renuncie, seria apresentado recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) pedindo a revogação da prisão preventiva - sob o argumento de que, sem o cargo, Arruda não poderia mais interferir nas investigações na condição de governador.

Gastos com publicidade

GDF em 27/02/2010 às 8:46

Do Painel da Folha de S. Paulo: Os gastos com publicidade da Brasiliatur, empresa de eventos do governo do DF, saltaram de R$ 9 mil em 2007 para R$ 12,7 milhões no ano passado. Até renunciar ao cargo, quem controlava a empresa era o vice-governador Paulo Octávio.

Filhos e irmão sem emprego

Câmara Legislativa, GDF em 27/02/2010 às 8:44

Do Painel da Folha de S. Paulo deste sábado (27): Os dois filhos e o irmão do novo governador interino do Distrito Federal ocupam cargos comissionados na máquina. Wilson Lima (PR) mandou exonerá-los. A demissão deverá ser publicada na segunda-feira.

Campo minado e más companhias

Câmara Legislativa, GDF em 27/02/2010 às 8:41

Da coluna Brasília-DF do Correio Braziliense: O governador em exercício, Wilson Lima (PR), está enfrentando uma agenda carregada por centenas de pedidos de audiência. Da romaria fazem parte sindicalistas pleiteando reajustes, empresários, políticos, lideranças religiosas e muitos candidatos a “conselheiros do rei”. Quem já deu uma passadinha pela sala de Lima foi o distrital Júnior Brunelli (PSC), alvo de processo por quebra de decoro parlamentar na Câmara Legislativa. Aparece no “clássico” vídeo da oração com Durval Barbosa. Lima deve tomar cuidado com as companhias. É bom não relaxar com as análises de que o Supremo Tribunal Federal não está disposto a decretar a intervenção federal no DF. Seu comportamento ainda é decisivo para que afastemos essa ameaça sobre a capital. É bom, então, ficar mais atento a quem o está rodeando e não cair na tentação de fazer graça para os coleguinhas.

Lima até agora vem se saindo bem. E pretende divulgar novas medidas de “choque de limpeza” no GDF. No entanto, os problemas vão começar a pipocar, e será aí que ele estará mesmo sob teste. O GDF ainda é campo minado. Restam explosivos em seu escombros. Na Saúde, na área de Ciência e Tecnologia, Desenvolvimento Econômico, BrasiliaTur, Educação, entre outras. A presença, no segundo escalão, de gente ligadíssima aos titulares que foram exonerados de certas pastas ainda mantém o governo sob suspeição.

Benedito e Valdivino condenados por improbidade

GDF, TJDFT em 27/02/2010 às 8:39

Do Correio Braziliense: Ex-secretários e ex-administrador dos governos José Roberto Arruda (sem partido) e Joaquim Roriz (PSC) foram condenados pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDF) por improbidade administrativa. Nos últimos dois dias, diferentes ações encaminhadas pelo Ministério Público do Distrito Federal (MPDF) terminaram em punições inclusive a nomes do então primeiro escalão de cada administração pública. Os réus terão de pagar multas ou restituir aos cofres do governo. Cabem recursos em todos os casos.

Aparecem entre os principais condenados o deputado distrital Benedito Domingos (PP), ex-administrador de Taguatinga, o ex-secretário de Fazenda do DF, Valdivino José de Oliveira, e os ex-secretários de Gestão Roriz Benjamim Roriz e Bauer Ferreira Barbosa. Domingos, por exemplo, acabou condenado pela 6ª Vara de Fazenda Pública por celebrar Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) de forma irregular e de expedir alvarás ilegais de funcionamento a concessionárias de veículos do Pistão Sul, em Taguatinga. O servidor público Jeovâncio Monteiro está envolvido na mesma ação.

A decisão judicial determinou a suspensão dos direitos políticos dos acusados por quatro anos e o pagamento de multa correspondente a 50 vezes o valor da maior remuneração recebida enquanto ocuparam cargos na Administração Regional de Taguatinga. A denúncia encaminhada pela Promotoria de Defesa da Ordem Urbanística (Prourb) revelou que Domingos e Monteiro autorizaram, em 1997, o funcionamento de concessionárias de automóveis no Pistão Sul sem alvará.

A 4ª Vara de Fazenda Pública do DF determinou a perda do cargo público, a proibição de contratar com órgãos públicos e a suspensão dos direitos políticos por cinco anos de Valdivino Oliveira, ex-secretário de Fazenda dos governos Arruda e Roriz. Ele é acusado de concessão de benefício fiscal para uma empresa de alimentos. A ação civil pública foi proposta pela Promotoria de Defesa da Ordem Tributária. O réu terá de pagar multa de R$ 441 mil.

A 6ª Turma Cível manteve a condenação, por unanimidade, do ex-secretário de Governo Benjamim Roriz e o ex-subsecretário de Apoio Operacional Bauer Barbosa a restituir aos cofres públicos em cerca de R$ 7 milhões. A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e Social apontou a simulação de contrato de gestão firmado para a terceirização da locação de veículos pelo Instituto Candango de Solidariedade (ICS), o que é ilegal.

CGU faz pente-fino no GDF

GDF em 27/02/2010 às 8:37

Do Correio Braziliense: A União está fazendo uma devassa em 15 órgãos do Governo do Distrito Federal, que nos últimos quatro anos receberam R$ 26 bilhões de recursos públicos. O pente-fino, determinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Controladoria-Geral da União (CGU), atinge verbas destinadas às áreas de educação, saúde e segurança pública. Segundo o ministro-chefe da CGU, Jorge Hage, o trabalho é independente e não envolve apenas dinheiro repassado para contratos do GDF com empresas envolvidas na suposta rede de pagamento de propina investigada pela Operação Caixa de Pandora. Em maio de 2009, a controladoria fez uma auditoria no DF e detectou 76 irregularidades, incluindo obras do Metrô e em rodovias.

De acordo com Hage, há auditores distribuídos em secretarias e outros órgãos do GDF analisando os contratos assinados com a União. “Inicialmente, eu havia mandado auditar se havia recursos federais envolvidos nos contratos com aquelas empresas citadas no inquérito policial, nas gravações e na imprensa. Esse trabalho já estava em curso, quando o presidente Lula determinou que a CGU fizesse uma varredura completa em todas os recursos federais transferidos ao DF e é isso que estamos fazendo agora”, afirmou Hage ao Correio.

Os resultados preliminares das investigações revelaram que o novo trecho do metrô, que contou com R$ 40 milhões do Ministério dos Transportes, teria custado 125% a mais do que o preço de mercado. O superfaturamento teria atingido também as obras das rodovias BR-020 (Brasília-Fortaleza), BR-060 (Brasília-Goiânia) e BR-450 (Epia) — esta teria ficado R$ 6,5 milhões mais cara.

Entre 2006 e 2010, o GDF recebeu R$ 26 bilhões, sendo que a maioria é do Fundo Constitucional — R$ 24 bilhões para investimentos em saúde, educação e segurança pública. O R$ 2 bilhões restantes foram repassados para outros órgãos do DF. “Quero salientar, porém, que o que estamos auditando são apenas as verbas federais, pois não podemos entrar na análise dos recursos próprios do DF, por conta da sua autonomia”, comentou Hage.

Na auditoria da CGU feita no DF em maio passado, foram detectadas diversas irregularidades, principalmente nas obras de rodovias e do metrô. Segundo Hage, o governo local se comprometeu a sanar os problemas. “O Dnit tem cobrado do DER-DF as justificativas para os apontamentos da CGU. Em alguns casos o DER-DF procurou justificar as diferenças de preço. Em outros casos, já reconheceu e comprometeu-se a estornar as diferenças de valores, e estamos agora aguardando a comprovação documental de várias dessas providências corretivas”, afirmou o ministro. “Se elas não vierem, os valores serão glosados nas prestações de contas dos convênios e eles terão que ressarcir a União”.

O ministro informou que, no caso do Metrô-DF, o governo tentou argumentar que os parâmetros de preços utilizados pela CGU eram inaplicáveis, por ser a obra do metrô muito diferente das obras civis. “Nós recusamos essa justificativa, pois se tratava basicamente da construção das estações do metrô, e isso em nada difere de outras obras civis de engenharia, o que havia de específico era quase nada”, observou Jorge Hage.

Mais duas baixas no governo

Cultura, GDF, Segurança em 27/02/2010 às 8:35

Do Correio Braziliense: Mais dois secretários saem do governo Wilson Lima. O secretário de Segurança Pública, Valmir Lemos, vai deixar o cargo nos próximos dias. E o secretário de Cultura, Silvestre Gorgulho, já entregou sua carta de exoneração ao chefe interino do Executivo do Distrito Federal.

A decisão de Lemos, que teria sido tomada na semana passada, foi ratificada ontem, durante um encontro do governador em exercício, Wilson Lima, com o diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa. Delegado federal, Lemos vai fazer um curso superior na Academia Nacional de Polícia (ANP), obrigatório para ascensão na carreira. Depois, ele deverá assumir um posto de comando na corporação. Lemos avisara sua intenção de sair ao então governador Paulo Octávio, que renunciou na última terça-feira. O secretário decidiu permanecer, mas por pouco tempo. Na quarta-feira, ele conversou com o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto — com quem já havia trabalhado. Barreto pediu que ele permanecesse.

No encontro de ontem com o diretor-geral da Polícia Federal, Wilson Lima também tentou manter seu secretário, ao pedir que Lemos continuasse cedido para o GDF. Corrêa alegou que, por estar no topo da carreira, o delegado federal deveria voltar à corporação para fazer o curso superior de polícia. A saída oficial de Lemos deve ocorrer no início da semana.

Na conversa, Corrêa avaliou com Wilson Lima que hoje a Secretaria de Segurança Pública e a Polícia Civil do Distrito Federal tinham quadros aptos a ocupar o cargo. Valmir Lemos entrou no governo de José Roberto Arruda em julho de 2008, quando substituiu o general Cândido Freire na Secretaria de Segurança Pública. Antes de ingressar na Polícia Federal, em 2000, foi policial civil no DF por 13 anos.

Silvestre Gorgulho entregou ainda na última quinta-feira carta a Wilson Lima com o pedido de exoneração, com o intuito de deixar o governador em exercício “à vontade para a recomposição do secretariado”. No texto, desejou sucesso ao interino no “imenso desafio de conduzir os destinos da capital da República. Jornalista, Gorgulho ocupava o posto de secretário de Cultura desde que Arruda — seu amigo próximo — assumiu o governo, em 2007. Os desembarques na gestão interina do GDF ocorrem diariamente. Já saíram os secretários de Planejamento, Ricardo Penna; de Governo, Flávio Giussani; de Ordem Pública, Roberto Giffoni; e o diretor-geral do Na Hora, Luiz França.

Câmara defende eleição indireta

Câmara Legislativa, STF em 27/02/2010 às 8:33

Do Correio Braziliense: Como estratégia de defesa contra a intervenção federal, a Procuradoria-Geral da Câmara Legislativa defenderá no parecer, que entregará na segunda-feira ao Supremo Tribunal Federal (STF), o trabalho dos deputados distritais nas investigações das denúncias de um suposto esquema de corrupção e pagamento de propina no Distrito Federal. De acordo com o procurador-geral da Casa, Fernando Nazaré, serão anexados ao parecer documentos que comprovam a atividade parlamentar desde que foi deflagrada, em novembro do ano passado, a Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal.

Serão juntados ao parecer as atas das reuniões das Comissões de Constituição e Justiça (CCJ) e da Comissão Especial, responsáveis pela apreciação do pedido de impeachment do governador afastado, José Roberto Arruda (sem partido). A intenção é mostrar que os deputados estão empenhados em prosseguir com as investigações das denúncias reveladas por Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais. “Caso haja a intervenção, a Câmara vai perder a isenção e a oportunidade de processar o pedido de impeachment do governador afastado”, afirmou Nazaré.

Outro ponto defendido no parecer é que a linha sucessória do comando do governo está sendo respeitada. De acordo com o procurador-geral da Câmara, o afastamento de Arruda e a renúncia do ex-vice-governador Paulo Octávio, abriram caminho para que o presidente da Câmara Legislativa, Wilson Lima (PR), fosse o novo chefe do Executivo local, o que realmente ocorreu.

Caso Arruda renuncie ao cargo, o parecer da Procuradoria-Geral da Câmara defende que seja desconsiderada a linha sucessória estabelecida na Lei Orgânica do Distrito Federal. De acordo com a regra local, no último ano de mandato, na ausência do governador e do vice, o presidente da Câmara Legislativa deve assumir o cargo efetivamente até o fim. Mas o parecer seguirá o previsto na Constituição Federal. “Com a vacância do governador e do vice-governador, o governador interino, Wilson Lima, terá que convocar eleições indiretas em 30 dias”, adiantou Nazaré.

A Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal (OAB-DF) protocolou ontem no STF petição contra a intervenção federal. Para o presidente da OAB-DF, Francisco Caputo, o objetivo é zelar pelo ordenamento jurídico na capital da República. “Vamos demonstrar todas as razões para que não haja a intervenção”, disse. Em uma sessão extraordinária, na última quarta-feira, a OAB-DF decidiu posicionar-se contra a intervenção, proposta pela Procuradoria-Geral da República.

Uma nova tese para o processo

GDF, STF, STJ em 27/02/2010 às 8:31

Do Correio Braziliense deste sábado (27): A defesa do governador afastado José Roberto Arruda (sem partido) aposta numa nova tese para tentar salvá-lo das acusações de suborno, corrupção e falsidade ideológica. A equipe do advogado Nélio Machado acompanha com interesse o julgamento de um habeas corpus (HC), sob relatoria do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), que pede a anulação de todas as provas colhidas até o momento no inquérito nº 650, em tramitação no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Impetrado pelo suplente de deputado distrital Pedro do Ovo (PRP), um dos investigados na chamada Operação Caixa de Pandora, o HC aponta que por envolver o deputado federal Augusto Carvalho (PPS), que tem foro no STF, o inquérito não poderia tramitar no STJ. Todos os atos até o momento seriam nulos.

Na última quinta-feira, Marco Aurélio encaminhou o processo ao STJ para que o relator do caso, ministro Fernando Gonçalves, dê uma posição. Suplente de deputado distrital, Pedro do Ovo deverá assumir o mandato em até 30 dias, devido à licença do presidente da Câmara Legislativa, Wilson Lima (PR), novo governador em exercício do DF. Pedro do Ovo também é alvo de representação por quebra de decoro parlamentar, protocolada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF), no ano passado. Ele foi citado em conversa de Arruda com o ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa, colaborador do Ministério Público e da Polícia Federal no inquérito, e teve a casa vasculhada em busca e apreensão autorizada pelo STJ.

O habeas corpus assinado por Pedro do Ovo foi elaborado pelo advogado Paulo Goyaz, que até a decretação da prisão de Arruda, no último dia 11, exercia o cargo de subchefe da Casa Civil do GDF. “Augusto Carvalho foi citado no primeiro depoimento prestado por Durval Barbosa ao Ministério Público do DF como beneficiário de desvios de recursos. É clara a competência do STF. As provas não têm valor jurídico”, afirma Paulo Goyaz. O advogado Cristiano Maronna, da equipe de Nélio Machado, confirma o entendimento: “O foro adequado é o Supremo. Vamos acompanhar o julgamento desse HC porque o resultado se estende a todos os investigados, inclusive, a Arruda”, disse.

Por enquanto, no entanto, segundo Maronna, a aposta da defesa do governador afastado, que está preso numa sala da Superintendência da Polícia Federal há 16 dias, é o mérito do habeas corpus impetrado em favor de Arruda no STF. O julgamento deve ocorrer na próxima quinta-feira. No fim da tarde de ontem, a Procuradoria-geral da República devolveu ao STF um novo parecer sobre o caso, com base no aditamento dos argumentos feitos pela defesa, em que volta a defender a prisão preventiva de Arruda.

Menos de uma semana antes do julgamento do habeas corpus em favor de Arruda, o presidente do STJ, César Asfor Rocha, defendeu ontem a decretação da prisão, ao participar de solenidade na Assembleia Legislativa de Alagoas. “É lamentável que se chegue ao ponto de retirar um governador do cargo, mas se for para cumprir a lei e a Constituição Federal, o Judiciário corta até na própria carne, como já fez com a prisão de juízes e desembargadores”, afirmou. “Atitudes como essa têm o caráter repressivo, mas antes de tudo preventivo, já que serve de exemplo para outros gestores públicos”, acrescentou o presidente do STJ.

Também em entrevista, o presidente do STF, Gilmar Mendes, rechaçou ontem qualquer possibilidade de acordo com a defesa de Arruda que inclua uma troca de licença ou renúncia do governador do DF pela liberdade. “Não existe esse tipo de negociação. Está se traduzindo isso em uma linguagem incorreta, acredito que não é disso que se trata. Nem acredito que a defesa tenha encaminhado o assunto dentro dessa perspectiva”, afirmou Gilmar. Por enquanto, segundo a defesa, Arruda não admite a hipótese de renunciar ao mandato. “A renúncia jamais foi cogitada”, afirmou Maronna. Ele também descartou a possibilidade de desistir do habeas corpus para tentar a revogação da prisão no STJ.

O aditamento do habeas corpus no STF não conta com a assinatura do criminalista José Gerardo Grossi que vinha representando Arruda no caso desde a deflagração da Operação Caixa de Pandora. Grossi e José Eduardo Alckmin deixaram o caso alegando “questões de foro íntimo”. Eles foram surpreendidos pelo ingresso de Nélio Machado na equipe de defesa. A forma como Nélio chegou, sem consultar previamente os advogados já contratados, terminou por atrapalhar o que Arruda sonhava em trazer para a causa: o estilo agressivo de Nélio e o jeito mais ponderado de Alckmin e Grossi. O novo advogado de Arruda começou a atuar sem sequer consultar os colegas, o que terminou por provocar uma “trombada nos estilos”. Amigos dos três contam que não houve uma conversa inicial sobre como poderiam atuar em colaboração. “A saída foi uma escolha pessoal deles e não tenho nada a ver com isso. Não fica nenhuma sequela no relacionamento com os advogados que saíram”, garantiu Machado.

Nova regra - e outras um pouco esquecidas - nos comentários do blog

Blog em 27/02/2010 às 7:15

A partir de agora iremos moderar com rigor ainda maior os comentários feitos pelos leitores. O Blog da Paola Lima é um espaço de discussão aberto a todos, mas temos notado, e  alguns leitores também, um aumento de denúncias e acusações sem provas e ofensas pessoais inclusive com xingamentos. A fim de preservar nossa responsabilidade jurídica, comentários com essas características serão excluídos. Não iremos alterar o comentário inserindo a expressão [EDITADO PELO BLOG] como vínhamos fazendo. A ideia é manter intacta a reflexão do leitor e publicá-la integralmente. São condições já previstas nas Regras do Blog.

A nova regra diz respeito à boa educação na Internet: não serão publicados os comentários escritos apenas em letras MAIÚSCULAS ou CAIXA ALTA. Em nosso blog ninguém precisa gritar para ser ouvido. Obrigada pela leitura!

Suspensa contratação da Ipanema

GDF, Saúde em 26/02/2010 às 19:58

Governador em exercício Wilson Lima mandou suspender o contrato da Secretaria de Saúde com a empresa Ipanema para prestação de serviço de vigilância. Lima se reuniu nesta sexta-feira (26) com o secretário de Saúde, Joaquim Barros Neto, para saber o motivo da contratação, com dispensa de licitação, da empresa. Soube pelo secretário que o contrato ainda não havia sido assinado. O governador mandou então suspender a contratação e dar seguimento ao processo licitatório já iniciado para o serviço. Além disso, a Procuradoria Geral do DF vai avaliar se há mesmo necessidade de alguma contratação emergencial para o setor.

“A determinação do governador é para que nenhum contrato seja assinado sem licitação ou sem passar pela Procuradoria do GDF” assegurou o assessor de imprensa do GDF, José Carlos Barroso.

Sem chance de ser deputado de novo

Câmara Legislativa em 26/02/2010 às 18:30

Uma das discussões em torno das renúncias dos distritais Leonardo Prudente e Junior Brunelli trata-se da convocação de seus suplentes para ocupar as duas vagas a serem abertas nos próximos dias. Isso porque um dos suplentes é o democrata Raad Massouh, que assumiria o mandato sem maiores transtornos. Mas a segunda vaga aberta seria destinada ao também democrata Geraldo Naves - preso sob acusação de ter participado da suposta tentativa de suborno do jornalista Edson Sombra.

Uma vez publicada a convocação do suplente, Naves terá 30 dias para tomar posse do mandato. Se não aparecer na presidência para ser empossado nem der notícias aos parlamentares, sua convocação perde o valor e o próximo da lista é chamado. Mas o Regimento Interno da Casa prevê que, em caso de impedimento grave, o suplente pode pedir o adiamento da posse, por período indeterminado. Se decidir por pedir o adiamento, Naves teria sua vaga de deputado guardada até que saísse da prisão.

O problema então passaria a ser político. Os colegas já avisam que, se segurar a vaga, conseguir o habeas corpus e tomar posse como deputado distrital, um processo por quebra de decoro contra o democrata seria aberto no dia seguinte à sua chegada à Câmara. E ele acabaria forçado a renunciar para não perder de vez os direitos políticos.

Conclusão: caso venha a ter a chance de assumir a vaga na Câmara Legislativa como titular, Naves será forçado pelos colegas a deixá-la de lado.

Prudente renuncia

Câmara Legislativa em 26/02/2010 às 18:16

Leonardo Prudente acaba de protocolar na Câmara Legislativa sua carta de renúncia. O documento foi entregue ao presidente em exercício Cabo Patrício (PT) para que seja lido em plenário na próxima terça-feira (2), como antecipou o blog.

Parecer fica para segunda

Câmara Legislativa, GDF em 26/02/2010 às 18:10

Só ficará pronto na segunda-feira (1º) o parecer da Procuradoria Geral da Câmara Legislativa sobre o momento exato em que o governador afastado José Roberto Arruda não poderá mais renunciar ao cargo sem o risco de perder os direitos políticos por oito anos em caso de aprovação do impeachment. O presidente da Comissão Especial, Cristiano Araújo (PTB), havia entendido que a partir da notificação pelo relator, o governador afastado não mais poderia renunciar como forma de suspender o processo. Já o relator do caso, deputado Chico Leite (PT), entende que esse prazo começa a contar após os 20 dias dados para que ele apresente sua defesa.

A diferença entre os dois prazos pode ser crucial para o governador. Se prevalecer o entendimento do presidente da Comissão, Arruda teria, no máximo, uma semana para decidir sobre a renúncia. Se prevalecer o entendimento de Chico Leite, o governador afastado ganha quase um mês para se decidir sobre o assunto.

Renúncias oficiais só na terça

Câmara Legislativa em 26/02/2010 às 17:52

Ainda que protocoladas nesta sexta-feira (26), as cartas de renúncia dos deputados Leonardo Prudente (sem partido) e Junior Brunelli (PSC) só serão lidas em plenário na sessão da próxima terça-feira (2). O acordo foi feito entre deputados, relatores e a Mesa Diretora da Casa.

Novo vídeo revela esquema de licitação

GDF em 26/02/2010 às 17:42

Do iG: Os contratos de informática eram, de acordo com o inquérito da operação Caixa de Pandora, a principal forma de desvio de dinheiro público do Governo do Distrito Federal. Um vídeo inédito do ex-secretario de Relações Institucionais do GDF Durval Barbosa, delator do escândalo, revela como funcionava a suposta corrupção nesses contratos. Mostra ainda o total desrespeito ao princípio constitucional da isonomia durante a licitação para contratar uma prestadora de serviços tecnológicos do governo.

Um dos artifícios usados pelo GDF para desviar dinheiro público era fazer aditivos contratuais após o fechamento do negócio. As empresas que iriam vencer as licitações eram previamente indicadas e, de acordo com os investigadores, tratava-se de um jogo de cartas marcadas. O novo vídeo obtido com exclusividade pelo iG é um exemplo disso.

De acordo com a Polícia Federal e o Ministério Público, o vídeo foi entregue às autoridades por Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais e pivô do escândalo do DF, em um CD identificado com a inscrição Agenor/Fábio Simão. Foi gravado no dia 6 de novembro, no gabinete de Durval e faz parte do inquérito 650.

Na conversa, o representante de empresas de informática Agenor Damasceno Beserra trata dos detalhes de uma licitação, dizendo quem irá ganhar a disputa e como deve ser feito um aditivo de R$ 4 milhões. Questionado por Durval Barbosa, Beserra confirma que é Fábio Simão, ex-chefe de gabinete do governador preso e afastado José Roberto Arruda, que quer a liberação do contrato e o aditivo.

O vídeo mostra Agenor Beserra dizendo que o contrato será fechado com a segunda colocada na licitação, a empresa de gestão e tecnologia Sofhar. A licitação, para a contratação de serviços informática, foi aberta pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda (Sedest) em 2008. Mas o resultado a que se refere Beserra só acontece quatro dias depois da gravação (leia aqui), dia 10 de novembro, com a desclassificação da primeira colocada na disputa.

Agenor Beserra diz a Durval que, cerca de dois meses depois do fechamento do contrato, teria de ser feito um aditivo do qual sairiam R$ 4 milhões que seriam usados para pagar uma pesquisa de campo com as famílias beneficiadas pelo programa de transferência de renda da Sedest - objeto inicialmente estranho ao contrato. Beserra supõe, no vídeo, que o negócio é feito com o conhecimento do governador. O contrato é de cerca de R$ 18 milhões, informa ele a Durval.

Na conversa, Durval pergunta ao empresário: “No caso do Fábio, do Fábio Simão, ele quer que você libere, ele quer liberar o contrato?”. Beserra responde: “Quer, sim senhor”. A conversa segue:

Durval - “Mas quem é que libera? Ele ou o Arruda?”

Beserra - “Ele deve estar falando do Arruda, né? Aí libera o contrato, aditiva esse contrato…”

Durval - “Esse contrato é o contrato da Sedest, né?”

Beserra - “É, sim senhor. Aí libera pro segundo colocado, não pro primeiro, né”.

Durval - “Que é o Gerar… A Sofhar”.

Beserra - “A Sofhar. É, sim senhor”.

Durval - “E depois?”

Beserra - “Aditivar o contrato. E contratar esse Paulinelli”.

Durval - “Mas como é que vai aditivar o contrato no início do contrato?”

Beserra - “Não. Depois de um mês ou dois”.

Em outro trecho da conversa, Beserra fala de novo para Durval qual será o valor do contrato e de quanto deve ser o aditivo. E emenda: “Mas também não tiro um centavo do que é nosso porque o senhor sabe… Tá tudo muito apertado”. Ouvido pelo iG, o representante de vendas não soube explicar a que se referia quando disse que não tiraria “um centavo do que é nosso”. Mas afirmou que estava ali fazendo um favor para Durval Barbosa, nada mais.

A reportagem do iG teve acesso ao processo de licitação do qual Durval e Beserra tratam na gravação. A empresa Sofhar, segunda colocada na licitação, venceu a disputa da maneira que foi tratado no vídeo. A primeira colocada, Fundação Israel Pinheiro, foi desclassificada e o pregão reaberto quatro dias depois da conversa.

O contrato ainda não foi fechado porque o resultado da licitação foi revogado no último dia 4 de fevereiro, sete dias antes de Arruda ser preso. Um recurso da empresa Sofhar contra a revogação da licitação está em análise na Central de Compras do Distrito Federal. Os investigadores suspeitam que, ao saber do vídeo gravado em poder dos investigadores, a licitação foi revogada.

No dia 10 de junho de 2009, a Fundação Israel Pinheiro foi declarada vencedora da licitação com uma proposta de R$ 18,5 milhões para prestar os serviços pedidos pela Sedest. Pouco mais de um mês depois, com a fundação habilitada para assinar o contrato, o ex-secretário de Planejamento do DF, Ricardo Pinheiro Penna, pediu a anulação do pregão.

O argumento do secretário foi o de que sua mãe, Maria Ignês Uchoa Pinheiro, e sua irmã, Helena Pinheiro Penna, fazem parte do conselho curador da Fundação Israel Pinheiro. Como Penna é quem responde pelas compras de serviços do Distrito Federal, havia, segundo ele próprio, evidente conflito de interesses na contratação da fundação. Em 3 de agosto, a assessoria jurídica da Central de Compras do DF anulou a licitação.

As empresas recorreram e a deputada distrital Eliana Pedrosa (DEM), que na ocasião comandava a Sedest, pediu a reconsideração da decisão -  o que não é ilegal. Segundo ela, que nunca foi acusada de participar do esquema por Durval Barbosa, seria muito mais oneroso para os cofres públicos iniciar nova licitação do que corrigir a primeira. Barbosa implicou, em depoimentos, diversos colegas de Eliana.

Em novembro do ano passado, depois de diversos recursos das empresas serem rejeitados, o ex-secretário Ricardo Penna decidiu levar em conta os argumentos da Secretaria de Desenvolvimento. Resultado: a Fundação Israel Pinheiro foi excluída da corrida pelo contrato no dia 10 de novembro. Ou seja, depois de Beserra e Durval acertarem que a segunda colocada levaria a licitação. Em seguida, as empresas remanescentes foram convocadas para a reabertura das negociações.

Em 8 de dezembro, a Sofhar venceu o pregão. Vinte dias depois, foi lavrada a ata que a declarou vencedora da licitação. Exatamente como foi tratado no gabinete de Durval. No portal de compras do governo do DF, há o resultado da licitação da qual a empresa saiu vencedora com uma proposta de R$ 17,8 milhões.

A empresa apresentou a documentação e foi habilitada para a assinatura do contrato, mas a licitação foi novamente anulada. Desta vez, por força de um problema legal. O governo sustentou que a licitação não se enquadrava na modalidade de pregão porque não se tratava de compra simples. A Sofhar contestou o argumento e o recurso aguarda análise da assessoria jurídica da Central de Compras do DF.

Procurado pela reportagem do iG, o diretor-presidente da Sofhar, Wilmar Prochmann, negou com veemência que a empresa tenha participado de qualquer negociação para ganhar a licitação, mesmo ficando em segundo lugar. “Não estamos envolvidos. Nós participamos regularmente do processo de concorrência desde o seu início, no dia 10 de dezembro de 2008. Não houve qualquer irregularidade por parte da empresa, nem a combinação de qualquer resultado”, afirmou.

Prochmann disse que não conhece Agenor Damasceno Beserra: “Não sei quem é esse senhor. Nunca o vi, nem mais gordo, nem mais magro. Não dei procuração para ninguém, não tenho representação em Brasília. Não faço ideia de quem seja. Ele não tem procuração, nem autorização para falar em nome da Sofhar, que está no mercado há 24 anos”.

O diretor da empresa afirmou, ainda, que fica “muito preocupado” com o fato de “ficar exposto sem nem ao menos ter conhecimento disso”. Ele disse que nunca tratou de qualquer aditivo contratual e só tomou conhecimento da existência desse vídeo e da conversa entre Beserra e Durval quando procurado pelo iG. “A licitação se iniciou muito antes dessa tal negociação e estávamos participando dela desde o começo. Se estava tudo combinado, por que a licitação foi revogada? Por que eu não levei?”, questionou.

O empresário nega qualquer envolvimento no caso: “Depois que a licitação foi reaberta houve uma negociação de preço de quase duas semanas com o pregoeiro. Chegamos inclusive a manifestar nosso interesse em não mais participar do processo. Mas o pregoeiro insistiu para que continuássemos porque isso atingiria 140 mil famílias de Brasília etc. Essa acusação expõe o nome de uma empresa que não participou e não participará de nenhuma negociata”.

Também procurado pelo iG, Agenor Beserra disse que nunca teve qualquer relacionamento com a Sofhar. “Pediram no gabinete do doutor Durval para que eu olhasse um processo e eu dei meu parecer. Iriam substituir, modernizar o programa de cadastramento das famílias sem fazer o necessário recenseamento em um caso desses. Eu, então, opinei que deveria ser feito um aditivo para fazer a pesquisa com essas famílias”, disse.

Beserra disse que nunca esteve com Fábio Simão, mas não explicou os motivos de ter falado em nome dele, como mostra o vídeo. “Não conheço o Fábio Simão, nem o governador Arruda. Não tenho qualquer relação com eles. Não sei explicar, assim como não sei por que falamos de algo que aconteceu depois. Achava que já tinha acontecido”, diz.

Agenor Beserra não deu explicações sobre o fato de, enquanto falava do valor do contrato, ter dito a Durval a seguinte frase: “Mas também não tiro um centavo do que é nosso porque o senhor sabe… Tá tudo muito apertado”. “Não sei por que disse isso. Vou me dar o benefício da dúvida”, afirmou ao iG.

A reportagem do iG quis mostrar o vídeo a Beserra para que pudesse esclarecer os fatos, mas ele não quis ver a gravação. “Vai me fazer mal. Não sei por que eles estão fazendo isso comigo, mas sou um homem de bem, que vive uma vida simples. E vou abrir minha vida para quem estiver investigando o caso se for chamado, para verem que não participei de nada”, concluiu.

A deputada Eliana Pedrosa afirmou, por sua assessoria, que, apesar da licitação ser na Sedest, era a secretaria de Governo quem controlava as licitações. O governo do Distrito Federal afirmou, por meio de sua assessoria, que não comentará o novo vídeo publicado pela reportagem. Procurado pelo iG, Fábio Simão não retornou as ligações.

Veja vídeo aqui.

Câmara entrega defesa

Câmara Legislativa, STF em 26/02/2010 às 17:28

O presidente em exercício da Câmara Legislativa, deputado Cabo Patrício (PT), vai nesta segunda-feira (1º) ao Supremo Tribunal Federal. Patrício quer entregar pessoalmente aos ministros do Supremo a defesa da Câmara contra a intervenção federal.

Setor produtivo contra intervenção

Cidades, Economia, GDF em 26/02/2010 às 12:45

Entidades que integram o Fórum do Setor Produtivo do Distrito Federal divulgaram nota sobre o pedido de intervenção no DF. Depois de uma reunião no Salão Azul do Hotel Nacional, elas se manifestaram a preocupação com os reflexos da crise na economia do DF e defenderam a não necessidade da intervenção.

Confira nota divulgada pelo segmento:

“Sem nenhum envolvimento em questões de natureza político-partidária, as entidades representativas do setor produtivo sempre defenderam os princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e economicidade que garantem a transparência na administração pública e nas suas relações com o setor privado; 

Apesar da gravidade da crise, reafirmamos nossa preocupação com os seus reflexos na economia, no emprego e na manutenção da ordem pública do Distrito Federal e defendemos que as soluções encontradas para a sua superação, quaisquer que sejam elas, tenham, acima de tudo, compromisso com a não paralisação da atividade econômica do Distrito Federal e com a preservação da sua autonomia política; 

Não há necessidade de intervenção federal. Acreditamos que os dispositivos legais e constitucionais e o respeito à linha sucessória legal são instrumentos suficientes para a busca de soluções para a crise política, tendo em vista que garantem o pleno funcionamento das instituições, da máquina pública e da atividade econômica no DF; 

Não acreditamos em medidas radicais para enfrentar a crise política. A sua solução se dará com a garantia da apuração de todas as denúncias pelas legítimas instâncias jurídicas, a punição dos culpados e o fortalecimento das instituições. À Justiça cabe identificar os desmandos, corrigi-los e punir os responsáveis, retirando-os definitivamente da vida pública; 

O setor produtivo do Distrito Federal permanece mobilizado, acompanhando a evolução e os desdobramentos da crise, e continuará a desenvolver ações juntos aos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, para defender a legalidade, a governabilidade, a democracia, a união da sociedade e a preservação da auto-estima de todos os brasilienses; 

Repudiamos, portanto, a proposta de intervenção federal que, no atual momento da nossa história, seria abrupta, açodada, desnecessária e uma afronta às liberdades democráticas.” 

Assinam a nota Fibra, Fecomércio, Fape, Fenatac, Faci, CDL, Sebrae, ACDF, Asbraco, Ademi e Corecon.

Plenário vota parecer na 3ª

Câmara Legislativa, GDF em 26/02/2010 às 12:37

Uma vez aprovado na Comissão Especial, o pedido de impeachmento do governador afastado José Roberto Arruda será encaminhado para votação no plénário da Câmara Legislativa. A votação será na próxima terça-feira (2).

A aprovação do pedido em plenário se dá com maioria simples - ou seja, com 13 parlamentares presentes, aprova-se com sete votos.

Só depois da aprovação do plenário é que começa a se contar o prazo para notificação do governador afastado José Roberto Arruda. A comissão terá 24 horas para notificá-lo, e ele, 20 dias para apresentar sua defesa.

A divergência sobre o momento em que Arruda não poderá mais renunciar para preservar os direitos políticos ainda não foi encerrada. O parecer da Procuradoria da Casa ainda não foi apresentado à Comissão. A expectativa é de que o momento em que a renúncia não mais surtirá efeito seja o da notificação.

Aceito processo contra Arruda

Câmara Legislativa, GDF em 26/02/2010 às 12:26

Acaba de ser aprovado na Comissão Especial a abertura de processo de impeachment do governador afastado José Roberto Arruda. O parecer de Chico Leite foi aprovado por unanimidade na comissão - formada também por José Antônio Reguffe (PDT), Paulo Roriz (DEM), Cristiano Araújo (PTB) e Batista das Cooperativas (PRP).

Os distritais entenderam que é preciso seguir adiante com o processo por haver indícios de crime de responsabilidade contra o governador afastado. “Brasília não pode mais ser símbolo de corrupção e impunidade”, declarou Reguffe.

Os deputados fizeram questão de ressaltar que o governador terá espaço para apresentar sua defesa - são 20 dias de prazo para que ele apresente seus esclarecimentos à comissão - e que o julgamento será justo.

Leite pede abertura de processo

Câmara Legislativa, GDF em 26/02/2010 às 12:19

Relator dos pedidos de impeachment do governador afastado José Roberto Arruda, o deputado Chico Leite (PT) acaba de concluir a leitura de seu parecer na Comissão Especial da Câmara Legislativa. O petista, como esperado, pediu aos colegas o reconhecimento de que a Casa deve apurar as acusações contra o governador afastado. E o acatamento das representações para que “seja instaurado o devido processo e o subsequente julgamento” de Arruda.

Em seu precer, Leite afirmou que as representações por crime de responsabilidade apresentadas contra o governador afastado encontram, “em tudo quanto apurado até agora, suficientes indícios de autoria e materialidade em desfavor do Chefe do Executivo distrital”. Diante disso, Leite recomenda a abertura do processo de impeachment.

“A meu juízo, muito mais do que recomendar, impõe à Câmara Legislativa deliberar sobre as acusações formuladas contra o sr. governador”, afirmou.

“Não renunciarei”

Câmara Legislativa em 26/02/2010 às 11:34

A deputada distrital Eurides Brito amanheceu repetindo em seu perfil no Twitter o que vem dizendo a amigos, colegas e à imprensa: “Não renunciarei”. A distrital é alvo de um processo por quebra de decoro parlamentar na Comissão de Ética da Casa por conta do envolvimento nas denúncias da Operação Caixa de Pandora. Os outros dois distritais que também viraram alvo de processos, Junior Brunelli (PSC) e Leonardo Prudente (DEM), devem apresentar suas cartas de renúncia nesta sexta-feira (26).

Atrás da confiança da sociedade

Câmara Legislativa, GDF em 26/02/2010 às 11:28

Com uma hora de atraso por conta da falta de energia na Câmara Legislativa, presidente da Comissão Especial da Casa, Cristiano Araújo (PTB), dá início à sessão que julgará o primeiro parecer sobre o pedido de impeachment do governador afastado José Roberto Arruda. Araújo começa a sessão lamentando o momento histórico que Brasília enfrenta neste momento e que a Câmara protagoniza.

“A Casa tem trabalhado para dar celeridade às metárias. As medidas não estão sendo paliativas. Não estamos jogando sujeira para debaixo do tapete. Estamos dando uma resposta à sociedade para que ela volte a confiar em nós”, afirmou o distrital, numa clara defesa de que não será necessária a intervenção federal no DF.

Cadê a energia da Câmara?

Câmara Legislativa, GDF em 26/02/2010 às 9:28

A uma hora de iniciar a sessão da Comissão Especial que irá apreciar o parecer pelo pedido de impeachment do governador afastado José Roberto Arruda, a Câmara Legislativa está sem energia elétrica. Nos corredores da Casa, há quem acredite que a falta de luz não é mero “problema técnico” na CEB…

Os conselheiros de Wilson Lima

Câmara Legislativa, GDF, Partidos em 26/02/2010 às 9:16

O governador em exercício Wilson Lima tem tido nos últimos dias alguns conselheiros que estão o ajudando a tocar o Governo do Distrito Federal. Dois deles são colegas de Câmara Legislativa: a distrital Eliana Pedrosa (DEM) e o deputado Roney Nemer (PMDB). Outros dois, vieram de seu partido: o ex-distrital José Edmar e o secretário de Ciência e Tecnologia, Izalci Lucas.

O PR inclusive começou a ampliar espaço no GDF. No lugar de Flávio Giussani, que deixou a Secretaria de Governo, assumiu interinamente o secretário-adjunto de Izalci na Secretaria de Ciência e Tecnologia, Antônio Alves do Nascimento Neto. Ele não foi nomeado secretário. Mas será adjunto da pasta do Governo e acumulará as duas funções pelos próximos dias.

Liberdade pode vir após renúncia

GDF, STF, STJ em 26/02/2010 às 8:11

Do Estado de S. Paulo: O Superior Tribunal de Justiça (STJ) aceita libertar José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM) em troca da renúncia dele ao governo do Distrito Federal. Na avaliação dos juízes, por ter ficado preso durante duas semanas, o governador não ameaça mais as investigações e não tem como obstruir o inquérito da Operação Caixa de Pandora. O que o STJ não aceita é que Arruda se mantenha apenas como “governador licenciado até o fim das investigações”, como querem os advogados.

Preso na Superintendência da Polícia Federal, Arruda negocia renunciar ao mandato e pedir a soltura diretamente ao ministro Fernando Gonçalves, do STJ, relator do inquérito do “mensalão do DEM”. O ministro, em caso de renúncia, relaxaria a prisão do governador, descartando o julgamento de habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF).

Licenciado apenas, ele mantém poder político para barganhar com os aliados na Câmara Legislativa uma possível volta ao poder. Renunciando e sendo liberado pelo STJ, Arruda apressa a soltura e não precisa mais esperar pelo julgamento do habeas corpus no STF.

A negociação ocorre há mais de uma semana. Na quinta-feira, 25, o advogado de Arruda, Nélio Machado, anunciou que o governador afastado não voltará mais ao governo. Inicialmente, adotou o discurso de que ele assumiria o compromisso de ficar licenciado – se fosse colocado em liberdade pela Justiça.

O discurso, por enquanto, é um ensaio para obter sinalização de que o governador será solto se executar um gesto político de que não pretende reassumir o governo. A tese da licença, no entanto, não é bem recebida por Gonçalves, nem pelo STF. Arruda foi preso porque obstruiu as investigações da Operação Caixa de Pandora. Como governador, mobilizou recursos e pessoal do governo do DF para subornar uma testemunha.

Na avaliação dos magistrados, a licença, que já está em vigor desde a prisão no dia 11, não impediria Arruda de usar o poder do governo para atrapalhar as investigações. “Parece lógico que ele, afastado do governo, não influenciaria nas investigações”, insiste o advogado de Arruda. Até o passaporte do governador seria entregue.

Além do movimento jurídico, Arruda sabe que a licença não resolveria o problema político do processo de impeachment na Câmara Legislativa. Seus advogados falam em comunicar aos deputados distritais a intenção de ficar fora do cargo, na tentativa de convencê-los a não levar adiante o impeachment. Arruda tem três semanas para evitar a abertura do processo. A defesa vê com pessimismo a possibilidade de os deputados livrarem o governador afastado. Restará a chance de renunciar para evitar a cassação e a perda dos direitos políticos.

Outro advogado de Arruda, Eduardo Alckmin, vem trabalhando no caso. Nos últimos dias, ele procurou políticos influentes de Brasília para sondar sobre as saídas políticas. O conselho mais ouvido é o de que o governador deve renunciar – decisão, porém, que Arruda gostaria de tomar somente longe da cadeia ou com a perspectiva de que será colocado em liberdade. Isso porque não quer perder o foro de governador enquanto estiver preso.

Intervenção cada dia mais longe

Câmara Legislativa, GDF em 26/02/2010 às 8:08

Do Estado de S. Paulo: São nulas as chances de o Supremo Tribunal Federal (STF) aprovar o pedido de intervenção no Distrito Federal feito pelo Ministério Público. E o mais provável é que o pedido nem seja levado a julgamento no plenário da corte. Depois de cair num “quadro de letargia”, com a maioria dos deputados distritais se comportando como se as investigações da Operação Caixa de Pandora só atingissem o governo Arruda, a crise no DF está mostrando a ministros do STF que os dois Poderes sob ameaça de intervenção - Executivo e Legislativo - estão costurando as soluções políticas que devolvem a normalidade institucional à capital.

A busca de saídas para evitar a intervenção federal passou pelas renúncias do vice-governador Paulo Octávio, do presidente da Câmara Distrital, Leonardo Prudente, de deputados suspeitos de envolvimento no esquema de corrupção, no andamento normalizado do processo de impeachment e na promessa do governador José Roberto Arruda de não reassumir o cargo. Nesse ritmo, ministros acreditam que será necessária a intervenção federal, mecanismo considerado pelo STF e pelo Planalto como drástico e excepcional.

No Supremo, que tem na prateleira 129 pedidos de intervenção jamais levados a julgamento, a tradição é que “o tempo decida o processo”. Por ser uma ameaça excepcional, explica um ministro, os Poderes estaduais quase sempre criam decisões políticas consensuais para superar a necessidade de decretar a intervenção. Em conversa recente com parlamentares e juízes, o ex-ministro do STF Sepúlveda Pertence, que hoje preside a Comissão de Ética do Planalto, admitiu explicitamente que o pedido de intervenção no DF não deve mesmo ser julgado no Supremo.

Mesmo que o DF tenha de fazer uma eleição indireta, mobilizando os deputados distritais da Câmara Legislativa - muitos deles são aliados de Arruda e Paulo Octávio -, o STF avalia que essa situação é parte do jogo democrático e que os parlamentares titulares ou suplentes não perderam legitimidade política. Um ministro do Supremo lembrou que os aliados de Fernando Collor (1990-1992) também votaram no impeachment do presidente.

No caso do pedido do DF, o julgamento não será nas próximas semanas e a intervenção só voltará à pauta do STF se novos episódios reavivarem a crise política a ponto de comprometer a ordem pública, com uma greve das polícias, por exemplo, ou colocarem em risco a “forma republicana”, o “sistema representativo” e o “regime democrático”, como previsto na Constituição. Do contrário, se a crise for solucionada politicamente, o DF ficará livre da intervenção.

O instrumento da intervenção federal é considerado juridicamente tão radical que o ideal, dizem os juízes, é que não seja efetivado e permaneça apenas como uma opção de ação de emergência. Essa mecânica jurídica e política já fez efeitos em outros episódios igualmente graves e em outros Estados.

Em Alagoas, por exemplo, o caos financeiro da administração do então governador Divaldo Suruagy e uma greve de policiais civis e militares por falta de pagamento levaram o governo a ameaçar intervir no Estado. Foi o suficiente para que o governador renunciasse e a classe política buscasse uma solução para a crise.

Algo semelhante ocorreu em Rondônia, em 2008. O então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, pediu intervenção federal por violação a direitos humanos no presídio Urso Branco, em Porto Velho. A situação do presídio era calamitosa, na opinião do procurador. Um acerto político levou o Estado a reformar as instalações e buscar melhorias nas condições dos presos. O pedido de intervenção nunca foi julgado.

Pacote de bondades de Lima

Educação, GDF em 26/02/2010 às 8:05

Do Painel da Folha de S. Paulo: Aliados do governador interino do DF, Wilson Lima (PR), articulam acordo para tentar mantê-lo na cadeira até o final do ano. O principal ponto seria um pacote de bondades para a CUT, com aumento salarial de professores e a implementação de um plano de saúde para todos os servidores da máquina. Para o grupo de José Roberto Arruda, o interino se comprometeria a manter servidores em cargos de pequeno e médio escalão.

Saltitante com a ideia de herdar a máquina do DF em pleno ano eleitoral, o PR planeja um evento para homenagear Wilson Lima. Com Lima, estão em alta o ex-deputado José Edmar (PR), preso à época da CPI da Grilagem de Terras, e João de Deus (PPS), prefeito de Água Fria de Goiás.

Intervenção não tem maioria

GDF, STF em 26/02/2010 às 8:03

Do Painel da Folha de S. Paulo: Novos desdobramentos do escândalo podem alterar o quadro, mas, hoje, a ideia de intervenção federal no DF não tem maioria no plenário do Supremo. Ao mesmo tempo, a lista de cotados para o eventual cargo de interventor ganhou um acréscimo: Flávio Bierrenbach, ministro do Superior Tribunal Militar.

Suspeita de propina na nova sede

Câmara Legislativa, GDF, Obras em 26/02/2010 às 8:00

Da Folha de S. Paulo: A Polícia Federal investiga se o governo de José Roberto Arruda, afastado e preso, cobrava 2,5% de propina sobre o valor repassado pela administração para conclusão da obra da nova sede da Câmara Legislativa do Distrito Federal. No centro dessa nova frente de investigação, está uma das maiores empreiteiras de Brasília: a Via Engenharia, contratada pelo governo para fazer a obra. Depois de três anos paralisada, a construção foi retomada em 2008 quando Arruda assinou contrato de R$ 72,5 milhões com a empreiteira.

A PF investiga se, para receber dinheiro do governo, a empresa pagava propina. O principal indício é uma planilha, apreendida em novembro na casa do ex-chefe de gabinete de Arruda. O documento lista valores e datas de quatro repasses à construtora com a indicação da porcentagem ao lado e referência à obra da Câmara. A planilha, que está sob análise dos policiais, destaca o valor de R$ 133,6 mil, referentes a 2,5% do total de R$ 5,3 milhões pagos em 2008.

Além da obra da nova sede do Legislativo, no mesmo documento há outra planilha com repasses de 2007 e 2008 referentes à construção já concluída de um shopping popular, outro projeto do governo tocado pela Via Engenharia. Nesse caso, a porcentagem calculada sobre R$ 35,1 milhões especificados no documento é maior: 5%.

O delator do mensalão no DF, o ex-secretário Durval Barbosa, revelou em depoimento que o esquema do mensalão do DEM envolvia, além dos contratos de informática, a área de obras. Nesse setor, “os arrecadadores de propina são o próprio Arruda, Márcio Machado [então secretário de Obras] e José Eustáquio [colaborador do governador]“, disse Barbosa à Procuradoria-Geral da República, em dezembro passado. Até então, a empreiteira só havia aparecido uma vez no inquérito da Operação Caixa de Pandora com apreensão de uma lista, feita por Arruda, na qual constava o nome do dono da Via Engenharia como doador de dinheiro para compra de panetones. A PF suspeita que a lista tenha sido forjada para esconder dinheiro de propina.

Por meio da assessoria, o empresário Fernando Queiroz reforçou as suspeitas ao negar doação de recursos para a compra dos bolos. A Via Engenharia é parceira na construção de um condomínio de R$ 1,2 bilhão com o ex-vice-governador Paulo Octávio, outro alvo da PF, que renunciou na terça-feira. A empresa também é doadora do DEM, ex-partido de Octávio e Arruda.

O advogado Nélio Machado disse que José Roberto Arruda, seu cliente, não cobrava propina nem do setor de obras nem de qualquer outra área. Segundo ele, a prioridade da defesa é obter a liberdade do governador, preso desde o dia 11 sob a acusação de subornar uma testemunha do mensalão do DEM, o que criaria obstáculos à investigação do caso.
Segundo Machado, só após Arruda ser solto é que a defesa analisará os documentos apreendidos pela PF, incluindo as planilhas achadas na casa do ex-chefe de gabinete Domingos Lamoglia.

Os documentos detalham pagamentos referentes a duas obras em Brasília tocadas pela Via Engenharia -a nova sede da Câmara Legislativa e o shopping popular. O governo do DF e a empresa afirmam desconhecer do que se tratam as planilhas. A empreiteira anuncia em seu site ser a responsável pela construção do shopping e pela conclusão da nova sede da Câmara -citadas nos documentos sob análise da PF. Lamoglia não foi localizado.

Nota do PDT desagrada Cristovam

Partidos, Política em 26/02/2010 às 7:58

Da coluna Brasília-DF do Correio Braziliense: O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) estava profundamente incomodado ontem com a nota da direção regional do partido que desautorizou a sua presença numa reunião de partidos de esquerda em Brasília, organizada pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PPS). “Uma falta de respeito. Uma nota muito desrespeitosa a minha pessoa. Desse jeito, nem sei mais se terei legenda para sair senador”, esbravejou Buarque. Decepcionado, desabafou: “O clima em Brasília é de que ninguém confia em ninguém nem dentro dos partidos”.

Racha entre advogados de Arruda

GDF, STF em 26/02/2010 às 7:57

Da Folha de S. Paulo desta sexta-feira (26): Quatro advogados do governador afastado José Roberto Arruda (sem partido) renunciaram oficialmente ao caso com uma carta de apenas um parágrafo, deixando a defesa integralmente a cargo do escritório de advocacia de Nélio Machado, do Rio. Arruda, que está preso na Polícia Federal desde o dia 11, já assinou ontem o recibo da rescisão do contrato. Deixaram a causa os advogados José Gerardo Grossi, Nabor Bulhões, Eduardo Alkmin e Eduardo Ferrão, apontados como a elite da advocacia no DF. Ontem, como parte de sua estratégia de defesa, o governador preso disse, por meio de seu advogado, que está disposto a se licenciar do cargo até que terminem as investigações.

Machado disse que ainda não está certo como será essa prorrogação. “Mas conversamos rapidamente sobre isso e ele não contestou”, afirmou. A maior preocupação dos advogados que saíram é evitar a ilação, que dizem ser incorreta, de que estariam abandonando o caso por considerar Arruda culpado. Conforme a Folha apurou, o problema foi incompatibilidade e disputa de espaço com Machado. O desconforto começou na decisão de contratar Machado, quando os outros quatro já atuavam na defesa.

A chegada de mais um advogado, e de fora da capital, foi considerada um “atravessamento”. A partir de então as divergências se aguçaram e se tornaram incontornáveis com a prisão de Arruda decretada pelo ministro Fernando Gonçalves e ratificada pelo Superior Tribunal de Justiça.

Na versão do lado de Nélio Machado, Grossi se dizia amigo de Gonçalves, mineiro como ele, e assegurara que o ministro não decretaria a prisão. Já na apresentação do habeas corpus ao Supremo Tribunal Federal, quem é acusado de errar é Machado, que teria se precipitado para jogar a decisão nas mãos de Marco Aurélio Mello, conhecido como liberal ao livrar réus de prisão preventiva. Desta vez, porém, ele manteve Arruda na cadeia.

Esta “culpa” recaiu sobre Machado, acusado de ter sido “açodado” e de ter entrado com o pedido antes de se reunir com os demais advogados, sem que eles tivessem tomado conhecimento do teor da decisão de Gonçalves e do STJ.
A questão considerada crucial é quanto à necessidade ou não de ouvir a Câmara Legislativa do Distrito Federal para poder prender o governador. Quatro ministros do próprio STJ consideravam que sim, deveria ser consultada. Os advogados de Brasília julgam que isso poderia ter evitado a prisão, mas foi tratado com ligeireza no pedido de Machado -assinado por Grossi “por procuração”, sem que ele concordasse com a medida.

Por isso, houve o pedido de adiamento da votação no STF e a alteração do teor do habeas corpus. Se a votação tivesse sido ontem, Arruda perderia, dizem advogados e ministros.

Recurso para Educação e Saúde

Educação, GDF, Saúde em 26/02/2010 às 7:52

Do Correio Braziliense: O governador interino do Distrito Federal, Wilson Lima (PR), está criando asas para fazer seu voo solo no Executivo local. Em menos de 48 horas à frente do comando do Palácio do Buriti, ele tomou decisões que terão impacto importante no orçamento deste ano do DF. Ontem, Wilson autorizou o reajuste de salário de cerca de 44 mil professores ativos e inativos da rede pública de ensino. A determinação deve aumentar em R$ 209 milhões a folha de pagamento da categoria, que esperava havia quase um ano o cumprimento do acordo salarial com o GDF. Ele também anunciou que vai remanejar R$ 160 milhões de outras pastas para a Secretaria de Saúde. Uma das medidas emergenciais do órgão será a contratação de 500 agentes para reforçar as ações de combate à epidemia de dengue.

Desde que deixou a presidência Câmara Legislativa, na última terça-feira, Wilson Lima mantém uma agenda concorrida, com reuniões oficiais com integrantes do governo e encontros de articulação política. Ele despacha no gabinete da governadoria no 11º andar do anexo do Palácio do Buriti. Não sai do prédio nem para almoçar. O almoço é servido numa sala de reuniões e sempre há convidados. Ontem, o presidente e o vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no DF (OAB-DF), Francisco Caputo e Emens Pereira, respectivamente, fizeram companhia ao governador em exercício. Um dos assuntos tratados durante o almoço foi a ameaça da intervenção federal no DF. “Nós estamos preocupados com a governabilidade de quem está no cargo”, afirmou Emens.

Em sua segunda reunião com Wilson Lima, o secretário de Saúde, Joaquim Barros Neto, pediu a liberação de R$ 160 milhões da verba contingenciada do orçamento de 2010. Para conseguir o recurso que deve ser usado no decorrer do ano, haverá cortes de despesas em todas as 19 secretarias de governo. Além da ação contra a dengue, o dinheiro deve garantir a continuidade de obras, como as das Unidades de Pronto-Atendimento (Upas). O Exército Brasileiro cederá 200 homens para colaborar com o trabalho de prevenção no DF. “Já está tudo acertado com o comando militar. Vamos receber esses militares, treiná-los e colocá-los para trabalhar de cada em casa”, antecipou o secretário. As atividades começarão pela Vila Planalto, pelo Itapoã e por Planaltina.

Os professores ativos e inativos do GDF receberão, a partir de 1º de março, um reajuste salarial que pode chegar a 10% no valor do contracheque. O índice exato do aumento que foi autorizado ontem por Wilson Lima será definido na manhã de hoje, numa reunião com a secretaria de Educação, Eunice Santos, e representantes do sindicato da categoria. Se o percentual ficar em torno de 10%, o impacto no orçamento da pasta — que gira em torno de R$ 3, 7 bilhões — será de R$ 209 milhões. O acordo salarial foi firmado entre o GDF e os professores em 23 de abril do ano passado, mas não saiu do papel. “O governador tomou uma medida acertada”, avaliou Eunice. Antes da liberação do aumento, a presidente da Central Única dos Trabalhadores no DF (CUT-DF), Rejane Pitanga, reforçou o apelo em nome dos 44 mil professores do DF. Ela negou apoio da entidade à gestão Wilson Lima, mas disse que faz parte do movimento contra a intervenção federal no DF. Quem também se recusou ontem a fazer parte do governo de coalizão foi o PT.

A quinta-feira também foi marcada por uma reunião para tratar da festa dos 50 anos de Brasília, mas a liberação de R$ 10 milhões para bancar o evento só deverá ser confirmada em uma semana. O governador interino recebeu ontem da comissão do cinquentenário a proposta de comemorações e pediu sete dias para avaliar a liberação do recurso. Como o Correio adiantou, devem embalar a festa de 21 de abril as bandas Paralamas do Sucesso e NX Zero e a dupla sertaneja Bruno e Marrone. “O convite foi feito e eles aceitaram. Só falta ter o dinheiro para fechar o contrato”, explicou o presidente da Brasíliatur, João Oliveira.

Os deputados distritais Batista das Cooperativas (PMN), Beneditos Domingos (PP), Pedro do Ovo (PMN) e o ex-deputado José Edmar visitaram ontem Wilson Lima no Palácio do Buriti. José Edmar é visto no 11º andar desde que o governador interino passou a despachar de lá. Ele garantiu que não vai ocupar vaga no governo, pois pretende se lançar candidato nas eleições de outubro. Mas, enquanto isso, Edmar ajuda o amigo mudando funcionários de salas no 11º andar do anexo.

Testemunha do panetone

GDF em 26/02/2010 às 7:48

Do Correio Braziliense: Único integrante do governo que tem visitado José Roberto Arruda (sem partido) na prisão na Superintendência da Polícia Federal (PF), o secretário de Transportes, Alberto Fraga, será testemunha do Ministério Público Federal na ação penal sobre a suposta falsificação de recibos para justificar a compra de panetones, mote da defesa do governador afastado. Fraga participou da reunião em que se discutiu a confecção dos documentos na residência oficial de Águas Claras, em outubro do ano passado.

Fraga disse ao Correio que vai contar “apenas a verdade” do que ocorreu naquele dia. Segundo o secretário de Transportes, além dele e do próprio Arruda, estavam presentes na residência oficial o então secretário de Relações Institucionais do DF, Durval Barbosa, o policial civil aposentado Marcelo Toledo e o então chefe da Agência de Comunicação, Weligton Moraes. Naquela altura, Durval já agia como colaborador da Justiça e do Ministério Público. Ao deixar a residência oficial, ele se dirigiu à Polícia Federal e entregou uma cópia dos recibos assinados por Arruda que seriam uma comprovação do recebimento de dinheiro para compra de panetones. A intenção, segundo o governador afastado, seria distribuí-los a famílias carentes no período de Natal, o que teria ocorrido em 2004, 2005 e 2006.

Na sexta-feira passada, a subprocuradora-geral da República Raquel Dodge denunciou Arruda por falsidade ideológica, crime com pena de um a três anos de prisão. Na ação, ela sustenta que os recibos foram fraudados para encobrir uma operação ilegal: o recebimento de dinheiro com origem ilícita. Em dezembro, Arruda disse ao Correio que decidiu entregar os recibos a Durval porque ouviu rumores de que ele teria filmado a entrega do dinheiro e a imagem poderia ser divulgada. Ele afirmou que embora a data da elaboração do recibo seja posterior, os recursos tiveram a finalidade declarada nos recibos. No vídeo, Arruda chega ao gabinete de Durval, então presidente da Codeplan, senta, conversa e recebe maços de dinheiro que totalizariam R$ 50 mil.

Nas imagens, registradas em 2005, Arruda, então deputado federal, demonstra desconforto em transportar o dinheiro e o entrega ao secretário particular, Rodrigo Arantes, que também está preso sob a acusação de participar do suborno ao jornalista Edson Sombra. Rodrigo teria entregado o dinheiro a Antônio Bento, conselheiro do Metrô-DF, para que fosse levado ao jornalista.

Marcelo Toledo também aparece num dos vídeos gravados por Durval que fazem parte do inquérito nº 650, em curso no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Na imagem, ele entrega dinheiro ao então assessor de imprensa de Arruda, Omézio Pontes, e cobra recursos para o ex-vice-governador Paulo Octávio. Toledo foi procurado por Durval com a proposta de que se juntasse a ele na colaboração com a Justiça. Mas até o momento não há acordo para delação premiada.

O advogado de Toledo, Raul Livino, disse ontem que todas as possibilidade de defesa serão avaliadas, inclusive esta. Mas não haveria ainda nenhum pedido formalizado. Ele negou que Toledo tenha participado da reunião em Águas Claras. Ao ser convocado para prestar depoimento na Polícia Federal, em janeiro, Toledo conseguiu um habeas corpus, que lhe garantiu o direito de ficar calado.

Parecer pelo impeachment

Câmara Legislativa, GDF em 26/02/2010 às 7:46

Do Correio Braziliense desta sexta-feira (26): Se depender da opinião do relator dos processos de impeachment que correm contra o governador afastado e preso José Roberto Arruda (sem partido), ele será definitivamente desligado do cargo de chefe do Executivo. O parecer que será apresentado hoje na Câmara Legislativa por Chico Leite (PT) pede o impedimento definitivo de Arruda. Num dos trechos do relatório, o petista sugere uma pena “muito maior”, um “julgamento mais rigoroso” para aquele que “afrontar a lei tendo todas as condições de cumpri-la”. “Se do cidadão comum se exige que respeite a coisa pública, que evite atos que violem direitos alheios, muito mais se deve exigir daqueles que ocupam os altos escalões da administração pública”, escreveu Chico Leite.

A opinião do petista será compartilhada com os quatro deputados que compõem a Comissão Especial, responsável por julgar os processos de impeachment. A tendência é que Cristiano Araújo (PTB), José Antônio Reguffe (PDT), Batista das Cooperativas (PRP) e Paulo Roriz (DEM) acompanhem o entendimento do relator. Com isso, Arruda terá mais uma derrota desde que a Polícia Federal e o Ministério Público deflagraram a Operação Caixa de Pandora, em 27 de novembro do ano passado. Até a prisão no último dia 11, Arruda mantinha controle sobre grande parte de sua base, que incluía, Cristiano, Paulo Roriz e Batista. A repercussão da crise e o risco de intervenção inclusive na Câmara Legislativa alteraram a conduta dos deputados.

Com a aprovação do relatório, a Câmara Legislativa deverá notificar Arruda na prisão em até 24 horas, ou seja, na próxima segunda-feira. A partir desse momento, o governador afastado terá 20 dias para apresentar sua defesa. Depois, o processo volta para o relator, que terá mais um tempo para apresentar novo relatório, desta vez levando em consideração as explicações do governador afastado. O conjunto das informações irá a plenário. Para que seja aprovado e aberto processo por crime de responsabilidade, são necessários dois terços dos votos.

Nesta manhã, a Procuradoria-Geral da Câmara deverá apresentar parecer a pedido do presidente da Comissão Especial do impeachment, Cristiano Araújo, esclarecendo o que se tornou uma controvérsia entre os deputados: o momento em que Arruda poderá renunciar sem risco de se tornar inelegível por oito anos. Um grupo defende que esse limite se dá até a notificação, na segunda-feira. É o caso de Cristiano Araújo e do líder da bancada do PT, Paulo Tadeu. Outros sustentam que o prazo se estende até o julgamento em plenário, antes da formação do tribunal especial. O grande defensor dessa tese é o relator do caso, Chico Leite, que tem formação jurídica.

Com a deterioração da imagem política de Arruda, dificilmente o governador afastado escapará da cassação na Câmara Legislativa. Por ordem de uma liminar do Tribunal de Justiça do DF, nenhum dos encrencados no escândalo da Caixa de Pandora poderá participar do julgamento. Wilson Lima, hoje governador em exercício, apresentou recurso no Supremo Tribunal Federal, sob a relatoria do presidente da Corte, Gilmar Mendes, na tentativa de rever o posicionamento defendido pelo Ministério Público.

Inquérito tem novo relator no STJ

STJ em 25/02/2010 às 20:18

Da Agência Brasil: Com a iminente aposentadoria do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Fernando Gonçalves, a relatoria do inquérito que investiga o esquema de corrupção no Distrito Federal passará para as mãos do ministro João Otávio de Noronha. Antecipando-se à aposentadoria compulsória que o afastaria da magistratura em 28 de abril, quando completará 70 anos, o ministro Fernando Gonçalves pediu a aposentadoria na última sexta-feira (19) e, desde então, está impedido de receber processos. Ele deixará a Corte em 20 de abril, informou a assessoria do STJ.

Por sorteio, coube ao ministro João Otávio de Noronha a análise da denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal contra o governador afastado do DF, José Roberto Arruda (sem partido), por suposta falsificação de documentos usados para comprovar, na Justiça, o gasto com panetones do dinheiro recebido do autor das denúncias, o ex-secretário Durval Barbosa.

Agora, Noronha assumirá todo o Inquérito 650 da Operação Caixa de Pandora, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2009, para desarticular o esquema de corrupção que, supostamente, envolve Arruda, assessores, deputados distritais e empresários.

O novo relator do Inquérito 650 manifestou-se, durante a sessão da Corte Especial do STJ que decretou a prisão preventiva de Arruda, que o pedido da Procuradoria-Geral da República deveria ser submetido à Câmara Legislativa do Distrito Federal.

A maioria dos ministros considerou, no entanto, que a eventual abertura de ação penal contra o governador depende, de fato, de autorização de dois terços dos deputados distritais, mas um pedido de prisão não está condicionado à licença-prévia. Contudo, o ministro João Otávio de Noronha acompanhou o colega Fernando Gonçalves e votou pela prisão de Arruda por tentar subornar uma testemunha do esquema de corrupção.

Secretaria explica contratação

GDF, Saúde em 25/02/2010 às 19:08

Secretaria de Saúde divulgou nota de esclarecimento sobre o contrato de vigilância feito com dispensa de licitação com a empresa Ipanema. De acordo com a secretaria, a contratação foi necessária porque “o objeto do contrato anterior, expirado neste mês de fevereiro, não atendia às necessidades da Secretaria de Estado de Saúde, já que foram registrados inúmeros furtos e assaltos nos postos e a empresa não se responsabilizava pelo patrimônio, só contemplava a contratação de porteiros.” Assim, foi feita uma contratação emergencial em que oito empresas apresentaram propostas: Juiz de Fora, Confederal, Ipanema, Santa Helena, Aval, Esparta, Brasília e OMNI. A Ipanema teria apresentado o menor preço.

Além disso, diz a Secretaria, já stá tramitando na Central de Compras do GDF o processo para licitação de vigilância armada no setor.

Síndrome de Paulo Octávio

Câmara Legislativa em 25/02/2010 às 19:02

Ficaram para sexta-feira (26) as renúncias dos deputados distritais Leonardo Prudente (sem partido) e Junior Brunelli (PSC). Depois que o relator de seu processo por quebra de decoro na Comissão de Ética, deputado Batista da Cooperativas (PRP), anunciou em plenário que o notificaria ainda nesta tarde, Prudente ligou para o colega e pediu mais um tempo. Batista aceitou esperar até amanhã para notificá-lo. Não deve precisar cumprir a missão. O acerto é de que Prudente apresente sua carta de renúncia no final da tarde de sexta-feira.

Brunelli não conversou com a relatora de seu caso, Erika Kokay (PT). Mas já pediu ao governador em exercício Wilson Lima uma ajuda para acomodar sua equipe, que ficará sem emprego com sua renúncia. Também fez algumas consultas a colegas para saber os termos da carta que deve ser apresentada também nesta sexta-feira.

Temos novo governador

GDF em 25/02/2010 às 18:35

Parece que nem mesmo os servidores do GDF acreditam mais na volta do governador afastado José Roberto Arruda. Muitas das fotos do governador que exibiam paredes das Secretarias começaram a ser retiradas esta semana.

Reajuste para professores

Educação, GDF em 25/02/2010 às 17:46

O governador em exercício Wilson Lima começa o seu governo agradando a uma categoria de servidores do GDF: os professores. Ele autorizou a secretária Eunice Oliveira a informar à direção do Sinpro, em reunião marcada para a manhã desta sexta-feira (26), que a categoria terá reajuste de 10,31% a partir da próxima segunda, 1º de março.

Correção: O reajuste em si já estava acertado categoria. A boa notícia do governador é de que ele vai cumprir o acordo e mandar na próxima semana o projeto com o reajuste para a Câmara Legislativa.

Manifestação contra intervenção

Cidades, Câmara Legislativa, GDF em 25/02/2010 às 17:40

Depois de criar um movimento suprapartidário contra a intervenção federal no Distrito Federal, a OAB-DF promove nesta quinta-feira (25) um ato contra a intervenção. A manifestação será às 18h, na sede da ordem, na 513 Norte e contará com participação de entidades e parlamentares da cidade. Também podem participar os brasilienses que compartilham da ideia.

Um presidente sem nada a temer

Câmara Legislativa, Partidos, Política em 25/02/2010 às 17:28

Supreendeu até mesmo os demais presidentes de partido da cidade, a naturalidade com o deputado distrital Benedito Domingos, presidente regional do PP, continua atuando à frente da legenda. Citado nas denúncias da Operação Caixa de Pandora - uma das acusações feitas por Durval Barbosa é de que Benedito teria recebido dinheiro para assegurar o apoio do PP ao governo José Roberto Arruda - Benedito participou tranquilamente da reunião, nesta quinta-feira (25), na TV Globo Brasília para tratar do calendário da cobertura das eleições 2010. Até porque, na Câmara Legislativa, seus colegas já suspenderam o processo por quebra de decoro contra ele.

Um outro detalhe da reunião: o senador Gim Argello (PTB) reafirmou a todos que segue firme na intenção de se lançar candidato ao GDF este ano.

Crise no PDT

Partidos, Política em 25/02/2010 às 16:38

O consenso quanto aos rumos do partido nas eleições deste ano está longe de ser alcançado no PDT. Parte da legenda discute a proposta de lançar uma candidatura própria, com o atual presidente regional Ezequiel Nascimento de cabeça de chapa. O senador Cristovam Buarque, no entanto, esteve nesta quinta-feira (25), como integrante da executiva do partido, em uma reunião com demais legendas de esquerdas para discutir o futuro político da cidade e a formação de uma chapa plural para disputar as eleições.

Não conseguiu falar pelo partido. Em nota ao blog, a assessoria do PDT explicou que o senador não representava a legenda na reunião. “Como político respeitado nacionalmente, ele foi convidado para contribuir com sua experiência e visão política”, diz o comunicado, rabatendo a afirmação de todos os presentes na reunião de que o PDT estaria, sim, na chapa plural e nos encontros partidários semanais a partir do próximo mês.

“Vale ressaltar que a responsabilidade de negociar alianças políticas no governo local cabe ao atual presidente Ezequiel Nascimento”, conclui a nota.

Apesar de estarmos a quatro meses da data para registros de candidaturas desta eleição, ainda há, pelo visto, um longo caminho a ser percorrido até as definições finais para a disputa.

Contratos sem licitação

GDF, Saúde em 25/02/2010 às 16:23

Do blog da jornalista Ana Maria Campos: Em plena crise de credibilidade na lisura dos contratos de prestação de serviços, a Secretaria de Saúde dispensou licitação para contratação por seis meses da empresa Ipanema, para vigilância armada. Valor R$ 6,2 milhões.  São 144 vigilantes para trabalhar nos postos de saúde. Está no Diário Oficial do DF de hoje.

A Ipanema foi alvo da Operação Mão de Obra, da Polícia Federal (PF), em 2006. O dono da empresa, José Carvalho de Araújo, responde a ação de improbidade administrativa ajuizada pelo Ministério Público Federal, relacionada a contratos com o Senado. Chegou a ser preso. A empresa já prestava serviços sem licitação ao GDF.

José Araújo é tio do deputado distrital Cristiano Araújo (PTB), presidente da Comissão Especial criada para apreciar os pedidos de impeachment do governador afastado José Roberto Arruda (sem partido). Mas há conflitos de interesses entre os familiares que são brigados. Cristiano disse que ficou surpreso com a notícia.

Esperadas renúncias de Prudente e Brunelli

Câmara Legislativa em 25/02/2010 às 16:07

Oficializada a abertura dos processos por quebra de decoro na Comissão de Ética nesta quinta-feira (25), os deputados Leonardo Prudente (sem partido) e Junior Brunelli (PSC) preferiram não correr riscos. Devem apresentar suas cartas de renúncia ainda nesta quinta-feira à Mesa Diretora da Casa, para evitar uma possível perda dos direitos políticos em caso de terem a cassação como punição ao final do processo. Apenas a peemedebista Eurides Brito continua firme na disposição de se manter no cargo até o fim.

Paulo Roriz na CCJ

Câmara Legislativa em 25/02/2010 às 14:59

O deputado distrital Paulo Roriz (DEM) será o novo presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Legislativa. A eleição será na sessão desta quinta-feira (25).

Update: Sessão desta quinta encerrada por falta de quórum.

Eunice fica na Educação

Educação, GDF, Sem categoria em 25/02/2010 às 14:50

Da mudança de secretariado que deve acontecer no GDF nos próximos dias, ao menos uma secretária escapou: Eunice Oliveira, da Secretaria de Educação. A atual secretária se reuniu com Wilson Lima na manhã desta quinta-feira (25) e ouviu do governador em exercício que vai ser efetivada no cargo.

Dois fatores contaram. O primeiro é que faltando apenas dez meses para o final do ano não valeria a pena mudar uma área tão estratégica e que, até agora, se mostrou funcionando bem. O segundo, talvez o mais importante, é de que Eunice é servidora de carreira do MEC, uma profissional técnica e livre das denúncias da Operação Caixa de Pandora. Exatamente o perfil que Lima quer dar ao governo neste momento.

Além disso, pesou a favor da secretária o apoio declarado de todos os 14 diretores regionais da Secretaria e de vários outros dirigentes da pasta. Eunice e os diretores regionais, inclusive, haviam preparado uma carta conjunto de exoneração. Iam todos colocar o cargo à disposição caso um novo secretário fosse escolhido para a pasta.

Arruda promete se licenciar do GDF

GDF em 25/02/2010 às 14:06

Do G1: Se ganhar o direito à liberdade no Supremo Tribunal Federal (STF), o governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), não irá retornar ao governo distrital. Segundo o advogado de Arruda, Nélio Machado, o governador já decidiu permanecer fora da gestão por não ter condições emocionais para voltar a comandar o governo.

“Se for solto, Arruda não volta ao governo. Ele já tomou essa decisão por não ter condições emocionais de assumir essa tarefa”, disse Nélio Machado ao G1, durante conversa nesta quinta-feira (25) no hotel onde está hospedado em Brasília. Segundo os defensores de Arruda, o governador já está licenciado do cargo e assim vai continuar.

O governador do Distrito Federal está preso desde o dia 11 de fevereiro na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, por suspeita de tentar subornar uma testemunha do inquérito do mensalão do DEM de Brasília, que tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Para conseguir a liberdade de Arruda no julgamento do habeas corpus no STF, a defesa guarda uma carta na manga que deve ser usada na próxima semana, caso os advogados considerem que há clima favorável entre os magistrados. Segundo Nélio Machado, Arruda concordaria em firmar um compromisso de não voltar ao governo do DF enquanto as investigações da Operação Caixa de Pandora não forem concluídas. “Seria o compromisso de não voltar ao cargo enquanto existir suspeita sobre ele”, explica Nélio Machado.

O compromisso seria firmado em duas frentes. A política, na Arruda enviaria uma carta comunicando o seu licenciamento por tempo indeterminado do governo à Câmara Legislativa. E no Judiciário, no qual os advogados enviaram documento comunicando a intenção de Arruda de não retornar ao governo.

O compromisso de Arruda se afastar durante as investigações seria, na avaliação dos advogados, uma forma de enfraquecer o argumento que deu origem à prisão do governador. De que ele teria adotado medidas para atrapalhar as investigações da Polícia Federal.

Os defensores de Arruda estão divididos em duas frentes de trabalho. Enquanto Eduardo Alckmin cuida da parte eleitoral da defesa de Arruda e o processo de impeachment na Câmara Legislativa, Nélio Machado é responsável pelo trabalho de tentar liberar o governador. Segundo ele, mesmo com o avanço dos pedidos de impeachment no Legislativo, Arruda não cogita qualquer possibilidade de renúncia ao cargo de governador.

“Ele está disposto a lutar até o final. Ele vai se defender em todas as frentes. Em nenhum momento foi cogitada a renúncia nem por ele nem pelos advogados”, disse Nélio Machado.

O escândalo de corrupção em Brasília veio à tona no dia 27 de novembro, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Caixa de Pandora. O suposto esquema de distribuição de propina foi denunciado pelo ex-secretário de Relações Institucionais de Arruda, Durval Barbosa. O inquérito que tramita no STJ envolve o governador do DF, seu vice, deputados distritais, empresários e membros do governo.

Três entregues para o sacrifício

Câmara Legislativa em 25/02/2010 às 14:02

Tudo resolvido na Comissão de Ética. Depois de muita articulação, os distritais decidiram como dar uma resposta à opinião pública - e agora aos responsáveis por decidir pela intervenção federal - sem sacrificar toda a Casa. Abriram processos por quebra de decoro apenas contra os três parlamentares considerados em situação mais crítica politicamente: Eurides Brito, Leonardo Prudente e Junior Brunelli, flagrados em vídeos de Durval Barbosa recebendo dinheiro vivo. Os demais ficam temporariamente a salvo.

Cabo Patrício (PT), incluindo na lista muito mais por uma retaliação governista - da época em que a base aliada ao GDF ainda dançava conforme a música do Buritinga - do que por uma acusação de fato, teve o processo o arquivado sem muitas discussões. Já os cinco outros parlamentares, envolcidos nas denúncias da Operação Caixa de Pandora com acusações mais brandas - foram apenas citados por terceiros como participantes do esquema - escaparam de um juízo neste momento. Aylton Gomes (PR), Benedito Domingos (PP), Benício Tavares (PMDB), Roney Nemer (PMDB) e Rogério Ulysses (sem partido) tiveram os processos “sobrestados” na Comissão de Ética. A justificativa é que, no caso deles, as investigações ainda estão em curso, então a Casa vai esperar mais “materialidade”.

Toda a estratégia contou com o consenso de 21 parlamentares. Só discordaram das ações, os três parlamentares que tiveram os processos abertos na Comissão de Ética. E eles prometem não deixar o “sacrifício” sair barato. O argumento é simples: se todos faziam parte do mesmo grupo porque agora só eles terão de pagar pela moralização da Casa? Apesar da tensão que ainda provocam, as ameaças, ao menos por enquanto, não estão surtindo efeito prático. Tanto que, ao encerrar a sessão, Batista das Cooperativas, relator do processo contra Leonardo Prudente, afirmou que iria notificá-lo ainda esta tarde. Uma vez notificado, o parlamentar não poderá mais renunciar como forma de preservar os direitos políticos. E terá de esperar pelo fim do processo para saber se será ou não cassado.

Arquivado processo contra Patrício

Câmara Legislativa em 25/02/2010 às 13:48

Comissão de Ética arquiva processo contra vice-presidente da Câmara Legislativa, Cabo Patrício (PT). O pedido de abertura de processo encaminhado pelo corregedor da Casa, Raimundo Ribeiro (PSDB), foi fundamentado na possibilidade de, na Comissão de Ética, se investigar a denúncia contra o parlamentar. Mas a petista Erika Kokay argumentou aos colegas de que o crime de que Patrício era acusado poderia pesar sobre todos os demais. Sob Patrício pesava a acusação de ter apresentado um projeto que teria beneficiado as empresas de Leonardo Prudente. Só que a proposta foi aprovada na Casa com 18 votos em 1º turno e 16 votos em 2º turno. Assim, a acusação também deveria pesar sobre os demais distritais que aprovaram a proposta.

Alírio Neto (PPS) e Batista das Cooperativas (PRP) disseram concordar com os argumentos e votaram pelo arquivamento do processo.

Abertos processos contra deputados dos vídeos

Câmara Legislativa em 25/02/2010 às 13:23

Comissão de Ética aprovou no início da tarde desta quinta-feira (25) a abertura dos processos por quebra de decoro parlamentar contra os parlamentares Junior Brunelli (PSC), Eurides Brito (PMDB) e Leonardo Prudente (sem partido). Bispo Renato será o relator do processo contra Eurides. Batista das Cooperativas (PRP), do processo contra Prudente. E Erika Kokay (PT) relatará o processo de Brunelli.

A comissão agora vota o processo contra o vice-presidente da Casa, Cabo Patrício (PT).

Citados e exonerados

GDF, STJ em 25/02/2010 às 12:21

O governador em exercício Wilson Lima quer mesmo mostrar que vai colocar ordem no Governo do Distrito Federal. Depois de anunciar a suspensão dos contratos com empresas envolvidas nas denúncias da Operação Caixa de Pandora, Lima vai tomar outra providência. Deve sair nos próximos dias a exoneração de todos os integrantes dos primeiros escalões do governo citados no Inquérito 650 do Superior Tribunal de Justiça.

Processos polêmicos primeiro

Câmara Legislativa em 25/02/2010 às 11:15

Deputados distritais discutem o destino de parte dos colegas em reunião na Comissão de Ética na manhã desta quinta-feira (25). A sessão da comissão, que começou com acalorados debates entre os parlamentares, foi suspensa há pouco para que os integrantes afinassem o discurso. A proposta inicial é apreciar no encontro desta quinta apenas quatro dos nove processos. Seriam votados os pareceres dos corregedor Raimundo Ribeiro (PSDB) com relação aos processos mais polêmicos - contra os três distritais que aparecem recebendo dinheiro em vídeos gravados por Durval Barbosa e do vice-presidente da Casa, Cabo Patrício (PT). Os cinco demais processos só seriam apreciado na próxima semana.

Legendas decidem por chapa plural

GDF, Partidos, Política em 25/02/2010 às 10:50

Acabou há pouco uma reunião entre PSB, PCdoB e PDT, na sede do PSB na Asa Norte. Do encontro os partidos tiraram duas resoluções importantes. Uma é de que vão construir juntos uma alternativa política para as eleições deste ano. A decisão é de se ter uma chapa majoritária plural, em que todos os partidos ocupem as vagas disponíveis - o PT ficaria com a candidatura ao GDF, o PDT com um candidatura ao Senado, o PSB com a outra candidatura ao Senado, o PCdoB com uma das suplências e assim por diante.

O PT foi o único partido que disse ainda não poder assumir o compromisso da chapa plural. Isso porque a legenda só terá uma definição sobre seu candidato no dia 21 de março, data das prévias internas do partido. A partir daí é que poderá falar de alianças. Mas foi receptivo com relação à participação dos demais partidos em uma coligação.

Mesmo sem indicações e nomes definidos, os quatro partidos decidiram, a partir de agora, ter encontros semanais para viabilizar esta aliança. A próxima reunião já ficou marcada. Será na segunda-feira, 8 de março, na sede do PCdoB.

A segunda resolução do grupo foi ajudar Brasília em meio à crise política enfrentada pela cidade. Nessa, o PT é um dos principais articuladores. As legendas vão trabalhar juntas por um programa mínimo de governo que assegure a manutenção dos serviços públicos e o atendimento à população do Distrito Federal. Independentemente de quem esteja no governo e da discussão de governabilidade, eles querem garantir que as mudanças no GDF não paralise o governo nem prejudique a cidade. À essa discussão devem-se juntar outros setores da sociedade civil e outras legendas. A intenção é ampliar ao máximo o debate sobre uma solução política para Brasília.

Participaram do encontro os presidentes do PT, Roberto Policarpo, do PSB, Marcos Dantas, o vice-presidente do PCdoB, Apolinário Rebelo, o senador Cristovam Buarque (PDT) e o deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB).

Ação contra ministro era falsa

GDF, STF em 25/02/2010 às 7:37

De O Globo desta quinta-feira (25): O advogado José Gerardo Grossi, que defende o governador afastado José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM) negou nesta quarta-feira a autoria de um documento protocolado no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a suspeição do ministro Marco Aurélio Mello, que negou, em liminar, o pedido de habeas corpus protocolado pela defesa de Arruda, preso desde o dia 11 na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília.

Com a assinatura do advogado, a arguição de suspeição sustenta que o ministro Marco Aurélio “tem manifestado seu prejulgamento pela mídia, de forma extensiva, declarando o que pensa sobre o processo e esquecendo seus deveres”. O STF informou que encaminhará a ação à PF para que seja investigada sua autoria. Foi anexado ao documento uma reportagem de um jornal de Santa Catarina em que Marco Aurélio Mello sinaliza que manterá o voto no julgamento do mérito, marcado para esta quinta-feira pelo plenário da Corte.

Marco Aurélio Mello disse, por sua vez, que já conversou com o advogado José Gerardo Grossi, que reiterou não ser o autor da arguição de suspeição. - Revela bem a quadra atual brasileira, de abandono de princípios, perda de parâmetros, inversão de valores, de se dar o dito pelo não dito, o certo pelo errado - avaliou Marco Aurélio.

Durante entrevista ainda nesta quarta-feira, o ministro evitou fazer a defesa da intervenção no Distrito Federal. Ele, no entanto, avaliou que a renúncia do governador em exercício, Paulo Octávio (sem partido, ex-DEM), foge do quadro de normalidade. - (A renúncia) não revela um quadro de normalidade. E a intervenção se baseia na discrepância dos fatos. Não é normal um vice-governador renunciar - comentou Marco Aurélio. - A questão é tão séria, quando se cogita a intervenção, que há um relator exclusivo, que é o presidente do Supremo Tribunal Federal - acrescentou.

A Corte aguarda o parecer do presidente do STF, Gilmar Mendes, sobre o pedido de intervenção federal protocolado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) . Por ser uma ação rara e mais trabalhosa que o usual, os ministros não deverão julgar o pedido de intervenção no Distrito Federal antes dos próximos 15 dias .

Arruda vira coro de torcida

Esportes, GDF em 25/02/2010 às 7:32

Do blog de Ricardo Noblat: Está 2 x 1 para o Sport Club do Recife em cima do Brasília pela Copa do Brasil. Perto do fim do primeiro tempo o juiz errou ao marcar uma falta contra o Sport. A torcida, que lota o estádio do Serejão, começou a gritar: Arruda, Arruda, Arruda! E a partir daí, qualquer decisão duvidosa do juiz está sendo recebida com o mesmo coro.

Arruda teve acesso ao inquérito

GDF, STJ em 25/02/2010 às 7:28

Da Folha de S. Paulo: Na véspera da Operação Caixa de Pandora, José Roberto Arruda já conhecia em detalhes 200 páginas do inquérito que a Polícia Federal havia preparado sobre o mensalão do DEM. A Folha apurou que o STJ (Superior Tribunal de Justiça) liberou a papelada para advogados do então governador do Distrito Federal no dia 26 de novembro. A PF, que havia se programado para efetuar a busca de provas no dia 1º de dezembro, teve de se antecipar.

A ordem de agilizar partiu do próprio diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, que estava em El Salvador quando foi surpreendido pela notícia de que os alvos da operação já sabiam da linha de investigação sobre o esquema de propina e compra de apoio político. Não se sabe que prejuízos a liberação pode ter causado à operação. A PF encontrou cópias dos documentos liberados pelo STJ na casa do então chefe de gabinete de Arruda. Eram planilhas de gastos e notas fiscais do suposto caixa dois da campanha eleitoral de 2006. Estavam em um envelope com o timbre do tribunal. Um inquérito foi aberto para apurar se houve vazamento. O caso está sob responsabilidade da área de inteligência da superintendência do órgão.

Segundo a Folha apurou, os advogados de Arruda conseguiram o material legalmente no STJ. As 200 folhas pertencem ao volume 2 do inquérito -um quarto do total à época. Procurado pela Folha, o ministro Fernando Gonçalves, do STJ, disse inicialmente que não tinha dado à defesa acesso ao inquérito. “Não tenho conhecimento. A operação ficou em sigilo absoluto. Só depois de realizada, eu liberei”, afirmou. “Você acha que seria louco de autorizar vistas em uma operação sigilosa?”, perguntou.

Folha então enviou ao gabinete do ministro cópia do despacho de 26 de novembro, com a assinatura manuscrita dele, que deu a Arruda acesso ao inquérito. A assessoria de Gonçalves confirmou que o documento é autêntico e que a assinatura é dele. O ministro não quis fazer novos comentários.

No despacho assinado pelo ministro, havia um parecer da Procuradoria-Geral da República defendendo a liberação de parte do inquérito que não seria, na avaliação dele, sigilosa. Fazia ao menos três semanas que Arruda tentava confirmar se era alvo de investigação da polícia. O governador chegou a visitar o gabinete de Gonçalves, segundo relatou o ministro em entrevista à Folha. O advogado Cláudio Fruet, que defendia Arruda e na época reclamava informações ao tribunal, disse que foi o governador quem conseguiu o número de inquérito.

Novo governador e a Justiça

Câmara Legislativa, GDF, TJDFT em 25/02/2010 às 7:22

Da Folha de S. Paulo desta quinta-feira (25): Enquanto luta para se manter no poder, o novo governador interino do Distrito Federal, Wilson Lima (PR), responde a processo na Justiça por improbidade administrativa. Ele e outros quatro deputados são réus em ação movida pelo Ministério Público do DF por terem assinado ato de criação de cargos de confiança em 2008, contrariando a lei. Lima era o responsável pela área de pessoal da Câmara do DF.

Movida em outubro, a ação questiona deliberação da Mesa que recriou cargos no fundo de saúde dos deputados. Quinze dias antes de os cinco distritais assinarem o documento, o Tribunal de Justiça do DF havia considerado os cargos ilegais. O Ministério Público pediu a suspensão dos direitos políticos e multa de R$ 1,2 milhão para Lima e cada um dos outros integrantes da Mesa. ”Os membros da Mesa agiram dolosamente, alinhados contra os princípios da administração pública, restando configurado o ato de improbidade”, afirma a denúncia. (Lei mais sobre esta ação aqui).

O processo está em fase de apresentação da argumentação dos distritais. A defesa de Lima sustenta que a denúncia “beira as raias do absurdo”. Alega que houve apenas mudança de nomenclatura de dois cargos. O novo governador também tem uma dívida com a Fazenda Pública do DF, que acionou a Justiça contra seu supermercado. Segundo o processo, o débito de R$ 20 mil foi parcelado e já está sendo quitado.

Pesa ainda sobre Lima a suspeita de ter alterado, em 2006, o Plano Diretor do Gama, cidade onde vive, liberando terrenos residenciais para construir postos de gasolina. Relator do projeto, teria mudado o texto para beneficiar amigos. Ele ainda é suspeito de desviar servidores da Câmara Legislativa para trabalhar no Instituto Wilson Lima, que oferece cursos profissionalizantes. Lima nega todas as acusações.

No inquérito da Caixa de Pandora, há só uma citação lateral sobre Lima. Em folha apreendida na casa de um secretário do governador afastado José Roberto Arruda, as iniciais WL aparecem junto ao nome de outros deputados distritais, sem valores, com números soltos e a inscrição “balanço”. Por avaliar como inconsistentes as acusações, a base aliada de Arruda se mobilizou ontem para tentar blindar o DF contra a possível intervenção.

Com a ameaça de o STF (Supremo Tribunal Federal) determinar a entrada de um interventor, Wilson Lima, que é aliado de Arruda, passou o dia tentando dar provas de estabilidade. Reuniu secretários e pediu relatório das principais ações em andamento. Lima marcou um encontro no Tribunal de Contas para anunciar a suspensão de pagamentos de contratos com empresas citadas no inquérito que investiga o mensalão do DEM e pediu urgência nas auditorias.

O novo governador não deu entrevista. Mandou apenas um recado por assessores: “A intervenção não é oportuna”.

Queda de pressão

GDF em 25/02/2010 às 7:15

Do Correio Braziliense: O governador afastado José Roberto Arruda sofreu uma queda de pressão, segundo o advogado dele, Nélio Machado, que esteve na Superintendência da Polícia Federal à noite, logo após pedir o adiamento do julgamento do habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF). Além da primeira-dama Flávia Peres Arruda, que esteve no fim da manhã e trouxe o almoço do marido, nenhuma outra pessoa esteve no complexo da PF.

Preso há duas semanas, Arruda tem sido observado diariamente por um médico da Polícia Federal, na sala onde está no Comando de Operações Táticas (COT). Nos últimos dias, segundo Nélio Machado, o governador afastado tem tido problemas de pressão, sem motivos aparentes. “Ele tem histórico de família”, afirmou o advogado, se referindo ao problema de saúde do governador. Nélio Machado disse que Arruda teve tonturas e o médico pessoal dele deverá consultá-lo nos próximos dias, conforme acordo feito entre a defesa do governador afastado e a PF.

Ontem, um grupo de cerca de 80 pessoas fez uma vigília em frente ao prédio do Instituto Nacional de Criminalística (INC), onde Arruda esteve preso, na semana passada, antes de ser transferido para o COT. As pessoas rezavam e seguravam velas. Ninguém quis falar com jornalistas, que foram hostilizados.

Marco Maciel para cuidar do DEM-DF

Partidos, Política em 25/02/2010 às 7:14

Do Correio Braziliense: A nova geração do DEM foi buscar num dos mais experientes representantes do partido, que passou por PFL, PDS e Arena, a solução para seus problemas no Distrito Federal. O nome do senador Marco Maciel (DEM-PE) como comandante da reestruturação da legenda no DF foi anunciado pelo presidente do DEM, Rodrigo Maia, logo no início da reunião da comissão Executiva Nacional, assim que o presidente do diretório regional, Osório Adriano, avisou da autodissolução do colegiado local.

A escolha de Maciel foi ideia de outro antigo estrategista do DEM, o ex-senador Jorge Bornhausen, que, em 2006, idealizou a chapa pura para concorrer ao GDF, com José Roberto Arruda na cabeça e Paulo Octávio no papel de vice. A ideia de Bornhausen à época foi levar o partido à vitória. Agora, porém, tenta evitar maiores estragos e conquistar algum espaço na eleição deste ano.

A cúpula do DEM acredita que, na situação atual, qualquer nome do DF que fosse colocado na função estaria na linha de tiro. Adelmir Santana, por exemplo, seria carimbado como ligado a Paulo Octávio. Alberto Fraga, como arrudista. Maciel, aos 69 anos, sendo 43 de mandatos eletivos, entre eles a vice-presidência da República, está livre desses rótulos.

Maciel virou candidato a vice-presidente em 1994, quando a primeira opção do então PFL, Luiz Eduardo Magalhães, foi vetada pelos tucanos, e, a segunda, o senador Guilherme Palmeira, foi guilhotinado por suspeitas levantadas em Alagoas. O PFL optou por Maciel, considerado inatacável, um senador que não misturava política com negócios. Com o passar do tempo, Fernando Henrique Cardoso passou a admirá-lo porque Maciel agia sem ser notado pelos jornalistas nem pelos políticos.

Essas duas qualidades — o fato de não misturar política e negócios e a forma silenciosa como age — foram cruciais para Maciel ganhar a missão de recriar o partido esfacelado pela Operação Caixa de Pandora. Ainda na reunião da comissão executiva ontem, foi econômico nas palavras e tão logo terminou o encontro desceu para seu gabinete para uma conversa fechada com Jorge Bornhausen. Osório Adriano já colocou tudo à disposição de Maciel. E ontem explicou por que pediu a autodissolução do diretório: “O partido é formado por gente honesta, honrada. Foi o que eu sempre fiz nos últimos 15 anos. Eu pedi antes que outros fizessem”.

Se ele não adotasse essa medida, o senador Demóstenes Torres tinha tudo pronto para encaminhar um pedido nessa direção. Ontem, Demóstenes foi muito cordato quando o secretário de Transportes do DF, Alberto Fraga, pediu uns dias para deixar o cargo no governo. O presidente nacional do DEM, Rodrigo Maia, considera a crise encerrada na legenda: “Agora teremos que reconstruir. Vai levar tempo, mas está em boas mãos”.

A Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap) tem um novo presidente. O arquiteto Dalmo Alexandre Costa, antigo diretor de Comercialização da empresa, assumiu o cargo ontem. Antônio Gomes deixou o posto para não ser expulso do DEM, depois da ameaça do partido contra os filiados que não abandonassem o GDF.

Pacto contra a intervenção

Cidades, Câmara Legislativa, GDF em 25/02/2010 às 7:12

Do Correio Braziliense: A seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Distrito Federal lançou ontem um movimento contra a intervenção no DF. Além de mobilizar partidos políticos e representantes de entidades civis e sindicais, a OAB/DF promete protocolar, até sexta-feira, uma petição no Supremo Tribunal Federal (STF) por meio da qual justificará os motivos de ser contra a intervenção.

O movimento conta com o apoio do colegiado dos ex-presidentes da Ordem. A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e a Federação do Comércio do Distrito Federal (Fecomercio/DF) também se posicionaram contra a possível ingerência da União no DF, além da Câmara Legislativa. “Estamos vivendo a maior crise da história da República deste país. Mas não há razões jurídicas para intervenção. Vamos trabalhar dia e noite para defender o ordenamento jurídico e o respeito à linha de sucessão”, afirmou o presidente da OAB/DF, Francisco Caputo.

Caputo defendeu a formalização do que chamou de pacto pela governabilidade. Afirmou que o governador afastado José Roberto Arruda (sem partido), ainda que seja posto em liberdade, “não reúne condições políticas para governar o DF”. Ele não vê problema no fato de o governador em exercício, deputado Wilson Lima (PR), ser aliado político de Arruda. “Metade de Brasília era aliada de Arruda quando o elegeu. Isso não quer dizer que compactuamos com tudo o que ele fez”, destacou.

A entidade apresentou algumas recomendações ao GDF. A primeira delas é que Lima submeta todos os contratos em execução a uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Controladoria Geral da União (CGU). Além disso, sugere exoneração imediata de todos os secretários e a nomeação de pessoas com alta capacidade técnica para ocupar os postos. Para Francisco Caputo, “não houve ruptura da estabilidade institucional. Os serviços públicos estão funcionando”.

Ainda ontem, o representante do colégio de líderes de ex-presidentes da OAB/DF, Francisco Lacerda, escreveria uma nota com o posicionamento da entidade. A intenção é publicar o documento nos principais veículos de comunicação. “Tivemos o apoio de oito dos 10 ex-presidentes vivos com quem conseguimos conversar. Estamos defendendo o ordenamento jurídico”, destacou.

O presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, disse que a entidade defende o pacto pela governabilidade. Mas sobre a intervenção, disse que “a questão já está judicializada com elementos a favor e contra. Cabe ao STF decidir a respeito disso”. Segundo Cavalcante, existe um bem maior que deve ser preservado: a tranquilidade, a segurança e, sobretudo, a moralidade pública. “É preciso garantir a continuidade das ações, seja com o interventor ou com o deputado Wilson Lima à frente do Executivo”, defendeu.

O presidente da CDL, Vicente Estevanato, considera a intervenção uma medida dura. “Antes da intervenção, é preciso dar oportunidade para a sociedade resolver seus problemas. Afinal, as instituições estão funcionando”, avaliou. Outro que tem levantado a bandeira contra a intervenção é o senador e presidente da Fecomércio, Adelmir Santana (DEM).

Santana lembra que a intervenção paralisa não só o governo local como também trava projetos de lei em tramitação no Congresso. “Agora é preciso que a Câmara promova o saneamento rápido, punindo os suspeitos de corrupção”, disse.

O presidente interino da Câmara Legislativa, deputado Cabo Patrício (PT), reforçou o coro dos que são contrários à intervenção. “Os ritos previstos na Lei Orgânica e na Constituição precisam ser cumpridos. É isso que está acontecendo”, lembrou. Sobre as críticas de inércia da Casa durante o escândalo político, assegurou que os trabalhos vão caminhar dentro dos prazos regimentais. O pedido de intervenção não tem data para ser analisado pelo STF.

Suspensos contratos suspeitos

GDF, TCDF em 25/02/2010 às 7:09

Do Correio Braziliense desta quinta-feira (25): No primeiro dia à frente do Governo do Distrito Federal, Wilson Lima (PR) mandou suspender o pagamento de todos os contratos de governo firmados com as empresas citadas no inquérito da Operação Caixa de Pandora — que apura um suposto esquema de arrecadação e distribuição de propina envolvendo o Executivo e o Legislativo locais, além de empresários da cidade. A determinação começa a valer hoje, mas pode ser cancelada quando o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) apresentar o resultado das auditorias das empresas investigadas. Se for comprovado que não houve irregularidades na execução dos contratos, as empresas poderão receber o dinheiro público novamente.

“O atual cenário político-administrativo do DF” motivou o novo chefe do Executivo local a tomar a decisão. O argumento foi exposto no ofício encaminhado ao secretário de Fazenda, André Clemente de Oliveira. Ele estará impedido, por enquanto, de autorizar o pagamento de 13 empresas, na grande maioria prestadoras de serviço de informática. Entram na lista das investigadas Vertax, Adler, Linknet, Infoeducacional e Unirepro, entre outras.

O montante de dinheiro que deixará de ser pago às empresas não foi divulgado pelo secretário de Comunicação do GDF, André Duda. Segundo ele, o governo espera que, mesmo sem receber o pagamento, as empresas não paralisem os serviços. Caso isso ocorra, há possibilidade de fechar novos convênios. “O governo cancela os contratos e chama a segunda colocada da licitação. Também pode fazer um contrato emergencial sem licitação, com anuência do Tribunal de Contas”, explicou. No fim do ano passado, os distritais aprovaram o orçamento de 2010 com cerca de R$ 505 milhões para as firmas sob suspeição.

A suspensão dos contratos das empresas suspeitas foi assunto de um encontro entre o governador interino e a presidenta do TCDF, Anilcéia Machado. A conselheira considerou o ato “uma excelente medida”. Wilson Lima pediu a ela que fosse dada prioridade pelo tribunal às auditorias instauradas em dezembro para apurar as supostas irregularidades nos acordos com as empresas. As apurações estão em fase final e o resultado pode ser divulgado nos próximos dias. Ao todo, o TCDF abriu 68 processos com base nas denúncias reveladas no depoimento do ex-secretário de Relações Institucionais do GDF Durval Barbosa.

O governador interino passou a tarde de ontem em reuniões estratégicas. Ele recebeu no gabinete do 11º andar do anexo do Buriti secretários de governo, políticos, representantes de diversos partidos e da sociedade civil organizada, que garantiram apoio contra a intervenção federal no DF. O entra e sai mostrou que Wilson Lima pode conseguir sustentação política. A deputada Eliana Pedrosa (DEM) disse que o novo chefe do Executivo não tem resistência na Câmara Legislativa. “Ele assumiu o cargo com mais apoio do que Paulo Octavio”, afirmou, fazendo referência ao ex-vice-governador do DF.

Apesar das manifestações favoráveis ao governador interino, ele já perdeu dois secretários, o de Planejamento e Gestão, Ricardo Penna, e o de Governo, Flávio Giussani. Ambos haviam colocado o cargo à disposição ainda durante a breve passagem de Paulo Octávio pela principal cadeira do Palácio do Buriti. A exoneração de ambos deve ser publicada hoje no Diário Oficial do Distrito Federal.

Defesa traz novos argumentos

GDF, STF em 24/02/2010 às 20:32

As novas alegações apresentadas pelos advogados do governador afastado José Roberto Arruda, que provocaram o adiamento do julgamento de seu pedido de habeas corpus, trataram de três pontos fundamentais. O primeiro foi de que não se respeitou a necessidade de autorização da Câmara Legislativa para instauração de processo contra o governador. Segundo eles, se o processo for suspenso nas fases posteriores a esta, a prisão preventiva terá sido inútil e prejudicial apenas ao governador.

O segundo ponto diz respeito à uma suposta falta de fundamento na decisão que decretou a prisão do governador. Para o advogado, a decisão foi influenciada pela mídia e pela opinião pública. O ministro teria entendido que a garantia da ordem pública estaria ameaçada apenas com base em matéria jornalística.

O último ponto trata diretamente da acusação de tentativa de suborno. A defesa alega que não existe nada que revele a participação do governador nos fatos. O fato de que nenhum acusado nas investigações ter sido ouvido também é lembrado pela defesa.

(Com informações do STF)

Conselho Especial se reúne na sexta

Câmara Legislativa, GDF em 24/02/2010 às 19:22

Apesar da tentativa de alguns deputados de aproveitar a reunião da Comissão Especial já marcada para esta quinta-feira (25), o relator do pedido de impeachmento do governador afastado José Roberto Arruda, Chico Leite, decidiu só apresentar seu parecer sobre o caso na sexta-feira. A reunião será às 10h30, no plenário da Casa.

Complemento via Blog do Noblat: O parecer será favorável ao acolhimento dos pedidos de impeachement. Na mesma sexta-feira, a Comissão Especial aprovará ou não o parecer. É jogo jogado: o parecer será aprovado e publicado no Diário Oficial da Câmara na segunda-feira. A partir daí Arruda poderá ser notificado a respeito.

Uma vez que seja, mesmo que mais adiante renuncie ao mandato de governador, não escapará de ser julgado pela Câmara. Se for condenado, perderá os direitos políticos por cinco anos, a contar do fim do seu atual mandato - 31 de dezembro de 2010. Se não quiser correr tal risco, e se tudo correr conforme imagina Cristiano, Arruda terá de renunciar ao mandato até o início da próxima semana.

Conclusão deste blog: A aprovação do parecer de Chico Leite, favorável ao impeachment de Arruda, pela Comissão Especial revela que os distritais desistiram de uma vez de salvar o governador afastado. Sob a ameaça de intervenção e com Arruda longe da caneta do Buritinga, a prioridade para os deputados agora é salvar o fim de seus mandatos.

GDF e PO esclarecem contrato

GDF em 24/02/2010 às 19:08

O ex-vice-governador Paulo Octávio, por meio de sua assessoria, divulgou nota de esclarecimento afirmando que a renovação do contrato do GDF com a empresa Notabilis não passou avaliação do vice-governador, uma vez que foi assinado em 22 de janeiro.  Além disso, segundo a Caesb, a assinatura do termo aditivo é uma prática legal. Já o governador em exercício Wilson Lima avisou que vai cancelar o contrato.

Confira a íntegra da nota:

“Ao contrário do que foi publicado na matéria do jornal Estado de São Paulo do dia 24 de fevereiro de 2010, a renovação do contrato entre a Companhia de Saneamento Ambiental de Brasília (Caesb) e a empresa Notabilis Comunicação e Marketing não passou pela ciência e aprovação do ex vice-governador Paulo Octávio.

Isso porque a assinatura do ato - publicado na página 33 do Diário Oficial do Distrito Federal na última terça-feira, 23 de fevereiro de 2010 - se deu no dia 22 de janeiro de 2010, data em que Paulo Octávio não estava no exercício do governo.

Além disso, segundo a Caesb, a assinatura do termo aditivo é uma prática legal e realizada em todas as empresas públicas, que têm autonomia para realizar licitações e ampliar os contratos já assinados. Neste caso, assinaram o ato o diretor de gestão da Caesb, Divino Alves, e o diretor-presidente da Notabilis, Orlando Pontes.”

Julgamento de HC adiado

STF em 24/02/2010 às 18:57

A expectativa de toda a cidade de ver resolvida a questão sobre o pedido de habeas corpus do governador afastado José Roberto Arruda vai durar mais um tempo. O Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou o pedido dos advogados de Arruda e adiou o julgamento do HC, marcado para esta quinta-feira (25). Devido a apresentação de novos fatos pela defesa, o ministro Marco Aurélio Melo entendeu ser necessário abrir, novamente, vista dos autos à Procuradoria Geral da República.

Articulações e apreensão

Câmara Legislativa em 24/02/2010 às 18:51

Diante do pedido de abertura de processos na Comissão de Ética, os parlamentares trataram de dar início às articulações para convencer os colegas de sua inocência. Eurides Brito e Junior Brunelli anunciaram que não pretendem renunciar. Os dois asseguram que vão lutar até o fim. Já Rogério Ulysses fez um longo pronunciamento no plenário explicitando sua defesa e rebatendo, uma por uma, as acusações contra ele. A preocupação dos demais distritais, os não-envolvidos na denúncia, porém, é de que a demora em se dar resposta ao problema - diante dos prazos da Comissão de Ética - acabe por facilitar a decisão pela intervenção na Casa,  tornando inócua qualquer medida adotada por eles. E punindo não apenas nove, mas todos os 24 parlamentares.

Corregedor pede abertura de processos

Câmara Legislativa em 24/02/2010 às 18:46

O corregedor da Câmara Legislativa, Raimundo Ribeiro (PSDB), recomendou à Comissão de Ética da Casa nesta quarta-feira (24) a abertura de processos por quebra de decoro parlamentar contra os oito deputados citados nas denúncias da Operação Caixa de Pandora e contra o vice-presidente da Casa, Cabo Patrício (PT), acusado de beneficiar empresas do ex-presidente Leonardo Prudente com um projeto de lei. Leonardo Prudente (sem partido), Eurides Brito (PMDB), Junior Brunelli (PSC), Aylton Gomes (PR), Benedito Domingos (PP), Roney Nemer (PMDB), Benício Tavares (PMDB) e Rogério Ulysses (sem partido) correm agora o risco de serem cassados pelos colegas.

Ribeiro afirmou que, diante das contradições entre as denúncias e as defesas apresentadas pelos parlamentares, optou por abrir o processo na comissão a fim de proporcionar que as investigações acabasse com quaisquer dúvidas. Seria uma oportunidade também de os deputados esclarecerem os acusações de que são vítimas. O corregedor disse ter consultado políticos e magistrados antes de tomar sua decisão.

O parecer agora será levado à Comissão de Ética para apreciação. Se aprovado, os processos serão oficialmente instaurados e um relator será escolhido para cuidar do caso. A partir daí, os distritais são notificados e não poderão mais renunciar para evitar uma possível cassação.

PMDB e PDT na disputa

Partidos, Política em 24/02/2010 às 17:27

Dois partidos começam a trabalhar com a possibilidade de candidatura própria, que deve ser anunciada nos próximos dias: o PMDB e o PDT. Entre os peemedebistas, o nome cotado para cabeça de chapa será o do deputado federal Tadeu Filippelli. Já no PDT, nem Cristovam Buarque nem José Antônio Reguffe. O nome da vez é do presidente regional do partido Ezequiel Nascimento.

Diretório regional dissolvido

Partidos, Política em 24/02/2010 às 15:58

Do G1: O diretório regional do DEM no Distrito Federal foi dissolvido. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (24) em reunião da Executiva Nacional. O presidente em exercício do diretório, Osório Adriano, foi quem pediu a autodissolução da instância partidária. O senador Marco Maciel (DEM-PE) vai comandar o processo de formação de um novo comando do partido no DF.

A autodissolução foi pedida visto que a Executiva já se encaminhava para tomar a medida. Com isso, alguns dos dirigentes poderão ser mantidos dentro da nova estrutura do diretório regional. O ato acontece depois de o governador afastado José Roberto Arruda e o ex-vice-governador Paulo Octávio terem deixado a legenda. Octávio era o presidente do diretório regional.

“Para que a Executiva Nacional busque uma solução foi que eu pedi a autodissolução antes que outros pedissem a intervenção. É uma solução menos traumática para todos do partido”, disse Adriano.

O partido decidiu também que os filiados terão de deixar cargos que ocupam no governo do Distrito Federal. Amigo pessoal de Arruda e Paulo Octávio, o secretário de Transportes, Alberto Fraga (DEM-DF), confirmou que vai deixar a função, mas pediu alguns dias para fazer a transição.

“Houve a deliberação para que eu deixe o governo, e eu disse que acataria se houvesse deliberação da Executiva. Pedi mais alguns dias para fazer a transição necessária”, disse Fraga.

Julgamento adiado

Câmara Legislativa, Partidos, Política em 24/02/2010 às 15:44

Tribunal Regional Eleitoral (TRE) adia para o próximo dia 8 de março o julgamento do processo por infidelidade partidária da deputada distrital Jaqueline Roriz (PMN).

O silêncio de Abadia

Partidos, Política em 24/02/2010 às 15:44

Em meio à discussão interna do PSDB-DF, uma figura importante tem mantido silêncio: a ex-governadora Maria de Lourdes Abadia. Cortejada pela direção nacional do partido para assumir a executiva tucana local, ela, que presidiu o partido por duas vezes, já avisou que não quer mais este posto. A amigos, diz que pode até disputar encarar a disputa por um cargo nas eleições de outubro deste ano. Quer a Câmara dos Deputados, mas, diante da campanha de aliados e da cúpula nacional, já considera brigar por uma vaga para o Senado. Por enquanto, porém, tem preferido apenas assistir o desenrolar da crise. Quando agir, poderá mudar de vez o rumo do PSDB.

Correção: Abadia é goiana de Bela Vista de Goiás.

Mancada com os partidos

GDF, Partidos em 24/02/2010 às 15:22

O primeiro dia de governo nem acabou ainda e o governador em exercício Wilson Lima acaba de desagradar mais um segmento político da cidade: os presidentes de partido. Os caciques das legendas locais foram avisados há pouco, por uma secretária, de que o governador em exercício os esperava para uma reunião às 15h30 desta quarta-feira (24). A convocação, informal e em cima da hora, desagradou 100% dos dirigentes convidados. PMDB, PDT, PPS, PV, PSL, PCdoB e PRB já avisaram que não vão atender ao chamado de Lima.

A insatisfação dos presidentes de partido foi ainda maior porque na manhã desta quarta, todos eles estiveram juntos em uma reunião na casa do presidente do PRB, Roberto Wagner, no Lago Sul, para discutir a crise política do Distrito Federal. No encontro, Izalci Lucas, presidente do PR - partido de Wilson Lima - perguntou aos colegas se aceitariam se reunir com o governador em exercício.

A maioria aceitou, contanto que Wilson Lima não cometesse o mesmo erro de Paulo Octávio. O vice-governador, assim que assumiu o GDF, convocou uma reunião com líderes de partido, já anunciando quem estaria presente. O caráter forçado do encontro fez com que todos recusassem o convite e o deixassem sem apoio da base partidária do governo.

A Izalci, os presidentes avisaram: queriam evitar a intervenção e assegurar a governabilidade de Wilson Lima, mas só se fossem tratados com respeito. Isso significaria um convite oficial para um encontro institucional, pedido de ajuda sem arrogância e o princípio de colaboração. 

O aviso, pelo visto, não foi entendido. Logo após o almoço, eles receberam telefonemas da secretária de Izalci, os chamando para a reunião dali a duas horas. Resultado: nenhum deles aceitou. E o governador em exercício perde a primeira oportunidade de assegurar sua governabilidade junto aos partidos que integravam o GDF.

Update: Reconhecido o erro, os presidentes serão convidados pessoalmente por Wilson Lima. A reunião ainda não tem data para acontecer.

Tempo de conhecer o governo

Economia, GDF, Saúde, Transporte em 24/02/2010 às 14:29

A agenda do governador em exercício Wilson Lima (PR) para a tarde desta quarta-feira (24) será de adaptação. Ele despacha com os secretários de Fazenda, André Clemente, de Transporte, Alberto Fraga, e de Saúde, Joaquim Barros Neto, para se inteirar da situação em cada pasta. A intenção é fazer reuniões individuais com todos os secretários de governo nos próximos dias.

Leitores eram contra permanência de PO

Blog, GDF em 24/02/2010 às 13:23

Venceu a posição da maioria. Antes mesmo da renúncia do vice-governador Paulo Octávio, os leitores do blog já consideravam impossível a sua permanência à frente do Governo do Distrito Federal. Em enquete promovida pelo blog esta semana, 81% dos internautas já consideravam que, como vice do governador afastado José Roberto Arruda, ele também fazia parte dos escândalos e não teria isenção para governador o Distrito Federal.

Apenas 19% deram crédito a PO, defendendo que não havia nada que o comprometesse nas  denúncias da Caixa de Pandora.

Uma nova enquete já está no ar. Participe!

Primeira medida desagradou

Câmara Legislativa, GDF em 24/02/2010 às 12:19

Menos de 24 horas depois de assumir o cargo de governador em exercício do DF, o agora licenciado presidente da Câmara Legislativa, Wilson Lima, já desagradou os colegas que defenderam sua posse no governo. A avaliação de parte dos governistas é de que Lima chegou errado no GDF. Ao invés de chamar os colegas para participar deste momento de transição e colaborar com a governabilidade, sua primeira ação foi se reunir com o ex-vice-governador Paulo Octávio.

Para os parlamentares, a medida soou como se Lima estivesse mais interessado em ouvir PO - e consequentemente o governador afastado José Roberto Arruda - do que os próprios colegas, que o colocaram lá.

A base governista esperava que o novo governador conversasse primeiro com eles, pedisse opinião e ajuda, para dar uma cara nova ao GDF. E com isso ajudar a impedir a intervenção. Ao se consultar com o próprio Executivo, Lima passou a impressão de que trabalhará pela manutenção do que hoje existe no GDF. E era exatamente essa imagem que alguns parlamentares queriam evitar.

Update: A assessoria do governador em exercício Wilson Lima explicou ao blog que o encontro dele com Paulo Octávio na manhã desta quarta-feira (24) não foi agendado. Lima havia ido à sede da Vice-Governadoria conhecer o local. PO apareceu, coincidentemente no mesmo horário, para uma reunião de despedida de sua equipe. Os dois aproveitaram o encontro para trocar impressões sobre o governo. E só isso.

Wilson Lima se reúne com PO

Câmara Legislativa, GDF em 24/02/2010 às 12:05

Do G1: Em seu primeiro compromisso como governador do Distrito Federal, Wilson Lima (PR) se reuniu na manhã desta quarta-feira (24), durante cerca de uma hora, com o ex-governador interino do DF Paulo Octávio (sem partido, ex-DEM), que renunciou ao cargo nesta terça (23) depois de perder o apoio do DEM e da Câmara Legislativa. A informação foi confirmada pelas assessorias do ex-governador interino e do atual.

Durante o encontro, na residência oficial da vice-governadoria, Wilson Lima despachou com Paulo Octávio e os dois conversaram sobre as possibilidades de governabilidade do DF. Paulo Octávio ofereceu apoio político a Lima e colocou sua equipe técnica a disposição do novo governador. Octávio disse que mesmo fora do governo fará o possível para evitar uma intervenção federal. O ex-governador interino afirmou ainda que Wilson Lima reúne “todas as condições” para governar o Distrito Federal.

Ao se despedir, Paulo Octávio agradeceu sua equipe técnica e disse estar confiante na Justiça. Ele afirmou que vai aproveitar a renúncia para “descansar”. Octávio é citado no inquérito do mensalão do DEM, que apura um suposto esquema de distribuição de propina a aliados do goverador afastado José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM). Ele assumiu o governo do DF depois que Arruda foi afastado e preso no dia 11 de fevereiro por derterminação do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Na terça (23), Paulo Octávio se desfiliou do DEM e enviou carta de renúncia à Câmara Legislativa, sob o argumento de que não teria condições de governabilidade sem o apoio do partido e dos deputados distritais. Wilson Lima por ser presidente da Câmara, assumiu o cargo. Depois do encontro com Paulo Octávio, Lima seguiu para o Buritinga, sede administrativa do governo. Ele se reúne com secretários e presidentes de empresas públicas. A reunião, que estava marcada para às 9h, só começou por volta de 10h45.

Invasão de privacidade

Cidades, Segurança em 24/02/2010 às 11:12

Um alerta a quem tem telefone em casa mas não gosta de divulgá-lo. Uma lista com dados de assinantes da Br Oi, antiga Brasil Telecom, está sendo vendida na cidade sem autorização dos envolvidos. As informações, provavelmente vazadas de forma irregular, incluem nomes, endereços e telefones celulares e residenciais. O problema veio à tona quando a testemunha de um assassinato - que há algum tempo tem endereço e telefone proibidos pela Justiça de serem divulgados em listas telefônicas ou serviços de auxílios à lista, por ter sido ameaçada de morte - descobriu que seus dados foram revelados. Agora, pretende acionar a Justiça para resolver o problema.

Candidatura própria tucana

Partidos, Política em 24/02/2010 às 10:22

A maior novidade da reunião dos tucanos na noite de terça-feira (23) foi a proposta de o partido lançar uma candidatura própria. O nome cotado foi o de ninguém menos que o ex-ministro do STF, Maurício Correa.

Um partido ainda sem posição

Partidos, Política em 24/02/2010 às 10:13

A reunião da executiva regional do PSDB na noite dessa terça-feira (23), marcada inicialmente para discutir o apoio do partido ao ex-vice-governador Paulo Octávio, acabou tendo final essencialmente tucano: a legenda não tem ainda posição formada sobre a situação política no Distrito Federal. Depois de todos os acontecimentos do dia e de muita discussão entre os tucanos, o consenso foi adiar as decisões sobre apoiar o governo do presidente da Câmara Legislativa, Wilson Lima, sobre a intervenção federal e mesmo sobre o pedido de impeachment do governador afastado José Roberto Arruda.

Update: Direção do PSDB-DF enviou nota ao blog negando que a reunião tenha sido convocada para discutir o apoio do partido ao ex-vice-governador Paulo Octávio. “A reunião da Comissão Executiva Regional do PSDB-DF foi convocada para discutir o momento político do Distrito Federal. A posição da Executiva foi unânime  contra qualquer tipo de intervenção e, consequentemente, a favor da legalidade”, afirmam.

A nota diz ainda que o partido discute a possibilidade de candidatura própria nas eleições deste ano mas ainda não foi apresentado um nome para a candidatura ao GDF. A nota é assinada pela secretária executiva da legenda, Patrícia Monteiro da Silva.

CPI adiada mais uma vez

Câmara Legislativa, GDF em 24/02/2010 às 9:49

Distritais acabam de cancelar a reunião da CPI da Corrupção marcada para a manhã desta quarta-feira (24). Querem reorganizar a Casa antes de retomar as investigações. O encontro estava marcado para eleger o presidente da comissão parlamentar, que segue sem comandante desde a renúncia de Alírio Neto (PPS).

Pressa na Comissão Especial

Câmara Legislativa, GDF em 24/02/2010 às 9:34

O presidente da Comissão Especial, Cristiano Araújo (PTB), conversou há pouco com o relator do processo de impeachment do governador afastado José Roberto Arruda, o distrital Chico Leite (PT). Eles discutiram a possibilidade de o petista apresentar seu parecer sobre o processo já nesta quinta-feira (25). A ideia é aproveitar a reunião inicialmente marcada para discutir o processo contra Paulo Octávio para já votar o primeiro parecer do impeachment de Arruda.

Há quem defenda que a apresentação do parecer e o julgamento do habeas corpus no Supremo Tribunal em um mesmo dia podem ajudar na pressão para que Arruda apresente seu pedido de renúncia.

PO benefica empresa ligada a Arruda

GDF em 24/02/2010 às 7:48

Do Estado de S. Paulo desta quarta-feira (24): Em seu último dia como governador interino, Paulo Octávio oficializou a prorrogação por um ano, sem licitação, de um contrato com uma empresa envolvida no esquema do mensalão do DEM no Distrito Federal. O Diário Oficial do DF publicou ontem a renovação por 12 meses do contrato entre a Notabilis Comunicação e Marketing e a Companhia de Saneamento Ambiental (Caesb). O valor global saltou de R$ 286 mil para R$ 573,6 mil. Com a medida, Paulo Octávio favoreceu uma empresa cujos donos e ex-sócios fazem parte da relação familiar e pessoal do governador afastado, José Roberto Arruda, preso desde o dia 11 na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.

Um filho de Arruda, Marcos, foi sócio da Notabilis entre 2003 e 2005. Seu ex-assessor de imprensa Omézio Pontes também já fez parte do quadro societário. Omézio deixou a assessoria de Arruda em novembro de 2009, após a revelação dos vídeos em que aparece recebendo mais de R$ 100 mil em dinheiro das mãos de Durval Barbosa, delator do esquema. Hoje, um irmão de Omézio, Orlando Pontes, dirige a Notabilis. É ele quem assina a prorrogação com a Caesb publicada ontem no Diário Oficial, mas com data de 22 de janeiro, três semanas antes da prisão do governador afastado.

A Notabilis é um dos principais personagens do inquérito que investiga a corrupção no governo de Brasília. Segundo informações do delator do esquema, Durval Barbosa, a empresa foi contratada na gestão anterior a pedido de Arruda, então deputado federal, para ajudá-lo na campanha ao governo.  Na época, Marcos, filho do governador, era sócio da empresa. Em 2006, a Notabilis recebeu R$ 119 mil da campanha de Arruda. Ele venceu a eleição e manteve a empresa dentro do governo por meio de contratos oficiais e subcontratação por agências de publicidade. A Notabilis faturou mais de R$ 1,5 milhão do governo do DF desde 2007.

A Terracap, que administra os terrenos de Brasília, por exemplo, repassa recursos para a Notabilis por meio da Agência Plá. Outras empresas, como RC Comunicação e Stylus, também subcontrataram a Notabilis. A relação entre a Caesb e a Notabilis é alvo de questionamentos do Tribunal de Contas do Distrito Federal. A empresa de saneamento emitiu um atestado de capacidade técnica supostamente irregular para a Notabilis vencer uma licitação de R$ 1,2 milhão na Câmara Legislativa em outubro passado.

O documento comprovaria que a empresa realiza serviços que, na verdade, nunca prestou à Caesb. Por precaução, o tribunal determinou a suspensão da licitação na Câmara e pediu explicações à empresa do governo e também para a Notabilis. Procurado pelo Estado, o dono da empresa, Orlando Pontes, afirmou que não há qualquer irregularidade na prorrogação do contrato. “Está tudo dentro da lei. Não sei qual é o pecado”, afirmou. Indagado sobre a renovação em meio a uma investigação, ele foi taxativo: “eu não acho nada”.

A reportagem procurou a assessoria da Caesb para comentar o assunto, mas não obteve resposta até o fechamento da edição. Também procurada para se posicionar sobre o assunto, a assessoria da Terracap informou que não há irregularidades nos serviços prestados pela empresa de comunicação e marketing. “Os serviços da Notabilis são clipagem eletrônica de rádio e aferição de veiculação de publicidade (spots) em emissoras de rádio, serviços estes exigidos à Terracap pelo Ministério Público do DF.”

A força de Wilson Lima

Câmara Legislativa, GDF em 24/02/2010 às 7:42

Do blog do jornalista Edson Sombra: A ascenção do presidente da Câmara Legislativa, Wilson Lima (PR), como o terceiro governador do Distrito Federal em 12 dias, levantou uma questão que merece ser discutida. Sempre taxado como do ‘baixo clero’, Lima - em condições naturais - não conseguiria arrebanhar os 17 votos dos parlamentares que o elegeram comandante da Casa e, logo, o terceiro a assumir o GDF na linha sucessória.

Na Câmara, o distrital não tinha poder de persuasão. Mesmo assim, na disputa pelo comando da Casa, acabou escanteando uma conhecida articuladora da CLDF: a democrata Eliana Pedrosa, que acabou desistindo da candidatura à Presidência e abriu espaço para a vitória tranquila do colega.

Agora vem a pergunta: Como um distrital com esse perfil conseguiria agregar tantos votos? Muitos apostam no interesse do governador afastado, José Roberto Arruda (sem partido), em manter algum aliado no poder. Outros arriscam afirmar que vários deputados, nos bastidores, também possuem interesses em manter Wilson Lima no comando e evitar, com isso, a temida intervenção federal.

De qualquer forma, a permanência do distrital no comando do GDF ainda é uma incógnita. Com a saúde fragilizada e sem a certeza da governabilidade, já que corre-se o risco de mais partidos deixarem o governo, Wilson Lima pode ter dificuldades em tocar o Buriti. Colegas chegaram a pressionar Lima com esses argumentos, em reunião reservada, mas o parlamentar - agora governador - não prometeu pensar sobre o assunto. Preferiu pedir apoio e seguir com a missão imposta pelas circunstâncias.

Mas, na opinião do Blog, é claro que Wilson Lima vai pensar bastante sobre tudo isso durante as próximas horas. Afinal, o assunto merece.

Comentário deste blog: A força política que levou Wilson Lima ao Governo do Distrito Federal cresceu menos por conta de seu poder de articulação do que pelo interesse de distritais mais fortes em manter o controle do governo - e as consequentes benesses que ele, GDF, proporciona.

Manchas no passado

Câmara Legislativa, GDF em 24/02/2010 às 7:35

Do Painel da Folha de S. Paulo: Ocupante do governo do DF após a renúncia de Paulo Octávio, o deputado Wilson Lima (PR) carrega no currículo uma canetada que alterou em 2006 o Plano Diretor do Gama, liberando terrenos residenciais para construir postos de gasolina. Relator do projeto, foi acusado de mudar o texto para beneficiar amigos sem nem mesmo informar a Câmara. Responde ainda pela prática de nepotismo e pelo desvio de servidores para um instituto que leva seu nome.

Por essas e outras, ninguém considera viável a articulação dos deputados para manter Lima na cadeira de governador, dando ao PT o comando do Legislativo. Insistir nesse rumo, argumentam os mais ajuizados, é caminho seguro para a intervenção.

Suspensa reforma do Mané Garrincha

Esportes, GDF, Obras, TCDF em 24/02/2010 às 7:32

Da coluna Brasília-DF do Correio Braziliense: Enquanto Paulo Octávio renunciava, por unanimidade o Tribunal de Contas do DF aprovava a suspensão da licitação da reforma do estádio Mané Garrincha. Os envelopes com as propostas não poderão mais ser abertos amanhã, como previsto. O calendário de obras, que já estava apertado, vai atrasar. O projeto chega a R$ 600 milhões.

Roriz diz estar indignado

Partidos, Política em 24/02/2010 às 7:31

Da Folha de S.Paulo: ”É tão escandaloso, fico numa indignação, fico numa vergonha, meu Deus do céu, como pode chegar nisso aí?”, questiona Joaquim Roriz em anúncios no rádio e na TV, em sua primeira declaração sobre o caso. Para ele, uma intervenção não é a solução para a crise e seria “traumática”. Ex-governador do DF e líder nas pesquisas após o estouro do mensalão do DEM, Roriz renunciou ao mandato de senador em 2007 para não ser cassado devido a denúncias de corrupção.

Intervenção mais próxima

Câmara Legislativa, GDF, STF em 24/02/2010 às 7:28

Da Folha de S. Paulo desta quarta-feira (24): A renúncia do vice-governador, Paulo Octávio, era a senha que o Planalto e o STF aguardavam para começar a deflagrar a intervenção no Distrito Federal, tida agora como a única saída para a crise da capital. Na avaliação que já vinha sendo feita entre as duas instâncias, com a mediação do ministro da Defesa, Nelson Jobim, e do presidente da Comissão de Ética Pública, José Paulo Sepúlveda Pertence, há um vácuo de poder que precisa ser preenchido até a posse do novo governo eleito em outubro.

Com o governador José Roberto Arruda (sem partido) sob prisão preventiva e a renúncia do vice, o governo fica com o presidente da Câmara, Wilson Lima (PR), que já é substituto do primeiro presidente, também derrubado pela Operação Caixa de Pandora da PF. A suspeita é que Lima - ligado a Arruda e ao ex-governador Joaquim Roriz (PSC) - não tem condições políticas para se sustentar no cargo, e o próximo na linha sucessória, segundo a Constituição, é o presidente do Tribunal de Justiça do DF, Nívio Gonçalves, que já declarou não ter interesse em assumir.

Não sobra ninguém, e a alternativa passa a ser um interventor federal sob aprovação do Supremo e indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, autor do pedido de intervenção, a renúncia do vice ratifica a necessidade da medida. A votação do pedido de intervenção está prevista para março no STF, tempo suficiente para cumprir o ritual jurídico e para haver “decantação” do processo político.
Em Washington, Jobim, que já presidiu o STF, disse que uma das maiores dificuldades para a votação será o limite que os ministros terão de definir para o possível papel dos interventores, já que o procurador-geral pede a intervenção no Executivo e no Legislativo.

Caso o STF decida pela medida, cabe a Lula decretar amplitude, prazo e condições. Para o presidente da OAB, Ophir Cavalcante, “isso mostra como as instituições estão à deriva. O governador está preso, o vice, que assumiu, renuncia, e a Câmara está comprometida”.

Arruda resiste à renúncia

GDF em 24/02/2010 às 7:24

Do Correio Braziliense: O governador afastado José Roberto Arruda (sem partido) está preparado com a possibilidade de ficar mais tempo na prisão. Amanhã, o Supremo Tribunal Federal (STF) analisa o pedido de habeas corpus de Arruda (leia reportagem na página 26), mas seja qual for a decisão, ele não pretende renunciar, segundo o secretário de Transportes, Alberto Fraga (DEM), o único auxiliar que esteve ontem com o governador afastado. Arruda soube da notícia da renúncia de Paulo Octávio depois das 20h, quando um dos seus advogados, Nélio Machado, lhe deu a notícia. “É verdade?”, indagou o governador afastado, segundo Nélio.

Como fez pela manhã, durante a visita do arcebispo de Brasília, dom João Braz de Aviz, Arruda lamentou o abandono em que vive na sala onde está preso, no Comando de Operações Táticas (COT) da Polícia Federal. “Ele reclamou que, além da mulher, Flávia (Peres Arruda), só duas pessoas o visitou”, afirmou Fraga, referindo-se a si próprio e ao seu colega da segurança pública, secretário Valmir Lemos. Segundo Fraga, Arruda está abatido e passa o dia lendo e escrevendo. “Ele está conformado, mas preparado para enfrentar a situação”, ressaltou.

A possibilidade de o STF não aceitar o habeas corpus não muda a situação política do governador afastado, segundo Fraga. Arruda não pretende deixar o cargo pelo caminho da renúncia, como fez Paulo Octávio. “Já renunciei uma vez, sei o que é isso. Vou enfrentar tudo”, disse Arruda, segundo versão de Fraga, que chegou às 15h à superintendência da Polícia Federal, onde permaneceu por 50 minutos. Até então, o secretário não sabia que Paulo Octávio renunciaria ao cargo.

Segundo o advogado Nélio Machado, o governador afastado reagiu com surpresa à renúncia de Paulo Octávio, mas não se alongou no assunto. Indagou apenas se era verdade a informação. O advogado informou que não pode conversar reservadamente com seu cliente, já que na porta da sala onde Arruda está ficam dois agentes federais. Além disso, ele diz que não trata de temas políticos – o outro advogado, José Eduardo Alckmin é quem defende Arruda nesta área.

Durante a visita de Fraga, o governador afastado quis saber como estava sua situação na Câmara Legislativa. O secretário lhe informou que o relator do processo de impeachment seria da oposição, o deputado Chico Leite (PT). “Ainda dizem que eu estou atrapalhando a Câmara”, disse Arruda, segundo o secretário.

Segundo o arcebispo dom João Braz de Aviz, o governador afastado quer se defender das acusações de corrupção política e da suposta tentativa de subornar o jornalista Edson Sombra para atrapalhar o curso normal das investigações da Polícia Federal, motivo pelo qual foi preso. Dom João Braz de Aviz chegou à superintendência da PF por volta de 9h30 e ficou cerca de meia hora. “Mesmo que sua versão não seja aceita pelas autoridades, o que ele mais quer neste momento é ser ouvido”, contou o religioso ao Correio, por telefone.

A visita de dom João Braz de Aviz foi uma das poucas exceções abertas pela direção da Polícia Federal. Segundo o arcebispo, Arruda também reclama da saudade dos filhos pequenos e do isolamento de todos, até mesmo dos amigos. O religioso contou que Arruda está mais magro e chorou durante a conversa. “Ele se mostrou muito sensível, uma vez que a política vive uma situação muito delicada. É um momento muito difícil para ele, que acabou se tornando um elemento de uma cultura política corrupta. É preciso refazer os caminhos da política para que o ocorrido sirva de exemplo para todos”, destacou.

Em relação à aceitação do governador afastado da prisão que já dura 13 dias, o arcebispo diz que Arruda não tem se queixado. “O local onde ele está é simples, mas razoável. Arruda está aceitando a situação e não tem reagido de modo anormal a prisão. É claro que todo mundo que está preso quer ficar livre logo, mas não vi nele um homem revoltado”, assegurou.

A visão do PT

Câmara Legislativa, GDF, Partidos em 24/02/2010 às 7:21

Do Correio Braziliense: O cenário é bom para o PT. A chapa vitoriosa no primeiro turno nas últimas eleições, de José Roberto Arruda e Paulo Octávio, está fora de combate e a permanência do governador em exercício, Wilson Lima (PR), à frente do Executivo garante um cargo estratégico para o partido: a presidência da Câmara Legislativa. Enquanto durar a interinidade de Wilson Lima, o deputado distrital Cabo Patrício (PT) ficará à frente da Casa, com o poder de apressar ou retardar se quiser — a tramitação de projetos de lei, os processos contra parlamentares e os pedidos de impeachment contra Arruda. “Tudo o que eu puder fazer para dar celeridade aos procedimentos de fiscalização do governo, farei”, promete Cabo Patrício, que chefiou interinamente o Legislativo entre dezembro e fevereiro, devido ao afastamento do então presidente Leonardo Prudente.
Nesta noite, a executiva regional do PT vai dizer como será o comportamento do partido diante da administração de Wilson Lima. “Somos oposição e não vamos dar sustentação ao governo, até porque temos preocupação sobre as chances reais de Wilson Lima conseguir administrar o DF, diante de tantas denúncias”, afirma o presidente do PT-DF, Roberto Policarpo. O líder da bancada do PT na Câmara Legislativa, Paulo Tadeu, garante que não há chance de aliança em nome da governabilidade: “Nosso foco é outro. São os processos de investigação contra deputados, de impeachment e a CPI”. O partido deverá permanecer na oposição ao governo, mas discretamente torce pela manutenção da atual situação, ou seja, pela permanência de Wilson Lima à frente do GDF.

Cenários
O novo governador em exercício tem bom trânsito entre os petistas e não é considerado um potencial adversário nas próximas eleições, caso se firme como chefe do Executivo e resolva concorrer à reeleição. Esse cenário também é melhor do que a decretação de uma intervenção federal no DF, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá nomear um governador para mandato tampão, conforme pedido do procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Petistas temem o desgaste da medida nas eleições, numa eventual dificuldade de o interventor escolhido por Lula em administrar o DF num momento de crise institucional.

Petistas também temem a mudança da Lei Orgânica do DF para adequar as regras à Constituição Federal e permitir que a Câmara Legislativa autorize a realização de eleições indiretas para a escolha do novo governador (leia matéria abaixo). Nesse caso, o resultado da escolha não prestigiaria o interesse da legenda, que é minoria na Casa.

Preso há 13 dias na Superintendência da Polícia Federal (PF), o governador afastado José Roberto Arruda insiste em dizer que não vai renunciar ao cargo. Mas a aposta no meio político é de que ele não terá condições de reassumir o comando da administração local. Mesmo que o Supremo Tribunal Federal (STF) decida liberá-lo na sessão de amanhã, Arruda poderá passar pouco tempo no cargo, já que os pedidos de impeachment contra ele tramitam agora em ritmo acelerado.

O relator do caso na Comissão Especial, o deputado Chico Leite (PT), já anunciou que apresentará ainda esta semana seu parecer sobre a admissibilidade do processo. Em até 50 dias, o processo por crime de responsabilidade contra Arruda deverá estar aberto e não haverá mais possibilidade de renúncia. Por isso, o governador terá de tomar uma decisão sobre enfrentar a investigação e correr o risco de ficar inelegível até 2019.

O perfil do novo governador

Câmara Legislativa, GDF em 24/02/2010 às 7:14

Do Correio Braziliense: Aos 56 anos, nove deles dedicados à política, Wilson Lima (PR) chegou ao governo com poucos votos, mas muitas oportunidades. O distrital nunca teve eleitores suficientes para ficar entre os 24 mais votados, número de assentos na Câmara Legislativa. Mas desde sua primeira disputa, sempre esteve vinculado a coligações que lhe garantiram um mandato.

Em 1998, Lima reuniu 3.931 apoiadores. Quatro anos depois ficou na suplência. Assumiu o mandato com a saída de Carlos Xavier, cassado por denúncias de assassinato. Lima, então filiado ao PSD, era da mesma coligação que o colega peemedebista. Nas últimas eleições, chegou em 33º lugar, mas também contou com a força de sua coligação para permanecer na Câmara.

A carreira política de Wilson Lima, no entanto, tem se mostrado alheia à sua performance nas urnas. Nos últimos seis anos, o deputado teve voto (um dos cinco) na Mesa Diretora, prerrogativa que alcançou como primeiro secretário da Casa, função que cuida da área de pessoal.

Antes de entrar para a vida pública, Wilson Lima foi frentista, vendedor de picolé, mecânico. Era dono de supermercados no Gama, onde mora desde 1968, no Jardim Ingá (Luziânia) e em Valparaíso. A outra base do político é a militância religiosa. Lima é da Pastoral da Família da Igreja Católica, primeira meta de vida do distrital, que entrou em dois seminários, mas desistiu da batina antes de se ordenar. Optou pelo casamento, mantido há 31 anos.

Em quase uma década no Legislativo, o distrital emplacou 39 leis — entre elas a do parto solidário (permite à grávida ter um acompanhante na hora do parto), a da fila (obriga os bancos a atender os clientes em, no máximo, 20 minutos) e a do silêncio (estabelece regras para o uso de som no comércio). Também é de Wilson Lima uma lei que está bem em voga: a que proíbe câmeras indiscretas em motéis e casas de massagem. Algumas sugestões polêmicas do distrital acabaram não vingando. É dele a ideia de reservar banheiros para homens, mulheres e gays.

De trato manso, “Lima não tem nada de bobo” como definiu ontem um dos distritais avaliando a meteórica ascensão do colega. Conhecido por falar pouco e baixo, Lima foi o segundo parlamentar que mais usou os recursos da verba indenizatória. Em fevereiro do ano passado, reportagem do Correio mostrou que o distrital utilizava parte de sua estrutura de gabinete para tocar um projeto social no Gama. Ele afirmou em entrevista ao jornal na semana passada que, quanto aos R$ 21 bilhões do GDF, vai aplicar no que é correto. “Quero tudo detalhado. Se não puder pagar, não vai ter”, garantiu cinco dias antes de ser confirmado como o gestor dos cofres públicos da capital.

Dissolução ainda em debate

Partidos, Política em 24/02/2010 às 7:09

Do Correio Braziliense: A renúncia do governador em exercício e sua saída do Democratas não afasta a possibilidade de dissolução do diretório do DEM do Distrito Federal. O assunto será discutido hoje na reunião da executiva nacional marcada para o fim da manhã, na sede do partido. Ontem, o senador Adelmir Santana (DEM-DF) procurou o presidente do DEM, Rodrigo Maia, para tentar negociar uma autodissolução com a nomeação de uma direção provisória. Essa decisão será tomada hoje.

A intenção do Democratas é recomeçar do zero. Tudo de novo, buscar novos filiados. Para 2010, a ordem é aproveitar o “material” que sobrou para tentar essa reconstrução. Nesse quadro, o partido inclui o senador Adelmir Santana, suplente de Paulo Octávio que assumiu o mandato em 2006; os deputados Osório Adriano e Alberto Fraga; e aqueles que, sem um mandato eletivo, deixaram os postos no GDF para ficar com o partido. Esses nomes são a esperança do DEM local de conquistar algum espaço político em 2011.

Um governador sem apoio

Câmara Legislativa, GDF, Partidos em 24/02/2010 às 7:07

Do Correio Braziliense desta quarta-feira (24): No último sábado, o então governador Paulo Octávio preparou um churrasco para 30 pessoas. Esperava reunir deputados distritais, líderes políticos e, assim, ganhar musculatura para governar o Distrito Federal até dezembro. Apareceram apenas cinco e alguns nem ficaram para comer. Para a família do governador, acostumada a reuniões concorridas em que sempre o número de comensais supera a previsão inicial, era a senha. Até dona Vilma Pereira, a matriarca, respeitada e querida por políticos de todas as matizes, começou a dizer ao filho que a batalha estava perdida e a melhor saída era mesmo deixar o cargo.

O governador passou o fim de semana em conversas com distritais e integrantes da executiva nacional do Democratas. Tentou fazer com que seus correligionários entendessem que, sem apoio do DEM, seria impossível permanecer, especialmente, com um processo de impeachment em curso. Chegou inclusive a propor que o ex-ministro da Educação e ex-senador Hugo Napoleão assumisse a Secretaria de Educação. Acreditava na hipótese de ainda recuperar a imagem do governo local como o “cartão de visitas do DEM”. Na última conversa com o senador Agripino Maia, de quem é amigo, foi direto: “Ou vocês me apoiam ou estou fora”.

Àquela altura, no entanto, a locomotiva que Paulo Octávio pensava em colocar para funcionar com o apoio do DEM já estava fora dos trilhos. O que provocou o descarrilamento, na visão do comando do DEM, foi o vaivém do governador em exercício. Desde a prisão de José Roberto Arruda, Paulo Octávio não conseguiu se firmar no comando do GDF. Na sexta-feira véspera de carnaval, disse em entrevista ao Correio que sabia do fato de virar alvo e que tentaria uma união por Brasília. Se não conseguisse essa união, não teria como continuar. Antes mesmo de conceder a entrevista, já teria que responder sobre a ordem do DEM para que todos os filiados do partido deixassem seus cargos no governo local. O governador ainda tentou dizer que a determinação não lhe dizia respeito, uma vez que tinha a obrigação constitucional de assumir, mas não colou.

Uma semana depois de virar governador, Paulo Octávio perdeu totalmente o controle do comboio. Ao anunciar a renúncia às 15h40 de quinta-feira passada e, menos de duas horas depois, ler uma carta de permanência no governo em que se dizia pronto para renunciar, sua gestão virou um lusco-fusco. Na Câmara Legislativa, os distritais encheram os olhos diante da possibilidade de tomar conta do GDF. E, no plano nacional, o fato de ter dito que o presidente Lula havia lhe pedido para ficar, uma versão rechaçada pelo Planalto, irritou o comando do DEM. Assim, Paulo Octávio chegou à sexta-feira pós-carnaval sem o apoio da cúpula nacional do partido e com todas as pessoas de renome que convidara para o governo inseguras quanto à possibilidade de auxiliar alguém que estava com a carta de renúncia pronta.

Há dois dias, ele ainda cogitou permanecer no DEM. Ainda ontem pela manhã, quando leu nos jornais declarações do líder do partido na Câmara, Paulo Bornhausen, na linha de “ou sai do DEM ou será saído”, Paulo Octávio tentou conversar com alguns líderes do partido para saber quais eram as suas chances na Comissão Executiva Nacional. Descobriu que seria massacrado, uma vez que, num ano eleitoral, o rufar dos tambores da expulsão, comandado pelo senador Demostenes Torres e pelo deputado Ronaldo Caiado, ambos de Goiás, ecoou por vários estados. Foi então que telefonou, no início da tarde, ao presidente do DEM, Rodrigo Maia.

A conversa foi lacônica. Quando o governador disse que sairia do partido, Maia respondeu que, infelizmente, não poderia pedir que ficasse e explicou que, embora não houvesse nada que desabonasse a conduta de Paulo Octávio como governador, seria impossível criar um clima favorável, uma vez que o DEM estava decidido a ficar fora da crise do DF. A carta entregue ao presidente do DEM foi seca. Apenas comunicava a desfiliação, sem entrar em detalhes. Para os comandantes do partido, ele não tinha mais o que dizer. “Amanhã o partido encaminharia processo de expulsão, o que provocaria um desgaste muito maior a ele”, afirmou Rodrigo Maia.

O que mais ajudou na propagação do barulho de Demostenes e Caiado, no entanto, foi o fato de os democratas não terem a menor segurança de que não surgirá mais nada contra o seu mais novo ex-filiado. Ontem, todos os caciques do partido respiraram aliviados, porque acreditam que não terão mais de responder pelo escândalo. O sonho do comando democrata agora é substituir a tarja “mensalão do DEM” por “mensalão do Distrito Federal”.

A família do vice-governador também respirou aliviada. Agora, Paulo Octávio poderá seguir os planos anteriores à prisão de Arruda. Ele planejava fazer uma viagem, sair de cena e, assim, dar tempo ao tempo. Quem sabe, no futuro, consegue voltar aos churrascos concorridos como um dos anfitriões mais prestigiados da cidade.

Arruda teria ficado surpreso com renúncia

GDF em 23/02/2010 às 21:52

Do G1: O governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), ficou surpreso com a renúncia do vice-governador, Paulo Octávio, afirmou nesta noite o advogado de Arruda, Nélio Machado, após visita a seu cliente na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. “Ele recebeu com surpresa [a renúncia do vice-governador Paulo Octávio]. Eu considero desinfluente para a defesa dele”, disse o advogado ao sair da sede da Polícia Federal, onde Arruda está preso desde 11 de fevereiro.

Segundo Nélio Machado, Arruda poderia fazer “revelações” sobre seus acusadores, o ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa, que gravou o governador afastado, secretários, deputados distritais e empresários recebendo maços de dinheiro, e o jornalista Edson Sombra, que gravou suposta tentativa de suborno do governador para que ele mudasse seu depoimento à Polícia Federal.

Machado questionou o fato de o governador ainda não ter sido ouvido no inquérito aberto no Superior Tribunal de Justiça após a operação Caixa de Pandora. “Eu nunca vi uma investigação que já dura meses sem que o investigado seja ouvido. Será que temem alguma coisa que o governador possa falar? Por que a Polícia Federal não quer ouvi-lo? Por que o Ministério Público Federal não quer ouvi-lo? Por que o próprio Superior Tribunal de Justiça nao quis ouvi-lo? Por que o STJ decidiu pela prisão sem dar chance de explicação ao governador Arruda?”, questionou o advogado.

“Ele responderá às perguntas que a ele forem formuladas. Sobre o fato ele vai responder com toda tranquilidade e certeza da sua inocência. Sobre as indagações outras de modo a extrapolar a indagação ele tem a faculdade de responder ou não. Não posso dizer de forma taxativa, mas evidentemente que um homem público que conhece virtudes e defeitos de vários personagens desse episódio e é claro que ele terá muito a dizer do senhor Durval, do senhor Sombra. Mas isso no momento próprio”, disse Machado.

O advogado disse que mantém as esperanças de que o Supremo Tribunal Federal conceda o habeas corpus de liberdade a Arruda e que se for necessário ingressará com novo pedido em outro momento.

“É evidente que quando ingressei com pedido de habeas corpus eu confio na minha argumentação. Ela tem base na Constituição, tem base no Código do Processo Penal. Mas tenho que estar preparado para isso não acontecer. E qualquer advogado sabe que se o Supremo não conceder o habeas corpus nesse momento isso não impede um novo pedido”, disse.

O decreto de prisão preventiva foi expedido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob a justificativa de que o governador teria tentado subornar uma testemunha do mensalão do DEM de Brasília. No dia 12 de fevereiro, o ministro do STF Marco Aurélio Mello negou habeas corpus a Arruda em caráter liminar (provisório). O Supremo deve voltar a analisar o pedido de liberdade em plenário na quinta-feira (25).

Treino para governador

Câmara Legislativa, GDF em 23/02/2010 às 21:34

Mesmo antes da renúncia oficial de Paulo Octávio, o novo governador em exercício do DF, Wilson Lima, já treinava nesta madrugada os hábitos de chefe do Executivo. Por volta de 1h30 desta terça-feira (23), quando voltava para sua casa no Gama, ainda com o carro oficial da Câmara Legislativa, Lima parou no posto da Companhia de Polícia Rodoviária (CPRV) próximo ao Catetinho. Não queria nada especial. Apenas bater papo com os policais de serviço à noite.

Uma revista sobre a Polícia

Cultura, Segurança em 23/02/2010 às 21:27

Associação dos Delegados de Polícia do Distrito Federal (Adepol-DF), Associação Brasiliense de Medicina Legal (ABrML) e a Associação Brasiliense de Peritos Criminalistas (ABPC) se uniram para criar um veículo de comunicação que agregasse as três categorias da Polícia Judiciária: delegados da Polícia Civil, médicos-legistas e peritos criminalistas. A iniciativa deu origem à revista Interface Policial (IP). A proposta é oferecer ao leitor notícias não apenas da área, mas também do Legislativo, Judiciário,eventos e debates importantes da cidade.

A publicação será bimestral, com tiragem de 1.500 exemplares, e terá versão online. O lançamento oficial será no dia 04 de março, no auditório do Departamento de Polícia Especializada (DPE), às 19h30.

Apoio, ao menos por enquanto

Câmara Legislativa, GDF em 23/02/2010 às 21:00

Acabou há pouco a reunião dos deputados distritais para tratar da situação na Câmara Legislativa pós-renúncia do vice-governador Paulo Octávio. A decisão inicial dos governistas é de assegurar a governabilidade ao colega Wilson Lima (PR), agora governador em exercício. Na manhã desta quarta-feira (24), Lima aproveita a reunião já marcada por Paulo Octávio antes da renúncia para encontrar o secretariado e avisar que não fará mudanças no governo muito menos caça às bruxas.

Na Câmara Legislativo, por enquanto, nada muda. Cabo Patrício segue conduzindo a Casa interinamente. A única alteração é o suplente Pedro do Ovo (PRP), que assume o mandato no lugar de Wilson Lima, agora licenciado. Pedro do Ovo, porém, não deve ter muito espaço na Câmara - também está citado nas denúncias da Operação Caixa de Pandora e afastado, pela Justiça, da votação do impeachment.

A bancada do PT, por sua vez, resiste a apoiar Wilson Lima por não saber até quando dura seu mandato. Os petistas fazem uma reunião ainda esta noite para discutir a posição oficial da bancada diante dos novos episódios da crise.

“Não posso fugir à responsabilidade”

Câmara Legislativa, GDF em 23/02/2010 às 18:49

Comunicado do novo governador em exercício do DF, Wilson Lima:

Assumo interinamente o GDF no momento mais delicado de nossa ainda curta história política. Não escolhi estar nessa posição, não a almejei, mas não posso fugir à responsabilidade e ao dever de assumi-la.

A missão que o destino colocou em minhas mãos deve ser enfrentada com serenidade, humildade e muita reflexão. Há um sentimento de desilusão na população. Há quem defenda como solução a ruptura política e a intervenção federal.

Isso equivale a cassar a soberania do povo brasiliense, soberania conquistada no bojo da redemocratização de nosso país.

Sei do peso da responsabilidade que me é transferida neste momento. O compromisso que posso assumir, ao aceitar tão árdua missão, é com normalidade democrática. E de não permitir a paralisia do governo, para que as obras e ações sociais sejam levadas até o fim, não piorando ainda mais as coisas para o povo da cidade.

Quero ser apenas e tão somente o instrumento para uma transição democrática entre um governo eleito e outro governo eleito.

Não serei empecilho à volta da normalidade. Não criarei um único obstáculo para a condução democrática de nossa cidade. Não farei mudanças bruscas, e não aceitarei nenhuma ingerência política.

E, Deus permita, jamais darei um motivo sequer para aumentar a desconfiança quesetores da sociedade nutrem não só em relação aos políticos quanto à política de modo geral.

O momento agora, para mim, é de recolhimento e reflexão, antes de assumir de fato e de direito as responsabilidades de governar Brasília.

A todos aqueles que - como eu - amam Brasília afirmou que farei o que estiver ao alcance das minahs forças para, seja qual for o período em que GDF estiver sob o meu comando, honrar cada minuto de minha passagem por este posto.

Que Deus ilumine a todos.”  

Eurides nega renúncia

Câmara Legislativa, GDF em 23/02/2010 às 18:25

A deputada distrital Eurides Brito (PMDB) aproveitou a sessão desta terça-feira (23)  para fazer um pronunciamento em plenário negando as especulações sobre sua renúncia do mandato.

Eurides iniciou o discurso se solidarizando com o ex-vice-governador no Distrito Federal: ”Ninguém sabia mais na carne o que tem sido sofrer com esta crise do que eu”. Para depois, lembrando seu extenso currículo profissional na Educação, afirmar que tem certeza de que sempre agiu corretamente. 

“Nunca vi nenhum dos deputados (envolvidos nas denúncias) pedir favor, misericordia, fuga, esconderijo, maquiagem para fatos. Pedimos apenas que contextualizem realmente as coisas”, afirmou, sobre as acusações de que são vítimas.

“Não integro um grupo de covardes deste país. Eu integro o grupo de pessoas que, quando recebem qualquer acusação, querem ver as coisas ponto a ponto, uma a uma, analisadas até o fim. Essa Casa foi a primeira a agir e estamos prontos a reagir, com nossas provas, contextualizadas, mostrando o que aconteceu, porque aconteceu, em que circustância aconteceu”, afirmou.

Mandato de Jaqueline em risco

Câmara Legislativa, TRE em 23/02/2010 às 18:01

Mais uma deputada distrital corre o risco de perder o mandato esta semana. Jaqueline Roriz (PMN) pode ficar de fora da Câmara depois desta quinta-feira (25), data prevista para o julgamento de seu processo por infidelidade partidária no Tribunal Regional Eleitoral. A ação foi apresentada pelo primeiro suplente do PSDB, César Lacerda, à epoca das filiações partidárias, quando Jaqueline trocou o PSDB pelo PMN.

A previsão no tribunal é de que Jaqueline seja mesmo punida pela troca de partido. Pela lei eleitoral, se for cassada, terá de deixar o mandato imediatamente e recorrer da decisão já fora da Câmara. Em seu lugar, assume o ex-distrital César Lacerda, que até a decisão do PSDB de deixar o GDF, depois da crise, era gerente regional da Ceilândia do governo José Roberto Arruda.

Aliados de Jaqueline se dizem surpresos com a celeridade com que seu processo foi tratado no TRE.  Isso porque ações contra outros distritais que também trocaram de legenda - como Raimundo Ribeiro (que trocou PSL por PSDB), Aylton Gomes (que trocou PMN por PR) e Junior Brunelli (que trocou DEM por PSC) - estariam com andamento mais lento no tribunal.

A carta de renúncia

Câmara Legislativa, GDF em 23/02/2010 às 17:38

Leia a íntegra da carta de renúncia do Paulo Octávio:

“Ao longo de duas décadas fui distinguido por servir ao Distrito Federal e sua população. Durante esse período recebi apoio, consideração e a confiança dos eleitores dessa cidade que, em pleitos sucessivos, sufragou meu nome para Deputado Federal, Senador e Vice-Governador.

Assumi, interinamente, o Governo do Distrito Federal com o propósito de colaborar para a superação da grave crise política que se abate sobre Brasília. Considerei desde o início que só poderia desempenhar essas funções se pudesse construir um possível consenso sobre a melhor maneira de vencer os atuais impasses.

Dediquei-me, nos últimos dias, a realizar consultas junto a líderes partidários dos mais variados matizes. Busquei a interlocução com figuras representativas da sociedade. As negociações apenas tornaram mais claras para mim as dificuldades de garantir, neste momento, a tão necessária governabilidade para o Distrito Federal. 

Contudo, recebi manifestações de apoio e solidariedade de secretários, parlamentares, amigos, familiares e de parte da população. Por essa razão, adiei por alguns dias o anúncio da decisão que já havia tomado. Diante dos desdobramentos recentes do processo político local, cheguei a uma conclusão definitiva.

Assim, por intermédio deste documento, comunico ao Presidente da Câmara Legislativa minha renúncia ao cargo de Vice-Governador do Distrito Federal. Assumi o Governo do Distrito Federal, de maneira interina, em condições excepcionalmente difíceis. O titular está privado de sua liberdade, por decisão judicial. No entanto, continua a ser o governador da cidade.

Pode, portanto, em tese, retornar às suas funções a qualquer momento. Não há sentido em aprofundar uma gestão nessas circunstâncias.  Existem diversas obras, por toda a cidade, em fase de execução. São trabalhos contratados que possuem prazo e projetos definidos. Não deverão ser afetados pela situação política. É o que espero.

Permanecer no cargo, nas circunstâncias que chamei de excepcionais, exigiria a criação de condições também excepcionais. Imprescindível contar com apoio político suprapartidário para que todas as forças vivas do DF, juntas, pudessem superar a perspectiva de intervenção federal. Além disso, seria imperioso construir uma agenda mínima de consenso com amplo respaldo na sociedade. Ainda mais fundamental seria estabelecer os interesses da cidade acima das ambições políticas em meio às paixões do ano eleitoral. E, não menos importante, teria que receber respaldo de meu partido.

Nenhuma dessas premissas se tornou realidade e, acima de tudo, o partido a que pertencia solicitou a seus militantes que deixem o governo. Sem o apoio do DEM, legenda que ajudei a fundar no Distrito Federal, e a qual pertenci até hoje, considero perdidas as condições para solicitar respaldo de outros partidos no esforço de união por Brasília.

Não é saudável para o governante, nem para os governados, ver sua administração fragilizada. Sem que existam condições políticas, torna-se impossível permanecer à frente do Poder Executivo local, sobretudo, repito, em circunstâncias tão excepcionais.

Sempre sonhei ser Governador do Distrito Federal. Trabalhei para alcançar esse objetivo. Mas em situação de plena normalidade. Não posso, nem devo, contribuir de nenhuma maneira para gerar desagregação e desassossego para o brasiliense.

Não tenho receios. Respondo, tranqüilamente, por todos os meus atos. Minha história é longa em Brasília, aonde cheguei em 1962. Vivo aqui há 48 anos. Trabalho desde os quinze. Aqui constituí família, aqui nasceram meus filhos. Sou um legítimo candango.

Amo esta cidade. Conheço-a profundamente. Aqui estão minhas raízes e meu futuro. Por essas razões decidi que o melhor a ser feito, neste momento, é deixar o honroso cargo de Vice-Governador do DF. O Excelentíssimo Senhor  Presidente da Câmara Legislativa possui as atribuições constitucionais para exercer as funções de Chefe do Executivo.

Quero dizer que todos os esforços que realizei para garantir as condições mínimas de governabilidade tiveram como objetivo maior evitar que a autonomia política e administrativa do Distrito Federal venha a ser gravemente afetada por decisão judicial. Foi essa minha única motivação nos últimos dias. 

Com minha renúncia, pretendo oferecer às forças políticas a oportunidade de restabelecer seu poder e, sobretudo, ao apaziguar os ânimos, garantir ao brasiliense a recuperação de sua auto-estima. Quanto a mim, deixo o Governo, saio da cena política e me incorporo às fileiras da cidadania.

Que Deus ilumine nossas decisões e nossos atos.
             
Atenciosamente,
 
Paulo Octávio Alves Pereira”

Renúncia é lida em plenário

Câmara Legislativa, GDF em 23/02/2010 às 17:34

Começou há pouco sessão ordinária da Câmara Legislativa para leitura da carta de renúncia do goverandor em exercício Paulo Octávio. A leitura foi feita pelo vice-presidente da Casa, deputado Cabo Patrício (PT). 

Na carta, Paulo Octávio diz que assumiu a missão procurando um consenso, mas as articulações dos últimos dias deixaram claras a dificuldades de garantir a governabilidade. Mas diante dos pedidos de aliados, repensou. “Por isso adiei o anúncio da decisão que já havia tomado há alguns dias”.

Impeachment perde objeto

Câmara Legislativa, GDF em 23/02/2010 às 17:27

Reunião da Comissão Especial para discutir o processo de impeachment de Paulo Octávio, masrcada para esta quinta-feira (25), deve ser cancelada tão logo a carta de renúncia do governador em exercício seja lida em plenário. Os distritais marcaram a sessão para quinta-feira já pensando na possibilidade de renúncia de PO, o que deixaria o processo sem objeto.

Em plenário na segunda-feira, Batista das Cooperativas (PRP), escolhido para relator do pedido de impeachment do vice-governador, havia afirmado que a reunião poderia nem acontecer “a depender dos acontecimentos”. A base governista na Casa sabia da dificuldade de Paulo Octávio em conseguir a governabilidade. Na reunião de sábado com os governistas, PO pedira um tempo até o final da semana para tomar uma decisão definitiva sobre o governo.

Wilson Lima vira governador

Câmara Legislativa, GDF em 23/02/2010 às 17:13

Deputados distritais estão reunidos na Presidência da Câmara Legislativa, à espera da carta de renúncia do governador em exercício Paulo Octávio. Os parlamentares aproveitam para definir como se dará a posse de Wilson Lima (PR) no governo. E a de Cabo Patrício (PT) na Presidência da Casa. As substituições ocorrem ainda em caráter interino. Os deputados só podem começar a discutir a possibilidade de convocar ou não uma eleição indireta para escolha do novo governador do Distrito Federal quando e se o atual José Roberto Arruda renunciar ao cargo ou perdê-lo oficialmente.

Paulo Octávio renuncia

Câmara Legislativa, GDF em 23/02/2010 às 16:21

As articulações de Paulo Octávio não deram certo e ele encaminha sua carta de renúncia ao GDF às 17h desta terça-feira (23) para leitura na Câmara Legislativa. Dessa vez, de verdade.

Articulação para tentar governar

GDF, Partidos, Política em 23/02/2010 às 15:41

Até o momento em que entregou sua carta de desfiliação do Democratas a Rodrigo Maia, no início da tarde desta terça-feira (23), o governador em exercício Paulo Octávio ainda tentava evitar sua expulsão do partido. Quando percebeu que não teria mais chances, entregou o documento. Depois da desfiliação, Paulo Octávio adiou para a manhã de quarta-feira (24) a reunião de secretariado que havia marcado para esta tarde.  Preferiu dedicar-se às articulações políticas que lhe assegurem um mínimo de governabilidade a partir de agora.

Isso porque, ao decidir pela desfiliação do partido, PO deu um sinal claro de sua preferência é por continuar à frente do GDF. Concretizar sua vontade, no entanto, depende cada vez menos de seus esforços. Na Câmara Legislativa, por exemplo, seu prazo máximo para articulações é o dia 11 de março - data em que regimentalmente seu processo deve ser apresentado pela Comissão Especial ao plenário e a partir da qual PO não poderá mais renunciar.

Paulo Octávio se desfilia do DEM

GDF, Partidos, Política em 23/02/2010 às 15:21

Do blog do jornalista Ricardo Noblat: O deputado Rodrigo Maia (RJ), presidente do DEM, acaba de receber a carta de desfiliação ao partido do governador interino do Distrito Federal, Paulo Octávio. A carta é simples: “Venho por meio deste instrumento comunicar minha desfiliação do DEM”.

Paulo Octávio seria expulso do partido, possivelmente amanhã, se não tivesse pulado fora antes. Ele está envolvido até à medula no escândalo do mensalão do DEM.

Tem outra carta que Paulo Octávio guarda, mas que pode apresentar de um momento para o outro: a de renúncia ao cargo de vice-governador no exercício da função desde que o titular, José Roberto Arruda, foi preso pela Polícia Federal.

Faz 12 dias que Arruda está preso. Nesta quinta-feira, o Supremo Tribunal Federal negará o habeas corpus pedido pela defesa dele.

Brasília celebrará 50 anos de fundação no próximo dia 21 de abril. E Arruda 84 DIAS na cadeia, caso não tenha sido solto.

Cúpula nacional lamenta prévias

Partidos, Política em 23/02/2010 às 14:41

A notícia de que haverá prévias para escolha do candidatodo PT ao Governo do Distrito Federal desagradou a cúpula nacional do partido. Em todo o país, os petitas trabalham para evitar a disputa interna em suas chapas majoritárias. Além disso, há uma preferência por Agnelo Queiroz em boa parte dos nomes nacionais da legenda. Um exemplo ocorreu em uma viagem do Mato Grosso do Sul a Brasília, em que ex-governador do estado Zeca do PT e o senador Delcídio Amaral conversavam com o presidente Lula sobre as eleições deste ano. Depois de falar sobre o Mato Grosso do Sul, Delcídio perguntou sobre o Distrito Federal.

“Em Brasília já está resolvido, é o Agnelo”, respondeu Lula. Ao que Delcídio retrucou: “Mas e o Magela, que se relançou?”. Lula teria mantido a firmeza na resposta: ”Em Brasília é o Agnelo. Já está resolvido”. A conversa é contada pelo próprio senador, impressionado com a forma direta com que o presidente cortou a conversa.

Um outro exemplo saiu de um encontro no último domingo (20) entre o presidente regional do PT, Roberto Policarpo, e o pré-candidato Agnelo Queiroz com José Dirceu. O ex-ministro teria reclamado da insistência do deputado federal Geraldo Magela em disputar a vaga principal da chapa majoritária. A queixa é que o Distrito Federal pode acabar sendo a única unidade da federação até prévias para escolher o candidato.

A tramitação da intervenção

Câmara Legislativa, GDF em 23/02/2010 às 12:41

Para os leitores que sentiam faltam de uma explicação sobre o rito da intervenção federal, uso explicação de um outro leitor, Tiago Tavares, do blog Ciência da Política, com um resumo dos passos a serem seguidos, caso haja mesmo intervenção no DF.

“Segundo a nossa Carta Magna, a Constituição Cidadã de 1988, cabe apenas ao Presidente da República decretar estado de sítio, estado de defesa e intervenção federal, que é a opção mais branda das três e que poderá ser aplicada agora ao Distrito Federal, haja visto o pedido do Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel.

Como o pedido foi feito pelo procurador, o rito de tramitação segue assim: primeiro é encaminhado ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), que deve acatá-lo ou não, depois segue para ser apreciado pelo plenário do STF, caso seja aceito, segue para a Presidência da República, cabendo ao presidente nomear um interventor e estipular o prazo da intervenção e as condições de execução, dessa forma, o presidente deve baixar um decreto e encaminhá-lo ao Congresso Nacional.

No Congresso o rito é célere, pois o mesmo tem vinte e quatro horas para confirmar ou suspender a intervenção. A análise do caso pelo Congresso acontece em sessão conjunta (Câmara e Senado) e pode ocorrer no recesso, ou mesmo em um sábado ou domingo, se isso for necessário para cumprir o prazo.

Outra “instância” de tramitação do pedido de intervenção seria o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional, para que também se pronunciem, contudo, só vale para os casos em que a intervenção é solicitada pelo governo federal e não pelo procurador, como é o caso.

Ainda segundo a Constituição Cidadã, a mesma não pode ser emendada (modificada) durante períodos de exceção como em uma intervenção, pois havendo mudanças institucionais, como a incorporação de emendas à Constituição, pode afetar o pacto e o equilíbrio federativo.

Findado o período da intervenção, as autoridades afastadas podem retornar aos cargos, desde que não haja impedimento legal.”

PO reúne secretariado mais uma vez

GDF em 23/02/2010 às 12:01

A reunião de secretariado convocada para a tarde desta terça-feira (23) pelo governador em exercício, Paulo Octávio, reativou a boataria de que ele renunciará ao governo ainda esta semana. A reunião seria para comunicar a equipe da decisão - motivada desta vez pela convicção de seu partido, o Democrata, de expulsá-lo caso não deixe o GDF.

A assessoria do governador, no entanto, nega a possibilidade de renúncia. Oficialmente, a reunião teria sido marcada desde a semana passada, para que Paulo Octávio continuasse as conversas com os secretários.

Em meio aos últimos acontecimentos desta crise política, nunca se sabe…

Arcebispo visita Arruda

GDF em 23/02/2010 às 11:42

Do Correio Braziliense: Por volta das 9h36 desta terça-feira (23/2), o governador afastado do Distrito Federal José Roberto Arruda (sem partido) recebeu a visita de Dom João Braz de Avis, Arcebispo Metropolitano de Brasília. Dom João chegou em um Siena preto e saiu sem dar entrevsitas.

Embora, seja apenas permitida a entrada de advogados de Arruda e da esposa Flávia Arruda na superintendência da Polícia Federal, Dom João teve acesso ao governador nesta manhã. Essa foi a primeira vista desta terça-feira.

José Roberto Arruda está preso desde o último dia 11 sob a acusação de tentar atrapalhar as investigações sobre o suposto esquema de corrupção no DF, no qual é citado como um dos envolvidos.

Eleição indireta: de volta a Roriz

Câmara Legislativa, GDF em 23/02/2010 às 11:38

Do blog da jornalista Ana Maria Campos: Joaquim Roriz (PSC) pode voltar mais rápido ao Palácio do Buriti do que muita gente imagina. Se Arruda e Paulo Octávio renunciarem aos mandatos, a Câmara Legislativa pode aprovar uma emenda à Lei Orgânica que adeque as normas locais à Constituição Federal em caso de impedimento do governador e do vice. O assunto vem sendo discutido com seriedade pelo distritais desde a semana passada.

Pela Constituição, 30 dias depois de aberta a vaga de presidente, o Congresso deve convocar eleições indiretas para escolher um substituto que governa até o fim do atual mandato. Nesse caso, a Câmara Legislativa escolheria um governador para mandato tampão.

Aconteceu isso no ano passado em Tocantins, quando o governador Marcelo Miranda (PMDB) e o vice Paulo Sidnei (PPS) foram cassados pelo TSE. A Assembleia Legislativa elegeu o novo governador, o deputado estadual Carlos Henrique Gaguim (PMDB). Qualquer político, filiado a partido, pode se candidatar.

Entre os 24 deputados distritais, 13 já foram ou são aliados de Roriz: Benício Tavares (PMDB), Brunelli (PSC), Cristiano Araújo (PTB), Eurides Brito (PMDB), Leonardo Prudente (sem partido), Benedito Domingos (PP), Dr. Charles (PTB), Eliana Pedrosa (DEM), Milton Barbosa (PSDB), Rôney Nemer (PMDB), Batista das Cooperativas (PRP), Jaqueline Roriz (PSDB) e Wilson Lima (PR).

Detalhe: rorizistas dizem que ele não concorreria. Ele não acredita que teria de condições e tempo para fazer campanha para os próximos quatro anos, tendo de administrar o Executivo numa crise dessa proporção… Será?

Update: O ex-governador Joaquim Roriz (PSC), por intermédio de seu assessor de imprensa Paulo Fona, disse ao blog que ficou espantado com as informações de que seu nome estivesse sendo cogitado para ocupar o Governo do Distrito Federal como escolhido da Câmara Legislativa neste período. Roriz assegurou que não tem interesse em assumir o governo neste momento nem autorizou nenhuma articulação em seu nome.

Ameaças de novas invasões

Cidades, Habitação em 23/02/2010 às 10:40

A suspeita da Polícia Civil sobre o envolvimento de políticos nas recentes invasões de terra no Distrito Federal devem aumentar nos próximos dias. Isso porque, mesmo depois da prisão de 68 pessoas no Itapoã durante o final de semana, sendo 14 delas com antecedentes criminais, uma outra invasão está sendo arquitetada em Sobradinho. Na região, os responsáveis por arregimentar novos invasores seriam lideranças comunitárias da cidade. Os grupos estariam ligados ao mesmo grupo que participou das invasões no Itapoã, liderado por Pedro Barbudo.

CPI escolhe presidente na quarta

Câmara Legislativa, GDF em 23/02/2010 às 9:56

Os deputados distritais continuam mostrando serviço. Marcaram para esta quarta-feira (24), às 10h, reunião da CPI da Corrupção para eleger o novo presidente da comissão. Desde janeiro, o ex-presidente Alírio Neto (PPS) desistiu do posto e da participação nas investigações. Em seu lugar entrou o distrital José Antônio Reguffe (PDT). Eliana Pedrosa (DEM) também havia abandonado a comissão, retornou. Também fazem parte da comissão o relator da CPI, Raimundo Ribeiro (PSDB), e os deputados Paulo Tadeu (PT) e Batista das Cooperativas (PRP).

Direito de ir e vir

Cidades, GDF em 23/02/2010 às 9:19

Em nota o jornalista Edson Sombra diz não ter nenhuma recomendação para não sair de casa. A informação foi publicada na coluna do Painel da Folha de S. Paulo desta terça-feira (23) e reproduzida neste blog.

Arruda teria informante na Polícia

GDF, Segurança em 23/02/2010 às 7:28

Do G1: Documento apreendido pela Polícia Federal mostra que o governo do Distrito Federal supostamente recebia informações sobre operações sigilosas da Polícia Civil do DF. O documento, encontrado na casa de Domingos Lamoglia, ex-chefe de gabinete do governador afastado José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM),  traz anotações sobre a Operação Tellus, que investigava a suspeita de cobrança de propina na Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Na época, a secretaria era comandada pelo governador interino do DF, Paulo Octávio. Arruda, por intermédio de seu advogado, negou as informações.

A pedido do Ministério Público Federal, a cúpula da secretaria foi alvo de escuta telefônica, em que assessores de Paulo Octávio foram flagrados cobrando propina de empresários que pleiteavam lotes pelo programa Pro-DF.

No documento apreendido pela PF, um informante relata ao governo que todos os subsecretários estavam sendo interceptados por uma divisão da policia civil e diz que o assunto merece cuidado. Ele informa ainda que o diretor da divisão ou seja, o responsável pela investigação, é uma pessoa da confiança dele. O informante também sugere que o governador acione a cúpula da Policia Civil para explicar as investigações.

Redobrando os cuidados

Câmara Legislativa, GDF em 23/02/2010 às 7:25

Do Painel da Folha de S. Paulo: O delegado que investiga o mensalão candango ligou para o jornalista Edson Sombra, uma das principais testemunhas contra Arruda, e recomendou que o jornalista evite sair de casa.

Crise em SP pode ajudar PO

GDF, Partidos, Política em 23/02/2010 às 7:24

Do Painel da Folha de S. Paulo: Tanto Paulo Octávio quanto a ala do DEM que lhe é mais tolerante tentam usar as dificuldades de Gilberto Kassab para evitar a expulsão do governador interino do Distrito Federal na reunião da Executiva do partido marcada para amanhã. Segundo o tortuoso raciocínio, a prioridade dos “demos” agora deveria ser o prefeito de São Paulo, que teve o mandato cassado em decisão de primeira instância - ontem suspensa.

Os defensores da tese pregam que o encontro seja todo usado para aprovar moção pró-Kassab, empurrando a decisão sobre Paulo Octávio para a próxima semana. Até lá, alegam os esperançosos, quem sabe o STF não manda soltar José Roberto Arruda, mudando de novo o foco das atenções e dando respiro a “PO”.

Mas nada garante que a turma do deixa disso vá se dar bem na reunião de amanhã. “Radicais” como Ronaldo Caiado e Demóstenes Torres prometem brigar pela expulsão de “PO”.

No DEM, o errático Paulo Octávio ganhou o apelido de BandNews. Com ele, assim como no slogan da emissora, “em 20 minutos tudo pode mudar”.

Entrevista Ministro Fernando Gonçalves

STJ em 23/02/2010 às 7:21

Da Folha de S. Paulo desta terça-feira (23): Avesso a jornalistas e agora famoso pela prisão preventiva do governador José Roberto Arruda (DF), o ministro Fernando Gonçalves, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), disse que foi procurado por Arruda pessoalmente e pelo governo de Minas Gerais, por telefone, depois de receber o processo da Operação Caixa de Pandora, que estava em segredo de Justiça. “O processo era sigiloso, não sei como vazou”, disse. “Devia ter mais coisa no ar do que avião”, acrescentou à Folha ontem, citando o chefe da Casa Civil de Minas, Danilo de Castro, como autor do telefonema. Ouvido pela Folha, Castro disse que não se lembrava da ligação. Os advogados de Arruda não foram localizados. Gonçalves, que irá se aposentar em abril, quando completa 70 anos, vota em Brasília, afirma que magistrado não decide por clamor da opinião pública e que a prisão de Arruda não foi fácil: “Fiz a contragosto, não foi por prazer”.

FOLHA - No despacho para prender Arruda, o sr. afirma que a prisão preventiva era “imprescindível”. Por quê?

FERNANDO GONÇALVES - Não fiz da minha cabeça, da minha vontade, foi um pedido do procurador-geral da República. Houve apreensão de dinheiro, confissão de quem levava dinheiro, pessoas ligadas ao governador que teriam feito a negociação. A prisão foi para que não se frustasse a instrução criminal.

FOLHA - O sr. foi implacável?
GONÇALVES
- Fiz a contragosto, não por prazer. Apesar de a imprensa gostar da decisão de prender, nunca fui de mandar prender.

FOLHA - E quanto aos vídeos com políticos e empresários recebendo dinheiro?
GONÇALVES
- Não vi, só na televisão. Tenho a degravação dos áudios, que são de 2006, e isso é suficiente.

FOLHA - Em sendo da época da campanha, pode ser caixa dois, prática generalizada no país?
GONÇALVES
- Não diria que só são de campanha, não, porque presume-se que há coisas posteriores. Mas, para mim há uma única expectativa: no dia 20 de abril eu saio.

FOLHA - E sai com uma vitória de 12 a 2 no plenário do STJ. Isso foi fator condicionante para a decisão do ministro Marco Aurélio Mello (STF) contra o habeas corpus de soltura de Arruda?
GONÇALVES
- A dúvida foi se era possível fazer a prisão sem a autorização da Câmara Legislativa [do Distrito Federal]. Quatro ministros foram vencidos, houve a votação do mérito e, depois, o ministro Marco Aurélio esclareceu que um dispositivo da Lei Orgânica foi considerado inconstitucional pelo Supremo. Ou seja: não precisa ouvir a Câmara.

FOLHA - O que o sr. pensou ao receber o pedido de prisão?
GONÇALVES
- Estou muito calejado, como esses motoristas que dirigem à noite daqui até Belo Horizonte. Não quero dizer que sou uma pessoa fria, e é lógico que você não vai receber um pedido desses prazerosamente, mas cada um tem que cumprir seu dever. Quando tomo uma decisão, me coloco naquele lugar do vencido, não do vencedor. Preferiria que não tivesse caído para mim. Não gosto de ficar exposto.

FOLHA - O sr. sofreu pressão dos seus conterrâneos? Arruda e Paulo Octávio são mineiros.
GONÇALVES
- O Arruda veio aqui e pediu para falar comigo, dizia que havia um processo contra ele. Foi logo no início, antes de toda e qualquer providência. Eu o conheço. Ele veio, ficou sentado aí [apontando o sofá]. O processo era sigiloso, não sei como vazou.

FOLHA - O que o sr. lhe disse?
GONÇALVES
- Que tinha sido distribuído para mim, que estava tramitando sigilosamente, que não tinha conhecimento dos fatos e que não poderia adiantar nada. O processo tinha sido distribuído, mas não tinha chegado. Não sei se a operação vazou. Devia ter alguma coisa no ar além de avião.

FOLHA - O Durval Barbosa, delator do mensalão, disse que Arruda iria falar com Aécio para pedir ao sr. que o recebesse. Aécio falou algo?
GONÇALVES
- A Socorro [secretária do ministro] disse que o chefe da Casa Civil, Danilo de Castro, havia ligado para mim. Mas isso é muito normal. Sou muito amigo dele e do Aecinho, mas nem falei com ele. Quando ele ligou, Arruda já tinha vindo.

FOLHA - A prisão preventiva de um governador aproxima o Judiciário da opinião pública?
GONÇALVES
- Não pensei nisso, só fiz o meu papel. Eu não posso deixar a opinião pública me induzir contra a minha consciência. Não à prisão por clamor popular!

Quebra-galhos no BRB

GDF em 23/02/2010 às 7:05

Da coluna Brasília-DF do Correio Braziliense: As escutas telefônicas da Operação Aquarela do MPDFT e da Polícia Civil não têm apenas conversas que comprometiam o ex-senador Joaquim Roriz. Os diálogos também revelam as orientações do governador José Roberto Arruda ao então presidente do Banco de Brasília (BRB), Tarcísio Franklin, para “quebrar galhos”, liquidando dívidas de alguns empresários, entre elas, uma da família Canhedo, dona da empresa de transporte Viplan.

Roriz fala em programa partidário

Partidos, Política em 23/02/2010 às 6:59

Do Correio Braziliense: De olho nas eleições de outubro, o ex-governador Joaquim Roriz fará seu primeiro pronunciamento público depois do início da crise política. Roriz será o protagonista do programa eleitoral do Partido Social Cristão (PSC), que vai ao ar hoje, na quinta-feira e no sábado. O discurso será transmitido por todas as redes abertas de televisão e rádio, e foi gravado na casa do ex-governador, no Park Way, no último domingo. Sem citar o nome do governador afastado José Roberto Arruda, Roriz classifica o escândalo político como “vergonhoso” e “escandaloso” e afirma ser contra a intervenção federal em Brasília. Ao todo, serão 30 inserções, com 30 segundos cada.

Os assessores optaram por gravar o programa sem teleprompter — equipamento acoplado à câmara que exibe o texto a ser lido. “A ideia era deixar a gravação com um clima de informalidade, como se ele estivesse conversando com os telespectadores”, revela o assessor de imprensa de Roriz, Paulo Fona. O ex-governador foi orientado a não comentar em público as denúncias de corrupção no governo e os desdobramentos da Operação Caixa de Pandora. O objetivo principal foi atrair ainda mais atenção para o seu pronunciamento partidário na televisão e no rádio.

Em seu discurso, Joaquim Roriz diz que vê com “indignação” as denúncias de corrupção, mas afirma acreditar em uma decisão do Judiciário para solucionar a crise política da cidade. “Eu vejo firmeza na Justiça. A Justiça vai punir, vai fazer como ela está fazendo. Por um lado, eu fico com uma profunda decepção. Por outro, cheio de esperança de que a Justiça cumpra seu dever”, diz o texto gravado pelo ex-governador. Dos quatro textos escritos pela assessoria de Roriz, dois falam exclusivamente sobre a possibilidade de intervenção federal. “Intervenção não é a solução. Ela é traumática. Por outro lado, eu acho que quem tem que resolver isso é a Assembleia Legislativa (Câmara Legislativa)”, critica o ex-governador.

No pronunciamento, Roriz vai dizer ainda que os deputados distritais precisam ser mais ágeis na busca por soluções. “Brasília não pode perder a sua autonomia política, ela é a hospedeira dos três poderes da República”, justifica Roriz, em seu discurso. “Eu acho que precisa nós discutirmos e buscarmos a unidade da sociedade. Nós estamos apoiando é o soerguimento de uma cidade que nós todos aprendemos a admirar e amar, que é a capital do meu país”, dirá o ex-governador durante o pronunciamento.

Acusado pelos partidários de Arruda de ter orquestrado a divulgação dos vídeos em que políticos aparecem recebendo dinheiro, Roriz nega qualquer envolvimento com as denúncias. “Não existe nenhuma possibilidade de isso ter acontecido. Ele soube das denúncias pela televisão, depois que estourou a operação Caixa de Pandora. Foi pego de surpresa como todos os brasilienses”, afirma o assessor do ex-governador, Paulo Fona.

Além de ser a estrela do programa local do PSC, Roriz também gravou uma inserção para a transmissão nacional da legenda. Vai falar de suas realizações na área de meio ambiente, quando era governador. Ele vai citar a despoluição do Lago Paranoá e a criação da primeira secretaria de meio ambiente do Brasil.

Joaquim Roriz é filiado ao nanico PSC desde 30 de setembro do ano passado. Pouco mais de dois anos depois de renunciar à vaga no Senado acusado de participar de um negócio nebuloso com o empresário Nenê Constantino, ele deixou o PMDB alegando falta de apoio político para viabilizar sua candidatura ao GDF. No dia da assinatura de sua filiação, o Correio perguntou a Roriz se Arruda seria seu principal adversário em 2010. A resposta foi: “Hoje pode ser. Amanhã não saberei”.

Poucas visitas para Arruda

GDF em 23/02/2010 às 6:56

Do Correio Braziliense: A poucos dias de o Supremo Tribunal Federal (STF) julgar o seu pedido de habeas corpus, o governador afastado José Roberto Arruda tem recebido poucas visitas. Apenas sua mulher, Flávia Peres Arruda, e os advogados estiveram ontem na sede do Comando de Operações Táticas (COT) do complexo da Polícia Federal, no Setor Policial Sul, onde está ele preso há 12 dias. Os defensores de Arruda não falam sobre as estratégias para colocá-lo em liberdade, mas nos últimos dias o discurso é que o governador afastado não foi ouvido no inquérito.

Servidores da PF praticamente desconhecem a rotina de Arruda, já que a sede do COT fica distante dos demais prédios e o acesso às suas dependências é restrito. Como tem feito costumeiramente, Flávia Arruda chegou ontem, por volta das 12h30, para levar o almoço do marido. Sua entrada geralmente é avisada por telefone, para que ela não seja parada na guarita. O objetivo: fugir do assédio da imprensa. Nesta segunda-feira, no entanto, a primeira-dama chegou a se deitar no banco de trás para não ser vista, já que os vidros do carro onde estava têm películas escuras. No entanto, sua chegada não foi comunicada e o carro teve de ser parado, obrigando a visitante a sentar-se normalmente.

Mesmo assim, Flávia não falou com ninguém. Apenas acenou negativamente com a mão. Ela ficou com Arruda por cerca de 45 minutos, cerca de 15 minutos a mais que Cláudio Alencar, um dos advogados do governador afastado, que chegou por volta das 19h40, mas evitou a imprensa. Arruda foi transferido de uma sala de 40 metros quadrados para uma de 10 metros quadrados na última sexta-feira, com ar-condicionado, mesa, frigobar e uma beliche.

Repercussão da crise

Câmara Legislativa, GDF em 23/02/2010 às 6:54

Do Correio Braziliense: O ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, classificou como grave a crise provocada pelas denúncias de corrupção no DF. Após o lançamento da Estratégia Nacional de Justiça e Segurança Pública (Enasp), ontem, Barreto criticou as ações da Câmara Legislativa. “Não adiantam essas manobras casuísticas adotadas pela Câmara Distrital para impedir uma intervenção federal. Soluções mágicas, adotadas a toque de caixa pelo Legislativo local, como a cassação de três ou quatro deputados, não adiantarão de nada”, avaliou.

Apesar disso, o ministro evitou opinar sobre a necessidade de intervenção na capital da República. Ressaltou que a decisão é do Supremo Tribunal Federal (STF). “Ao Ministério da Justiça, neste momento, cabe aguardar. Estamos conversando com o secretário de Segurança Pública do DF e acompanhando de perto o desenrolar da segurança pública na capital.” Embora a crise tenha virado de cabeça para baixo o cenário político no DF, o ministro avalia que as instituições estão funcionando.

O presidente do STF, Gilmar Mendes, não antecipou qual posição adotará sobre a intervenção no DF. Mas lembrou que os pedidos em Mato Grosso e em Rondônia, na década de 1990, foram rejeitados. Apesar disso, o STF considera que a interferência externa vale também nas hipóteses de omissão e falências institucionais. Gilmar Mendes ainda não confirmou a data em que julgará o pedido de intervenção no DF. Já o de habeas corpus em favor do governador afastado José Roberto Arruda será analisado pelo Supremo depois de amanhã.

A possibilidade de intervenção no DF foi destaque na sessão de ontem, no Senado Federal. O senador Adelmir Santana (DEM/DF) voltou a criticar a medida. Ele pediu um aparte ao senador Jefferson Praia (PDT/AM) — que também discursava contra a intervenção — e defendeu o respeito à Constituição, referindo-se à obediência à linha sucessória. Em seu discurso, Santana citou o editorial do Correio Braziliense publicado no último dia 20. “O jornal assinala de maneira enfática sua opinião contrária à intervenção. Diz o jornal: ‘… É descabida a iniciativa porque estão de pé na capital da República os dispositivos constitucionais aptos a garantir a execução do processo sucessório…’”, citou.

O senador Adelmir Santana lembrou ainda que, desde a redemocratização, nunca houve intervenção em qualquer unidade da Federação. “Recordo o infortúnio que a Nação experimentou nos tempos de chumbo quando se romperam as normas constitucionais então vigentes. O país mergulhou nos momentos mais sombrios de sua história.”

Para o cardeal arcebispo-primaz do Brasil, dom Geraldo Majella Agnelo, as imagens do suposto esquema de corrução no Executivo e Legislativo locais são uma vergonha nacional e internacional. “A corrupção faz com que se faça qualquer negócio por dinheiro. Que se comprem consciências, que se vendam consciências (…). A corrupção não é só daquele que procura corromper, mas daquele que aceita também a corrupção”, declarou, em entrevista ao Portal Terra. O tema da Campanha da Fraternidade 2010 é Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro.

PO aguarda posição do DEM

GDF, Partidos, Política em 23/02/2010 às 6:52

Do Correio Braziliense: Depois das idas e vindas em relação à renúncia, o governador em exercício, Paulo Octávio, fez o mesmo em relação à saída do Democratas. Ele disse na última sexta-feira que a carta de desfiliação estava pronta para ser entregue ao presidente do partido, Rodrigo Maia, mas ontem decidiu permanecer na legenda e aguardar o desfecho da reunião de amanhã, quando o DEM analisará o pedido de expulsão apresentado pelo deputado Ronaldo Caiado e pelo senador Demostenes Torres, ambos de Goiás. Se a maioria dos integrantes da Comissão Executiva Nacional acolher a proposta goiana, Paulo Octávio recorrerá na Justiça comum.

A intenção de Paulo Octávio é preservar a filiação partidária e uma brecha para, se for o caso, concorrer a uma vaga de deputado federal ou senador em outubro. Se pedisse a desfiliação, Paulo Octávio não poderia mais se filiar a outro partido a fim de disputar um mandato eletivo este ano, porque o prazo de filiação partidária para os candidatos expirou em outubro do ano passado, um ano antes do pleito. O mesmo raciocínio vale para a desfiliação por justa causa, que demoraria a ser julgada, comprometendo o calendário eleitoral imaginado pelo governador.

Paulo Octávio passou o dia em conversas com integrantes da Executiva de seu partido para explicar por que não pretende pedir para sair do DEM. Sua movimentação, no entanto, não deu resultado. “Ele tem o direito de fazer o que acha que deve e o partido, de cobrar o que deve ser cobrado. A decisão está tomada e será ratificada: quem não sair do Governo do Distrito Federal deve sair do partido. Como ele ficou no governo, se não sair do partido, será saído”, disse o líder na Câmara, Paulo Bornhausen (SC).

Secretariado tenta recuperar GDF

GDF em 23/02/2010 às 6:49

Do Correio Braziliense: Uma transformação total na imagem do governo. Essa é a missão do secretariado de Paulo Octávio para tentar amenizar a crise política que toma conta do Distrito Federal. Ontem à noite, durante reunião convocada de última hora, no 8º andar do Palácio do Buriti, parte dos chefes das 21 pastas do DF discutiram durante mais de duas horas os rumos da administração de Brasília. O governador em exercício do DF, Paulo Octávio, não participou do encontro. Um dos participantes disse que o “governo é um corpo sem cabeça” e que é hora de reagir para mostrar que a máquina continua funcionando.

“É hora de mostrar que o governo está presente nas ruas. Hoje, a sensação é que estamos inertes. O que não é verdade. Inauguramos escolas e a imprensa diz que o governo está parado, inauguramos pontes e a imprensa fala a mesma coisa. É hora de mostrar que a crise não abalou o andamento dos trabalhos”, disse.

Um outro secretário sugeriu a criação de um portal da transparência, semelhante ao do governo federal. A ideia seria disponibilizar no site todos os gastos das secretarias. “Com a criação de um portal com todas as contas abertas ao público, nós esvaziamos as críticas. É uma ação concreta e que poderia surtir um efeito extremamente positivo”, afirmou.

O tratamento com a imprensa também recebeu destaque na conversa. Um secretário alertou aos colegas que é desgastante apenas “ficar respondendo a acusações”. “Não adianta ficar brigando com a imprensa. Temos que mostrar apenas o que estamos fazendo”, disse ele, que também sugeriu, como forma de fortalecer a imagem do governo, formar um novo líder. “Não temos mais o Zé Humberto (José Humberto, ex-secretário de Governo), o Maciel (José Geraldo Maciel, ex-chefe da Casa Civil). Temos que fazer um novo nome forte. Um líder mesmo, que eu ainda não sei quem seria”, afirmou, recebendo o apoio dos colegas.

A situação do governador em exercício do Distrito Federal, Paulo Octávio, está cada dia mais complicada. Ontem, ele dedicou parte do seu dia para estudar junto aos seus advogados uma defesa que desqualificasse as acusações de que ele teria interferido no curso das Operações Tucunaré e Tellus, ambas conduzidas pela Polícia Civil do DF. A primeira envolve um suposto esquema de distribuição de propina usando empresas de fachada da capital, cujo articulador seria o policial aposentado Marcelo Toledo. Já a Tellus apurava uma acusação semelhante, porém, na Secretaria de Desenvolvimento Econômico do DF, na época em que Paulo Octávio chefiava a pasta.

Por meio de seu advogado, Antônio Carlos de Almeida, ele garantiu estar tranquilo. Segundo o defensor, a acusação que tramita na 8ª Vara Criminal de Brasília é inválida, pois, por se tratar de um vice-governador de Estado, a instância não teria competência para julgá-lo.

GDF apresenta defesa contra intervenção

GDF, STF em 23/02/2010 às 6:46

Do Correio Braziliense: O procurador-geral do Distrito Federal, Marcelo Galvão, entregou ao Supremo Tribunal Federal (STF) na tarde de ontem a defesa contra a intervenção na capital da República pedida pela Procuradoria-Geral da República. Num documento de 53 páginas, Galvão reúne argumentos para tentar convencer o Supremo Tribunal Federal (STF) de que a nomeação de um interventor é “inconstitucional”, “exagerada” e “desnecessária”.

Antes de protocolar a defesa formalmente ao STF, Marcelo Galvão esteve com o presidente do Supremo, Gilmar Mendes, a quem resumiu os itens da defesa do Distrito Federal. Um dos focos da sustentação da Procuradoria-Geral do DF é de caráter técnico. “O pedido de intervenção não especifica limites. Não se sabe se ela seria feita apenas no Executivo ou se estenderia ao Legislativo”, ressaltou Galvão. Em reação ao argumento dos advogados do DF, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, fez um adendo ao pedido de intervenção. Acrescentou que o pedido se estende ao Poder Legislativo. Com isso, foi aberto prazo de cinco dias para a Câmara Legislativa apresentar defesa.

Na interpretação dos assessores jurídicos incumbidos de fazer a defesa dos interesses do DF, a intervenção seria uma demonstração de “incompetência” da sociedade em eleger os seus representantes. Mas segundo a Procuradoria-Geral, a crise, apesar de grave, não estaria a ponto de um colapso social, com paralisação de serviços públicos e manifestações populares que inviabilizem a governabilidade.

Outro argumento contido na defesa do Distrito Federal é um paralelo traçado entre o caso da capital da República e o de outras 15 unidades da Federação, que sofrem ação penal no âmbito do Supremo e estão com os processos parados por falta de autorização das assembleias legislativas locais. Na visão da Procuradoria-Geral do DF, a intervenção em Brasília, com a consequente destituição do governador afastado José Roberto Arruda, criaria uma situação diferenciada, já que aqui também há um dispositivo na Lei Orgânica segundo o qual a Justiça precisa pedir autorização à Câmara antes de instaurar processo contra o governador.

Para os advogados do DF, existem soluções constitucionais para lidar com o problema na capital da República. A sugestão dos procuradores é de que a linha sucessória prevista na Lei Orgânica seja respeitada. Segundo ela, na falta do governador, assume o vice e depois o presidente da Câmara Legislativa. O próximo a ter direito de comandar o Executivo seria o vice-presidente da Câmara Legislativa e, por último, o presidente do Tribunal de Justiça.

A Procuradoria-Geral do DF ainda noticia em sua peça de defesa os últimos acontecimentos da Câmara Legislativa que para os procuradores indicam uma mudança de comportamento dos distritais. Na semana passada, os deputados aceitaram em um só dia os processos de impeachment contra Arruda e o governador em exercício Paulo Octávio, numa sinalização de que se tiverem de correr o risco de desamparar aliados políticos e de lidar com uma intervenção, vão ficar com a primeira opção.

Contrário à tese levantada pelos advogados do DF, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, voltou a defender publicamente o decreto de intervenção na capital da República. Segundo disse durante solenidade no Ministério da Justiça na manhã de ontem, “uma solução simplista não resolve o problema. Na verdade o direito da Câmara não admite soluções mágicas. É evidente que (a intervenção) é um remédio drástico. Mas estamos diante de um raríssimo caso em que a Constituição Federal não só autoriza como exige a decretação da intervenção”. Roberto Gurgel preferiu não fazer previsões sobre a votação da intervenção no Supremo e reconheceu até que, em casos semelhantes, o STF costuma negar esse tipo de pedido.

Marco Aurélio nega HC a Naves

Câmara Legislativa, STF em 23/02/2010 às 6:43

Do Correio Braziliense desta terça-feira (23): O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, negou o pedido de liberdade apresentado pela defesa do jornalista e suplente de deputado distrital Geraldo Naves. Ele está preso no Complexo Penitenciário da Papuda desde o último dia 12, por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob acusação de obstrução das investigações, por tentativa de suborno do jornalista Edmilson Edson dos Santos, o Sombra, testemunha no inquérito que investiga denúncias de desvios e apropriação de dinheiro público no Governo do Distrito Federal. O ministro considerou presentes os requisitos legais que justificam a prisão.

Expectativa pelo parecer do corregedor

Câmara Legislativa em 22/02/2010 às 19:52

Está bem agitado o clima entre deputados distritais e assessores na noite desta segunda-feira (22). Tudo por conta da notícia de que o corregedor interino da Câmara Legislativa, Raimundo Ribeiro (PSDB), vai apresentar aos colegas seu parecer sobre os processos por quebra de decoro parlamentar nesta terça-feira (23). E os pedidos, conforme o esperado, serão pelo processo de cassação de todos os nove parlamentares. Com esse parecer, abririam-se na Comissão de Ética da Casa processos contra Aylton Gomes (PR), Benedito Domingos (PP), Benício Tavares (PMDB), Eurides Brito (PMDB), Leonardo Prudente (sem partido), Junior Brunelli (PSC), Rogério Ulysses (sem partido) e Rôney Nemer (PMDB), por envolvimento nas denúncias da Operação Caixa de Pandora. E também contra o vice-presidente da Casa, Cabo Patrício (PT), mas pela autoria de um projeto de lei que beneficiaria as empresas do colega Leonardo Prudente.

Com a medida, Raimundo Ribeiro dividiria com os demais deputados da Comissão de Ética, a responsabilidade pela abertura ou arquivamento do processo - seu parecer não é terminativo, serve apenas como sugestão à comissão, que pode ou não acatá-lo. Além disso, ele amenizaria um pouco a imagem de “grande aliado do governador Arruda”, ao mostrar isenção no tratamento das denúncias relacionadas aos demais governistas na Casa.

Nas reuniões de final de semana sobre o assunto, quando se discutia a renúncia dos envolvidos, alguns dos distritais pressionados chegaram a ameaçar os colegas governistas. Avisaram que, caso fossem cassados ou obrigados a renunciar para não perder os direitos políticos, levariam outros com eles. A ameaça, pelo visto, não surtiu efeito com o corregedor.

Kassab permanece no cargo

Partidos, Política em 22/02/2010 às 18:59

Do G1: O juiz da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, Aloísio Sérgio Rezende Silveira, decidiu na tarde desta segunda-feira (22) garantir a permanência do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM),  no cargo até o julgamento final do processo de cassação de seu mandato. Silveira é o mesmo juiz que determinou na última quinta-feira (18) a cassação do mandato de Kassab, acusado pelo Ministério Público de receber doações irregulares. O efeito suspensivo é automático assim que o político cassado entra com recurso. O advogado de Kassab, Ricardo Penteado, protocolou o documento no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) na tarde desta segunda-feira.

Rezende Silveira cassou o mandato de Kassab, de Alda e oito vereadores por captação ilícita de recursos. Segundo o TRE, a decisão desta tarde vale apenas para Kassab e para Alda, já que nenhum vereador tinha entrado com recurso até as 16h.

Na manhã desta segunda, Kassab voltou a se mostrar tranquilo em relação ao assunto e disse ter confiança que se manteria no cargo. O juiz cassou o mandato de Kassab e dos vereadores a partir de representação do Ministério Público Eleitoral que aponta doações de campanha irregulares oriundas da Associação Imobiliária Brasileira (AIB).

O MP pediu revisão da prestação de contas com base no artigo 30-A, da lei 9.504/97, e na lei 64/90, que prevem a cassação de registro e declaração de inelegibilidade por três anos quando comprovados captação ou gastos ilícitos de recursos. Os vereadores cassados na semana passada são: Antonio Donato Madormo (PT), Arselino Roque Tatto (PT), Gilberto Tanos Natalini (PSDB), Italo Cardoso Araújo (PT), José Américo Ascêncio Dias (PT), José Police Neto (PSDB), Juliana Cardoso (PT) e Marco Aurélio de Almeida Cunha (DEM).

O advogado Ricardo Penteado, que representa os vereadores Gilberto Natalini, José Police Neto e Marco Aurélio Cunha, disse que espera ser intimado e receber a sentença para recorrer da decisão. O advogado Marcelo Andrade, defensor de todos os petistas, afirmou que deve ser intimado na terça-feira (23), quando entrará com o recurso. “Todas as doações são respaldadas em decisões anteriores do TRE, que, nas eleições passadas, avalizaram a legalidade das doações”, disse Andrade.

Até dezembro de 2009, o juiz Silveira havia cassado os mandatos dos vereadores Jooji Hato (PMDB), Paulo Frange (PTB), Quito Formiga (PR), Adilson Amadeu (PTB), Adolfo Quintas (PSDB), Carlos Apolinário (DEM), Alberto Bezerra (PSDB), Claudio Roberto Barbosa de Souza (PSDB), Dalton Silvano (PSDB), Domingos Dissei (DEM), Gilson Barreto (PSDB), Marta Costa (DEM), Abou Anni (PV), Ushitaro Kamia (DEM), Wadih Mutran (PP) e Ricardo Teixeira (PSDB). Todos exercem os mandatos sob benefício do efeito suspensivo concedido automaticamente pela Justiça Eleitoral.

Em jogo o poder de legislar

Câmara Legislativa, STF em 22/02/2010 às 18:22

A confirmação por parte do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, de que o Poder Legislativo também faz parte da medida de intervenção federal, apenas colocou mais fogo num incêndio que os deputados distritais tentam desesperadamente apagar nos últimos dias. Cientes de que também seriam alvo da intervenção, os parlamentares vêm tentando mostrar serviço ao Supremo Tribunal Federal (STF), na expectativa de convencer magistrados e opinião pública de que, apesar o passado condenatório, eles ainda podem atuar com isenção em todo esse processo.

O medo é fundamentado. A intervenção na Câmara Legislativa cessa os poderes dos parlamentares. “A medida engessa o poder de legislar”, resume o distrital Chico Leite (PT). Em outras palavras, os distritais continuam em seus mandatos, podem até promover sessões legislativas, mas teriam de se contentar apenas com discursos, já que não poderiam mais aprovar leis ou qualquer outra proposta de caráter legislativo. É praticamente como se mandassem todos para casa enquanto durasse a gestão do interventor. “Os parlamentares ficariam em disponibilidade”, explica Leite. Ou seja, ou os deputado tentam impedir a intervenção, ou terminam o mandato como um político sem força alguma.

PTdoB reúne candidatos

Partidos, Política em 22/02/2010 às 18:07

Enquanto boa parte dos partidos mais tradicionais lutam para escapar da crise no Distrito Federal, partidos menores começam a se preparar para a campanha. É o caso do PTdoB. Na próxima quarta-feira (24), o partido realiza a primeira grande reunião com seus pré-candidatos para a eleição deste ano. A lista hoje contem mais de 170 nomes interessados em na disputa proporcional de outubro. A legenda aproveita para lançar também seu site oficial que pode ser acessado aqui.

Intervenção inclui Poder Legislativo

Câmara Legislativa, GDF, STF em 22/02/2010 às 17:49

A Procuradoria Geral da República (PGR) esclareceu nesta segunda-feira (22) que o pedido de intervenção federal feito pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, inclui, sim, o Poder Legislativo. A medida abrageria o Governo do Distrito Federal e a Câmara Legislativa. O objetivo da intervenção seria “resgatar a normalidade institucional, a própria credibilidade das instituições e dos administradores públicos”. Além claro, de assegurar a isenta apuração das denúncias. O esclarecimento foi feito por meio de uma complementação ao pedido de intervenção federal, apresentado no dia 11 de fevereiro. As informações são do Supremo Tribunal Federal.

Update: Depois da complementação da Procuradoria Geral da República, ministro Gilmar Mendes dá cinco dias para a Câmara Legislativa se manifestar sobre pedido de Intervenção Federal.

Vigilante critica Magela

Partidos, Política em 22/02/2010 às 17:41

O anúncio da pré-candidatura de Geraldo Magela ao Governo do Distrito Federal na tarde desta segunda-feira (22) irritou o ex-presidente do PT-DF, Chico Vigilante, um dos principais adversários do petista dentro do partido. Vigilante lamentou a decisão de Magela por considerar que as prévias apenas vão desgastar a legenda. “Agnelo Queiroz é o candidato da maioria absoluta do partido e vai vencer as prévias. Mas campanha é campanha, vamos acabar expondo as vísceras do PT e dar munição aos adversários”, reclamou.

Para Vigilante, a estratégia de Magela este ano seria a mesma usada em eleições passadas, quando o deputado federal disputou as prévias para o governo, mas desistiu ao final do processo para se candidatar a federal: di “O que ele quer é fortalecer sua candidatura à Câmara Federal, que hoje está complicada com a presença de Erika Kokay e Roberto Policarpo na disputa”, afirmou.

A ampla aliança de esquerda

Partidos, Política em 22/02/2010 às 16:42

Com o anúncio de que o deputado federal Geraldo Magela é pré-candidato ao GDF no PT, já tem integrante da esquerda comemorando a chapa final para outubro deste ano. A vaga para o governo seria do PT - seja Agnelo Queiroz ou Geraldo Magela -, a vaga de vice iria para Jofran Frejat, do PR. Na disputa ao Senado, Cristovam Buarque, pelo PDT, e Rodrigo Rollemberg, pelo PSB. Na disputa para as vagas da Câmara Federal mais nomes fortes: José Antônio Reguffe, do PDT, e os petistas Paulo Tadeu e Erika Kokay.

O que vocês acham?

PSB lança Rollemberg ao Senado

Partidos, Política em 22/02/2010 às 16:02

A executiva regional do PSB se reúne nesta segunda-feira (22) para oficializar o nome do deputado federal Rodrigo Rollemberg como candidato do partido ao Senado. A legenda vai apresentar o nome de Rollemberg para a proposta de aliança com o PT-DF. A intenção é ter uma chapa ampla de esquerda, com o nome petista para o governo e Rollemberg e Cristovam Buarque (PDT) na disputa pelas duas vagas ao Senado.

A decisão foi tomada depois de inúmeras conversas com a executiva nacional do partido, que incentivaram o deputado federal a encarar o desafio. “Acho que temos chances, sim”, concordou Rollemberg. A candidatura ao Senado acabou ganhando mais força no início da tarde, quando o deputado federal petista Geraldo Magela retirou sua candidatura ao cargo para disputar as prévias do partido ao GDF.

Na disputa proporcional, a aposta do PSB para sucessor de Rollemberg na Câmara Federal é Gastão Ramos. Ex-filiado ao PV, Gastão foi candidato a vice na chapa da petista Arlete Sampaio em 2006.

Magela confirma pré-candidatura

Partidos, Política em 22/02/2010 às 15:51

O deputado federal Geraldo Magela (PT) acaba de oficializar seu nome como pré-candidato do partido ao Governo do Distrito Federal. Magela afirmou que não poderia se furtar dessa responsabilidade neste momento e que, apesar do respeito ao adversário Agnelo Queiroz, vai encarar as prévias internas para ser o nome da chapa majoritária petista. Magela lembrou ainda que, em 2002, venceu as prévias do partido disputando com quatro outros candidatos. “Agora temos de correr contra o tempo para conseguir viabilizar nossa candidatura”, afirmou.

Debate sobre Ficha Limpa

Câmara dos Deputados, Política em 22/02/2010 às 15:50

A Câmara dos Deputados promove nesta terça-feira (23), às 14h, uma audiência pública para discutir o projeto da Ficha Limpa (PLP nº 518/09). O projeto, entre outras coisas, deixa inelegível candidatos que respondem a processos na Justiça. Participam do debate o presidente da OAB, Ophir Cavalcante, a diretora do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) Jovita Rosa, o presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), Antônio Carlos Bigonha, entre outros convidados. A audiência será no Plenário 2 do Anexo II da Câmara Federal.

Conveniente respeito à Constituição

Câmara Legislativa, GDF em 22/02/2010 às 14:52

Os deputados distritais estudam todas as formas possíveis para se evitar a intervenção no Distrito Federal. A última proposta é a de aceitar, sem maiores discussões, a soberania da Constituição Federal sobre a Lei Orgânica. A estratégia é, com isso, assegurar que seja feita uma eleição indireta para novo governador do DF. Dessa forma, seria possível colocar um nome isento à frente do governo e evitar que houvesse intervenção.

Pelos artigos 34 e 6 da CF, em caso de afastamento do governador e do vice, assumiria o presidente da Câmara Legislativa, que convocaria uma eleição indireta para escolha do substituto. O parágrafo único da Lei Orgânica, porém, diz que, se isso ocorrer no último ano de mandato não há eleição indireta. segue-se a linha sucessória ao governo e o escolhido encerra o mandato. Como esta hipótese - de se ter Wilson Lima (PR) ou o presidente do TJDF, Nívio Gonçalves, como governadores até o final do ano não arrefece a campanha pela intervenção, os parlamentares ponderam que seria melhor mesmo realizar a eleição indireta.

Como mudar a Lei Orgânica a essa altura demandaria tempo e revelaria casuísmo, eles preferem defender uma opção mais simples: a de que a Constituição se sobrepõe a qualquer outra lei local.

A eleição indireta provocaria também um outro fenômeno: o da união dos três poderes novamente. Isso porque há um entendimento entre governistas, parlamentares e Tribuna de Justiça de que só um nome vindo de fora da crise, sem pretensões políticas para 2010, conseguiria um governo de coalização que assegurasse sua governabilidade até dezembro de 2010.

Rapidez no parecer

Câmara Legislativa em 22/02/2010 às 12:51

Relator do processo de impeachment do governador afastado José Roberto Arruda, o distrital Chico Leite (PT) pretende apresentar seu parecer ainda esta semana. “Se eu conseguir, apresento já na sexta-feira (26).

“Hora de cumprir a lei”

Câmara Legislativa, GDF em 22/02/2010 às 12:46

A experiência de promotor de Justiça tem feito o petista Chico Leite ser banstante assediado. O entendimento privilegiado sobre os últimos capítulos da crise política no Distrito Federal o levaram à Comissão de Constituição e Justiça e à Comissão Especial que analisam os processos de impeachment de José Roberto Arruda e Paulo Octávio. Confiante, Leite acredita que o Legislativo, enfim, decidiu dar uma resposta à sociedade e cumprir seu papel. “Vi vontade política”, afirmou em entrevista ao jornal O Distrital desta semana. Confira trechos a seguir e a entrevista na íntegra aqui.

A impressionante agilidade dos deputados distritais na semana passada, com tanto trabalho em apenas um dia, foi interpretada por algumas pessoas como uma tentativa de evitar a intervenção federal, mostrando ao STF e à população que a Câmara Legislativa é capaz de trabalhar. O senhor concorda com essa avaliação? 

Chico Leite - Toda vez que um poder ou autoridade não atua conforme a lei e a Constituição Federal, o Judiciário intervém, legitimamente, para restaurar o princípio do Estado de Direito. Nós tentamos afastar os parlamentares envolvidos nas denúncias da Operação Caixa de Pandora, e a Casa não respondeu. O Judiciário afastou. Tentamos afastar o governador José Roberto Arruda, e a Casa mais uma vez não respondeu. O Judiciário então não só afastou como ainda o prendeu. Se a Casa continuar com essa morosidade em suas ações, a medida capital será a intervenção federal. Então é preciso fazer algo.

Mas acho que esse trabalho de agora é obra da consciência dos colegas de que ou a Casa tomava providências ou não haveria razões para ela existir.

Então foi uma resposta ao pedido de intervenção?

Leite - Quando as instituições funcionam,quando estão sendo seguidos os princípios do Estado de Direito, é incabível uma intervenção. Eu acho que a Câmara Legislativa deu, nos últimos dias, um grande passo para demonstrar à sociedade que está disposta a cumprir seu papel político. 

O senhor acredita então que esse passo será o primeiro de uma longa caminhada? Quer dizer, os trabalhos vão ter continuidade?

Leite - Sim. Eu vi, pela primeira vez, vontade política. Vi vontade política no Corregedor (o deputado distrital Raimundo Ribeiro, do PSDB), nos membros da comissão, nos colegas da Casa. Indistintamente, independentemente de posição partidária. Isso tanto pode ter sido obra da situação eleitoral de cada um dos deputados como da súbita consciência das obrigações políticas de cada um. 

Então o senhor acredita que os processos de impeachment recém-iniciados são irreversíveis?

Leite - São. A partir desta segunda-feira eles vão seguir o trâmite normal e só terminarão ou com a renúncia dos dois envolvidos ou com a votação da admissão final da denúncia em plenário. 

O senhor não  teme que esse processo ainda possa ser interrompido nesta primeira etapa de aprovação do parecer?

Leite - Estou confiante de que o plenário vai manter o processo em andamento. A dificuldade pode ocorrer na votação em que serão necessários 16 votos. Mas hoje sabemos que a maioria da Casa votaria pela denúncia. As conversas são de que há ações e indícios suficientes para aprovar o pedido de impeachment.

Este será um momento importante. Porque hoje o governador Arruda está afastado por questões judiciais. Mas na hora em que o processo for aceito e encaminhado ao tribunal especial, o afastamento será político-administrativo. 

E tem um detalhe interessante neste caso, que eu costumava chamar a atenção dos meus alunos à época em que era promotor de Justiça. A prova da interferência do acusado na instrução do processo é praticamente uma confissão de culpa. Porque quem não deve espera pela instrução com a certeza de ter a consciência limpa.

Aprovados os impeachments do governador Arruda e do vice Paulo Octávio, assumiria o GDF o atual presidente da Câmara Legislativa, Wilson Lima (PR). O senhor também compactua da tese de alguns distritais de que Lima está  apto a assumir o governo?

Leite - Está no artigo 94, parágrafo único, da Lei Orgânica. Em caso de afastamento do governador e do vice no último ano de mandato, assume o presidente do Legislativo até o final do governo. Wilson Lima é uma pessoa idônea, até onde sabemos não há nada que o envolva nas denúncias do Inquérito 650 do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Então não há porque ele não assumir. Este não é um momento em que valha gosto pessoal ou posição ideológica. É momento de se cumprir a lei. Eu defendo que não é podemos transformar a crítica política, que é legítima, em desvios do Estado de Direito. 

Mas um dos argumentos do pedido de intervenção é de que Wilson Lima também estaria em suspeição por ter sido eleito em uma articulação do governador Arruda…

Leite - Essa avaliação é política. Mas a Câmara é uma Casa política; então não há motivo para considerá-lo impedido. Ele está na linha sucessória legal, foi eleito legitimamente – e olha que não foi eleito com o meu voto (Leite votou no candidato do PT, Cabo Patrício). Mas esse é o momento de fortalecer as instituições. 

O senhor acredita que as instituições políticas do Distrito Federal podem ser capazes de resolver sozinhas, sem intervenção federal, a crise instaurada na capital?

Leite - É o que eu espero. As irregularidades e os crimes se resolvem com as penas da lei, mas as crises políticas se resolvem, fundamentalmente, com a população, nas eleições de outubro. Você não pode querer educação e votar no representante das empreiteiras. Aí você terá apenas obras e caixa dois. Não terá escolas e professores.

Mas estou otimista de que poderemos, sim, resolver essa crise. A palavra “crise” vem do grego krisis, que significa ação de decidir, de julgar. É nesse momento que precisamos mostrar quem somos, mostrar à sociedade como agimos. E acredito que o voto aberto na sessão de aprovação do impeachment será fundamental para isso.

O voto aberto que foi uma luta e uma vitória do senhor (Chico Leite é autor do projeto que acabou com o voto secreto nas votações da Casa)…

Leite - Sim. Graças à minha luta teremos agora neste processo uma prestação de contas compulsória. O deputado terá de dizer ao eleitor como e porque votou. Se o voto ainda fosse fechado, tenho certeza de que a situação seria totalmente diferente. 

Agora estou na luta para que os relatores nas comissões sejam escolhidos por sorteio. Tenho falado disso em todas as comissões e minha proposta tem sido recusada sem discussão. Mas é assim que funciona. Tenho convicção que outro câncer nestes processos políticos é a barganha com as relatorias. Mas um dia a gente consegue. Foram assim as lutas pelo voto aberto e pelo fim do nepotismo. 

Os processos por quebra de decoro dos parlamentares envolvidos nas denúncias da Operação Caixa de Pandora também estão  incluídos nas respostas que a Câmara está disposta a dar à população?

Leite - A sociedade não vai nos perdoar se não aproveitarmos esta crise para passarmos a limpo a política do Distrito Federal no que nos compete, como impeachment e CPI. Com relação aos parlamentares prefiro aguardar o parecer do corregedor Raimundo Ribeiro, que é da área jurídica. Mas acredito que, ao menos nos três casos principais (dos distritais Leonardo Prudente, Eurides Brito e Junior Brunelli, flagrados em vídeo recebendo dinheiro de Durval Barbosa) é preciso uma atuação profunda. A sociedade quer saber quem é capaz de passar a política a limpo e quem quer jogar tudo para debaixo do tapete e continuar com a farra de dinheiro público.

Sobre eleições: seu partido, o PT, enfrenta nova divergência interna depois que já era dada como certa a candidatura de Agnelo Queiroz ao GDF, com a intenção do deputado federal Geraldo Magela de também se candidatar ao cargo. Como o senhor vê essa disputa?

Leite - Não se vence nada nesta vida, principalmente eleições, sem união. Sem a compreensão que cada um deve abrir mão um pouco para que todos possam ter êxito. O ideal é que saia um entendimento, primeiro dentro do PT, depois fora, com as forças de esquerda e com partidos progressistas que compõem a aliança nacional (PP, PR). Se não for possível, as prévias – evitando fraturas internas, porque os inimigos da sociedade estão fora – são um instrumento democrático de definição. 

E a sua candidatura este ano? O senhor vai disputar a reeleição mesmo ou, com o fim do acordo inicial no partido, há possibilidade de concorrer ao Senado?

Leite - Sou candidato a deputado distrital. A decisão foi tomada a partir de um pedido do partido para que eu colaborasse com o entendimento entre Agnelo e Magela. E eu nunca serei impedimento para que isso aconteça. Nunca colocaria uma pretensão pessoal à frente do projeto político coletivo. Mas, se o acordo for mesmo rompido, a situação zera. E os mesmos agentes que me pediram para sair distrital podem me pedir para ser candidato ao Senado. Eu estarei pronto para a missão.

Começa processo contra Arruda

Câmara Legislativa, GDF em 22/02/2010 às 12:23

Depois de ficarem reunidos por mais de duas horas, os deputados distritais deram início há pouco à primeira reunião da Comissão Especial que fará a análise dos pedidos de impeachment do governador afastado José Roberto Arruda e do governador em exercício Paulo Octávio. O impasse entre os distritais é sobre o rumo que deve tomar o processo contra PO. Ainda sem consenso sobre a situação, o líder do governo, Batista das Cooperativas (PRP) propôs que se analisassem os processos de forma separada.

Como se passaram as 48 horas exigidas por lei para início do prazo do processo de José Roberto Arruda, já que o ato de início dos trabalhos da comissão foi publicado na sexta-feira passada, os distritais deram início ao processo do governador afastado. O presidente escolhido pela comissão é o distrital Cristiano Araújo (PTB). O vice é o democrata Paulo Roriz. Já o  relator do pedido é o petista Chico Leite - em uma clara demonstração de que, pelo menos em relação a Arruda, os governistas dão o caso como encerrado. Com dez dias contados a partir de terça-feira para apresentar seu parecer, Leite avisou em plenário que não vai usar o prazo inteiro para se posicionar.

Já quanto ao Paulo Octávio, a comissão marcou para às 18h de quinta-feira (25) a reunião para tratar do processo contra o governador em exercício. O relator será Batista das Cooperativas (PRP). Batista revelou a real intenção dos governistas em adiar a decisão com apenas uma declaração: “Pode ser que nem seja necessário nos reunirmos na quinta”. O observação levava em conta a aposta dos distritais de que PO renuncia antes do final da semana.

Marcada a próxima reunião, os deputados encerraram a sessão.

Renúncias dadas como certas

Câmara Legislativa em 22/02/2010 às 11:21

Três suplentes de deputado distrital começam os preparativos para assumir oficialmente o mandato nos próximos dias. A expectativa é de que sejam convocados no caso - dado como certo pela maioria dos parlamentares - da renúncia dos três deputados flagrados em vídeo recebendo dinheiro de Durval Barbosa. A pressão é para que Eurides Brito (PMDB), Leonardo Prudente (sem partido) e Junior Brunelli (PSC) renunciem ainda esta semana.

Isso porque o corregedor da Casa, Raimundo Ribeiro (PSDB), deve apresentar seus pareceres sobre os pedidos de processo por quebra de decoro para todos os envolvidos nas denúncias da Operação Caixa de Pandora. É consenso entre os deputados que é preciso cortar na carne para dar uma resposta à sociedade - e ao STF que analisa o pedido de intervenção. A solução então seria sacrificar os três distritais em situação mais crítica na Casa.

A mais resistente à ideia era Eurides. Mas na última reunião dos distritais, ela teria cedido à proposta, em meio a muitas lágrimas. Prudente, um dos primeiros a considerar a renúncia, já começou a preparar a equipe do gabinete. Brunelli, de licença médica, é o único que ainda não havia se posicionado.

Caso as renúncias realmente ocorram serão convocados a assumir os mandatos o médico Roberto Lucena, primeiro suplente do PMDB e irmão do dono da Linknet Gilberto Lucena, e o democrata Raad Massouh. O terceiro nome tornar-se distrital seria de Geraldo Naves (DEM). O democrata, no entanto, está preso sob a acusação de participar do suposto suborno ao jornalista Edson Sombra. O próximo na lista de suplentes é Washington Mesquita, conhecido na cidade por ser o braço direito do Padre Moacir Anastácio, da Paróquia São Pedro de Taguatinga.

Distritais atrasam sessão

Câmara Legislativa, GDF em 22/02/2010 às 10:44

Ainda não começou a reunião da Comissão Especial da Câmara Legislativa marcada pra às 10h desta segunda-feira (22) em que os distritais darão início oficialmente à análise dos processos de impeachment do governador afastado José Roberto Arruda e do governador em exercício Paulo Octávio. Os distritais tentaram tirar a reunião do plenário - para reduzir o número de presentes na sessão - mas a pressão da imprensa acabou levando os parlamentares a desistir da ideia.

Mais duas investigações chegam a PO

GDF, Segurança em 22/02/2010 às 8:15

Do Estado de S. Paulo desta segunda-feira (22): Duas investigações bloqueadas na Polícia Civil de Brasília e recém-assumidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público podem selar o destino do governador em exercício do Distrito Federal, Paulo Octávio, personagem do “mensalão do DEM” ao lado do governador afastado José Roberto Arruda, preso desde o dia 11. Uma delas, batizada de Operação Tucunaré, apura um intrincado esquema de distribuição de dinheiro que envolve empresas de fachada sediadas em Brasília e tem como alvo o policial aposentado Marcelo Toledo, homem de confiança de Paulo Octávio.

A outra investigação, conhecida como Operação Tellus, apura um suposto esquema de cobrança de propina na Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Distrito Federal, quando o titular da pasta era o próprio Paulo Octávio.
Além de enredar Arruda e seu vice em novas transações suspeitas, as investigações demonstram como a dupla usava o poder para abafar, na Polícia Civil do DF, os inquéritos que poderiam atingi-los. Os delegados encarregados de tocar tanto a Tellus como a Tucunaré foram exonerados das funções comissionadas que ocupavam.

A Tucunaré, que começou modesta em 2009, mirando suspeitos de estelionato, acabou por desaguar em um esquema milionário. Agora, os investigadores suspeitam