Impedido de concorrer à reeleição, o presidente da Câmara Legislativa, deputado distrital Wilson Lima (PR), vai emprestar sua estrutura e sua militância para a campanha de outros candidatos do partido. Os escolhidos foram Roberto Lucena, para distrital, e Izalci Lucas, para federal. Aylton Gomes, também do partido e colega de plenário de Lima, ficou de fora da dobradinha. O presidente da Câmara ainda não engoliu o fato de Aylton ter apoiado Rogério Rosso, candidato do PMDB, na eleição indireta em que ele também concorria.
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“Faria tudo de novo”
Eleições 2010, TRE em 30/07/2010 às 11:28Impedido pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de se reeleger como candidato distrital, o presidente da Câmara Legislativa, Wilson Lima (PR), disse ao blog não estar arrependido de não ter deixado o GDF no prazo exato da desincompatibilização, em abril deste ano. “Faria tudo de novo”, diz. Confira nossa conversa com ele:

Foto: Nilson Carvalho
O senhor está frustrado por não poder se reeleger?
Wilson Lima - Não. Com a decisão do TRE, não há nada que possa ser feito. E, olha, nas últimas três eleições eu entrei nesta loucura que é fazer campanha. Pela primeira vez, estou tranquilo.
O senhor se arrepende de não ter deixado o GDF na data exigida pela lei eleitoral (2 de abril)?
Lima - Não. Só eu sei o que evitei permanecendo no governo naquela época. Vivíamos uma instabilidade muito grande e se eu saísse, muitas coisas poderiam ter acontecido, inclusive a intervenção federal. Acho que nem os meus colegas sabem como era preciso estar ali e estabilzar o governo. Mas eu te digo, se tivesse que fazer tudo de novo, eu faria. Mesmo ficando de fora destas eleições.
O que o senhor vai fazer a partir de agora?
Lima- Vou cuidar da Câmara Legislativa. Estamos fazendo a mudança para a nova sede, que precisava ser feita, e ainda há muito o que resolver. Os telefones, por exemplo, só serão instalados na próxima semana. Ainda há muito trabalho pela frente.
Mas o senhor não pensa nem na possibilidade de um cargo no próximo governo, se o governador for aliado?
Lima - O futuro a Deus pertence…
Wilson Lima fica inelegível
Eleições 2010, TRE em 27/07/2010 às 16:51Do Correio Braziliense: Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF) manteve nesta terça-feira (27) a impugnação da candidatura à reeleição do deputado distrital Wilson Lima (PR). Foram 6 votos a 0 para que o presidente da Câmara Legislativa do DF ficasse inelegível.
O único voto que faltava era do juiz Raul Sabóia que pediu vista regimental (análise) do processo ontem (26) e por isso o julgamento foi adiado para esta tarde. Ele votou contra a candidatura de Wilson Lima. Com o resultado, Lima não poderá se candidatar às eleições deste ano.
O relator da ação, juiz Luciano Vasconcellos, indeferiu o pedido de candidatura com base no artigo 14, da Constituição da República que diz: “para concorrerem a outros cargos, o Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal e os Prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos até seis meses antes do pleito”. O que não foi o caso de Wilson Lima. Uma vez que ele exerceu o mandato de governador do Distrito Federal de 13 de fevereiro a 19 de abril deste ano. Ele teria que ter abandonado o cargo no dia 2 de abril.
Wilson Lima registra candidatura
Câmara Legislativa, Eleições 2010 em 06/07/2010 às 18:07O presidente da Câmara Legislativa, Wilson Lima (PR), registrou no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) sua candidatura à reeleição como deputado distrital. A decisão foi tomada em conjunto com seu partido, o PR, com o entendimento de que não haveria impedimentos para sua candidatura em outubro deste ano.
A dúvida sobre Lima decorria do fato de ele estar à frente do Governo do Distrito Federal em abril e não ter se desincompatibilizado do cargo. À época a permanência no Buritinga teria sido uma tentativa de convencer os colegas deputados a votar nele para governador tampão na eleição indireta. Para seus apoiadores, a medida era um aceno de que Lima estaria disposto a se sacrificar - no caso, desistindo da candidatura à reeleição - pelo bem do Distrito Federal.
A campanha não adiantou e Lima perdeu a eleição para governador tampão. Voltou para a Câmara e retomou o plano de ser candidato a distrital mais uma vez. Segundo o presidente do PR, Izalci Lucas, não há impedimento para isso. A assessoria do partido entendeu que Lima estava no GDF como presidente da Câmara Legislativa, segundo na linha sucessória do governo. Então não haveria do que se desincompatibilizar. Agora é esperar para saber se a Justiça também vai concordar com o argumento.
PR banca candidatura de Lima
Câmara Legislativa, Partidos, Política em 08/05/2010 às 7:51Do Correio Braziliense: O presidente da Câmara Legislativa, Wilson Lima (PR), vai tentar um novo mandato de deputado distrital nas eleições de 3 de outubro. Ele estuda uma estratégia para conseguir o aval da Justiça Eleitoral nessa empreitada. Em tese, o distrital, que esteve no comando do Governo do Distrito Federal após o prazo de desicompatibilização do Executivo, não poderia concorrer a nenhum outro cargo nas próximas eleições, a não ser para o de governador. A legislação eleitoral estabelece que os candidatos a cargos no Legislativo não podem ocupar funções públicas no período de seis meses antes da data do pleito.
O PR, segundo o presidente regional do partido, Izalci Lucas, poderá fazer uma consulta ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) no Distrito Federal sobre a possibilidade de Wilson Lima concorrer em outubro. O argumento dos advogados da legenda é de que Lima exerceu o cargo de governador até 19 de abril — data na qual Rogério Rosso assumiu o mandato-tampão — como uma obrigação por estar, como presidente do Legislativo local, na linha sucessória do Executivo.
Dessa forma, ele não poderia, segundo defende o PR, ser prejudicado com a inelegibilidade nas próximas eleições. Outro caminho seria registrar a candidatura de Wilson para distrital e aguardar algum pedido de impugnação que, então, seria combatido pelos advogados.
Tribunal de Contas
Em 3 de abril, data-limite para deixar a função no GDF, Wilson Lima decidiu ficar no cargo porque apostou que conseguiria vencer a eleição indireta ocorrida no dia 17 do mesmo mês. Ele preferiu ficar mais oito meses à frente do Palácio do Buriti a tentar se reeleger como distrital. No entanto, foi derrotado no embate na Câmara e reassumiu a Presidência da Casa. Entre os planos de Wilson Lima, estava ainda a nomeação como conselheiro do Tribunal de Contas do DF na vaga aberta há duas semanas com a aposentadoria de Jorge Caetano. Mas o Superior Tribunal de Justiça (STJ) pertencia a um integrante do Ministério Público de Contas. Na última quinta-feira, o procurador Inácio Magalhães Filho assumiu o gabinete, depois de ter o nome aprovado com o voto de 18 deputados distritais.
Presidente quer ser distrital
Câmara Legislativa, Partidos, Política em 05/05/2010 às 8:02Da coluna de Cláudio Humberto: O presidente da Câmara Legislativa e ex-governador interino do DF Wilson Lima (PR) bateu o martelo: é candidato a deputado distrital.
Comentário do blog: Lima estaria, inclusive, fazendo reuniões no Gama para conversas com eleitores. Só parece ter esquecido um detalhe - não se desincompatibilizou em abril, época em que ocupava o cargo de governador interino (relembre aqui). Tem argumentado a amigos e eleitores de que “cumpria uma missão” naquele momento e não pode agora ser punido por isso. Resta saber se a Justiça eleitoral vai entender seu momento missionário.
Presidente mantém petista na CPI
Câmara Legislativa em 23/04/2010 às 18:26O presidente da Câmara Legislativa, Wilson Lima (PR), avisou: não vai aceitar a indicação do PMDB para a vaga aberta na CPI da Corrupção. Lima já havia indicado o petista Chico Leite como quinto integrante da comissão quando a líder do PMDB, Eurides Brito, decidiu indicar Aguinaldo de Jesus (PRB) para a vaga. A indicação, pela divisão partidária na Casa, caberia mesmo ao PMDB. Mas o partido, que abriu mão de indicar o nome em outras ocasiões, deixou o tempo correr também nesta indicação. No entendimento do presidente, o nome de Aguinaldo de Jesus chegou depois do prazo e, por isso, ele vai manter Chico Leite na composição da comissão.
Campanha pela vaga do TCDF
Câmara Legislativa, GDF, TCDF em 23/04/2010 às 8:52De O Globo: Derrotado na eleição indireta que escolheu o novo governador do Distrito Federal, o presidente da Câmara Legislativa, deputado Wilson Lima (PR), poderá ganhar uma vaga de conselheiro no Tribunal de Contas do DF. Ele disputa o cargo com outros deputados distritais, mas sua nomeação é encarada como uma espécie de prêmio de consolação, após perder a eleição indireta do último sábado com os votos de só quatro dos 24 deputados distritais.
Há quem diga até mesmo que a indicação para o TC-DF faria parte de um acordo político que garantiu a vitória ao novo governador, Rogério Rosso (PMDB).
Lima é aliado do governador cassado José Roberto Arruda. Nessa condição, foi alçado a governador interino em fevereiro, quando o então vice, Paulo Octávio, renunciou, em meio a denúncias de envolvimento no escândalo do mensalão do DEM. Na época, Lima foi eleito presidente da Câmara Legislativa, o que lhe permitiu assumir o governo do DF, cargo que ocupou por quase dois meses.
A vaga disputada por Lima foi aberta com a aposentadoria, ontem, do conselheiro Jorge Caetano. O TC-DF atualmente tem um conselheiro afastado por suspeita de participação no mensalão do DEM.
Presidente não polemiza
Câmara Legislativa, GDF em 20/04/2010 às 17:27O presidente da Câmara Legislativa, Wilson Lima (PR), preferiu não polemizar ao saber que os primeiros integrantes do GDF avisados de suas exonerações foram nomes ligados a ele e a seus eleitores - João Carlos Medeiros, indicado por Paulo Roriz; Tonhão, indicado por Raimundo Ribeiro; Haendel Fonseca, indicado por seu chefe de gabinete, e Saulo Duarte, indicado pelo presidente do PR, Izalci Lucas. “Eles devem saber o que estão fazendo. Estão no governo e são inteligentes. Devem saber o que fazem”, afirmou, simplesmente.
A eleição está chegando
Câmara Legislativa, GDF em 20/04/2010 às 11:27Clima de confronto. Assim estão as relações entre o GDF e a Câmara Legislativa nesta nova fase do cenário político do Distrito Federal. Depois de ter sido derrotado na eleição indireta para governador, Wilson Lima (PR) e seus apoiadores prometeram retaliações dentro da Câmara - agora que ele retoma a presidência, e o poder, na Casa. O aviso, dado na segunda-feira (19) provocou até enfrentamento e ameaça entre os distritais.
Um dos principais pontos da retaliação são os cargos na estrutura da Casa, que devem ser remanejado para compensar o grupo que apoiou Wilson Lima. Isso porque a ação tem contrapartida. Seu grupo político vai perder poder no GDF. Distrital que até pouco tempo era um dos campeões em indicação de cargos no governo perderá quase todo o espaço. E onde vai abrigar seus eleitores?
Wilson Lima para o TCDF
Câmara Legislativa, TCDF em 19/04/2010 às 19:25Está praticamente decidido: a vaga no Tribunal de Contas a ser aberta esta semana deve ir para Wilson Lima. A possibilidade foi sido aventada ainda no sábado, durante a eleição indireta, depois que Lima havia ameaçado contar em plenário todos os bastidores da campanha para governador tampão. Depois, o acordo se fortaleceu com o apoio do PT, que ganha a presidência para Cabo Patrício no caso de Lima renunciar ao mandato para assumir a vaga de conselheiro.
O único porém é que parte dos eleitores de Rogério Rosso também ofereceu a vaga no tribunal ao distrital Aguinaldo de Jesus (PRB), que desistiu da disputa e apoiou Rosso. E eles agora precisam decidir como cumprir o acordo.
Quase ausente na posse
Câmara Legislativa, GDF em 19/04/2010 às 16:14Apesar do discurso corporativo dos distritais na solenidade de posse de Rogério Rosso como novo governador do Distrito Federal, as mágoas pela eleição indireta devem demorar a serem curadas. O ex-governador e novamente presidente da Câmara Legislativa, Wilson Lima (PR), ameaçou não ir à sessão solene. Precisou ser intimado pelos colegas a comparecer.
“Combati o bom combate”
Câmara Legislativa, GDF em 19/04/2010 às 11:07Wilson Lima começou seu discurso de despedida do cargo de governador do Distrito Federal agradecendo ao colega Cabo Patrício (PT) pelo trabalho realizado durante sua ausência. Depois, exaltou seu trabalho à frente do governo no último mês. “No momento em que Brasília mais precisava eu estive à frente do GDF e, com a graça de Deus, trouxe calmaria para esta cidade. Combati o bom combate e volto para a Câmara de cabeça erguida. Agora eu e meus colegas vamos dar sustentação ao novo governo”, afirmou.
Lima falou também da comemoração dos 50 anos da capital. “Crise política de um lado e festa para o povo do outro. Essa festa será feita”, assegurou.
Entrevista Wilson Lima
Câmara Legislativa, GDF em 19/04/2010 às 9:57Do Correio Braziliense: Nesta segunda-feira (19), às 10h, em solenidade na Câmara Legislativa, Wilson Lima transmite o cargo ao pemedebista Rogério Rosso e volta à presidência da Câmara Legislativa. Deixa o governo após receber o apoio de apenas quatro dos 24 deputados distritais que participaram da eleição indireta na tarde de sábado.
A derrota na eleição indireta foi uma supresa?
Não foi uma derrota. Cumpri com meu dever. Quando Brasília mais precisava eu entrei e trouxe tranquilidade. Estou feliz por ter servido ao Distrito Federal. Sou um vencedor.
A que o senhor atribui o resultado da votação?
É a construção política. Faz parte do jogo. Ele (Rogério Rosso) construiu melhor e levou.
O senhor não está magoado com os que o apoiavam, como Aylton Gomes, que é do seu partido e votou em Rogério Rosso?
Não, não. Eu sou companheiro de todo mundo. Não guardo mágoa de ninguém.
Em seu discurso no sábado, o senhor disse que não aceitou pressões indecorosas. Que pressões são essas?
Esquece esse assunto. Brasília não merece essa crise, essa história toda.
O senhor pretende conversar com Rogério Rosso?
Vou cuidar de alguns itens da transição, a questão da festa de 50 anos, na quarta-feira. Nunca trabalhei com ele, mas sei que é uma pessoa preparada. Ivelise (Longhi, vice-governadora) eu conheço, é arrojada, trabalhadora. Vai dar tudo certo.
Qual é a nota que o senhor daria para a sua gestão?
Só o povo pode avaliar. Eu sei que trouxe paz ao DF. As pessoas estavam com medo de perder o emprego, de ver as obras paradas, de as empresas quebrarem, e nada disso ocorreu, está tudo calmo novamente após meu governo.
Conversa sobre obras do PAC
GDF, Obras em 07/04/2010 às 8:50Do Correio Braziliense: As obras do DF que receberam verbas federais do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foram o tema de uma reunião entre a cúpula do Executivo local e a ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra. O encontro ocorreu a portas fechadas e, segundo o Correio apurou, não se falou do relatório da Controladoria-Geral da União (CGU), que aponta indícios de irregularidades em obras custeadas pelo governo federal em Brasília. O governador interino Wilson Lima (PR) chegou acompanhado de assessores.
O secretário de Obras, Jaime Alarcão, garantiu que a ministra quis saber do GDF como está o cronograma das obras. “Não tratamos do relatório da CGU, mesmo porque não recebemos ainda.” Segundo Alarcão, a conversa foi técnica e ficou restrita às obras em andamento ou em fase de licitação. “Explicamos que tivemos algumas dificuldades com licitações em que não apareceu nenhum interessado. Nesses casos, ainda não iniciamos as obras”, disse.
Uma das explicações para o desinteresse é o uso de uma tabela que considera o preço dos materiais igual para todo o país. “No DF, alguns itens são mais caros”, explica Alarcão. Entre as obras do PAC estão as de infraestrutura no Arapoanga e em Mestre D’Armas, em Planaltina, além da construção de casas populares na Estrutural, na Vila Denoc e em Ceilândia.
O preço de um voto
Câmara Legislativa, GDF em 01/04/2010 às 17:42Um ex-assessor do GDF foi visto em conversa bastante exaltada com um deputado distrital em uma padaria do Lago Sul esta semana. O ex-assessor avisava ao deputado que a Câmara Legislativa não deveria eleger Wilson Lima (PR) como governador tampão na eleição indireta do dia 17. Caso isso ocorresse, ele divulgaria a lista de deputados que receberam “compensações” para votar em Lima em outra eleição - a de presidente da Câmara, após a renúncia de Leonardo Prudente do cargo, em fevereiro.
Segundo o ex-assessor, ele mesmo havia ficado responsável pelas negociações. Lima teve 15 votos em sua eleição para presidente da Casa (confira votação aqui). Depois de ouvir a ameaça, o distrital não conseguia disfarçar o constrangimento. Fato é que, na noite de quarta-feira (31), ele estava presente no jantar para viabilizar a candidatura de Aguinaldo de Jesus (PRB) (leia mais sobre o jantar aqui).
Entrevista: Wilson Lima
GDF, entrevista em 31/03/2010 às 9:32Do Correio Braziliense: No cargo há quase 40 dias, desde a renúncia de Paulo Octávio, o governador em exercício Wilson Lima (PR) não vai deixar o mandato esta semana. O prazo para desincompatibilização termina na próxima sexta-feira, mas ele garante: “Não vou abandonar o barco”. Wilson Lima vai abrir mão de uma vaga praticamente garantida na Câmara Legislativa para disputar as eleições indiretas e, assim, tentar continuar no cargo até dezembro. Ontem, o governador do Distrito Federal falou com exclusividade ao Correio. Foi a primeira vez que conversou com a imprensa desde a posse. Durante a entrevista, disse que vai lutar para ser eleito pelos parlamentares em 17 de abril e garantiu que, se permanecer no cargo até o fim do ano, não será candidato, nem apoiará qualquer concorrente nas eleições gerais de outubro.
O governador em exercício decidiu adotar a discrição como sua principal estratégia de governo. Para sair dos holofotes, evita proximidade com jornalistas, não participa de inaugurações e nem mesmo visita obras em andamento. Dessa maneira, Wilson Lima conseguiu retomar a normalidade dentro do governo. Se ficar no cargo até dezembro, sua prioridade será concluir as obras iniciadas durante a gestão de José Roberto Arruda. Mas revela que sua grande “missão” é evitar uma intervenção federal em Brasília.
Wilson Lima confessa ter enfrentado muita resistência em sua família para assumir o cargo. Com um discurso repleto de referências religiosas, o governador em exercício acredita ter sido “escolhido por Deus” para assumir o Executivo no momento político mais conturbado da história de Brasília e destaca que não vai ceder a qualquer tipo de pressão. “Pretendo continuar trabalhando discretamente, sem dar publicidade aos meus atos. Calcei as sandálias da humildade.”
Sobre o reajuste aos servidores de diversas carreiras públicas, ele garante que o assunto foi muito bem analisado pelos técnicos do governo e assegura que os aumentos não colocam em risco o cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). “No primeiro bimestre, tivemos um superávit de R$ 617 milhões. Jamais faria alguma coisa que colocasse em risco o patrimônio público”, afirma. “Não é benesse. Estamos apenas cumprindo os acordos que ficaram para o último ano. O problema acabou caindo no nosso colo”, justifica.
Mesmo diante da nova realidade, Wilson Lima continua no apartamento da família, no Gama, e mantém antigos hábitos, como a missa dominical e as aulas no curso de noivos de sua paróquia. “Passei o domingo inteiro conversando com os noivos da minha igreja. Durante o curso, falo sobre a importância do matrimônio. Sou casado há 31 anos e sem a minha mulher eu não sou ninguém”, revela.
O senhor deixa o cargo até sexta?
Não vou abandonar o barco. Vou abrir mão de uma reeleição garantida à vaga de deputado distrital para permanecer no governo. Mas queria chamar o povo de Brasília e as lideranças políticas a uma reflexão. Muitas das pessoas interessadas em participar da eleição indireta estão de olho é na reeleição no fim do ano. Estou trabalhando para ser eleito nas eleições indiretas, mas deixando sempre bem claro que em outubro não serei candidato a nada, nem apoiarei nenhum candidato. Se eu saísse esta semana, o presidente do Tribunal de Justiça (Nívio Gonçalves) assumiria. Sei do trabalho e da competência do desembargador, mas o ramo dele é jurídico, e não político. Se eu sair agora, alguém vai assumir por poucos dias e, até pegar o traquejo, pode haver um colapso. Isso sim seria motivo para intervenção.
O que o senhor acha da participação de concorrentes de fora da Câmara Legislativa, como advogados e ex-ministros de tribunais superiores?
Não tenho nada contra, mas isso confundiu um pouco a cabeça dos deputados. O importante é destacar que, até agora, trabalhei com toda transparência. Não loteei o governo, não cedi a pressões, nem de deputados nem de partidos. Os ministros do STF já deixaram claro que o uso político de cargos poderia ser um argumento a favor da intervenção. E eu nunca vou usar o cargo para fazer trampolim político, para mim ou para qualquer outra pessoa. Se eu não for eleito (nas eleições indiretas), volto para a Câmara e termino meu mandato.
O seu partido, o PR, pode apoiar a candidatura de Joaquim Roriz. O deputado federal Jofran Frejat foi convidado para compor a chapa de Roriz. Qual será a sua postura, caso isso ocorra?
Após o convite, Jofran disse que só aceitaria se o partido referendasse. E as convenções do PR só vão acontecer em 28 de junho. Está cedo para desenhar o cenário político. Mas posso dizer que, caso o PR decida pelo apoio, eu vou ficar independente. Não vou me afastar para não correr o risco de ser cassado por infidelidade partidária. Mas certamente não vou fazer campanha para ninguém.
Como foi a chegada ao governo? Que problemas encontrou?
Eu vim para cá com uma missão. Eu não queria nem ser presidente da Câmara Legislativa, mas entendi que esse era um momento delicado para a Câmara e para a cidade. Então, apesar da resistência da minha família, dos meus filhos, assumi como presidente da Câmara com um mandato tampão. Jamais imaginei que haveria esses desdobramentos, mas com a renúncia do Paulo Octávio, acabei assumindo o governo. Tive que chegar, tomar pé de toda a situação e agir rápido em várias linhas para fazer o governo funcionar e contornar a crise. Só consegui assumir o cargo, em primeiro lugar, graças a Deus. Ele capacita os escolhidos. Fui escolhido por Ele e aceitei o desafio.
Qual foi o seu principal objetivo ao assumir o governo?
Minha missão era evitar uma intervenção federal na cidade. Quando saí da Câmara, muitos deputados me perguntavam se eu estava preparado, seu eu seria capaz de enfrentar o desafio. Com todo o respeito, preferi ficar calado e decidi responder apenas com atitudes. Deixei a imprensa um pouco de lado porque agir era muito mais importante do que falar. Sob ameaça da intervenção, eu não poderia ficar de braços cruzados. Em um curto espaço de tempo, consegui fazer uma minirreforma administrativa e dar continuidade às obras. Uma eventual paralisação traria um caos social para a cidade.
Como foi essa minirreforma administrativa?
Minha meta foi valorizar os técnicos e os secretários de carreira, em vez dos políticos. Das 20 secretarias, 17 são comandadas por técnicos. Com isso, melhoramos a qualidade e a celeridade dos trabalhos. Um fato inédito foi colocarmos uma pessoa de carreira na Secretaria de Segurança Pública. Consegui colocar um delegado (João Monteiro Neto, da Polícia Civil) no cargo, com um coronel da Polícia Militar como adjunto (Paulo Roberto Batista de Oliveira). Com isso, vamos melhorar a segurança e combater as drogas, como o crack, que segregam as famílias de Brasília.
Arruda prometeu entregar mais de duas mil obras. Há recursos para concluir todas elas? O que será priorizado?
Todas as obras estão sendo tocadas de acordo com o cronograma previsto. Temos metas a cumprir para garantir as contrapartidas previstas em acordos com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), por exemplo. Estamos cumprindo todas as metas para não perder recursos. Suspendemos algumas obras, como o Centro Administrativo (que seria construído em Taguatinga, para abrigar toda a estrutura do governo). Não vamos levar adiante porque não é nossa prioridade. Ficaria difícil para a população entender por que gastar tanto dinheiro em uma obra como essa, enquanto o cidadão está com buracos na rua. O projeto está pronto, se o próximo governo quiser, que leve adiante. Temos R$ 800 milhões no orçamento para concluir tudo que está em andamento.
O anúncio de reajustes a quase todas as categorias do funcionalismo público do DF e aos funcionários da área de segurança pública gerou mal-estar no governo federal e até mesmo no Planalto. Há recursos para isso?
Quando anunciei os reajustes, muita gente disse que a gente estava fazendo campanha política, até mesmo lideranças políticas e gente do Planalto falaram isso. Mas, na verdade, estávamos cumprindo compromissos. Provamos que estávamos dando aumento porque era fruto de acordo. Mas não vamos ultrapassar o limite prudencial (teto máximo de gastos do poder público com folha de pessoal) e vamos respeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal. Nosso limite prudencial é de 46%. Com esses reajustes, vamos ficar em torno de 44%.
Quais categorias terão reajuste? Em média, de quanto será o aumento?
Com exceção dos médicos e dos enfermeiros, que já tiveram reajuste, todas as carreiras terão esse benefício. Tirando os odontólogos, os professores e os agentes de trânsito, que receberam aumento este mês, serão 27 carreiras beneficiadas. O reajuste é de uma média de 15%, em até dois anos. Apenas os comissionados vão ficar sem salário maior. Os R$ 44 milhões que gastaríamos com comissionados serão destinados aos servidores de carreira. Agora, temos que garantir direitos iguais a todas as categorias, senão gera ciúmes e greves. Queremos assegurar a manutenção da ordem. Os metroviários, por exemplo, pediram aumento enorme, de 210%. Quiseram tirar proveito da crise para negociar. Fomos duros com eles e fechamos em 19%. Tivemos um superavit de R$ 617 milhões no primeiro bimestre, o que nos dá ainda mais segurança.
O senhor foi criticado por nomear mais de 800 funcionários nas primeiras semanas. Por que um número tão alto de nomeações?
Não teve um aumento do número de funcionários porque fizemos nomeações e exonerações ao mesmo tempo. Estamos fazendo remanejamentos para dar mais qualidade ao trabalho. Separamos a Corregedoria da Secretaria de Ordem Pública para fortalecê-la. A Secretaria de Relações Institucionais foi extinta. Tudo isso requer mudanças no quadro de pessoal. Além disso, muitas das nomeações são de concursados que tomaram posse, como agentes penitenciários. São pessoas da carreira.
Qual a aposta do governo com relação aos 50 anos de Brasília?
Essa é uma comemoração ímpar na vida de Brasília e do Brasil. Somos a capital da República e temos que comemorar a transferência da capital para Brasília. Isso deu dinamismo e desenvolveu o Centro-Oeste. Quem nasceu ou cresceu aqui não pode deixar de comemorar. Temos que valorizar as pratas da casa, os artistas daqui. Com isso, dos R$ 30 milhões previstos, vamos gastar R$ 8 milhões.
O que mudou em sua vida desde que assumiu o governo?
Continuo morando no meu apartamentinho e faço as coisas que gosto. Domingo passado, por exemplo, passei o dia inteiro no curso de noivos da minha paróquia e falei a eles sobre a importância do matrimônio. Sou casado há 31 anos e sem a minha mulher eu não sou ninguém. Pretendo continuar trabalhando, sem dar publicidade aos meus atos. Calcei as sandálias da humildade e quero mais é ficar discreto. Estou zelando pelo meu nome, afinal é meu CPF e meu RG que estão na papelada que eu assino. Não consigo nem pensar em dormir atrás das grades ou em cama de cimento, por isso vou agir corretamente o tempo inteiro.
Pacote para os servidores
Câmara Legislativa, GDF em 25/03/2010 às 8:13Do Correio Braziliense: O Governo do Distrito Federal enviou à Câmara Legislativa um pacote de benefícios a servidores públicos locais para que possa ser aprovado o mais rápido possível. Ao todo, 20 carreiras estão contempladas no pacote a ser apreciado pelos deputados distritais. Para 15 delas há previsão de reajustes salariais e aumento de índices percentuais de gratificações já pagas. Outras áreas terão as carreiras reestruturadas ou antecipação de ganhos já antes definidos. O impacto na folha de pessoal do GDF para este ano será de R$ 50 milhões, alcançando R$ 208 milhões no orçamento de 2012, se o projeto for aprovado.
Os reajustes chegam a 15% e serão escalonados entre 2010 e 2011. A primeira parte, de 7%, está prevista para ser paga a partir de agosto a algumas categorias. Funcionários do Departamento de Trânsito (Detran), da Polícia Civil, auditores e procuradores estão entre os contemplados. O pacote tem de ser aprovado pela Câmara Legislativa e sancionado pelo governador até, no máximo, o próximo dia 31, devido à lei eleitoral. Depois desse prazo, está vedada a concessão de aumentos ao funcionalismo.
O governador em exercício Wilson Lima (PR) foi pessoalmente na tarde de ontem à Câmara Legislativa pedir agilidade aos deputados distritais para aprovação das medidas voltadas para os servidores e apelar para evitar emendas ao projeto. Técnicos da área de Planejamento do GDF garantiram, na justificativa da proposta, que há dinheiro no orçamento para arcar com as novas despesas. Mesmo com a aprovação de todos os benefícios, o Executivo local garante que manterá a margem de gastos com o funcionalismo adequada à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). O percentual ainda ficará três pontos abaixo do limite prudencial recomendado pela lei.
O perigo é o efeito dominó da aprovação dos benefícios propostos pelo Executivo. Outras categorias farão pressão para receber as mesmas benesses. Os servidores estão marcando forte presença na galeria e corredores da Câmara Legislativa, convocando os distritais a aprovar o projeto do GDF. Não há previsão, no entanto, para a discussão da proposta em plenário.
Os metroviários não estão contemplados no pacote do GDF. Os deputados distritais cobraram de Wilson Lima alguma solução para a greve, que foi retomada no começo da semana. O governador em exercício aceitou reabrir as negociações e receber representantes da categoria na semana que vem se a paralisação for interrompida.
Ao conceder reajuste para professores e dentistas, há duas semanas, o GDF começou a ficar com o limite de gastos com funcionalismo mais apertado. Mas, segundo os técnicos do Planejamento, vários reajustes dentro do projeto já estavam sendo negociados ainda no governo de José Roberto Arruda, como o do Detran, por exemplo. “Os reajustes são justos e necessários. Não vamos estourar o limite. Trabalhamos com pé no freio”, disse o governador em exercício, garantindo também que não deixará obra alguma parada. “Se alguma estiver paralisada quero ser comunicado”, ressaltou.
No projeto, o governo ainda extingue dois mil cargos de auxiliar de administração pública do DF e cria outros, como, por exemplo, 61 para a Defensoria Pública; 95 para analista da Secretaria Fazenda; e 437 para a carreira técnica do Fisco local.
“Vamos analisar com cuidado o impacto na folha. É preciso nesse momento ter responsabilidade com as contas públicas, claro sem esquecer das necessidades dos servidores. Mas não dá para sair aprovando nada na correria”, ponderou o líder do Partido dos Trabalhadores, Paulo Tadeu.
Explicações ao Supremo
GDF, STF em 22/03/2010 às 18:44Uma explicação formal teria sido o que levou o governador em exercício Wilson Lima ao Supremo Tribunal Federal na semana passada. Lima foi ao ministro Gilmar Mendes esclarecer o motivo das nomeações feitas em seu governo, divulgadas pela imprensa, e os reajustes concedidos a algumas categorias de servidores públicos. O governador justificou que as contratações foram, na verdade, substituições em cargos importantes para o andamento do GDF. E os reajustes já estavam em sua maioria prometidos aos servidores.
O gesto de ir ao Supremo dar explicações, no entanto, tinha objetivo claro: impedir que as medidas na área de pessoal esquentasse a torcida pró-intervenção.
O vice informal de Lima
Câmara Legislativa, GDF em 18/03/2010 às 19:41Um dos motivos de insatisfação dos deputados distritais com o colega-governador Wilson Lima seria as suas companhias dentro do Palácio do Buriti. a principal crítica é quanto à relação do governador em exercício com o ex-deputado distrital José Edmar (PSDB). Edmar teria ganho uma sala informal ao lado da de Lima para ter conversas e encontros. “É o próprio vice-governador”, compara um parlamentar.
Sem apoio dos colegas
Câmara Legislativa, GDF em 18/03/2010 às 19:09O entendimento de que seria melhor eleger um nome da própria Câmara Legislativa para as eleições indiretas ao GDF não mais assegura o governador em exercício Wilson Lima no cargo. Cresce a cada dia a insatisfação de distritais com o colega agora no governo. A leitura é de que Lima não fez nenhuma das mudanças que se propôs a fazer - mudou, por exemplo, os chefes das secretarias, mas manteve as mesmas estruturas. E os mesmos problemas.
Além disso, o governador em exercício estaria sendo muito influenciado pelos antigos integrantes do GDF. “É mais do mesmo”, diz um distrital. O cenário fez com que Lima perdesse a confiança dos colegas. A articulação agora é para que ele volte para a Casa, tão logo seja possível.
GDF explica nomeações
GDF em 16/03/2010 às 21:12A assessoria do Governo do Distrito Federal encaminhou ao blog explicações sobre as contratações feitas pelo governador interino Wilson Lima em seus 13 dias de governo, conforme foi publicado pelo jornal Folha de S. Paulo na edição desta terça-feira (16) (leia aqui). Segundo o secretário de Comunicação do GDF, André Duda, os critérios utilizados pelo governador são técnicos, sempre valorizando o servidor de carreira. Além disso, Lima tomou decisões importantes como extinguir a Secretaria de Relações Institucionais e levar o Detran de volta à Secretaria de Segurança Pública.
Confira a íntegra da nota de esclarecimento:
1) Wilson Lima é governador interino, mas nem por isso deixa de ter responsabilidade com o funcionamento da máquina pública, que precisa atuar de forma harmônica e eficiente.
2) Os critérios são técnicos. Tanto que o governador está valorizando os funcionários de carreira, técnicos, que estão substituindo aqueles que estão deixando os cargos por questões políticas e partidárias. Por exemplo: um auditor na Secretaria de Fazenda, um administradora na Secretaria de Administração, uma professora na Secretaria de Educação, um delegado de Polícia Civil na Corregedoria Geral etc.
3) Além disso, o governador tomou decisões importantes como a de extinguir a secretaria de Relações Institucionais, que era ocupada por Durval Barbosa. Aproveitou para desmembrar a Secretaria de Ordem Pública e Social e Corregedoria Geral do DF, que se tornaram Secretaria de Ordem Pública e Social e a Corregedoria Geral do DF, com status de secretaria. Para isso, foram extintos cargos e criados outros correspondentes, sem aumento de despesas.
4) Outra decisão técnica importante foi o retorno do Detran para a Secretaria de Segurança Pública, que traz economia de recursos e torna a atuação daquela instituição mais eficiente. Para comandar o Detran foi nomeado um servidor de carreira.
5) Outra decisão técnica foi a de colocar profissionais de segurança do DF no comando da Secretaria de Segurança Pública. Pela primeira vez na história de Brasília, foi nomeado um profissional da Polícia Civil como secretário da pasta, que tem um membro da Polícia Militar como secretário adjunto.
6) Em todas as áreas do governo, o governador Wilson Lima tomou a mesma decisão de nomear técnicos, profissionais de carreira. Para isso, faz-se necessário publicar nomeações e exonerações no Diário Oficial.
7) Todos os cargos criados foram contrapartida de cargos extintos em outras áreas, para permitir, por exemplo, o desmembramento das duas secretarias citadas acima. Isso tudo sem aumento de despesas. Não foi criado nenhum cargo a mais daquilo que já existia.
Quanto à vice-governadoria, o governador determinou o remanejamento de cargos e funcionários, também para atender o desmembramento de secretarias citado e outros setores da administração pública. Isso também demanda a publicação de atos no Diário Oficial, exonerando e nomeando pessoas.”
Governador nomeia 63 por dia
GDF em 16/03/2010 às 7:55Da Folha de S. Paulo desta terça-feira (16): Em 13 dias de trabalho, o governador interino do Distrito Federal, Wilson Lima (PR), fez 823 nomeações de cargos comissionados. São, em média, 63 contratações sem concurso por dia, mais de duas por hora. Ontem, ele promoveu uma dança das cadeiras na Polícia Civil, trocando o comando de 30 delegacias.
O governador já preencheu nas últimas duas semanas 10% da cota de servidores de confiança mantidos no governo de José Roberto Arruda (sem partido) antes da crise. Para conseguir acomodar os mais de 800 recém-nomeados em funções de chefia, assessoramento e direção, ele teve de dispensar antigos funcionários e criar pelo menos 60 cargos.
Desde que Lima assumiu, a Folha contabilizou 750 demissões -resultando na extinção de 201 cargos. Outros 117 funcionários pediram para sair.
Por meio de assessoria, o governo disse que as mudanças foram feitas para imprimir “um perfil mais técnico à equipe”.
As exonerações, no entanto, não serviram apenas para dar lugar aos novos comissionados ou enxugar a máquina estatal. Em 155 casos -20% do total- as demissões foram maquiadas: os exonerados foram remanejados para outros postos. É o caso da vice-governadoria que, com a renúncia do vice-governador Paulo Octávio (sem partido), teve 46 funcionários redistribuídos em outras pastas e somente 28 afastados.
Nos primeiros dias de governo, Wilson Lima anunciou medidas moralizadoras como forma de tentar esfriar a crise e garantir a governabilidade. O interino demitiu os próprios familiares com cargos comissionados e exonerou envolvidos no mensalão do DEM.
Os atos de Wilson Lima publicados no “Diário Oficial”, contudo, revelam mais que a demissão de suspeitos de corrupção. Para afastar o fantasma da intervenção federal no DF, ele promove uma intensa reestruturação do governo. Lima desmembrou órgãos, criou uma secretaria e realocou funcionários ligados a seus principais aliados, como Paulo Octávio, com quem tem mantido contatos frequentes. Na prática, cargos foram extintos e outros, recriados, alguns com salários diferentes.
Antes da crise, o governo de José Roberto Arruda -preso sob acusação de tentar subornar uma testemunha do mensalão do DEM- tinha pelo menos 8.660 comissionados. O governo federal, apesar de ter cinco vezes mais funcionários, possui 5.560 comissionados.
Mudanças na Polícia Civil (atualizada)
GDF, Segurança, Sem categoria em 15/03/2010 às 12:11O governador em exercício Wilson Lima deu início nesta segunda-feira (15) a um projeto de reestruturação na Polícia Civil do Distrito Federal. O primeiro passo, registrado no Diário Oficial do DF, contou com a mudança de delegados-chefes em mais de 30 delegacias circunscricionais e especiais da corporação. Também foram mexidos chefes de assessorias e assessores especiais. Confira as principais mudanças:
- Vicente Francimar de Oliveira Junior deixa o comando da 29ª Delegacia de Polícia, do Riacho Fundo, para assumir a Assessoria da Direção-Geral.
- Ailton Carlos da Silva deixa o comando da Delegacia de Repressão a Furtos para assumir a Delegacia de Crimes Contra a Ordem Tributária;
- Mauro Aguiar Machado deixa o comando da 17ª Delegacia de Polícia, em Taguatinga Norte, para assumir a Delegacia de Repressão a Furtos;
- Mônica Chmielewski Ferreira deixa o comando da 21ª Delegacia de Polícia, em Taguatinga Sul, para exercer o cargo de delegada-chefe da 2ª Delegacia de Polícia, na Asa Norte;
- Aparício Xaiver Martisn Fontes deixa a Delegacia de Crimes Contra a Ordem Tributária para assumir o Posto Policial da Área Central de Brasília da 5ª Delegacia de Polícia, no Setor Bancário;
- Silvério Antônio Moita de Andrade assume a 9ª Delegacia de Polícia, no Lago Norte;
- Lúcia Cândida da Silva deixa a Delegacia de Defesa do Consumidor para assumir a chefiae do Posto Policial da Candangolândia da 11ª DP;
- Vera Lúcia da Silva deixa a 11ª Delegacia de Polícia, no Núcleo Bandeirante, para assumir o comando da 12ª DP, em Taguatinga Centro;
- Vivaldo José Rorigues deixa a chefia da 24ª Delegacia de Polícia, em Ceilândia, para assumir a 17ª DP, em Taguatinga Norte;
- Cícero Jairo de Monteiro deixa a 12ª Delegacia de Polícia, em Taguatinga Centro, para ssumir o comando da 21ª DP, em Taguatinga Sul;
- João Carlos Couto Lossio Filho deixa o comando da 30ª Delegacia de Polícia para assumir a da 11ª DP, no Núcleo Bandeirante;
- Fernando Batista deixa o comando do Posto Policial da Área Central de Brasília da 5ª Delegacia de Polícia, no Setor Bancário, para assumir a 24ª Delegacia de Polícia, no Setor O;
- Antonio José Romeiro deixa o comando da 2ª Delegacia de Polícia, na Asa Norte, para assumir a 29ª Delegacia de Polícia, no Riacho Fundo.
- Ricardo Yamamoto deixa o comando da 9ª Delegacia de Polícia, no Lago Norte, para assumir o comando da 30ª Delegacia de Polícia, em São Sebastião.
- Maurílio de Moura Lima Rocha deixa o cargo de Subsecretário de Inteligência para exercer o cargo de Diretor do Departamento de Atividades Especiais da Polícia Civil;
- John Kennedy Pinto deixa a direção da Divisão Especial de Repressão aos Crimes Contra a Administração Pública para exercer o cargo de Diretor da Divisão de Operações Aéreas;
- Flamarion Vidal Araújo deixou a direção da Central Integrada de Atendimento e Despacho para assumir direção na Divisão Especial de Repressão aos Crimes Contra a Administração Pública;
- Cláudia Alcântara deixou direção na Academia de Polícia Civil para assumir a Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública;
- Eneida Taquary deixou a Gerência de Planejamento Estratégico para assumir direção na Academia de Polícia Civil.Civil do Distrito Federal.
- Antônio José Romeiro assume o comando da 29 Delegacia de Polícia, no Riacho Fundo;
- Heitor Barbosa de Lacerda Junior deixa o chefe do Posto Policial da Candangolândia da 11ª Delegacia de Polícia para assumir a direção da Central Integrada de Atendimento e Despacho.
Câmara volta ao clima de negociação
Câmara Legislativa, GDF em 12/03/2010 às 12:07Depois de contar com o apoio dos colegas deputados distritais para dar andamento ao Governo do Distrito Federal, o governador em exercício, Wilson Lima, começa a provar o gosto de estar do outro lado do balcão com a Câmara Legislativa. Nos últimos dias, o governador tem sido pressionado por antigos colegas para ampliar seus espaços no GDF. A pressão tem sido por nomeações em administrações regionais, secretárias e até empresas públicas.
As negociações voltaram ao andamento de antes da crise. Sem novas nomeações não se aprovam projetos, não se asseguram pareceres, etc. Há parlamentar que até ganhou apelido: tem sido chamado de “Brunelli 2″, por estar repetindo o conhecido pragmatismo do ex-distrital para negociar com o GDF.
A única diferenças nas atuais relações entre Executivo e Legislativo é que, agora, existe uma parcela de distritais incomodada com esses acordos. Preocupados com intervenção e com as consequências da crise política na cidade, argumentam que não é momento de ir com muita sede ao pote, sobre risco, real, de o pote quebrar…
Pedidos a Wilson Lima
Câmara Legislativa, GDF em 11/03/2010 às 20:10De volta à Câmara Legislativa, desta vez definitivamente, o deputado distrital Raad Massouh (DEM) começou a trabalhar em prol de sua região, Sobradinho e Planaltina. Esta semana ele pediu ao governador em exercício Wilson Lima (PR) que coloque iluminação pública na rodovia DF-230, no trecho próximo ao Morro da Capelinha. A estrada é usada por produtores hortifrutigranjeiros da região.
Quem também aproveitou a proximidade com o governo para fazer seus apelos foi o peemedebista Benício Tavares. O deputado se reuniu com Wilson Lima para pedir a continuidade ao trabalho que vinha sendo desenvolvido pelo GDF com os portadores de deficiência do DF. O principal deles era a aplicação da lei que garante 10% das moradias de qualquer programa habitacional do governo a este segmento da população.
O GDF havia aberto inscrições para um programa habitacional específico para a pessoa com deficiência no ano passado e mais de 15 mil pessoas se inscreveram. Desse total, 1.170 pessoas foram selecionadas. Quando os primeiros lotes seriam entregues, foi deflagrada a Operação Caixa de Pandora.
Pesquisa mostra avaliação ruim
GDF em 11/03/2010 às 12:44Para matar a saudade das pesquisas eleitorais: uma nova foi realizada há uma semana (dias 3, 4, 5 de março) com 1.122 entrevistados, pelo Instituto Parlamento e Pesquisa. Uma das primeiras perguntas foi sobre a intervenção federal. Quase 45% dos entrevistados disseram ser contrários à medida. Já 34,4% disseram ser favoráveis. Cerca de 20% não souberam responder.
O instituto quis saber também qual a avaliação das pessoas sobre os primeiros dias de governo do interino Wilson Lima (PR). O resultado mostrou uma população insatisfeita: 45% considerou o goveerno ruim ou péssimo e 24,5% o considerou regular. Apenas 9,8% disseram achar que os primeiros dias foram bons ou ótimos.
Confira os resultados:
Bom - 9%
Ótimo - 0,8%
Regular - 24,51%
Ruim - 16,76%
Péssimo - 28,88%
Não sabe - 20%
Reunião de secretariado
Cultura, GDF em 10/03/2010 às 10:16O governador em exercício Wilson Lima se reúne nesta manhã com o secretariado no Buritinga. O tema do encontro são os preparativos para a festa de 50 anos de Brasília. Na terça-feira (9) o secretário de Cultural, Silvestre Gorgulho, anunciou a programação para a comemoração. A festa, bem mais modesta que a proposta inicial, terá como shows principais serão de NX Zero, Luan Santana, Daniela Mercury, Paralamas do Sucesso e Bruno e Marrone.
Extinta secretaria de Relações Institucionais
GDF em 10/03/2010 às 7:45Do Correio Braziliense: O governador em exercício, Wilson Lima (PR), extinguiu ontem uma pasta que em três anos de administração só teve destaque com o escândalo de corrupção que abateu o governo Arruda: a Secretaria de Relações Institucionais, comandada por Durval Barbosa até a deflagração da Operação Caixa de Pandora. A decisão será publicada no Diário Oficial do DF de hoje. Como medida de impacto para o controle interno do Executivo, Wilson também resolveu dividir ao meio a Secretaria de Ordem Pública e Corregedoria do DF. As duas áreas ficarão sob responsabilidade de policiais.
A Corregedoria-Geral vira um órgão autônomo e mantém o status de primeiro escalão. Ficará sob a responsabilidade do delegado da Polícia Civil do DF Haendel Fonseca. Ele foi subsecretário da Secretaria de Justiça e Cidadania quando o titular era o distrital Raimundo Ribeiro (PSDB), nos dois primeiros anos do governo Arruda. Haendel foi substituído quando o também deputado Alírio Neto (PPS), delegado aposentado, assumiu a secretaria, em fevereiro de 2009. Para a Secretaria de Ordem Pública, Wilson Lima destacou o coronel da Polícia Militar do DF Djalma Lins, atual secretário-adjunto, para responder pela pasta. Ex-subsecretário do Serviço Integrado de Vigilância do Solo (Siv-Solo), o militar terá como atribuição prioritária evitar invasões e comércio irregulares.
Com a extinção da Secretaria de Relações Institucionais, Benjamin Roriz, um dos mais próximos colaboradores do ex-governador Joaquim Roriz (PSC) mantido por Arruda, será exonerado. Ele exercia a função de secretário-adjunto. Com as mudanças, Wilson Lima tenta mostrar que aumentará a fiscalização do Executivo. Até o fim de abril, o Executivo lançará o site transparência, aos moldes da experiência federal, com a divulgação de gastos públicos.
No DF, a criação da Corregedoria foi ideia da gestão Roriz, em 2003, quando ele enfrentou grave crise com as denúncias de uso da máquina administrativa em sua campanha eleitoral no ano anterior. Roriz convidou para o cargo a subprocuradora-geral da República aposentada Anadyr de Mendonça Rodrigues, que havia ocupado a mesma função no governo de Fernando Henrique Cardoso. Arruda também deu visibilidade ao órgão. Escolheu o procurador federal, da carreira da Advocacia-Geral da União (AGU), Roberto Gifoni, que depois assumiu a Secretaria de Ordem Pública e Corregedoria. Ele, no entanto, se desgastou ao ter sido citado por Durval Barbosa em depoimentos na Operação Caixa de Pandora.
O quase fim da Vice-Governadoria
GDF em 09/03/2010 às 20:05O governador em exercício Wilson Lima deu início à reestruturação da Vice-Governadoria do GDF. Sem vice-governador, a pasta vai ser enxugada de forma a manter apenas um grupo de servidores para manutenção do espaço físico. Os demais funcionários deverão ser reaproveitados em outras estruturas do governo. Quem não se enquadrar em outras áreas será exonerado. A intenção é tomar todas as providências necessárias para enxugamento da pasta até quinta-feira (11).
Atenção a velhos companheiros
Câmara Legislativa, GDF em 09/03/2010 às 19:59O governador em exercício Wilson Lima fez um intervalo em seus despachos na tarde desta terça-feira (9) para uma pequena gentileza. Foi ao velório do pai do deputado distrital Paulo Tadeu (PT), levar condolências ao colega e sua família.
Detran muda de comando
GDF em 09/03/2010 às 7:48Do Correio Braziliense: O Departamento de Trânsito (Detran) tem novo comando. Ontem, o diretor do órgão, César Caldas, foi exonerado do cargo pelo governador interino do Distrito Federal, Wilson Lima. O coronel aposentado da Polícia Militar deixa o posto logo após completar um ano na função. Segundo a assessoria de imprensa do GDF, Caldas teria pedido demissão, mas fontes consultadas pelo Correio garantem que sua saída da autarquia foi por decisão de Wilson. Em seu lugar assume José Antônio de Araújo, que gerenciava o Setor de Habilitação do Detran. A nomeação do novo diretor está prevista para ser divulgada no Diário Oficial do DF (DODF) de hoje. Outra mudança no órgão que administra o trânsito de Brasília é que agora o Detran passará a ser subordinado à Secretaria de Segurança Pública e não mais à Secretaria de Transportes.
Com a escolha de Araújo, Wilson Lima mantém a política de formar a tropa de choque do GDF apenas com técnicos experientes. Araújo tem uma carreira sólida e respeitada pelos seus colegas de profissão. São 33 anos vestindo o uniforme amarelo do órgão. A indicação dele para chefiar os cerca de mil funcionários do órgão de trânsito, entre agentes, analistas e auxiliares, agradou os servidores. Para o chefe de Fiscalização do Detran, Silvain Fonseca, a escolha foi acertada: “É um servidor que conhece como poucos as necessidades do trânsito de Brasília”. A reportagem do Correio tentou contato com Caldas e Araújo, mas eles não foram encontrados.
Como tem feito desde que assumiu o posto mais importante do Executivo local, Wilson Lima passou o dia de ontem despachando do seu gabinete, no 11º andar do Palácio do Buriti. Mais uma vez, seu dia foi agitado. Passaram pela sua sala mais de 50 pessoas. O deputado Benício Tavares (PMDB) — citado na Operação Caixa de Pandora — foi uma delas. De acordo com a assessoria de imprensa, ele foi tratar de assuntos relacionados à distribuição de lotes para deficientes físicos.
Outro visto pelos corredores do Buriti foi Roberto Giffoni, secretário de ordem pública e corregedor no governo de Arruda. Quando questionado sobre o que estava tratando com Wilson Lima, Giffoni despistou: “Já cumpri minha missão no governo. Não tenho mais que dar entrevistas”. Giffoni também foi citado no inquérito que apura o suposto esquema de distribuição de propina no GDF.
Estilo discreto de governar
GDF em 08/03/2010 às 7:30Do Painel da Folha de S. Paulo: O governador interino do DF, Wilson Lima (PR), nega que esteja tentando viabilizar candidatura. Sua assessoria registra que, embora ele esteja no cargo há 12 dias, “ainda” não promoveu nenhuma inauguração. Ainda no esforço de manter perfil discreto, Lima diz ter recusado convite do PR para estrelar algumas das inserções do partido que irão ao ar neste mês. Tudo para não “misturar as coisas”.
Ampliando espaços no governo
Cidades, Câmara Legislativa, GDF, Partidos em 06/03/2010 às 14:41Ser o partido do governador é mesmo um bom negócio, Que o diga o PR, partido do governador em exercício Wilson Lima. Desde que Lima assumiu, ainda que interinamente o governo, o PR tem conseguido ampliar seus espaços. Um exemplo são a ocupação das administrações regionais.
Em Planaltina, vários cargos ocupados por indicação de políticos da região foram substituídos por nomes indicados pelo distrital do partido na cidade, Aylton Gomes. Já em Riacho Fundo, o compromisso feito por Wilson Lima de assegurar espaço na administração da cidade para o deputado distrital Milton Barbosa (PSDB), que tem na região sua base eleitoral, foi deixado de lado. Substituiu o tucano nas indicações um outro parlamentar do PR: o primeiro suplente Bispo Renato, que acabou de deixar a Câmara Legislativa.
PO visita governador interino
GDF em 06/03/2010 às 5:50Do Correio Braziliense: Fora dos holofotes após pedir a renúncia do Governo do Distrito Federal, Paulo Octávio decidiu fazer uma visita discreta, na tarde de ontem, ao governador interino Wilson Lima, no Palácio do Buriti. Recém-chegado dos Estados Unidos, o ex-vice-governador disse que foi apenas desejar sorte ao mais novo chefe do Executivo local. “Cheguei de Nova York e fui dar um abraço no governador, desejar muita sorte para que ele possa fazer um bom governo”, afirmou.
Questionado se estaria decepcionado com a política brasiliense e se almeja retornar à vida pública, Paulo Octávio resumiu: “Não pretendo voltar. Pelo menos neste momento, não. Não estou decepcionado com a política, estou apenas num momento de reflexão sobre minha vida”, encerrou.
Desde que assumiu o posto mais importante do DF, Wilson Lima tem se mantido discreto e de poucas palavras, pelo menos com a imprensa. O governador interino é irredutível quando o assunto é falar com jornalistas. Nem mesmo as conversas que tem tido frequentemente com políticos citados na Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, são divulgadas oficialmente. Ontem, por exemplo, o suplente de deputado Pedro do Ovo esteve no gabinete do governador, no 11º andar, no Palácio do Buriti. Quem também tem transitado pelos corredores do prédio é o deputado Rôney Nemer (PMDB), que, segundo ele, leva apenas demandas da comunidade ao governador. Aylton Gomes é outro que já foi visto mais de uma vez na sala de Wilson Lima. Segundo a assessoria de imprensa do GDF, o governador está se inteirando de todas as áreas do governo e deve se pronunciar na próxima semana.
Ontem pela manhã, Wilson Lima despachou pela primeira vez no Centro Administrativo de Taguatinga, o Buritinga. Ele recebeu sindicatos que representam servidores públicos e gerentes de projetos do governo para saber em que pé estão as obras mais importantes de Brasília. Após o almoço, foi ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) conversar com o procurador-geral de Justiça, Leonardo Bandarra. No entanto, a pauta do encontro não foi revelada. O último compromisso de Wilson ocorreu com integrantes do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do DF (Crea/DF), que foram manifestar apoio ao governador e entregar a ele uma carta contra a intervenção no DF.
Exonerados os citados nas denúncias
GDF em 05/03/2010 às 11:23O secretário de Comunicação do GDF, André Duda, avisou que os envolvidos nas denúncias da Operação Caixa de Pandora que ainda ocupavam cargos no governo - mesmo afastados das funções - serão exonerados nesta sexta-feira (5). Os ex-secretário-chefe da Casa Civil, José Geraldo Maciel, e ex-chefe de gabinete da Governadoria, Fábio Simão, tiveram suas exonerações assinada na noite de quinta-feira pelo governador em exercício Wilson Lima. Por coincidência, os dois seriam beneficiados com o artigo submarino enviado para a Câmara Legislativa camuflado em projeto de reajuste salarial.
Duda explica que as exonerações foram decididas pelo governador antes de ele tomar conhecimento do projeto. Mas, por um erro da gráfica que imprime o Diário Oficial do DF, não foram incluída na edição desta manhã. Um suplemento especial será distribuído à tarde com as medidas. Além de Maciel e Simão, serão exonerados também Omézio Pontes, José Luiz Valente e Gibrail Gebrim.
Lima não sabia do submarino
Câmara dos Deputados, GDF em 05/03/2010 às 11:13O Governo do Distrito Federal avisa que tomou as providências necessárias sobre o artigo submarino que concedia foro privilegiado aos chefes da Casa Civil, Casa Militar e de Gabinete da Governadoria, incluído no Projeto de Lei 1.531, de 2010, que tratava do reajuste salarial de cirurgião-dentista da rede pública (para saber do projeto leia aqui). O secretário de Comunicação, André Duda, explicou que o projeto veio pronto da Secretaria de Planejamento, o governador em exercício assinou sem analisá-lo, e o governo já identificou o responsável pela inclusão do artigo. Apura-se agora se isso foi feito por descuido ou má-fé.
A ideia de conceder foro privilegiado aos três cargos havia sido discutida em dezembro, no início da crise desencadeada pela Operação Caixa de Pandora, ainda pelo governador José Roberto Arruda. Mas ficou resolvido que, como o inquérito estava no Superior Tribunal de Justiça por envolver um conselheiro do Tribunal de Contas do DF, Domingos Lamoglia, não seria necessário apresentar o projeto. O envio da proposta agora à Câmara Legislativa, e em forma de artigo submarino, está sendo investigado pelo GDF.
Um submarino na Câmara
Câmara Legislativa em 04/03/2010 às 19:58Entre os primeiros projetos de lei enviados pelo governador em exercício Wilson Lima à Câmara Legislativa, um já levantou polêmica: o que trata do reajuste salarial para a carreira de cirurgião-dentista do GDF. Nenhum problema com a promessa de aumento para os servidores. O ponto de discussão é o artigo 5 do PL 1.531, de 2010, uma edição dos conhecidos “projetos submarinos” que já circularam na Casa.
O texto não fala de nada relacionado aos dentistas. Diz apenas que “ocupantes de cargos previstos no Decreto 31.256 passam a ter prerrogativas e garantias de secretários de Estado”. Esses cargos são os de chefe de Casa Militar, chefe da Casa Civil e chefe de gabinete da Governadoria. Ou seja, os ocupantes dessas três vagas - que foram de José Geraldo Maciel e Fábio Simão, por exemplo - passam a ter o status e a proteção de secretários de Estado.
A bancada do PT já prepara uma emenda supressiva para tirar o artigo submarino do projeto. E estão com o discurso pronto para mostrar que o governador em exercício Wilson Lima pode ainda estar sendo influenciado pelos antigos ocupantes do governo.
Governador se reúne com PTB
Câmara dos Deputados, GDF, Partidos, Política em 04/03/2010 às 17:42O deputado distrital Cristiano Araújo foi o anfitrião esta semana de um jantar para a cúpula do PTB local e o governador em exercício, Wilson Lima. O encontro ocorreu na noite de terça-feira (2), com a presença do presidente regional do partido, senador Gim Argello, e do também distrital Dr. Charles. A conversa girou em torno da atual crise política da capital federal, as possíveis medidas para evitar a intervenção e, claro, o novo desenho político para as eleições de outubro deste ano.
Definição dos projetos em pauta
Câmara Legislativa, GDF em 04/03/2010 às 7:40Do Correio Braziliense: Deputados do primeiro escalão da Câmara Legislativa se reuniram ontem pela primeira vez com o governador em exercício do DF, Wilson Lima (PR). Além de estreitar as relações entre os poderes Legislativo e Executivo, a reunião serviu para pontuar os projetos do governo que deverão ser apreciados com rapidez na Casa. A mudança de destinação de dinheiro público para ser injetado nas obras da Estrada Parque Taguatinga-Guará (EPTG) — que faz parte do projeto Linha Verde — é prioridade. Dois projetos encaminhados ao Legislativo tratam desse assunto.
Compareceram ao almoço oferecido por Wilson Lima o presidente interino da Casa, Cabo Patrício (PT), e o primeiro e o segundo secretários da Mesa Diretora — Batista das Cooperativas (PRP) e Raimundo Ribeiro (PSDB), respectivamente. Milton Barbosa(PSDB), terceiro secretário, não pode ir. Os colegas que trabalhavam com Lima até uma semana atrás na Câmara Legislativa foram recebidos no 6º andar do Palácio do Buriti. “A conversa foi muito amistosa. O Poder Legislativo vai continuar agindo de maneira autônoma e independente diante de todo esse processo, inclusive vai tomar medidas para que não seja necessária a intervenção federal”, declarou Patrício ao sair do almoço.
Os projetos de lei que pedem o remanejamento orçamentário para dar continuidade às obras do Linha Verde ainda não entraram na ordem do dia da Câmara. Só um dos projetos trata de R$ 27,6 milhões. Patrício sugeriu que o colégio de líderes na Casa faça uma pauta propositiva das propostas importantes, como o reajuste dos professores da rede pública de ensino e os servidores do Departamento de Trânsito (Detran). “Os projetos devem ser analisados nas comissões e votados em plenário o quanto antes”, disse.
O aumento salarial dos policiais militares também foi discutido no almoço, mas o índice de 17% ainda precisa ser fechado com a categoria e o governo. As discussões financeiras foram acompanhadas pelo secretário de Fazenda, André Clemente. Os reajustes serão debatidos na Câmara e haverá pelo menos mais uma reunião com o secretário.
Cabo Patrício disse que o processo de impeachment do governador afastado José Roberto Arruda (sem partido) e a hipotética renúncia dele não foram assuntos da conversa, apesar de hoje a Câmara apreciar a admissibilidade do processo de cassação. “Falamos sobre a relação entre os Poderes e a crise geral no DF, mas não tocamos no assunto do impeachment de Arruda. Conversamos sobre as medidas que estão sendo feitas para evitar a intervenção no DF”, contou Cabo Patrício. “O governador foi preso e afastado pela Justiça. A situação dele depende da decisão do Supremo Tribunal Federal” , afirmou o petista.
O presidente interino adiantou que será votada uma emenda à Lei Orgânica do DF para que possam ocorrer, se necessário, eleições indiretas para governador do DF. A intenção é modificar a regra para cumprir a recomendação da Procuradoria-Geral da Câmara, com base na Constituição, caso ocorra a renúncia de Arruda. Wilson Lima teria um prazo de um mês para convocar o processo eletivo.
Almoço entre Poderes
Câmara Legislativa, GDF em 03/03/2010 às 9:17Governador em exercício Wilson Lima e Mesa Diretora da Câmara Legislativa se reúnem nesta quarta-feira (2) em um almoço no Palácio do Buriti. O encontro será o primeiro institucional desde que o Lima assumiu o governo interinamente. Na pauta, as relações entre os dois poderes e as medidas tomadas contra a intervenção.
Representação contra Lima
Câmara Legislativa, TRE em 02/03/2010 às 11:49O ex-presidente do PT Chico Vigilante entra nesta terça-feira (2) com uma representação no Ministério Público Eleitoral contra o governador em exercício Wilson Lima. A ação teve origem em reportagem da Folha de S. Paulo (leia aqui) que revelou que a prestação de contas da campanha de Lima para distrital tinha valores muito acima do patrimônio do deputado. “Vou pedir para que sejam reaberta as contas do deputado e que a Polícia Federal seja acionada para investigar o caso, uma vez que há claro indício de Caixa 2″, explicou Vigilante. Nas contas do governador em exercício constam recursos vindos da venda de um microônibus, que teria sido vendido à diretora de Recursos Humanos da Câmara do DF, Edilair da Silva Sena. Procurada pelo jornal, ela negou ter comprado o carro. Vigilante descobriu que Edilair Sena foi contratada em cargo de comissão na Câmara por indicação do próprio Wilson Lima. “Ela pode ter sido uma laranja”, suspeita.
A cara campanha de Wilson Lima
Câmara Legislativa em 02/03/2010 às 7:36Da Folha de S. Paulo: O governador interino do Distrito Federal, Wilson Lima (PR), tirou do próprio bolso R$ 195 mil para a campanha de 2006, quando foi reeleito deputado distrital. O valor supera em 55% seu salário anual de parlamentar à época. Lima informou à Justiça Eleitoral ter arrecadado R$ 246 mil na ocasião. Os recursos próprios aplicados correspondem a 78% da receita da campanha, sendo que ele doou a si mesmo R$ 110 mil em dinheiro.
Para justificar a origem do montante, o governador interino declarou ter recebido pagamento de sua mãe (no valor R$ 55 mil), vendido duas Kombis (por R$ 50,6 mil) e um micro-ônibus (por R$ 60 mil). Esse último veículo, porém, não consta da lista de seus bens relatados à Justiça Eleitoral. A assessoria de Lima afirma que ele declarou o micro-ônibus à Receita Federal.
Conforme a legislação vigente, não é crime um candidato doar a ele mesmo valores acima de seus rendimentos.
À Justiça Eleitoral Lima disse que a compradora do veículo tinha sido a diretora de Recursos Humanos da Câmara do DF, Edilair da Silva Sena. Procurada, ela negou à Folha ter adquirido o micro-ônibus em julho de 2006, como o interino sustentou. “Eu? Não. Você deve estar equivocado.” A reportagem informou que o número do CPF dela constava na prestação de contas de Lima. Sena disse, então, que precisaria “levantar as informações”. Ela teria pago em dinheiro R$ 60 mil, valor depositado por Lima na conta de campanha seis dias após a suposta venda.
Além da negativa de Sena sobre a aquisição do carro, o cadastro de pagamento de seguro obrigatório informa que Lima aparecia como dono do veículo até agosto de 2007, ou seja, um ano após a suposta transação. Mas Lima havia apresentado à Justiça um documento do Detran, datado de 12 de julho de 2006, que autorizava a transferência do micro-ônibus a Sena.
Atualmente o veículo está em nome da empresária Valéria Oliveira da Paixão, que atua com transporte escolar. Ela disse que comprou o micro-ônibus de uma concessionária no Gama, cidade-satélite do DF onde Lima declarou que morava na campanha de 2006. Ela afirmou que não sabia que Lima era o antigo dono.
“Todas as contas eleitorais referentes a campanhas do deputado Wilson Lima foram aprovadas pela Justiça Eleitoral, sem ressalvas”, afirmou a assessoria do governador interino. “O montante de recursos arrecadados em 2006 é mais do que suficiente para justificar os gastos eleitorais.” Para a assessoria, não há distorção entre a renda de Lima e o valor gasto na campanha. Ainda conforme a assessoria, o micro-ônibus “foi declarado à Justiça Eleitoral e [também] consta da declaração de Imposto de Renda de 2005/2006 e 2006/2007″.
Na Justiça Eleitoral, porém, o veículo não aparece na declaração de bens. Para explicar o fato de o veículo estar em nome do deputado até 2007, a assessoria diz que, “provavelmente, a pessoa que o comprou deixou de transferi-lo para seu nome”. A possível compradora Edilair da Silva Sena não respondeu aos questionamentos. Sobre o uso de dinheiro vivo, a assessoria disse que “qualquer cidadão pode ter dinheiro em espécie”.
O secretariado pós-crise
GDF em 02/03/2010 às 7:22Do Correio Braziliense: Saiba quem entrou e quem saiu no Governo do Distrito Federal, desde o início da Operação Caixa de Pandora.
Secretaria de Agricultura
Wilmar Luiz da Silva permanece no comando.
Secretaria de Ordem pública
Roberto Giffoni pediu demissão, mas sua carta ainda não foi aceita. Continua respondendo.
Secretaria de Ciência e Tecnologia
Izalci Lucas continua no cargo, mas deve se desemcompatibilizar em abril para disputar as eleições de outubro, provavelmente para deputado federal.
Secretaria de Cultura
Silvestre Gorgulho entregou duas cartas de demissão, uma para Paulo Octávio e outra para Wilson Lima. Mas o pedido não foi aceito.
Secretaria de Esportes
Hebert Willian de Oliveira assumiu o cargo ontem. Era o adjunto de Aguinaldo de Jesus.
Secretaria de Segurança Pública
João Monteiro Neto era secretário adjunto de Valmir Lemos, que pediu demissão para fazer curso obrigatório da carreira de delegado. Ele toma posse hoje. Coronel da Polícia Militar, Paulo Roberto Batista de Oliveira assume a subsecretaria no lugar de João Monteiro Neto.
Secretaria de Habitação
Túlio Roriz Fernandes, delegado de Polícia Civil, assumiu a pasta no lugar do deputado Paulo Roriz, que reassumiu o mandato de deputado distrital.
Secretaria de Justiça
Flávio Lemos de Oliveira era adjunto de Alírio Neto, que deixou o Executivo para reassumir o mandato de deputado distrital.
Secretaria de Obras
Jaime Alarcão era adjunto de Márcio Machado, que deixou o cargo por determinação do PSDB, partido ao qual é filiado.
Secretaria de Educação Integral
Afonso Brito Filho assumiu o cargo no lugar de Marcelo Aguiar, que deixou o cargo cumprindo determinação do PDT, partido do qual é membro da Executiva Regional.
Secretaria de Fazenda
André Clemente de Oliveira era o adjunto de Valdivino de Oliveira, que deixou por determninação do PSDB.
Secretaria de Saúde
Joaquim Barros é médico da rede pública e já foi diretor do Hospital Regional de Taguatinga. Assumiu o posto no lugar do secretário-adjunto, Florêncio Peixoto. Este por sua vez, respondia interinamente no lugar de Augusto Carvalho, citado nas denúncias de corrupção.
Secretaria de Desenvolvimento Econômico
Adriano do Amaral assume no lugar de ex-vice-governador Paulo Octávio, que renunciou ao cargo.
Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente
Danilo Pereira Aucélio era secretário-adjunto de Cássio Taniguchi, que deixou o governo.
Secretaria de Planejamento
José Agmar de Souza era adjunto de Ricardo Penna, que deixou o governo em 25 de fevereiro
Secretaria de Relações Institucionais
Edmilton Viana era adjunto de Durval Barbosa, o delator do suposto esquema de corrupção no Executivo e Legislativo locais.
Secretaria de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda
Edgard Lourencini assumiu a pasta. Era subsecretário de Segurança Alimentar e Nutricional. Está no cargo desde 21 de dezembro. Ocupou a vaga deixada por Eliana Pedrosa que reassumiu o mandato na Câmara Legislativa.
Secretaria de Educação
Eunice Santos assumiu o cargo no lugar de José Luiz Valente, um dos investigados na Operação Caixa de Pandora, que deixou o governo em dezembro do ano passado.
Secretaria de Governo
Antônio Carlos do Nascimento assumiu no lugar de José Humberto, que deixou o governo por determinação do PSDB.
Secretaria de Transportes
Alberto Fraga continua respondendo pela pasta, mas anunciou que deixará o posto na próxima quinta-feira.
Chefia de Gabinete
Elton de Freitas Costa assumiu o posto antes ocupado por Fábio Simão, um dos investigados pela Polícia Federal.
Casa Civil
Eduardo Zarat assumiu no lugar de José Geraldo Maciel, um dos investigados na Operação Caixa de Pandora.
Agência de Comunicação
André Duda assumiu o cargo ocupado por Wellinton Moraes, preso sob a acusação de tentativa de suborno do jornalista Edson Sombra.
Leitores não aprovam Wilson Lima
Blog, Câmara Legislativa, GDF em 01/03/2010 às 14:38O pacto de governabilidade para assegurar ao presidente da Câmara Legislativa licenciado, Wilson Lima, no cargo de governador em exercício não conquistou os leitores do blog. É o que indica o resultado da enquete da semana. Perguntados se acreditam que Wilson Lima tem condição de governar o Distrito Federal, 91% dos internautas responderam que não. Para os leitores, Lima foi eleito em articulação com o governador José Roberto Arruda e não tem força política para conduzir o Distrito Federal.
Somente 9% dos participantes da enquete acreditaram na força de Wilson Lima. Para eles, como o distrital não aparece nas denúncias da Operação Caixa de Pandora e está na linha sucessória legitimamente, merece ficar no cargo.
Uma nova enquete já está no ar. Participe!
Apoio a Wilson Lima
Câmara dos Deputados, GDF em 01/03/2010 às 7:27Do Painel da Folha de S. Paulo: Interessado em disputar o governo do DF, Geraldo Magela (PT) tem opinião contemporizadora sobre o interino Wilson Lima (PR): “Mesmo sem apoio popular, ele começa a dar mostras de que pode responder parte das exigências da sociedade. Não há caos social, nem perturbação da ordem pública”.
Filhos e irmão sem emprego
Câmara Legislativa, GDF em 27/02/2010 às 8:44Do Painel da Folha de S. Paulo deste sábado (27): Os dois filhos e o irmão do novo governador interino do Distrito Federal ocupam cargos comissionados na máquina. Wilson Lima (PR) mandou exonerá-los. A demissão deverá ser publicada na segunda-feira.
Campo minado e más companhias
Câmara Legislativa, GDF em 27/02/2010 às 8:41Da coluna Brasília-DF do Correio Braziliense: O governador em exercício, Wilson Lima (PR), está enfrentando uma agenda carregada por centenas de pedidos de audiência. Da romaria fazem parte sindicalistas pleiteando reajustes, empresários, políticos, lideranças religiosas e muitos candidatos a “conselheiros do rei”. Quem já deu uma passadinha pela sala de Lima foi o distrital Júnior Brunelli (PSC), alvo de processo por quebra de decoro parlamentar na Câmara Legislativa. Aparece no “clássico” vídeo da oração com Durval Barbosa. Lima deve tomar cuidado com as companhias. É bom não relaxar com as análises de que o Supremo Tribunal Federal não está disposto a decretar a intervenção federal no DF. Seu comportamento ainda é decisivo para que afastemos essa ameaça sobre a capital. É bom, então, ficar mais atento a quem o está rodeando e não cair na tentação de fazer graça para os coleguinhas.
Lima até agora vem se saindo bem. E pretende divulgar novas medidas de “choque de limpeza” no GDF. No entanto, os problemas vão começar a pipocar, e será aí que ele estará mesmo sob teste. O GDF ainda é campo minado. Restam explosivos em seu escombros. Na Saúde, na área de Ciência e Tecnologia, Desenvolvimento Econômico, BrasiliaTur, Educação, entre outras. A presença, no segundo escalão, de gente ligadíssima aos titulares que foram exonerados de certas pastas ainda mantém o governo sob suspeição.
Mais duas baixas no governo
Cultura, GDF, Segurança em 27/02/2010 às 8:35Do Correio Braziliense: Mais dois secretários saem do governo Wilson Lima. O secretário de Segurança Pública, Valmir Lemos, vai deixar o cargo nos próximos dias. E o secretário de Cultura, Silvestre Gorgulho, já entregou sua carta de exoneração ao chefe interino do Executivo do Distrito Federal.
A decisão de Lemos, que teria sido tomada na semana passada, foi ratificada ontem, durante um encontro do governador em exercício, Wilson Lima, com o diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa. Delegado federal, Lemos vai fazer um curso superior na Academia Nacional de Polícia (ANP), obrigatório para ascensão na carreira. Depois, ele deverá assumir um posto de comando na corporação. Lemos avisara sua intenção de sair ao então governador Paulo Octávio, que renunciou na última terça-feira. O secretário decidiu permanecer, mas por pouco tempo. Na quarta-feira, ele conversou com o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto — com quem já havia trabalhado. Barreto pediu que ele permanecesse.
No encontro de ontem com o diretor-geral da Polícia Federal, Wilson Lima também tentou manter seu secretário, ao pedir que Lemos continuasse cedido para o GDF. Corrêa alegou que, por estar no topo da carreira, o delegado federal deveria voltar à corporação para fazer o curso superior de polícia. A saída oficial de Lemos deve ocorrer no início da semana.
Na conversa, Corrêa avaliou com Wilson Lima que hoje a Secretaria de Segurança Pública e a Polícia Civil do Distrito Federal tinham quadros aptos a ocupar o cargo. Valmir Lemos entrou no governo de José Roberto Arruda em julho de 2008, quando substituiu o general Cândido Freire na Secretaria de Segurança Pública. Antes de ingressar na Polícia Federal, em 2000, foi policial civil no DF por 13 anos.
Silvestre Gorgulho entregou ainda na última quinta-feira carta a Wilson Lima com o pedido de exoneração, com o intuito de deixar o governador em exercício “à vontade para a recomposição do secretariado”. No texto, desejou sucesso ao interino no “imenso desafio de conduzir os destinos da capital da República. Jornalista, Gorgulho ocupava o posto de secretário de Cultura desde que Arruda — seu amigo próximo — assumiu o governo, em 2007. Os desembarques na gestão interina do GDF ocorrem diariamente. Já saíram os secretários de Planejamento, Ricardo Penna; de Governo, Flávio Giussani; de Ordem Pública, Roberto Giffoni; e o diretor-geral do Na Hora, Luiz França.
Suspensa contratação da Ipanema
GDF, Saúde em 26/02/2010 às 19:58Governador em exercício Wilson Lima mandou suspender o contrato da Secretaria de Saúde com a empresa Ipanema para prestação de serviço de vigilância. Lima se reuniu nesta sexta-feira (26) com o secretário de Saúde, Joaquim Barros Neto, para saber o motivo da contratação, com dispensa de licitação, da empresa. Soube pelo secretário que o contrato ainda não havia sido assinado. O governador mandou então suspender a contratação e dar seguimento ao processo licitatório já iniciado para o serviço. Além disso, a Procuradoria Geral do DF vai avaliar se há mesmo necessidade de alguma contratação emergencial para o setor.
“A determinação do governador é para que nenhum contrato seja assinado sem licitação ou sem passar pela Procuradoria do GDF” assegurou o assessor de imprensa do GDF, José Carlos Barroso.
Os conselheiros de Wilson Lima
Câmara Legislativa, GDF, Partidos em 26/02/2010 às 9:16O governador em exercício Wilson Lima tem tido nos últimos dias alguns conselheiros que estão o ajudando a tocar o Governo do Distrito Federal. Dois deles são colegas de Câmara Legislativa: a distrital Eliana Pedrosa (DEM) e o deputado Roney Nemer (PMDB). Outros dois, vieram de seu partido: o ex-distrital José Edmar e o secretário de Ciência e Tecnologia, Izalci Lucas.
O PR inclusive começou a ampliar espaço no GDF. No lugar de Flávio Giussani, que deixou a Secretaria de Governo, assumiu interinamente o secretário-adjunto de Izalci na Secretaria de Ciência e Tecnologia, Antônio Alves do Nascimento Neto. Ele não foi nomeado secretário. Mas será adjunto da pasta do Governo e acumulará as duas funções pelos próximos dias.
Pacote de bondades de Lima
Educação, GDF em 26/02/2010 às 8:05Do Painel da Folha de S. Paulo: Aliados do governador interino do DF, Wilson Lima (PR), articulam acordo para tentar mantê-lo na cadeira até o final do ano. O principal ponto seria um pacote de bondades para a CUT, com aumento salarial de professores e a implementação de um plano de saúde para todos os servidores da máquina. Para o grupo de José Roberto Arruda, o interino se comprometeria a manter servidores em cargos de pequeno e médio escalão.
Saltitante com a ideia de herdar a máquina do DF em pleno ano eleitoral, o PR planeja um evento para homenagear Wilson Lima. Com Lima, estão em alta o ex-deputado José Edmar (PR), preso à época da CPI da Grilagem de Terras, e João de Deus (PPS), prefeito de Água Fria de Goiás.
Recurso para Educação e Saúde
Educação, GDF, Saúde em 26/02/2010 às 7:52Do Correio Braziliense: O governador interino do Distrito Federal, Wilson Lima (PR), está criando asas para fazer seu voo solo no Executivo local. Em menos de 48 horas à frente do comando do Palácio do Buriti, ele tomou decisões que terão impacto importante no orçamento deste ano do DF. Ontem, Wilson autorizou o reajuste de salário de cerca de 44 mil professores ativos e inativos da rede pública de ensino. A determinação deve aumentar em R$ 209 milhões a folha de pagamento da categoria, que esperava havia quase um ano o cumprimento do acordo salarial com o GDF. Ele também anunciou que vai remanejar R$ 160 milhões de outras pastas para a Secretaria de Saúde. Uma das medidas emergenciais do órgão será a contratação de 500 agentes para reforçar as ações de combate à epidemia de dengue.
Desde que deixou a presidência Câmara Legislativa, na última terça-feira, Wilson Lima mantém uma agenda concorrida, com reuniões oficiais com integrantes do governo e encontros de articulação política. Ele despacha no gabinete da governadoria no 11º andar do anexo do Palácio do Buriti. Não sai do prédio nem para almoçar. O almoço é servido numa sala de reuniões e sempre há convidados. Ontem, o presidente e o vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no DF (OAB-DF), Francisco Caputo e Emens Pereira, respectivamente, fizeram companhia ao governador em exercício. Um dos assuntos tratados durante o almoço foi a ameaça da intervenção federal no DF. “Nós estamos preocupados com a governabilidade de quem está no cargo”, afirmou Emens.
Em sua segunda reunião com Wilson Lima, o secretário de Saúde, Joaquim Barros Neto, pediu a liberação de R$ 160 milhões da verba contingenciada do orçamento de 2010. Para conseguir o recurso que deve ser usado no decorrer do ano, haverá cortes de despesas em todas as 19 secretarias de governo. Além da ação contra a dengue, o dinheiro deve garantir a continuidade de obras, como as das Unidades de Pronto-Atendimento (Upas). O Exército Brasileiro cederá 200 homens para colaborar com o trabalho de prevenção no DF. “Já está tudo acertado com o comando militar. Vamos receber esses militares, treiná-los e colocá-los para trabalhar de cada em casa”, antecipou o secretário. As atividades começarão pela Vila Planalto, pelo Itapoã e por Planaltina.
Os professores ativos e inativos do GDF receberão, a partir de 1º de março, um reajuste salarial que pode chegar a 10% no valor do contracheque. O índice exato do aumento que foi autorizado ontem por Wilson Lima será definido na manhã de hoje, numa reunião com a secretaria de Educação, Eunice Santos, e representantes do sindicato da categoria. Se o percentual ficar em torno de 10%, o impacto no orçamento da pasta — que gira em torno de R$ 3, 7 bilhões — será de R$ 209 milhões. O acordo salarial foi firmado entre o GDF e os professores em 23 de abril do ano passado, mas não saiu do papel. “O governador tomou uma medida acertada”, avaliou Eunice. Antes da liberação do aumento, a presidente da Central Única dos Trabalhadores no DF (CUT-DF), Rejane Pitanga, reforçou o apelo em nome dos 44 mil professores do DF. Ela negou apoio da entidade à gestão Wilson Lima, mas disse que faz parte do movimento contra a intervenção federal no DF. Quem também se recusou ontem a fazer parte do governo de coalizão foi o PT.
A quinta-feira também foi marcada por uma reunião para tratar da festa dos 50 anos de Brasília, mas a liberação de R$ 10 milhões para bancar o evento só deverá ser confirmada em uma semana. O governador interino recebeu ontem da comissão do cinquentenário a proposta de comemorações e pediu sete dias para avaliar a liberação do recurso. Como o Correio adiantou, devem embalar a festa de 21 de abril as bandas Paralamas do Sucesso e NX Zero e a dupla sertaneja Bruno e Marrone. “O convite foi feito e eles aceitaram. Só falta ter o dinheiro para fechar o contrato”, explicou o presidente da Brasíliatur, João Oliveira.
Os deputados distritais Batista das Cooperativas (PMN), Beneditos Domingos (PP), Pedro do Ovo (PMN) e o ex-deputado José Edmar visitaram ontem Wilson Lima no Palácio do Buriti. José Edmar é visto no 11º andar desde que o governador interino passou a despachar de lá. Ele garantiu que não vai ocupar vaga no governo, pois pretende se lançar candidato nas eleições de outubro. Mas, enquanto isso, Edmar ajuda o amigo mudando funcionários de salas no 11º andar do anexo.
Reajuste para professores
Educação, GDF em 25/02/2010 às 17:46O governador em exercício Wilson Lima começa o seu governo agradando a uma categoria de servidores do GDF: os professores. Ele autorizou a secretária Eunice Oliveira a informar à direção do Sinpro, em reunião marcada para a manhã desta sexta-feira (26), que a categoria terá reajuste de 10,31% a partir da próxima segunda, 1º de março.
Correção: O reajuste em si já estava acertado categoria. A boa notícia do governador é de que ele vai cumprir o acordo e mandar na próxima semana o projeto com o reajuste para a Câmara Legislativa.
Citados e exonerados
GDF, STJ em 25/02/2010 às 12:21O governador em exercício Wilson Lima quer mesmo mostrar que vai colocar ordem no Governo do Distrito Federal. Depois de anunciar a suspensão dos contratos com empresas envolvidas nas denúncias da Operação Caixa de Pandora, Lima vai tomar outra providência. Deve sair nos próximos dias a exoneração de todos os integrantes dos primeiros escalões do governo citados no Inquérito 650 do Superior Tribunal de Justiça.
Novo governador e a Justiça
Câmara Legislativa, GDF, TJDFT em 25/02/2010 às 7:22Da Folha de S. Paulo desta quinta-feira (25): Enquanto luta para se manter no poder, o novo governador interino do Distrito Federal, Wilson Lima (PR), responde a processo na Justiça por improbidade administrativa. Ele e outros quatro deputados são réus em ação movida pelo Ministério Público do DF por terem assinado ato de criação de cargos de confiança em 2008, contrariando a lei. Lima era o responsável pela área de pessoal da Câmara do DF.
Movida em outubro, a ação questiona deliberação da Mesa que recriou cargos no fundo de saúde dos deputados. Quinze dias antes de os cinco distritais assinarem o documento, o Tribunal de Justiça do DF havia considerado os cargos ilegais. O Ministério Público pediu a suspensão dos direitos políticos e multa de R$ 1,2 milhão para Lima e cada um dos outros integrantes da Mesa. ”Os membros da Mesa agiram dolosamente, alinhados contra os princípios da administração pública, restando configurado o ato de improbidade”, afirma a denúncia. (Lei mais sobre esta ação aqui).
O processo está em fase de apresentação da argumentação dos distritais. A defesa de Lima sustenta que a denúncia “beira as raias do absurdo”. Alega que houve apenas mudança de nomenclatura de dois cargos. O novo governador também tem uma dívida com a Fazenda Pública do DF, que acionou a Justiça contra seu supermercado. Segundo o processo, o débito de R$ 20 mil foi parcelado e já está sendo quitado.
Pesa ainda sobre Lima a suspeita de ter alterado, em 2006, o Plano Diretor do Gama, cidade onde vive, liberando terrenos residenciais para construir postos de gasolina. Relator do projeto, teria mudado o texto para beneficiar amigos. Ele ainda é suspeito de desviar servidores da Câmara Legislativa para trabalhar no Instituto Wilson Lima, que oferece cursos profissionalizantes. Lima nega todas as acusações.
No inquérito da Caixa de Pandora, há só uma citação lateral sobre Lima. Em folha apreendida na casa de um secretário do governador afastado José Roberto Arruda, as iniciais WL aparecem junto ao nome de outros deputados distritais, sem valores, com números soltos e a inscrição “balanço”. Por avaliar como inconsistentes as acusações, a base aliada de Arruda se mobilizou ontem para tentar blindar o DF contra a possível intervenção.
Com a ameaça de o STF (Supremo Tribunal Federal) determinar a entrada de um interventor, Wilson Lima, que é aliado de Arruda, passou o dia tentando dar provas de estabilidade. Reuniu secretários e pediu relatório das principais ações em andamento. Lima marcou um encontro no Tribunal de Contas para anunciar a suspensão de pagamentos de contratos com empresas citadas no inquérito que investiga o mensalão do DEM e pediu urgência nas auditorias.
O novo governador não deu entrevista. Mandou apenas um recado por assessores: “A intervenção não é oportuna”.
Suspensos contratos suspeitos
GDF, TCDF em 25/02/2010 às 7:09Do Correio Braziliense desta quinta-feira (25): No primeiro dia à frente do Governo do Distrito Federal, Wilson Lima (PR) mandou suspender o pagamento de todos os contratos de governo firmados com as empresas citadas no inquérito da Operação Caixa de Pandora — que apura um suposto esquema de arrecadação e distribuição de propina envolvendo o Executivo e o Legislativo locais, além de empresários da cidade. A determinação começa a valer hoje, mas pode ser cancelada quando o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) apresentar o resultado das auditorias das empresas investigadas. Se for comprovado que não houve irregularidades na execução dos contratos, as empresas poderão receber o dinheiro público novamente.
“O atual cenário político-administrativo do DF” motivou o novo chefe do Executivo local a tomar a decisão. O argumento foi exposto no ofício encaminhado ao secretário de Fazenda, André Clemente de Oliveira. Ele estará impedido, por enquanto, de autorizar o pagamento de 13 empresas, na grande maioria prestadoras de serviço de informática. Entram na lista das investigadas Vertax, Adler, Linknet, Infoeducacional e Unirepro, entre outras.
O montante de dinheiro que deixará de ser pago às empresas não foi divulgado pelo secretário de Comunicação do GDF, André Duda. Segundo ele, o governo espera que, mesmo sem receber o pagamento, as empresas não paralisem os serviços. Caso isso ocorra, há possibilidade de fechar novos convênios. “O governo cancela os contratos e chama a segunda colocada da licitação. Também pode fazer um contrato emergencial sem licitação, com anuência do Tribunal de Contas”, explicou. No fim do ano passado, os distritais aprovaram o orçamento de 2010 com cerca de R$ 505 milhões para as firmas sob suspeição.
A suspensão dos contratos das empresas suspeitas foi assunto de um encontro entre o governador interino e a presidenta do TCDF, Anilcéia Machado. A conselheira considerou o ato “uma excelente medida”. Wilson Lima pediu a ela que fosse dada prioridade pelo tribunal às auditorias instauradas em dezembro para apurar as supostas irregularidades nos acordos com as empresas. As apurações estão em fase final e o resultado pode ser divulgado nos próximos dias. Ao todo, o TCDF abriu 68 processos com base nas denúncias reveladas no depoimento do ex-secretário de Relações Institucionais do GDF Durval Barbosa.
O governador interino passou a tarde de ontem em reuniões estratégicas. Ele recebeu no gabinete do 11º andar do anexo do Buriti secretários de governo, políticos, representantes de diversos partidos e da sociedade civil organizada, que garantiram apoio contra a intervenção federal no DF. O entra e sai mostrou que Wilson Lima pode conseguir sustentação política. A deputada Eliana Pedrosa (DEM) disse que o novo chefe do Executivo não tem resistência na Câmara Legislativa. “Ele assumiu o cargo com mais apoio do que Paulo Octavio”, afirmou, fazendo referência ao ex-vice-governador do DF.
Apesar das manifestações favoráveis ao governador interino, ele já perdeu dois secretários, o de Planejamento e Gestão, Ricardo Penna, e o de Governo, Flávio Giussani. Ambos haviam colocado o cargo à disposição ainda durante a breve passagem de Paulo Octávio pela principal cadeira do Palácio do Buriti. A exoneração de ambos deve ser publicada hoje no Diário Oficial do Distrito Federal.
Mancada com os partidos
GDF, Partidos em 24/02/2010 às 15:22O primeiro dia de governo nem acabou ainda e o governador em exercício Wilson Lima acaba de desagradar mais um segmento político da cidade: os presidentes de partido. Os caciques das legendas locais foram avisados há pouco, por uma secretária, de que o governador em exercício os esperava para uma reunião às 15h30 desta quarta-feira (24). A convocação, informal e em cima da hora, desagradou 100% dos dirigentes convidados. PMDB, PDT, PPS, PV, PSL, PCdoB e PRB já avisaram que não vão atender ao chamado de Lima.
A insatisfação dos presidentes de partido foi ainda maior porque na manhã desta quarta, todos eles estiveram juntos em uma reunião na casa do presidente do PRB, Roberto Wagner, no Lago Sul, para discutir a crise política do Distrito Federal. No encontro, Izalci Lucas, presidente do PR - partido de Wilson Lima - perguntou aos colegas se aceitariam se reunir com o governador em exercício.
A maioria aceitou, contanto que Wilson Lima não cometesse o mesmo erro de Paulo Octávio. O vice-governador, assim que assumiu o GDF, convocou uma reunião com líderes de partido, já anunciando quem estaria presente. O caráter forçado do encontro fez com que todos recusassem o convite e o deixassem sem apoio da base partidária do governo.
A Izalci, os presidentes avisaram: queriam evitar a intervenção e assegurar a governabilidade de Wilson Lima, mas só se fossem tratados com respeito. Isso significaria um convite oficial para um encontro institucional, pedido de ajuda sem arrogância e o princípio de colaboração.
O aviso, pelo visto, não foi entendido. Logo após o almoço, eles receberam telefonemas da secretária de Izalci, os chamando para a reunião dali a duas horas. Resultado: nenhum deles aceitou. E o governador em exercício perde a primeira oportunidade de assegurar sua governabilidade junto aos partidos que integravam o GDF.
Update: Reconhecido o erro, os presidentes serão convidados pessoalmente por Wilson Lima. A reunião ainda não tem data para acontecer.
Tempo de conhecer o governo
Economia, GDF, Saúde, Transporte em 24/02/2010 às 14:29A agenda do governador em exercício Wilson Lima (PR) para a tarde desta quarta-feira (24) será de adaptação. Ele despacha com os secretários de Fazenda, André Clemente, de Transporte, Alberto Fraga, e de Saúde, Joaquim Barros Neto, para se inteirar da situação em cada pasta. A intenção é fazer reuniões individuais com todos os secretários de governo nos próximos dias.
Primeira medida desagradou
Câmara Legislativa, GDF em 24/02/2010 às 12:19Menos de 24 horas depois de assumir o cargo de governador em exercício do DF, o agora licenciado presidente da Câmara Legislativa, Wilson Lima, já desagradou os colegas que defenderam sua posse no governo. A avaliação de parte dos governistas é de que Lima chegou errado no GDF. Ao invés de chamar os colegas para participar deste momento de transição e colaborar com a governabilidade, sua primeira ação foi se reunir com o ex-vice-governador Paulo Octávio.
Para os parlamentares, a medida soou como se Lima estivesse mais interessado em ouvir PO - e consequentemente o governador afastado José Roberto Arruda - do que os próprios colegas, que o colocaram lá.
A base governista esperava que o novo governador conversasse primeiro com eles, pedisse opinião e ajuda, para dar uma cara nova ao GDF. E com isso ajudar a impedir a intervenção. Ao se consultar com o próprio Executivo, Lima passou a impressão de que trabalhará pela manutenção do que hoje existe no GDF. E era exatamente essa imagem que alguns parlamentares queriam evitar.
Update: A assessoria do governador em exercício Wilson Lima explicou ao blog que o encontro dele com Paulo Octávio na manhã desta quarta-feira (24) não foi agendado. Lima havia ido à sede da Vice-Governadoria conhecer o local. PO apareceu, coincidentemente no mesmo horário, para uma reunião de despedida de sua equipe. Os dois aproveitaram o encontro para trocar impressões sobre o governo. E só isso.
Wilson Lima se reúne com PO
Câmara Legislativa, GDF em 24/02/2010 às 12:05Do G1: Em seu primeiro compromisso como governador do Distrito Federal, Wilson Lima (PR) se reuniu na manhã desta quarta-feira (24), durante cerca de uma hora, com o ex-governador interino do DF Paulo Octávio (sem partido, ex-DEM), que renunciou ao cargo nesta terça (23) depois de perder o apoio do DEM e da Câmara Legislativa. A informação foi confirmada pelas assessorias do ex-governador interino e do atual.
Durante o encontro, na residência oficial da vice-governadoria, Wilson Lima despachou com Paulo Octávio e os dois conversaram sobre as possibilidades de governabilidade do DF. Paulo Octávio ofereceu apoio político a Lima e colocou sua equipe técnica a disposição do novo governador. Octávio disse que mesmo fora do governo fará o possível para evitar uma intervenção federal. O ex-governador interino afirmou ainda que Wilson Lima reúne “todas as condições” para governar o Distrito Federal.
Ao se despedir, Paulo Octávio agradeceu sua equipe técnica e disse estar confiante na Justiça. Ele afirmou que vai aproveitar a renúncia para “descansar”. Octávio é citado no inquérito do mensalão do DEM, que apura um suposto esquema de distribuição de propina a aliados do goverador afastado José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM). Ele assumiu o governo do DF depois que Arruda foi afastado e preso no dia 11 de fevereiro por derterminação do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Na terça (23), Paulo Octávio se desfiliou do DEM e enviou carta de renúncia à Câmara Legislativa, sob o argumento de que não teria condições de governabilidade sem o apoio do partido e dos deputados distritais. Wilson Lima por ser presidente da Câmara, assumiu o cargo. Depois do encontro com Paulo Octávio, Lima seguiu para o Buritinga, sede administrativa do governo. Ele se reúne com secretários e presidentes de empresas públicas. A reunião, que estava marcada para às 9h, só começou por volta de 10h45.
A força de Wilson Lima
Câmara Legislativa, GDF em 24/02/2010 às 7:42Do blog do jornalista Edson Sombra: A ascenção do presidente da Câmara Legislativa, Wilson Lima (PR), como o terceiro governador do Distrito Federal em 12 dias, levantou uma questão que merece ser discutida. Sempre taxado como do ‘baixo clero’, Lima - em condições naturais - não conseguiria arrebanhar os 17 votos dos parlamentares que o elegeram comandante da Casa e, logo, o terceiro a assumir o GDF na linha sucessória.
Na Câmara, o distrital não tinha poder de persuasão. Mesmo assim, na disputa pelo comando da Casa, acabou escanteando uma conhecida articuladora da CLDF: a democrata Eliana Pedrosa, que acabou desistindo da candidatura à Presidência e abriu espaço para a vitória tranquila do colega.
Agora vem a pergunta: Como um distrital com esse perfil conseguiria agregar tantos votos? Muitos apostam no interesse do governador afastado, José Roberto Arruda (sem partido), em manter algum aliado no poder. Outros arriscam afirmar que vários deputados, nos bastidores, também possuem interesses em manter Wilson Lima no comando e evitar, com isso, a temida intervenção federal.
De qualquer forma, a permanência do distrital no comando do GDF ainda é uma incógnita. Com a saúde fragilizada e sem a certeza da governabilidade, já que corre-se o risco de mais partidos deixarem o governo, Wilson Lima pode ter dificuldades em tocar o Buriti. Colegas chegaram a pressionar Lima com esses argumentos, em reunião reservada, mas o parlamentar - agora governador - não prometeu pensar sobre o assunto. Preferiu pedir apoio e seguir com a missão imposta pelas circunstâncias.
Mas, na opinião do Blog, é claro que Wilson Lima vai pensar bastante sobre tudo isso durante as próximas horas. Afinal, o assunto merece.
Comentário deste blog: A força política que levou Wilson Lima ao Governo do Distrito Federal cresceu menos por conta de seu poder de articulação do que pelo interesse de distritais mais fortes em manter o controle do governo - e as consequentes benesses que ele, GDF, proporciona.
Manchas no passado
Câmara Legislativa, GDF em 24/02/2010 às 7:35Do Painel da Folha de S. Paulo: Ocupante do governo do DF após a renúncia de Paulo Octávio, o deputado Wilson Lima (PR) carrega no currículo uma canetada que alterou em 2006 o Plano Diretor do Gama, liberando terrenos residenciais para construir postos de gasolina. Relator do projeto, foi acusado de mudar o texto para beneficiar amigos sem nem mesmo informar a Câmara. Responde ainda pela prática de nepotismo e pelo desvio de servidores para um instituto que leva seu nome.
Por essas e outras, ninguém considera viável a articulação dos deputados para manter Lima na cadeira de governador, dando ao PT o comando do Legislativo. Insistir nesse rumo, argumentam os mais ajuizados, é caminho seguro para a intervenção.
O perfil do novo governador
Câmara Legislativa, GDF em 24/02/2010 às 7:14Do Correio Braziliense: Aos 56 anos, nove deles dedicados à política, Wilson Lima (PR) chegou ao governo com poucos votos, mas muitas oportunidades. O distrital nunca teve eleitores suficientes para ficar entre os 24 mais votados, número de assentos na Câmara Legislativa. Mas desde sua primeira disputa, sempre esteve vinculado a coligações que lhe garantiram um mandato.
Em 1998, Lima reuniu 3.931 apoiadores. Quatro anos depois ficou na suplência. Assumiu o mandato com a saída de Carlos Xavier, cassado por denúncias de assassinato. Lima, então filiado ao PSD, era da mesma coligação que o colega peemedebista. Nas últimas eleições, chegou em 33º lugar, mas também contou com a força de sua coligação para permanecer na Câmara.
A carreira política de Wilson Lima, no entanto, tem se mostrado alheia à sua performance nas urnas. Nos últimos seis anos, o deputado teve voto (um dos cinco) na Mesa Diretora, prerrogativa que alcançou como primeiro secretário da Casa, função que cuida da área de pessoal.
Antes de entrar para a vida pública, Wilson Lima foi frentista, vendedor de picolé, mecânico. Era dono de supermercados no Gama, onde mora desde 1968, no Jardim Ingá (Luziânia) e em Valparaíso. A outra base do político é a militância religiosa. Lima é da Pastoral da Família da Igreja Católica, primeira meta de vida do distrital, que entrou em dois seminários, mas desistiu da batina antes de se ordenar. Optou pelo casamento, mantido há 31 anos.
Em quase uma década no Legislativo, o distrital emplacou 39 leis — entre elas a do parto solidário (permite à grávida ter um acompanhante na hora do parto), a da fila (obriga os bancos a atender os clientes em, no máximo, 20 minutos) e a do silêncio (estabelece regras para o uso de som no comércio). Também é de Wilson Lima uma lei que está bem em voga: a que proíbe câmeras indiscretas em motéis e casas de massagem. Algumas sugestões polêmicas do distrital acabaram não vingando. É dele a ideia de reservar banheiros para homens, mulheres e gays.
De trato manso, “Lima não tem nada de bobo” como definiu ontem um dos distritais avaliando a meteórica ascensão do colega. Conhecido por falar pouco e baixo, Lima foi o segundo parlamentar que mais usou os recursos da verba indenizatória. Em fevereiro do ano passado, reportagem do Correio mostrou que o distrital utilizava parte de sua estrutura de gabinete para tocar um projeto social no Gama. Ele afirmou em entrevista ao jornal na semana passada que, quanto aos R$ 21 bilhões do GDF, vai aplicar no que é correto. “Quero tudo detalhado. Se não puder pagar, não vai ter”, garantiu cinco dias antes de ser confirmado como o gestor dos cofres públicos da capital.
Treino para governador
Câmara Legislativa, GDF em 23/02/2010 às 21:34Mesmo antes da renúncia oficial de Paulo Octávio, o novo governador em exercício do DF, Wilson Lima, já treinava nesta madrugada os hábitos de chefe do Executivo. Por volta de 1h30 desta terça-feira (23), quando voltava para sua casa no Gama, ainda com o carro oficial da Câmara Legislativa, Lima parou no posto da Companhia de Polícia Rodoviária (CPRV) próximo ao Catetinho. Não queria nada especial. Apenas bater papo com os policais de serviço à noite.
Apoio, ao menos por enquanto
Câmara Legislativa, GDF em 23/02/2010 às 21:00Acabou há pouco a reunião dos deputados distritais para tratar da situação na Câmara Legislativa pós-renúncia do vice-governador Paulo Octávio. A decisão inicial dos governistas é de assegurar a governabilidade ao colega Wilson Lima (PR), agora governador em exercício. Na manhã desta quarta-feira (24), Lima aproveita a reunião já marcada por Paulo Octávio antes da renúncia para encontrar o secretariado e avisar que não fará mudanças no governo muito menos caça às bruxas.
Na Câmara Legislativo, por enquanto, nada muda. Cabo Patrício segue conduzindo a Casa interinamente. A única alteração é o suplente Pedro do Ovo (PRP), que assume o mandato no lugar de Wilson Lima, agora licenciado. Pedro do Ovo, porém, não deve ter muito espaço na Câmara - também está citado nas denúncias da Operação Caixa de Pandora e afastado, pela Justiça, da votação do impeachment.
A bancada do PT, por sua vez, resiste a apoiar Wilson Lima por não saber até quando dura seu mandato. Os petistas fazem uma reunião ainda esta noite para discutir a posição oficial da bancada diante dos novos episódios da crise.
“Não posso fugir à responsabilidade”
Câmara Legislativa, GDF em 23/02/2010 às 18:49Comunicado do novo governador em exercício do DF, Wilson Lima:
“Assumo interinamente o GDF no momento mais delicado de nossa ainda curta história política. Não escolhi estar nessa posição, não a almejei, mas não posso fugir à responsabilidade e ao dever de assumi-la.
A missão que o destino colocou em minhas mãos deve ser enfrentada com serenidade, humildade e muita reflexão. Há um sentimento de desilusão na população. Há quem defenda como solução a ruptura política e a intervenção federal.
Isso equivale a cassar a soberania do povo brasiliense, soberania conquistada no bojo da redemocratização de nosso país.
Sei do peso da responsabilidade que me é transferida neste momento. O compromisso que posso assumir, ao aceitar tão árdua missão, é com normalidade democrática. E de não permitir a paralisia do governo, para que as obras e ações sociais sejam levadas até o fim, não piorando ainda mais as coisas para o povo da cidade.
Quero ser apenas e tão somente o instrumento para uma transição democrática entre um governo eleito e outro governo eleito.
Não serei empecilho à volta da normalidade. Não criarei um único obstáculo para a condução democrática de nossa cidade. Não farei mudanças bruscas, e não aceitarei nenhuma ingerência política.
E, Deus permita, jamais darei um motivo sequer para aumentar a desconfiança quesetores da sociedade nutrem não só em relação aos políticos quanto à política de modo geral.
O momento agora, para mim, é de recolhimento e reflexão, antes de assumir de fato e de direito as responsabilidades de governar Brasília.
A todos aqueles que - como eu - amam Brasília afirmou que farei o que estiver ao alcance das minahs forças para, seja qual for o período em que GDF estiver sob o meu comando, honrar cada minuto de minha passagem por este posto.
Que Deus ilumine a todos.”
Lima fala como governador
Câmara Legislativa, GDF em 19/02/2010 às 7:46Do Correio Braziliense: A chance de comandar o Distrito Federal nunca chegou tão perto do presidente da Câmara Legislativa, Wilson Lima (PR) quanto ontem. Meia hora antes do pronunciamento do governador em exercício Paulo Octávio (DEM), Lima estava seguro de que seria o próximo a sentar na cadeira do chefe do Executivo. Recebeu um telefonema comunicando a tendência de renúncia. Embevecido com a possibilidade de ocupar o Buriti meteoricamente, o distrital eleito com 9 mil votos falou como se governador fosse.
Assim que o fotógrafo entrou na sala, às 15h55, Wilson Lima tratou de arrumar a gravata e fechar os três botões do terno, indumentária que passou a adotar como rotina recentemente, após assumir a presidência da Câmara Legislativa. Não economizou nas poses. Seria a primeira entrevista como novo chefe do Executivo no DF. Cargo que, admitiu, nunca havia sonhado assumir. Mas nem por isso deixou de fazer planos. Já tinha na cabeça a primeira medida: “Vou chamar os partidos, os deputados, fazer um governo de coalizão”. Falou que prefere despachar no Buriti: “É mais modesto”. Cogitou até mesmo mudança para a residência oficial de Águas Claras: “Estou estudando”. Faltou combinar com Paulo Octávio, que anunciou a renúncia, mas voltou atrás por volta das 17h, meia hora após Lima receber a equipe do Correio.
Lima fez lembrar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Na disputa pela Prefeitura de São Paulo, em 1985, jornais publicaram, no dia da eleição, uma foto de FHC sentado na cadeira de prefeito. A imagem entrou para a história como mau agouro. Jânio Quadros desbancou o concorrente nas urnas. No caso do deputado distrital, ele posou para o Correio como governador porque acreditou na palavra de Paulo Octávio, que havia garantido a repórteres, por telefone, a saída do Buriti. Os demais deputados também confiaram no governador em exercício. Tanto que, durante a entrevista de 34 minutos de Lima, lotaram a presidência da Câmara Legislativa. Queriam saudar o novo governador.
Há a expectativa de que o senhor se torne o próximo governador do DF. Como o senhor reage a essa responsabilidade?
Antes de mais nada, tenho que tomar pé da situação, tenho que formar um governo de coalizão, reunir os partidos e os deputados para que me ajudem nessa missão espinhosa. Brasília passa por um momento muito difícil, a população está sofrendo com tudo isso. As empresas estão apreensivas para saber o futuro delas, há uma insolvência que pode vir se não tiver uma administração austera.
O senhor vai ter pulso para enfrentar esse quadro de crise?
Sou muito católico, acredito na providência divina. Enquanto puder dar a minha dose de contribuição, darei até a última gota para fazer o povo de Brasília feliz.
Qual a primeira atitude que o senhor tomaria para retomar a governabilidade ?
Já pedi aos deputados que, numa hipótese dessa natureza, eles se colocassem à disposição, porque não têm que pensar no partido, mas no povo de Brasília, no sufoco.
Tem sido falado que existia um acordo entre o governador em exercício Paulo Octávio e o senhor para uma renúncia casada. Essa informação procede?
Não tem nenhum acordo dessa natureza, nós estamos observando a linha sucessória. O governador está impedido; o vice-governador, se renunciar; aí, sou eu. Não vou fugir da missão, não.
O senhor já imaginou um dia ser governador?
Nem durante essa crise eu imaginei ser, nunca passou pela minha cabeça. Mas eu sou um homem que vive dia a dia. E me preparo. Talvez não seja a pessoa que as pessoas esperavam. Mas espero superar todas as expectativas.
A crise toda gira em torno de denúncias de corrupção. Como é que o senhor vai agir com relação aos contratos do GDF com empresas consideradas suspeitas pela Operação Caixa de Pandora?
Já fiz uma preliminar com a presidenta do Tribunal de Contas, Anilcéia Machado. Ela vai me dar o suporte que eu precisar do tribunal. Tenho na Casa aqui uma assessoria que pode me ajudar a não errar.
O senhor tem fama de gastador. Nos últimos três anos, foi o segundo distrital que mais consumiu com verba indenizatória. Vai manter essa rotina no GDF?
Gastar em que lá?
São R$ 21 bilhões de recursos…
Vou aplicar no que é correto durante o período em que eu estiver à frente do GDF. Mas quero tudo detalhado. Se não puder pagar, não vai ter. A verba que existe na Câmara Legislativa é legal, não é imoral. Uso ela (sic) para a divulgação do trabalho parlamentar, sou autor de 39 leis — são de alcance social, ajudam a população, as pessoas menos esclarecidas.
Como o senhor vai lidar com os cargos no GDF. Vai fazer loteamento entre os partidos?
Vou fazer uma composição o mais técnica possível. Claro que existem as composições políticas. O GDF não é diferente do governo federal. Ele (o presidente Lula), quando compôs com o PMDB, o Edison Lobão e outros mais ocuparam o ministério de porteira fechada. O PTB pegou um monte de cargos.
O senhor vai seguir esse exemplo?
Não, não é isso. Estou falando que não é ilegal. Tenho que rever algumas coisas… ou muita coisa. O governo tem que tomar outra cara.
Assim como o presidente Lula, o senhor subiu na política sem passar pela universidade. Acha que o estudo formal faz diferença agora que pode ocupar cargo tão importante?
Não faz diferença não. A faculdade da vida ensina muito a gente. Entendo um pouco de direito hoje, de engenharia, faço um prédio acontecer de baixo até em cima.
Por falar em prédio, a Câmara Legislativa construiu um prédio suntuoso. Ele combina com o atual momento vivido pelos distritais?
Aquela Casa lá é do povo. O povo merece estar num local confortável.
Mas não seria mais justo o povo escolher se queria um prédio suntuoso ou hospitais públicos?
Mas existe recurso para tudo. Há tempo e recurso para tudo. Uma igreja, quando vai ser construída, o padre sabe que o dinheiro é dos fiéis e, no entanto, faz a igreja mais acolhedora possível.
Qual a característica pessoal que ajudou o senhor a se projetar na política ?
Diálogo, ausculta, tendência. Para onde vai passar tal coisa. Você tem que tirar as conclusões. Não é escuta, é ausculta. Essas qualidades que eu acho, são virtudes que a gente costuma exercer.
E um defeito?
Ninguém é perfeito. O nervosismo da gente, a gente é nervoso. Sou um fofinho. Posso não agradar a todos, mas sou casado com a minha esposa e fiel a ela há 31 anos.
O senhor foi eleito com 9 mil votos, mas pode comandar um cidade com 2,5 milhões de habitantes. Como agradar todo mundo?
Estou indo a serviço de todos. Vou tentar de todas as formas. Mas eu peço um voto de confiança da população.
O senhor vai se candidatar nas próximas eleições?
Não sei. O futuro a Deus pertence. Não sei ao que eu posso me candidatar ou se tenho que renunciar. E não sei também por quanto tempo eu fico no governo. De repente, a lei faculta que alguém volte, não sei. Mas se eu ficar à frente, levarei a cabo.
O senhor vai despachar no Buriti ou no Buritinga?
Ainda não sei não. A princípio pode ser lá no Buriti, naquela sala onde o governador está. Eu vi a sala, a montagem que tem lá é boa. Uma estrutura que atende a necessidade do governo. Acho um lugar mais modesto.
E quanto à Residência Oficial de Águas Claras?
Não sei como deve ser usado e quando deve ser usado. Vou fazer um estudo de tudo isso.
“O mais amigo do governador não sou eu”
Câmara Legislativa, GDF em 08/02/2010 às 12:25Deputado de terceiro mandato, o distrital Wilson Lima (PR) chegou à presidência da Câmara Legislativa em meio à maior crise política vivida pelo Distrito Federal. E apesar de ter sido eleito com a chancela de “candidato do governador José Roberto Arruda”, ele chega ao comando do Legislativo prometendo trabalhar em conjunto com os colegas. “Se fosse olhar a vontade do governador era outro. O mais amigo, o mais próximo dele não sou eu”, disse em entrevista ao jornal O Distrital desta semana. Confira trechos da conversa. A entrevista na íntegra pode ser lida aqui.
O senhor assume a Presidência da Câmara Legislativa em meio a maior crise política já vivida no Distrito Federal. Como encarar esta responsabilidade?
Wilson Lima - Bom, eu não quero dizer a você que não estava preparado. Mas o momento exige muito cuidado, requer muita habilidade. Nós estamos vivendo um momento ímpar na historia de Brasília. É preciso ter prudência, mansidão. Um bom diálogo com todos, seja oposição seja governista, porque eu não sou presidente de um segmento apenas. Eu sou presidente de todos.
Mas o senhor assume com a pecha de ser candidato escolhido pelo governador José Roberto Arruda, o nome que ele escolheu para cuidar do Legislativo e, consequentemente, do andamento das investigações na Casa…
Lima - Eu vou falar para você que não é verdade. Nós vínhamos trabalhando na renúncia de Leonardo Prudente. A casa sangrava. Então o que nós fizemos? Juntamos algumas pessoas de mais experiência, tipo Benedito Domingos (PP), Eurides Brito (PMDB), que tinham uma vivência na política muito grande, para conversar com o Leo. Quando o governador viu que a ia haver a renúncia, o governador disse ‘vocês sentam entre vocês e escolhem o nome mais tratável, o que for melhor entre vocês’. E assim aconteceu.
A escolha foi dos deputados. Eles começaram a defender o meu nome. Alguma dificuldade nós tivemos. Outras pessoas tiveram as mesmas pretensões, também legitimas. E afinal de contas outras pessoas então não conseguiram lograr exito, ter um maior número de votos e tudo mais. E foi assim. Entao não foi com o dedo do governador, que falou “eu quero esse”. Se fosse olhar a vontade do governador era outro, você sabe disso. O mais amigo, o mais próximo dele não sou eu. (O deputado faz referência ao distrital Raimundo Ribeiro, preferência explicíta do governador Arruda nas disputas à Presidência da Casa).
Eu sou da base da governista, mas isso não é pecha que deveriam colocar em cima mim. Eu sempre defendi o projeto do governador porque eu defendo primeiro a cidade, a governabilidade, acima de tudo, seja quem for o governador. Por que está em jogo o quê? As obras, os empregos, a insolvência das empresas e o caos social de Brasília. E o pior: o caos político na cidade. E mais ainda, o Poder Legislativo.
Então como fazer a partir de agora para tentar salvar o Poder Legislativo?
Lima - O regime nosso é presidencialista. Mas hoje eu tenho de ser o mais democratico possível. Exaltar em tudo a Mesa Diretora. Ela que tem tomar a deicsão em tudo. Se a Mesa achar que ainda não está madura uma ideia, nós levamos ao colégio de líderes, depois aos 24 deputados. E as decisões serão tomadas de forma colegiada.
A decisão colegiada de certa forma protege o senhor de ser responsabilizado sozinho pelas futuras decisões da Casa?
Lima - Mas eu tenho de dividir isso. Porque no momento que nós passamos não pode ser diferente. Antes alguém vinha cá e baixava um ato. E houve isso até pouco tempo. Eu não vou falar mal de ninguém mas ele (Leonardo Prudente) não quis assumir o ônus de tentar reverter o quadro político, de fazer a defesa da Casa. É nisso que eu estou pensando, na Casa. Eu estou pensando na imagem dos deputados. Ninguém foi julgado, ninguém foi condenado. Apenas há um inquérito. Não é que eu esteja defendendo nenhum deles. Mas eu tenho a obrigação de defender a instituição como um todo. Porque tem gente da situação e da oposição na Corregedoria da Casa.
O senhor não acha que esta posição pode ser entendida como uma forma de proteger os deputados, o que pode ser ruim para a imagem da Câmara?
Lima - Eu não quero procrastinar nada. Eu não vou interferir em decisão de nenhuma comissão ou do corregedor, em nada. Eu posso conversar, dialogar, mas a decisão é soberana. Eu tenho de ser parcial, eu tenho de ser transparente. Se não o povo não vai acreditar em mim.
E o jogo começou a inverter agora, com os jornais começando a tratar da interferência dos poderes, a defender a autonomia do Legislativo.
Pois então, o senhor recorreu da decisão judicial de afastamento dos oito distritais citados nas denúncias da Operação Caixa de Pandora e, menos de 24 horas depois, a Justiça negou o recurso…
Lima - Já estava pronto!
Então o senhor acha que a Justiça já está com opinião formada? Que está havendo interferência entre os poderes?
Lima - Eu acho que ninguém quer se comprometer no momento. Eles jogaram a peteca para cima, sabem que há outras instâncias. Eu quero registrar que eu respeito toda e qualquer decisão judicial e as cumprirei à risca. Mas eu quero dizer uma coisa: em momento algum me furtarei de recorrrer às instâncias superiores possíveis. Esta semana mesmo acabamos de apresentar o recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O senhor não acha que a Justiça agiu por falta de iniciativa da própria Câmara em agir com relação aos deputados envolvidos nas denúncias?
Lima - Isso é interferência entre poderes. A Câmara tem como tomar providências. Aqui há Corregedoria e Comissão de Ética. E tem a Justiça, que está apurando os fatos. Se a Câmara não tomasse nenhuma providencia, transitado em julgado seu processo, o deputado é automaticamente afastado. Mas a Mesa Diretora tomou as providências. Pediu que a Corregedoria apreciasse os processos e desse seu parecer, que é opinativo. Agora a Câmara tem prazo legal para fazer isso (afastar deputados).
O senhor já pensou que, no decorrer deste processo, pode acabar virando governador no caso de afastamento do governador Arruda e do vice Paulo Octávio?
Lima - Não fala disso, não. Não estou defendendo A ou B. Acho que os poderes são independentes e harmônicos e seria bom para Brasília continuar o governo. Mas é muito precipitado falar nisso. Eu não gostaria nem de tocar neste assunto.
O senhor está preocupado com a campanha para a reeleição? Porque existe um tabu na Câmara de que quem preside a Casa no ano eleitoral não tem tempo para ir às ruas pedir voto. Ainda mais em meio a essa crise política.
Lima - Eu não quero deixar o poder subir à cabeça, não. Eu vou para as ruas. Eu tinha como compromisso toda a manhã estar nas ruas. Agora eu vou dar um jeito, nós vamos dividir as responsabilidades, mas eu vou conseguir. Não sou só eu que vou pagar este preço. E depois eu não quero usar do cargo para fazer campanha. Eu quero mostrar nas ruas meus projetos, minhas propostas, os pedidos de obras que eu fiz. Eu conversei com o governador, essas obras estão mantidas. Não são coisas de agora, são coisas que já estavam postas e não há porque voltar atrás.
Por falar em obras e a mudança para a nova sede da Câmara Legislativa, que estava prevista para janeiro?
Lima - Ainda não temos decisão definitiva. Devemos fazer uma visita ao local na próxima semana, mas essa será uma decisão da Mesa Diretora. Mais cedo ou mais tarde teremos de mudar, mas ainda não temos decisão sobre isso.
Presidente, o senhor era contrário à publicação dos gastos com a verba indenizatória na Internet. Mas antes da crise havia um movimento na Casa para que isso fosse feito. E agora?
Lima - Fica da consciencia de cada um. Cada um faz da forma que bem entender. Não há ato obrigando a divulgação dos gastos nem vai haver. A prestação de contas é entre o deputado e o eleitor. Cada um sabe o que faz com sua verba.
Wilson Lima seria opção para Câmara
Câmara Legislativa, GDF, TCDF em 20/01/2010 às 14:29O nome que encerrou a noite de terça-feira (19) como possível novo presidente da Câmara Legislativa após a saída de Leonardo Prudente (sem partido) foi o do 1º secretário da Casa, Wilson Lima (PR). O distrital não era a primeira opção do governador José Roberto Arruda mas acabou tornando-se um dos nomes mais viáveis. Alírio Neto (PPS) enfrentaria questionamentos legais por ter sido presidente no biênio anterior. Raimundo Ribeiro (PSDB), o favorito de Arruda, teria de sair da relatoria da CPI da Corrupção, o que poderia ser ainda mais complicado a essa altura da crise. Paulo Roriz (DEM) não aceitou. Eliana Pedrosa (DEM) não tem o apoio do Buritinga. Restou Wilson Lima.
A favor de sua indicação, Lima tem alguns pontos. O primeiro é ter sido sempre um aliado fiel do governador. O segundo é não estar com futuro político garantido. Nos últimos anos, ele foi perdendo espaço em seu principal reduto eleitoral, a cidade do Gama, e sua reeleição não vinha sendo dada como certa, ao contrário de alguns colegas governistas.
No cargo de presidente, Lima conduziria o processo a contento do governo e ainda poderia receber uma sonhada recompensa: a vaga no Tribunal de Contas do DF, a ser aberta este ano com a aposentadoria do conselheiro Jorge Caetano. Desde a última vaga aberta no tribunal, Lima almeja o cargo de conselheiro e sua aposentadoria vitalícia. Pode estar mais perto de consegui-los.
Mais um golpe dos lotes
Cidades, Habitação em 22/07/2009 às 9:49Deu no Correio Braziliense desta quarta-feira (22):
“Nem bem o governo federal lançou o ambicioso programa Minha Casa, Minha Vida, já há pessoas mal intencionadas atrás do pouco dinheiro e das esperanças da população carente. Em cidades como São Sebastião e Santa Maria, uma organização batizada como Instituto Geração Brasília está cobrando por um cadastro que não vale nada e prometendo que o documento garantirá à família um apartamento financiado em condições especiais e juros mais baixos. A própria organização afirma já ter mais de 5 mil pessoas no cadastro — o que teria lhe rendido pelo menos R$ 95 mil, uma vez que cada inscrição custa R$ 19. Isso sem falar na mensalidade de manutenção de cadastro, de R$ 12— que garantiria R$ 60 mil mensais ao instituto.”
O presidente da entidade é Marco Lima, ex-deputado distrital e ex-administrador do Lago Norte. À reportagem do Correio, Lima disse que eles estariam “fazendo o cadastro das pessoas interessadas em participar do programa, em uma parceria com a Prefeitura de Cidade Ocidental.
“Nós firmamos parceria com a prefeitura de lá e vamos indicar pessoas que se encaixem no perfil; mas eles decidem”, afirmou. No entanto, por intermédio de sua assessoria de imprensa, a Prefeitura de Cidade Ocidental negou qualquer parceria com a ONG e informou que o cadastro de interessados no Minha Casa, Minha Vida só pode ser feito na própria administração municipal.
O Instituto Geração Brasília foi criado com o intuito de coletar assinaturas suficientes para apresentação de um projeto de lei de iniciativa popular assegurando aos brasilienses de nascença uma cota nos programas habitacionais do GDF. O projeto conseguiu 26 mil nomes e tramita na Câmara Legislativa.